TITLE: Ela nunca voltou - Part 2/2 AUTHOR: Claudia Modell IDIOM: Portuguese E-MAIL: cmodell@hotmail.com HOMEPAGE - http://www.geocities.com/TelevisionCity/1828 SPOILER WARNING: Duane Barry DISTRIBUTION STATEMENT: Anywhere, but Gossamer (I did it already) RATING - PG - for the emotional content CATEGORY - A KEYWORDS - Mulder/Scully friendship SUMMARY: A phone call. And Mulder is unsure about who is Scully. The story is in Portuguese. Ela nunca voltou - Parte 2/2 Ela acordou com uma dor de cabeca terrivel. Tentou lembrar o que tinha acontecido, mas so conseguia lembrar de ter ido para o quarto do hotel em Detroit. Agora estava acordando em uma casa vazia. Foi ate a janela e viu que estava em um campo. Nao tinha mesmo a minima ideia de como tinha ido parar la. E onde estava Mulder? Ela tentou manter a calma, afinal ela nao estava ferida, e pelo jeito nao era prisioneira. Nao estava amarrada pelo menos. E tinha certeza que Mulder devia estar procurando por ela. Achou melhor se deitar um pouco para ver se a dor de cabeca passava. Ela daria tudo por uma aspirina naquele momento. Em poucos minutos tinha adormecido. Mas nao completamente. Estava naquele estado entre a vigilia e o sono, em que a mente fica atenta ao que ocorre mas o corpo nao pode reagir a nada. Mas ela estava se sentindo bem, a dor de cabeca estava passando, e ela ouvia somente um som vindo de fora. Era um som conhecido, mas que a aborrecia. Mais do que isso, algo na sua mente lhe dizia que era um som perigoso. Mas ela estava cansada demais, e se deixou levar pelo sono. Entao comecou a sonhar. Em seu sonho ela via Mulder correndo, mas nao em direcao a ela. Ele corria dela. Ela corria atras dele, pedindo que esperasse por ela. Mas suas pernas nao obedeciam. Ao mesmo tempo ela ouvia aquele barulho. Ela olhou em volta e entendeu de onde vinha o barulho. Eram abelhas, milhares delas. Todas vindo em sua direcao. Entao ela gritou para Mulder. Gritou o mais alto que pode. E ele se virou. Ela gritou que ele esperasse, que as abelhas estavam atras dela. Entao ele respondeu com voz calma "Elas nao farao mal a voce". Mesmo falando baixo ela o ouviu perfeitamente. E ele continuou repetindo. "Calma, elas nao vao fazer mal a voce". Repetia isso sem parar. Mas entao ela notou que nao era mais o Mulder que estava falando com ela. Era Jeremiah Smith. Ela acordou assustada. E ficou mais assustada ainda com o que viu. _____________________________xxxxxxxxxxxx____________________________ Mulder tinha decidido esquecer o assunto sobre clones e o sequestro de sua parceira. Mas isso tinha se tornado dificil. Por mais que tentasse ele nao conseguia se livrar do sentimento de culpa por estar abandonando o clone da Scully. Ele dizia a si mesmo que era somente um clone, que ja teria ate sido eliminado. Mas nao adiantava. Ele se sentia o pior dos homens por fazer isso. Nao discutia o assunto com Scully. Mas pressentia que ela sabia de algo. E se ela realmente soubesse que havia um clone no seu lugar? E que ela tinha sido mantida prisioneira por tanto tempo? Entao era ainda pior, afinal ele estava abandonando sua parceira, mesmo que fosse um clone. Era a sua parceira ate algumas semanas atras. Deviam fazer um tratado de psicologia sobre isso. Ele mesmo com todo seu conhecimento da psique humana nao conseguia colocar em ordem seus sentimentos em relacao ao assunto. Mas enfim estava decidido a ir atras do clone. Faria isso sem que a Scully soubesse. Era um risco grande, ir atras do clone e ainda por cima nao deixar Scully saber. Mas era melhor assim. Se descobrisse que ela estava morta se sentiria...... Como se sentiria???? Aliviado? Pela morte da pessoa que sempre esteve do lado dele? Que salvou a vida dele?? Triste? Pela morte de um clone? Que foi colocado ao lado dele para vigiar seus