TITLE: Ela nunca voltou - Part 1b/2 AUTHOR: Claudia Modell IDIOM: Portuguese E-MAIL: cmodell@hotmail.com HOMEPAGE - http://www.geocities.com/TelevisionCity/1828 SPOILER WARNING: Duane Barry DISTRIBUTION STATEMENT: Anywhere, but Gossamer (I did it already) RATING - PG - for the emotional content CATEGORY - A KEYWORDS - Mulder/Scully friendship SUMMARY: A phone call. And Mulder is unsure about who is Scully. The story is in Portuguese. Ela nunca voltou Parte 1b/2 Nao precisou esperar muito. Um telefonema no meio da noite e o Canceroso lhe disse que nao era verdade. Que sua parceira nao era um clone. Mas que ele tambem nao sabia como e porque aquilo tinha sido dito a ele. Mulder desligou o telefone. Entao tudo nao passava realmente de uma campanha de desinformacao perpetrada somente para fazer com que ele perdesse a confianca em sua parceira. Mas o que o preocupava agora e que ele tinha se deixado enganar. Ele realmente acreditou que ela nao era quem dizia ser. Ele disse isso para ela. Nesse momento Scully devia estar odiando ele. Nao importa que tenha dito que o perdoava. Ele nao se perdoava. Ele sentiu que isso havia abalado o relacionamento dos dois. ______________________________xxxxxxxxxx______________________________ Scully atendeu ao telefone. Era tarde e ela imaginou que fosse Mulder. -Agente Scully? -Sim, quem e? Era uma pergunta retorica ja que ela sabia quem era. Reconhecia a voz do Canceroso em qualquer lugar. -Agente Scully seu parceiro esteve fazendo algumas perguntas, queria uma resposta definitiva sobre um assunto referente a voce. -Sim, eu soube. Deu a resposta a ele? -Dei a resposta que conhecia. Ou seja, que o que ele descobriu nao e verdade. -Eu nao precisava saber isso vindo de voce. -Mas aparentemente ele precisava. -Escute, eu nao tenho mais nada a conversar com voce. Ela desligou o telefone zangada. O que esse homem estava insinuando e que seu parceiro nao confiava nela. Mas estaria ele errado? Afinal Mulder a confrontou, dizendo que achava que ela era um clone.Ele realmente nao confiava nela. Isso tinha abalado o relacionamento deles. Seja la quem for que planejou isso alcancou o seu objetivo. ________________________________xxxxxxxxxx____________________________ No dia seguinte eles mal se falaram. Ele por se sentir envergonhado, por nao ter confiado nela. Ela por sentir raiva ja que ele nao confiou nela. Mas a raiva maior que ela sentia era de si mesma. Ela nao confiou sem si mesma. Ela por algum momento acreditou que fosse um clone. -Scully, eu queria te pedir desculpas de novo. Foi ridicula essa situacao. Eu nao tinha o direito de sequer pensar que voce nao e quem e. -Mulder eu gostaria de esquecer esse assunto. Para dizer a verdade eu mesma tive duvidas. -E parou de ter essas duvidas? -Sim. Nao sei se por causa do telefonema daquele homem, o Canceroso. Ou se por ter recuperado o bom senso. -Ele te ligou? -Sim, acho que para verificar pessoalmente que o plano dele tinha funcionado. Que a nossa confianca mutua foi prejudicada. -E voce acha que foi? -Voce acha mesmo que tudo vai ser como antes Mulder? Voce vai sempre ter essa duvida com voce. Nao importa o que eu faca. Voce sempre vai achar que eu nao sou a verdadeira. -Escute Scully, se eu acreditei nisso tudo e justamente porque me importo com voce. Pensar que havia um clone aqui, significa que a verdadeira estaria em algum local, presa, em perigo. Eu nao podia aceitar isso. -Sim Mulder eu entendo seus motivos. Mas o que me preocupa e o quanto voce esta convencido que eu seja a verdadeira. -Eu estou convencido. -Porque o Canceroso falou pra voce que eu sou? Desde quando voce acredita nele desse jeito? E porque voce nao acredita por voce mesmo? -Eu nao acredito pelo que ele disse. Eu acredito porque acredito. Porque conheco voce. Porque confio em voce. -Era so isso que eu queria ouvir Mulder. Agora vamos deixar esse assunto de lado para sempre. Ok? Ele concordou e os dois passaram a trabalhar no caso que vinham investigando. ___________________________xxxxxxxxxxxxxxx____________________________ A sala de reunioes estava cheia. Somente um dos homens que trabalhavam no grupo nao estava presente. Os outros acharam melhor nao chama-lo, devido ao envolvimento dele no caso que queriam discutir. Eles sabiam que o Canceroso podia ser um homem muito perigoso, principalmente se descobrisse que tinha ficado de fora no assunto em questao. Eles estavam agora pensando em como resolver o problema. A informacao de que a Agente Scully e um clone vazou deliberadamente, sobre isso nao havia qualquer duvida. A questao agora era