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Cabeceira g�tica da Igreja do Convento de S. Domingos, dedicado a Nossa Senhora dos M�rtires Curiosa � a hist�ria das duas imagens da padroeira, Nossa Senhora dos M�rtires, que se sucederam como fulcro da devo��o na igreja: a primeira � uma majestosa pe�a em m�rmore, quase em tamanho natural, com importantes vest�gios de policromia; seria, segundo Eurico Gama, a imagem da ermida original, tendo depois passado para o mosteiro, onde se manteria at� ao s�culo XVI, altura em que uma nova imagem, em massa e igualmente policromada, a substituiria. O destino da primeira - que Gama afirma ser ainda do s�culo XIII, talvez feita em oficina de Coimbra ou �vora e, portanto, pass�vel de ter sido venerada no templo anterior - foi um nicho sobre a Porta dos M�rtires da cerca fernandina, para onde ter� sido mandada levar por D. Jo�o II, que ter� decerto oferecido a outra, mais de acordo com o gosto quinhentista; ali se ter� mantido at� � constru��o da muralha seiscentista, altura em que voltou ao convento para, j� neste s�culo, ter transitado para o Museu Municipal.
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A Igreja e Convento de S. Domingos, ou de Nossa Senhora dos M�rtires, seu orago, ergue-se na freguesia de S. Salvador, encostada ao pano nascente da muralha fernandina, no local onde estivera a Ermida de Nossa Senhora dos M�rtires, mem�ria dos crist�os tombados na conquista de Elvas. Fundado por Afonso III em 1267, para al�m de
convento vai ter tamb�m a funcionar uma albergaria e um hosp�cio, que, quando Cosmander
o faz demolir, devido a imperativos da constru��o das muralhas seiscentistas, era o
maior da cidade. E, se o convento n�o existe j�, transformado no s�culo passado em
quartel, a igreja conserva o essencial da sua estrutura primitiva - dentro dos padr�es da
arquitectura mendicante medieval - com tr�s naves de altura desigual, sendo a central
mais elevada, cobertas por um tecto de madeira; est�o divididas em cinco tramos por
grossos pilares de oito colunas enfeixadas, rematados por arcos ogivais. O transepto, mais
largo que o corpo do templo, acompanha a altura da nave principal e a largura da
cabeceira, formada por uma extraordin�ria abside poligonal - que Chic� considerava uma
das mais perfeitas pe�as do g�tico portugu�s - e quatro absid�olos quadrangulares.
Toda em cantaria, esta complexa cabeceira tem igual esplendor vista do interior, com a
ab�bada da ousia sustentada por finas nervuras e os largos janel�es rasgados no topo,
como do exterior, com os elegantes contrafortes em degraus e uma Outros monumentos funer�rios dignos de registo encontram-se na nave, numa arca tumular ainda duocentista em arco s�lio, no transepto, onde est�o a arca e ed�cula brasonada seiscentistas, de Jo�o Rodrigues do Amaral, ou na ante-sacristia, onde permanece a sepultura igualmente brasonada de D. Isabel do Couto de Ata�de, datada de 1621. Outras pe�as interessantes so as quatro grandes t�buas quinhentistas de escola portuguesa, dat�veis de cerca de 1555 (do per�odo de interven��o de D. Jo�o III), representando A Virgem no Templo, A Adora��o dos Magos, a Fuga para o Egipto e o Menino entre Doutores, faltando no entanto a pe�a pict�rica mais not�vel da igreja: o grande ret�bulo maneirista de Sim�o Rodrigues, executado com a colabora��o do entalhador Gaspar Coelho, c. 1590, e que, como refere V�tor Serr�o, era constitu�do por oito t�buas, desmontadas aquando das obras de restauro empreendidas pela Direc��o-Geral dos Edif�cios e Monumentos Nacionais (que apenas se detiveram quando conseguiram fazer regressar a ousia do templo � sua �pureza� g�tica), pe�as que se conservam hoje no Museu Municipal.
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� 1997 LP - �ltima actualiza��o em 01-06-1998