passos? Realmente ele nao fazia ideia de como iria reagir. Talvez tivesse fazendo isso para si proprio. Para ficar em paz com a propria consciencia. Foi nesse momento que ele viu que estava seguindo o raciocinio de um crapula. Ele estava sendo um crapula. Mas percebeu tambem que qualquer coisa que fizesse o faria um ser sem escrupulos. Deixar o clone a sua propria sorte era a atitude esperada de uma pessoa como o Canceroso. Ir atras do clone significava uma traicao contra sua parceira. Afinal seria como afirmar que o clone tinha sido uma otima parceira e ele precisava dela. Mas o que o deixava mais triste consigo mesmo era o sentimento que estava tomando conta dele. O desejo de fazer com que o clone sumisse. Com que nunca tivesse existido. Ele sentia que se Scully estava do seu lado, entao o clone podia ter o fim que fosse. Ele nao precisava saber. Mas ele lutou contra isso. Resolveu ir atras do clone. Quanto a Scully ele depois decidiria como contar a ela. Agora tinha que descobrir como achar o clone. ______________________________xxxxxxxxxx______________________________ Ver Jeremiah Smith era a ultima coisa que ela esperava. Tinha certeza que ele estava morto. Ou nao estava? Ele estava falando com ela. Dizendo a ela que ficasse calma. Ela entao perguntou onde estava. E de onde vinha aquele zunido de abelhas. -Elas estao la fora. Nao precisa se preocupar. Abelhas so atacam quando sao provocadas. -O que eu estou fazendo aqui?? -Voce foi trazida de volta para casa. Aqui e seu lar. Voce vai se sentir melhor mais tarde e vai se lembrar de tudo. -Essa nao e minha casa. Eu quero ir embora imediatamente. Preciso usar o telefone. -Nao temos telefone aqui. Como eu ja disse, descanse. Mais tarde vou responder a todas as suas perguntas. Mesmo querendo ir embora, ela achou que a ideia de descansar nao era tao ma assim. E adormeceu quase imediatamente. Dessa vez nao sonhou, apenas dormiu profundamente. _______________________________xxxxxxxxxx_____________________________ Mulder ligou para o escritorio de Marita Covarrubias. Ele sabia que ela conseguiria descobrir algo sobre o clone. Ela foi um tanto quanto evasiva ao telefone, mas eles marcaram um encontro e poderiam falar com mais tranquilidade. >Eu preciso saber algo. Acho que voce poderia descobrir isso para mim. Se estiver disposta. >Eu sei o que o senhor procura Agente Mulder. Ela esta a salvo. Esqueca que ela existiu. >Esta viva? Esta bem? >Sim, posso lhe garantir isso. >E como pode garantir? Voce sabe onde ela esta? >Eu ja lhe mostrei coisas demais, e ja dei informacoes demais. Informacoes que podem servir por muito tempo. Nao tenho nada de novo a acrescentar Sr. Mulder. >Entao e so isso? Ele mal teve tempo de fazer essa pergunta, e ela ja estava indo embora. Nao tinha sido de grande utilidade. Ele lembrou das vezes que ela o tinha ajudado. Nao muitas por sinal. Uma vez lhe conseguiu o passaporte para a Russia. E da primeira vez que se viram, apos a morte do Mr. X, ela tinha lhe mostrado que o que ele tinha visto era verdade. Que havia um campo onde.... Isso! O campo onde estavam os clones! Ela tinha dado aquela informacao. E agora ela tinha lhe dito exatamente onde estava o clone. Foi facil. Ele tinha sido estupido em nao ver isso. Mas ai se lembrou. Aquele campo nao existia mais. Quando Marita Covarrubias lhe mostrou as fotos da colonia, o campo ja nao existia mais. E agora? Onde procurar? Talvez fosse uma ideia procurar todos os campos em que se criavam abelhas. Falando assim parecia facil. Mas talvez a colonia nao tenha se mudado para muito longe. _________________________________xxxxxxxxxx___________________________ Finalmente ela acordou. Estava se sentido muito melhor agora. Mas o zumbido das abelhas continuava. Resolveu tentar abrir a porta. Tinha certeza que estava trancada. Mas