
Na próxima do que foi uma série de noites terríveis, adormeci durante a leitura de 'Satan's Sex Slaves'.
Gosto de ler livros de histórias reais que abordem temas como: política, economia, relatos reais de pessoas que passaram por algo que fez história no mundo, seja ela boa ou ruim; assim como Estação Carandiru de Drauzio Varella. Como médico, ele passou alguns anos no presídio do Carandiru e lá conviveu com milhares de presos e ouviu muitas histórias. Aquele lugar era um verdadeiro criadouro de animais, onde não viviam, mas sobreviviam. O Carandiru era sinônimo de doenças, tristeza e ódio. Outro livro ótimo que eu li já faz alguns anos foi Se Houver Amanhã do Sidney Sheldon; adoro a linguagem que ele usa nos livros, totalmente próximo a mim, parece até que eu o conheço; você entra totalmente nas estórias: é como se estivesse vendo um filme. Neste livro, ele conta a estória de uma moça que é traída por várias pessoas, principalmente amigos e parentes e acaba na cadeia inocentemente. Lá, ela articula planos, e quando consegue sair da prisão, vinga-se de todos. Esta é a melhor parte. Ela faz estratégias inacreditáveis, engenhosas. Só lendo para entender - Mas é muito bom. Outro do Sidney que eu também li foi o Nada Dura para Sempre. Há outros que não recordo os nomes no momento.
Com o quê sonha a Keila? Nada de excepcional, exceto naquela segunda noite. Não foram sonhos nobres, apresso-me em dizer. Foram sonhos ingratos, loucos e confusos. Uma sessão intensa de 'sonhos ruins', como diria minha bisavó materna, Thurlowa Tremain. Pois, quando acordei, estava toda pegajosa e febril.
Ainda era madrugada. A lua era um riso mofado num céu completamente negro, esquizóide. Por algum motivo escuso, meu coração batia com uma lentidão dolorosa. O medo era como um bloco de gelo sobre meu peito. O medo me nauseava, formando um bolo em minha barriga, como uma gravidez medonha.
A Coisa estava acocorada sobre o meu ventre.
Quando dei o primeiro grito, ela saltou com um rosnido terrível, frustrado. E ficou agarrada à parede, como uma mosca imensa. Era um parasita rosa-acastanhado, insaciado, cheio de astúcia primária. Suas feições tinham a avidez morta e brilhosa de um alce empalhado. Uma careta seca de medo, uma lúgubre espécie de inexpressividade. Os olhos imbecis e aterrorizados de pânico, pareciam os olhos de um sapo tomando sol numa pedra. E, quando sua boca deformada abriu-se, exibiu um mal-feito círculo oral de presas protuberantes. Dali, saía um hálito esverdeado, como gavinhas de teleplasma. Senti uma baforada de carniças.
Mas isto não foi o pior. O pior foi aquele riso imenso e bobo, como o que o turistas vêem nas caveiras de vacas no deserto.
Senti a repiugnância terrível e instintiva de uma mulher que percebe que a coisa que se debate presa em seus cabelos é um morcego, 'companheiros de corpo quente e coriáceo, de ossos cobertos por carne escassa!', como dizia Lester, com seu antiquado sotaque magiar. Mas não era um morcego. Era um íncubo.
Estes parasitas sexuais, tão frequentemente lembrados na literatura fantástica, são, na verdade, uma das raças menos conhecida de sugadores europeus. A maneira mais comum de se alimentarem é tendo relações com suas vítimas, deixando-as exaustas e, depois, alimentando-se da energia dispersada no ato sexual. Eles podem entrar numa casa sem serem convidados, e tomar a aparência de qualquer pessoa. Geralmente visitarão suas vítimas mais de uma vez. A vítima de um incubus interpretará as visitas como sonhos. A versão feminina do Incubus são os abjetos Succubus. Mais tarde, eu descobriria que estas criaturas inconvenientes não são inteiramente inofensivas, mas também não são tão perigosas. Não tem, digamos, existência própria. À medida que ele me visitou mais vezes, intermitentemente, com insistência insidiosa, eu fui percebendo que ele não era o pior que estava reservado para mim. Na verdade, ele apenas precedeu o Mestre, assim como os chacais precedem os leões sobre as caracaças das savanas africanas. De novo, Alien3: 'Ele é como o leão: gosta de estar próximo das zebras'.
A seguir, aquela coisa pegajosa e morta ganiu profundamente. Depois começou a dar um latido extremamente feio, basicamente grave, mas que se decompunha em frases agudas nos registros superiores (como se estivesse mastigando vidro). Uns guinchos compridos e altos, de pôr cubos de gelo no coração. Uma punhalada de pavor feriu meu peito como um ferro em brasas. Naturalmente, desta vez, eu gritei para valer.