A rota das Montanhas: Um passeio de 288 Km por um dos caminhos mais bonitos do mundo: A rodovia Icefields Parkway, nas Montanhas Rochosas do Canadá.
São 288 Km. Muito possivelmente, os 288 Km mais bonitos que você já viu. Desde que, é claro, você já tenha tido a oportunidade de tomar um avião no Brasil e desembarcar no Canadá, alugar um carro e rumar para cá. Para os 288 Km de uma das estradas mais bonitas do mundo, a Icefield Parkway, nas montanhas Rochosas do Canadá, onde você acaba de entrar.
Antes de mais nada, uma explicação. Embora seja uma estrada, o grande objetivo da Icefield Parkway não é apenas levar você de um lugar para outro, como uma rodovia qualquer. Tampouco é um simples meio de se atingir um determinado destino. Não, não é. Para a maioria de seus usuários, ela é sim, o próprio destino da viagem; o objetivo principal do passeio. Estar nela é o que importa. E muito mais importante do que chegar é estar indo. Para qualquer lugar. Em condições normais, os 288 Km da Icefield Parkway poderiam ser cumpridos em pouco mais de 3 horas de viagem, sem nenhum esforço. O asfalto é excelente, o movimento nunca chega a ser excessivo, e a pista, embora de mão dupla, é suficientemente larga e bem sinalizada. No entanto, praticamente ninguém faz isso. Gasta-se, isso sim, horas para rodar míseros Kms e muitas vezes em sentido oposto ao que se estava indo, porque aqui sempre vale a pena voltar um pouco para ver melhor o que já se viu antes. Com isso, o que mais acontece é, num mesmo dia, você cruzar 3, 4, ou 5 vezes com o mesmo carro, e cada vez em um sentido diferente. Hora é ele que está indo, hora é você que está voltando, mas sempre em movimento, porque é difícil ficar parado quando se sabe que depois da próxima curva pode haver uma montanha ainda mais alta ou uma paisagem ainda mais bonita. E geralmente há mesmo. E assim o tempo vai passando e você vai ficando. Pelo meio do caminho. Há quem leve um dia inteiro para cumprir todo o percurso, parando apenas onde não há como parar. Como, por exemplo, quando uma manada de alces resolve atravessar a pista, o que acontece freqüentemente. Há, porém , que gaste semanas andando sem destino para lá e para cá, em busca apenas de um lugar onde possa observar melhor a principal razão da tamanha atração que esta estrada exerce: os picos eternamente nevados das grandes Rochosas Canadenses, uma estupenda sucessão de montanhas que começa nos arredores da cidade de Banff, a cerca de 300 Km da fronteira do Canadá com os Estados Unidos, e segue imponente até o pequeno povoado de Jasper, a 288 Km ao Norte. E é justamente entre Jasper e Banff, subindo e descendo montanhas, que fica a Icefield Parkway. Na teoria, as montanhas Rochosas do Canadá, são apenas uma parte do Grande maciço das Rock Montains, que começam no México e vão até o Alasca, sempre beirando a Costa Oeste do Continente norte-americano. Na prática, porém, o trecho canadense é, disparado, o mais bonito e acessível. Tão belo que há muito tempo todo ele passou a ser protegido por lei, através da criação de dois grandes parques nacionais, os de Jasper e de Banff, este o terceiro mais velho do mundo, criado ainda no século passado, em 1885, apenas 11 anos depois do pioneiro Yellowstone, nos EUA.