resolveu arriscar assim mesmo. Ficou surpresa ao verificar que a porta estava aberta. Saiu da casa e percebeu porque eles nao tinham medo que ela fugisse. Eles estavam no meio do nada. Um enorme campo. Haviam algumas plantacoes, e uma enorme estufa. E, e claro, as abelhas. Estavam por toda parte. Mas nao chegavam perto dela. Ela decidiu que era melhor nem ao menos abanar as maos, lembrando-se do que Jeremiah tinha dito a ela. Ela resolveu fazer uma exploracao. A ideia era seguir com calma pelo campo ate estar longe o bastante e correr. Correr sem parar. Ate encontrar um ser humano normal que a levasse de volta para Washington. E foi o que ela fez, seguiu andando calmamente. Mas antes mesmo de conseguir uma boa distancia, ela ouviu uma voz. -Vejo que acordou disposta a caminhar. Nao era Jeremiah Smith. Era um homem desconhecido. -Eu estou disposta a voltar para casa se nao se importa. Acho que sabe que sou uma agente do FBI e que sequestro e um crime federal. -Dana, nos precisamos conversar exatamente sobre quem voce e. -Entao sabe meu nome. Esta em vantagem em relacao a mim. -Nomes nao sao importantes. Mas me chame de John se quiser. Ele parecia uma pessoa muito calma. Se isso era um sequestro entao os sequestradores eram otimas pessoas. Esse pensamento a fez sorrir. -Entao, John, me diga, o que eu estou fazendo aqui? Porque estao me mantendo prisioneira? -Voce nao e prisioneira. Essa e a sua casa. Voce somente voltou para casa. Nao se lembra agora, mas com certeza vai se lembrar. -Escute eu nao sei quais sao as intecoes de voces, mas nesse momento meu parceiro esta a minha procura, e com certeza o FBI inteiro tambem, entao vamos fazer o seguinte, voces me deixar ir embora e eu nao falo nada sobre a existencia desse local. O que acha? -Parece ser uma otima oferta, Dana, mas nao acho que seja necessario. Seu parceiro nao esta lhe procurando. A verdadeira Dana Scully esta ao lado dele nesse momento. Nao ha motivo para ele procurar voce. Veja, talvez voce nao se lembre, mas voce e um clone, uma copia fiel da verdadeira Scully. -E quer que eu acredite nisso? Ok, eu acredito, agora posso ir embora? -Pode ir onde quiser, mas nao saia da propriedade. Ele a deixou sem dizer mais nada. Ela tinha ouvido aquele absurdo e tinha ate mesmo rido do que ele disse. Mas isso foi a mesma coisa que Mulder tinha lhe dito algumas semanas atras. Ela nao podia acreditar que Mulder iria aceitar o fato dela ter desaperecido. Mesmo que ele tivesse com aquela ideia absurda de que ela era um clone. Nao ele nao a abandonaria. _______________________________xxxxxxxxxx_____________________________ Ele visitou quinze apiculturas. Em cada uma delas teve que se passar por interessado no comercio de mel. Ja estava enjoado de provar mel de abelhas. E a busca parecia infrutifera. Mas ele sentia que nao podia parar. Ja estava decidido a prosseguir quando o celular tocou. Era Scully. -Mulder pode me dizer onde esta? E o que esta fazendo? -Na verdade estou atendendo a um pedido de um amigo. Ele pediu que eu desse uma olhada em um possivel uso de seres humanos como escravos. De onde ele tirou essa? Sua mente as vezes o deixava boquiaberto. Era a pior mentira que alguem ja tinha inventado. -Mulder, sinto muito interromper essa sua investigacao, mas Skinner quer falar com nos dois ainda hoje. -Sim, Scully, eu encontro com voce na sala do Skinner, as 3 ok? -Ok, espero voce entao. As tres horas ele estava la. Skinner recebeu os dois e explicou a eles o novo caso em que teriam que trabalhar. Mulder nao gostou muito de ser afastado de sua investigacao, mas a garantia de que o clone estava bem o deixou tranquilo, e trabalhar em um novo caso deixaria Scully menos desconfiada. ______________________________xxxxxxxxxxx_____________________________ Os dias passavam e ela ja