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Comunicado das Organiza��es da Sociedade Civil
da Guin�-Bissau
em Portugal
As Organiza��es da sociedade civil guineense que se encontram actualmente em Portugal, compreendendo sindicatos, organiza��es n�o-governamentais e associa��es profissionais, assim como associa��es de emigrantes guineenses em Portugal, reunidas em Lisboa a 2 de Fevereiro de 1999,
a) Profundamente preocupadas com o recome�o da Guerra na cidade de Bissau que est� a provocar a morte de centenas de habitantes e a fuga catastr�fica sem as m�nimas condi��es de seguran�a de centenas de milhares de pessoas para o interior do pa�s, em especial mulheres, jovens e crian�as,
b) Convencidos que o reacender do conflito, ap�s in�meras manobras dilat�rias e de divers�o, foi minuciosamente organizado e preparado, inclusive com a inclus�o de uma fase de acalmia e cessar-fogo que permitisse o regresso das popula��es a Bissau para servirem de escudos humanos.
c) Conscientes que apenas a Nino Vieira e �s for�as estrangeiras que o apoiam, podia interessar o recurso a via das armas para se manter no poder.
d) Preocupadas com os riscos cada vez mais evidentes, de uma regionaliza��o do conflito o que interessaria � Fran�a, como forma de poder justificar, por raz�es geo-estrat�gicas, uma interven��o declarada no mesmo.
e) Indignadas com as not�cias ontem divulgadas em Bissau relativas a um acordo secreto estabelecido recentemente entre os presidentes Nino Vieira e Abdou Diouf que oferece a soberania da Guin�-Bissau durante 5 anos a troco de apoio militar do Senegal nesta guerra,
f) Preocupadas com a inger�ncia de for�as militares europeias - sejam do Ex�rcito franc�s, sejam de mercen�rios - e a utiliza��o de meios navais de guerra estrangeiros nos combates, o que vai provocar uma escalada da guerra para n�veis de viol�ncia nunca antes atingidos, aumentando o sofrimento de todo o povo guineense cansado de guerra e ansioso pelo regresso � sua vida normal,
g) Engajadas na procura de uma via que restitua ao povo guineense a paz, a dignidade, a esperan�a e a coragem para reconstruir um pa�s exausto e destru�do pela guerra,
As associa��es de emigrantes e as organiza��es da sociedade civil guineense,
1) Exigem, no respeito integral dos Acordos de Abuja e Praia, a cessa��o imediata dos combates e a retirada incondicional dos ex�rcitos estrangeiros da Guin�-Bissau,
2) Responsabilizam a comunidade internacional, em especial a CEDEAO, pelo impasse e atraso no processo de Paz na Guin�-Bissau, que se arrastou penosamente por largos meses perante o sofrimento do povo guineense, e que agora foi aproveitada por aqueles que durante 18 anos sempre desrespeitaram a vontade leg�tima do povo, para colocar acima de tudo os seus interesses pessoais de poder vital�cio e de gest�o ditatorial do pa�s,
3) Apelam � Organiza��o das Na��es Unidas e � Uni�o Europeia a assumir decididamente e sem sil�ncios c�mplices, as suas responsabilidades na procura da Paz, n�o contemporizando com o genoc�dio do povo guineense nem com a inger�ncia dos seus membros, de forma directa ou mais velada, no apoio ao regime ditatorial de Nino Vieira, o qual j� foi repudiado pelo Povo Guineense, por todos os meios ao seu alcance, nomeadamente atrav�s da Assembleia Nacional, dos Partidos pol�ticos da oposi��o, de respons�veis e militantes do PAIGC, declara��es de quadros e de organiza��es da sociedade civil e de manifesta��es de rua,
4) Exortam a Fran�a a demarcar-se de forma clara desta guerra, recusando apoiar os ex�rcitos invasores, n�o contribuindo com apoio log�stico de guerra, n�o participando nos bombardeamentos a infra-estruturas e popula��es indefesas e condenando um regime ditatorial e corrupto, envolvido em pr�ticas de tr�fico de armas e de droga,
5) Condenam o vergonhoso comportamento das tropas senegalesas que est�o a impedir a fuga de refugiados para fora de Bissau, utilizando-os cobardemente como escudos humanos,
6) Convidam o Senegal a procurar pela via do di�logo resolver os seus problemas internos da Casaman�a, n�o transferindo a sua solu��o para pa�ses terceiros nem escamoteando a origem dos seus verdadeiros problemas, transformando esta guerra numa quest�o regional,
7) Exortam toda a popula��o guineense, no interior e exterior do pa�s, a refor�ar a sua uni�o � volta da defesa intransigente do solo p�trio, da soberania nacional, da dignidade e da paz,
8) Afirmam solenemente o seu respeito pela mem�ria do Bispo de Bissau, Dom Arturo Settimio Ferrazzetta, recentemente falecido na sequ�ncia de uma luta intr�pida e corajosa pela Justi�a, Verdade e Paz na Guin�-Bissau, comprometendo-se a seguir o seu exemplo e a prosseguir a sua luta por uma sociedade guineense solid�ria e progressiva, combate de sempre de Dom Settimio,
9) Declaram o seu pleno engajamento na mobiliza��o de todos os recursos humanos na procura dos caminhos da Paz.
Feito em Lisboa a 2 de Fevereiro de 1999
Uni�o Nacional dos Trabalhadores da Guin�-Bissau (Central Sindical)
Ordem dos Advogados da Guin�-Bissau
Associa��o dos Engenheiros
Associa��o Guineense dos Comerciantes de Bandim
AIFA-PALOP
AD - Ac��o para o Desenvolvimento
ALTERNAG � Associa��o Guineense de Estudos e Alternativas
TINIGUENA
Associa��o da Guin�-Bissau para as Na��es Unidas
Associa��o Guineense de Solidariedade Social
Conselho Guineense da Di�spora
CIOJ
PROMOCONSULT
RADOP � Rede de Apoio as Organiza��es de Autopromo��o
Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Telecomunica��es
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