A Icefields Parkway corre inteira dentro destes dois parques, serpenteando montanhas de até quase 4 mil metros de altura, que, por isso mesmo, dificilmente ficam inteiras à mostra. mesmo no verão, seus cumes permanecem cobertos por uma espessa camada de neve. A mesma neve que, ao se derreter lentamente, é responsável pelo surgimento da segunda maior atração das Rochosas Canadenses depois é claro, das próprias montanhas de Jasper e Banff. Todos, aliás, coloridos. Graças a uma formidável alquimia da natureza, é possível encontrar lagos azuis, amarelados, principalmente, verdes. Só nos limites de Jasper há 700 deles. E um diferente do outro. O fenômeno acontece ainda com maior intensidade em Banff que, entre outras atrações se orgulha de possuir dois dos mais bonitos lagos da região, muito provavelmente de todo o país: o verde-esmeralda Peyto Lake e o azul-turquesa Lake Louise - este só descoberto 100 anos atrás e por um funcionário de uma ferrovia que, seguindo os estrondos de um desabamento de gelo dentro d'água, deu de cara com um lago que é a própria síntese da beleza da região: águas azuis margeadas por pinheiros, num vale profundo entre montanhas e com uma enorme geleira ao fundo. Os turistas deliram. Em média, 4 milhões deles passam por ali todos os anos, de abril a novembro, que é quando a estrada se abre para o tráfego normal de veículos - No inverno ela fecha por causa da neve, que chega a 4 metros de altura sobre o asfalto. Só a minúscula Jasper, De 4 mil habitantes, recebe 2 milhões de forasteiros cada temporada - quase o mesmo que o Brasil inteiro em um ano. E ninguém volta para casa decepcionado. Nem mesmo quando os mais famosos moradores da região resolvem não dar as caras. SEgundo os últimos levantamentos, as Rochosas Canadenses, abrigam cerca de 2 centenas de ursos, algumas dezenas de felinos, um cinqüenta lobos e milhares de alces, veados e cabritos da montanha, sem falar em grandes colônias de castores e uma infinidade de esquilos. Com exceção destes últimos, todos os grandes mamíferos da região têm suas populações controladas de perto pelos parques. Durante o verão, época em que os bichos finalmente dão o ar da graça após de meses de clausura no inverno, grupos de fiscais passam 8 horas por dia voando de helicóptero à cata, principalmente de ursos e felinos. Quando os encontram disparam anestésicos, e atam um colar com rádio-transmissor no pescoço do animal para, dali para a frente, acompanhar seus deslocamentos. Só no ano passado, 29 ursos foram marcados a um custo de 300 dólares por rádio-transmissor. Apesar de todo o cuidado, absurdos ainda acontecem. Não faz muito tempo, os fiscais conseguiram reaver uma fêmea Cougar que havia sido marcada 2 anos antes: estava morta, no bagageiro da camionete de 2 caçadores. É uma pena, mas a estrada de sonhos dos homens não escapou de virar um pesadelo para os animais.

Pé no chão:

Onde é: No Sudoeste do Canadá, na divisa dos estados de Alberta e Columbia Britânica, dentro dos limites dos parques nacionais de Jasper e Banff, e não muito distante das fronteiras com Montana e Washington, nos EUA.

Como chegar: A melhor maneira é alugar um carro nas cidades de Calgary, Edmonton ou Vancouver e viajar sem pressa entre Jasper e Banff. Melhor ainda é alugar o carro em uma cidade e devolver na outra, para não ter de voltar tudo de novo, o que as vezes é possível. Jasper fica a cerca de 350 Km de Edmonton, capital de Alberta, que por sua vez fica a 4 horas de vôo de Toronto, principal porta de entrada dos turistas no Canadá. Já Banff está a apenas 130 Km de Calgary, que também fica a 4 horas de vôo de Toronto, ou a 900 Km de Vancouver, principal cidade da Columbia Britânica. Para quem vem do Brasil, a melhor opção são os vôos da Canadian Airways (tel:011/2599066), que partem 5 vezes por semana de São Paulo para Toronto e de lá para todo resto do Canadá. Ainda para os brasileiros, vale a pena consultar agência de turismo Canada Connection, com sedes em São Paulo(tel:011/607-0947) e Vancouver(tel:604/6832666). No mínimo, todo o atendimento será em português. Mesmo lá.

Quando ir: No inverno, de dezembro a março, é praticamente impossível viajar entre Jasper e Banff por causa da neve, que bloqueia a estrada. Já de maio a Outubro a temperatura é bem mais amena e a estrada fica aberta, sem nenhum problema. Por isso, os melhores meses são julho, agosto e setembro.

Onde ficar: Tanto em Jasper e em Banff, o que não faltam são bons hotéis. Além disso , ao longo da estrada entra as duas cidades, existe pelo menos uma dezena de campings extremamente bem equipados (levar uma barraca pode ser uma boa!!!). Mesmo assim, cuidado com o calendário: em agosto tudo lota.

A dica do autor: O asfalto é ótimo, a estrada super segura e a tentação de ver logo o que há pela frente, constante. Apesar disto controle a ansiedade e a pressão no acelerador. Viaje devagar, parando a cada placa, a cada curva, a cada  montanha, para observar melhor a paisagem. Aqui, mais que em qualquer outro lugar, a pressa é inimiga da curtição.

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