comecava a perder as esperancas de que Mulder a encontraria. Talvez John estivesse certo. Mulder nao precisava mais dela. Ela era somente um clone. Ela nao valia muito, afinal clones podem ser refeitos. Isso a estava deixando deprimida. Ela ja nao estava confiando em Mulder. Ele realmente a havia abandonado. Tempo demais tinha se passado desde o dia do sequestro. Tempo demais. Sera que foi assim que a verdadeira Scully se sentiu enquanto estava sendo mantida como prisioneira? Sera que ela chegou a perder a confianca nele? Sera que ela comecou a odia-lo? Oh meu Deus, agora ela ja estava realmente achando que era um clone. Tinha que afastar esses pensamentos. Era exatamente o que eles queriam, que ela acreditasse que era um clone, que ela perdesse a esperanca. Queriam afasta-la de Mulder. Deixa-lo sem ninguem em que confiar. Mas o fato principal permanecia. Porque ate agora ele nao a tinha encontrado? E novamente ela respondia a sua propria pergunta. Porque ele nao queria. E ele nao queria porque ela era um clone. ________________________________xxxxxxxx______________________________ O caso que Skinner passou para eles tomou mais tempo e energia do que imaginavam. O confronto final com o assassino tinha sido uma batalha a ceu aberto. Dois policiais morreram durante o tiroteio. E Mulder viu sua parceira ser atingida por um estilhaco. Nao foi nada grave. Mas ele ficou assustado. Ultimamente tinha aquela ideia fixa de achar o clone. E agora percebia que estava deixando Scully de lado. Ele se sentiu culpado por isso. Nao podia fazer isso com ela, que ja tinha sofrido tanto. O sequestro por si so ja tinha sido uma experiencia terrivel, mas acordar e nao se lembrar que o pai e a irma morreram nao deve ter sido muito agradavel tambem. E mesmo sabendo disso la estava ele. Procurando pelo clone dela. Pelo ser que tinha lhe roubado esses anos. Pelo ser que tinha tido a audacia de sentir a tristeza das mortes de seus parentes no lugar dela. Ele nao podia abandona-la duas vezes. Ele a abandonou quando recebeu de volta o clone. Ele nao sabia que era um clone. Mas agora ele a estava abandonando para ir em busca do clone que ele sabia muito bem o que era. Esse abandono ainda era pior que o primeiro. Nao foi dificil decidir o que fazer. Se tendo que escolher entre a Scully ferida a sua frente ou a falsa Scully que estava bem e com saude em algum lugar, entao ele escolhia a primeira. _______________________________xxxxxxxx_______________________________ Ja tinha se passado muito tempo desde seu sequestro. Agora ela ja estava realmente convencida de que Mulder nao estava procurando por ela. A principio essa certeza a fazia triste. Mas agora ela estava mais do que decepcionada com ele. Ela estava zangada. Nao a maltratavam ali, mas ele nao tinha como saber disso nao? Como ele podia ter feito isso? Ela nunca imaginou que ele a abandonaria. Mas ja haviam se passado mais de cinco meses, pelo que ela pode contar. Era tempo demais. A vida nao era ruim no campo. Ela tinha toda a liberdade, nao podendo somente sair da propriedade. Nos primeiros meses ela tentava fugir sempre. Mas agora ja nao tentava mais. Sabia que nao havia nada para ela la fora. Sua familia nem ao menos sabia que ela havia desaparecido. Sua familia. Ela ainda ficava confusa com isso. Seria ela realmente um clone? Ou estavam fazendo uma especie de lavagem cerebral nela? Para convence-la de que era um clone. Entao o clone estaria la, com Mulder. E com a familia dela. Usando as roupas dela, Indo para o trabalho no carro dela. Ela se sentiu como se tivesse sendo roubada. Mas pensou, que se ela era um clone entao ela e que roubou durante esses anos. Ela que usufruiu da vida de outra pessoa. Era tudo muito confuso. Ela nunca imaginou que ia ter duvidas sobre si mesma. Mas estava tendo. Tinha dias em que ela tinha certeza de que era um clone. Dias em que sentia em casa, e em que tinha lembrancas de um passado que nao era o seu. Essas lembrancas eram mais vividas, mais reais que as de sua familia, de sua infancia. Os dias em que sabia que era um clone, ou os dias em que achava que estava sofrendo lavagem cerebral, tinham alguma coisa em comum. A raiva que estava sentindo porque Mulder nao vinha busca-la. Ora, se ela nao era um clone, ele nao tinha o direito de abandona-la. E se ela era um clone, isso nao era motivo suficiente para ele desistir de salva-la. Em pouco tempo a raiva que ela estava sentindo cresceu. Ela estava comecando a odia-lo. ____________________________xxxxxxxxxxxxxx____________________________ Mulder ja tinha desistido de procurar pelo clone. Ver sua parceira ferida, por menor que fossem os ferimentos, o tinham feito pensar muito. E ele tomou sua decisao. Iria prosseguir seu caminho sem olhar para tras. Ele ja estava realmente convencido disso, mas teve um encontro com Marita. Ela lhe disse que sabia onde estava o clone. E lhe deu todos os elementos para acha-la. Agora cabia a ele a decisao. Enquanto era impossivel encontra-la ele nao teve problemas. Apenas disse a si mesmo que nao seria possivel acha-la e que sua parceira precisava dele ali. Mas agora a situacao era diferente. Ele sabia onde o clone estava. Tinha que ir ate la. Tinha ao menos que ve-la. Nem que fosse pela ultima vez. _____________________________xxxxxxxxxxxxxx___________________________ Ela ouviu um zumbido. Mas nao era das abelhas. Era um barulho forte. Fazia tempo que nao ouvia o barulho de um automovel. Ela se virou para ver o carro. Era um carro muito conhecido. Ela e Mulder costumavam alugar sempre um parecido. Um Ford Taurus. Ela sentiu como se fosse desmaiar. Tinha esperado tanto tempo que ele viesse a procura dela. Depois havia perdido as esperancas e comecado a nao desejar ve-lo nunca mais. Mas agora la estava ele. Como ela reagiria estando frente a frente com ele? O que diria? E o que ele diria? Como se explicaria a ela por ter deixado passar tanto tempo? So havia um meio de descobrir, e era indo de encontro a ele. Naquela hora do dia nao havia muitos integrantes da colonia por perto. E ela achava que eles nem notaram a chegada do carro. Ela foi na direcao do automovel. O carro parou e Mulder desceu. Ela parou em frente a ele. Os dois se olharam por algum tempo. Nenhuma palavra foi trocada. Ele nao conseguia colocar os pensamentos em ordem. Ela estava diferente. Nao exatamente fisicamente, mas havia algo nela, no olhar dela que ele nunca tinha visto. Ela olhou para ele sem sentir nada do que achava que sentiria. Nem mesmo a raiva que acumulou. Mulder rompeu o silencio. -Ela voltou. -Sim, eu soube. Voce conseguiu o que queria Mulder. -Nao, eu nao queria isso. Eu nao busquei isso. Eles fizeram isso a nos. Eles nos usaram. -Agora isso nao importa mais. O que importava era como voce reagiria ao que eles fizeram. Voce tinha a escolha. Voce nao quis escolher. -Scully escute.. -Nao me chame de Scully. Me chame de qualquer coisa, ou nem me chame. -Dana, eu nao tive escolha. Eu nao podia.... -Voce nao podia? Voce tinha a escolha nas suas maos.!! Ela estava furiosa. Tao furiosa que comecou a chorar. Nao era uma coisa que gostasse de fazer, mas a raiva acumulada nesses meses a tinha deixado despreparada para o que seria o encontro real com ele. Com emocoes reais vindo a tona. -E sabe o que voce escolheu Mulder? Voce escolheu virar as costas. Fingir que eu nao existo. Nao importa o que eu seja eu existo. Voce entendi isso?? Voce entende que fui eu que salvei sua vida tantas vezes? Que fui eu que sofri de cancer por causa das suas crencas? Que fui eu que senti a perda de pessoas queridas? Voce percebe que a verdadeira Scully estava em um lugar como esse, descansando enquanto eu sofria por ela??? -Eu sei tudo isso. Eu sei e me reprovo por tudo isso. Mas como voce quer que eu abandone minha parceira? Eu ja abandonei uma vez. Quando ela foi sequestrada e mantida aqui, ou seja la onde for, eu recebi voce de volta, mas ela ficou sozinha, nao durante meses, mas durante anos. Voce roubou todos esses anos dela. E isso que voce precisa entender. -Eu roubei os anos dela? Eu sou tao vitima quanto ela Mulder! Olhe para mim! Eu estive do seu lado, eu salvei sua vida, nao uma, mas muitas vezes. Voce confiava em MIM! Eu! Voce consegue ver essa diferenca? Consegue distinguir entre a pessoa que esta do seu lado agora e eu? Nao ve que a confianca que voce tinha em mim foi adquirida com a experiencia? Ela nao teve a experiencia. Ela nao cacou os loucos que nos dois cacamos. -Ela tem essas memorias. -Pergunte a ela Mulder! Pergunte a ela se ela tem o sentimento dessas memorias. Eu tenho certeza que ela nao tem. Eu sei que ela nao sente nada quando lembra de voce apontando uma arma pra ela, naquele quarto de hospital. Ela se lembra. Mas nao sente nada. Ela e pior que eu, ela e somente uma copia de mim, com minhas memorias mas sem o que eu sinto. -Ela e real!! -Real? E eu nao seria real? Porque voce acha que eu sou parecida com ela Mulder? Eu tenho a mesma linha de dna dela. Eu nao sou ela, mas eu venho dela. A diferenca? Eu tenho os sentimentos e a memoria e ela somente tem a memoria. -E a alma? Quem tem a alma? -Alma? Vindo de voce isso fica estranho, ou sera que voce so usa argumentos religiosos quando e conveniente? E isso? Pois bem, respondendo sua pergunta, eu tenho alma sim, e tenho certeza que ela tambem tem. -Mas voce nao e ela. -E nem ela sou eu. -O que voce quer que eu faca??? Me diga!Quer que eu traga ela pra ca e leve voce comigo? -Nao. Eu so quero que voce va embora. Eu estava com muita raiva de voce. Mas agora eu nao sei mais o que eu sinto. Voce esta sendo uma decepcao pra mim. Espero que nao seja pra sua parceira. Ela virou as costas e foi embora. Ele entrou no carro, deu a partida e nao olhou para tras. Nao importava o que ela tinha dito. Ele nao podia fazer escolhas. Escolhas demais ja tinham sido feitas, e todas desastrosas. Ele nao ia cometer esse erro. Ela seguiu para a casa. A sua casa. Ela sabia agora que nao pertencia a outro lugar. Era essa a sua casa. Era aqui que ela tinha alcancado a paz que tanto ansiava. Mulder voltou para Washington. Nao iria contar nada do que tinha acontecido para Scully. Ela nao merecia saber. Ele ja tinha sido um lixo com a outra Scully. Ele sabia que o que ela tinha dito era verdade. Ele sabia e se sentia mal com isso. Mas nao havia escolha a fazer. Ele tinha que aceitar a situacao como ela foi apresentada a ele. Nao havia saida possivel. A dor e a culpa iria sempre persegui-lo, mas nao havia como escapar disso. E dor e culpa sempre estiveram ao lado dele. Ele podia conviver com isso. Ele se dizia tudo isso com pouca conviccao. Ele estava errado. Sabia que estava errado. Sentia em todo o seu corpo que estava errado. Era o clone a sua verdadeira parceira. E Scully que estava trabalhando com ele agora nao significava a mesma coisa para ele. Ele fez o trajeto ate a cidade chorando. Chorando por ter tido tantas oportunidades de resolver tudo, bastava que ele tivesse notado desde o inicio. Chorando porque ele abandonou Scully nao somente uma vez, mas muitas, e estava fazendo isso novamente. Mesmo que ela nao fosse a verdadeira. Chorando porque no trajeto ate a cidade ele estava deixando para traz anos de amizade verdadeira. E chorando principalmente porque nao havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso. E enfim ele entendeu o telefonema. Sua parceira nunca voltou e nao vai voltar nunca mais. End part 2/2 Fim