decidir o que fazer. Deixar o clone trabalhando juntamente com Mulder? Devolver a Scully original? Isso seria complicado. Seria quase uma admissao de culpa. Afinal ela contaria tudo, ou se nao tivesse o que contar ainda assim haveria o problema dos anos todos em que a clone trabalhou junto com Mulder. Como implantar na verdadeira Scully essa memoria? Os clones eram facilmente manipulaveis, mas os seres humanos nao. A decisao final foi que eles deveriam correr o risco. Deveriam implantar falsas memorias na Scully verdadeira. E deviam comecar essa operacao o mais rapido possivel. Mas acima de tudo essa decisao nao podia sair dessa sala. ___________________________________xxxxxxxxxxxxxx_____________________ Uma semana ja tinha se passado desde o telefonema que Mulder recebeu. O assunto ja estava enterrado, ao menos era o que os dois pensavam. Mas eles tinham motivos para pensar que tudo tinha acabado. Estavam convencidos de que tudo nao passou de um plano que nao funcionou, um plano que visava somente destruir o relacionamento deles. Mas agora eles estavam totalmente envolvidos em um caso de homicidio, tendo que, inclusive, se ausentar da cidade. Eles tinham viajado na noite anterior para Detroit, para dar prosseguimento as investigacoes. No final do dia eles ja tinham interrogado os parentes da vitima e nao tinham chegado a nenhuma conclusao. Estavam cansados e seguiram para o hotel. Scully decidiu ir dormir cedo e se despediu de Mulder. Mas dormir para Mulder nao era tarefa muito facil, principalmente quando estava em meio a alguma investigacao. As horas passavam e ele nao conseguia dormir. Entao ouviu um barulho. Vinha do quarto da Scully. Era o barulho de alguma coisa caindo. Ele resolveu verificar se estava tudo bem. Bateu na porta, mas nao houve resposta. Ele insistiu. Nada. Comecou a se preocupar. Arrombou a porta e examinou o quarto. Parecia tudo bem. Mas e Scully? Onde estava? Ele foi ate o banheiro e a encontrou caida. Ele chamou uma ambulancia, que chegou em pouco tempo. Enquanto esperava ele procurava por tracos de violencia. Mas ela nao parecia machucada. A ambulancia a levou para o hospital. Os medicos no hospital fizeram uma serie de exames. Apos meia hora um deles veio falar com Mulder. Disse que nao havia encontrado vestigios de violencia. Que nao percebeu qualquer ferimento na cabeca. Nem havia vestigios de drogas. Ou seja, nao havia motivo para que ela estivesse inconsciente. O medico disse que ia aguardar para ver se ela acordava sozinha. __________________________________xxxxxxxxxxxxxxxx____________________ No dia seguinte ela acordou. Estava relaxada, nao sentia dores. Nao estava assustada. Parecia que nem havia notado o que tinha acontecido. Mulder foi falar com ela. -Ei, se sente bem? -Oi Mulder, nunca me senti tao bem. Pegaram ele? -Alguem te atacou entao. Nao, nos nao o pegamos, mas nao se preocupe com isso. Vamos cuidar disso a seu tempo. Ela tocou na cabeca, a procura de ferimentos. Mas nao haviam ferimentos. -Pensei que tivesse batido com a cabeca na mesinha. Tive essa impressao. -Nao, voce nao se machucou, esta tudo bem. Voce so precisa descansar. Eu vou deixar voce agora e depois venho para que a gente descubra quem te atacou. Voce pode fazer um retrato falado. -Mulder eu sei quem me atacou. Nao ha necessidade de fazer um retrato falado. -Quem e?? -Duane Barry. Mulder entrou em panico. Em um segundo seu cerebro fez todas as conexoes. Tudo ficou claro. A Scully que trabalhou com ele ate ontem era um clone. E essa era a verdadeira. E foi devolvida. Somente agora foi devolvida. A ultima coisa que ela se lembrava era das circunstancias do proprio sequestro. Ele nao sabia mais o que pensar. Estava apavorado com a ideia de ter trabalhado durante anos com um clone. Mas estava mais apavorado com a ideia de contar essa estoria a Scully. Ela nao entendeu a razao do nervosismo dele. -Mulder o que houve? -Nada. Duane Barry ja foi preso. Nao temos com que nos preocupar. Durma agora ok? -Foi preso quando? -Durma, mais tarde a gente conversa. Ele nao a deixou dizer mais nenhuma palavra. Saiu imediatamente do hospital. E resolveu ligar para o seu superior. Disse-lhe que devido ao incidente com a Scully eles estariam voltando no dia seguinte para Washington. E que o caso seria passado para a policia local. Skinner compreendeu e aceitou a ideia de Mulder. ______________________________xxxxxxxxxxx_____________________________ Mulder e Scully nao conversaram muito durante a viagem. Ele estava arredio e ela nao compreendia o porque. Mas resolveu nao forcar. Ela achou que ele estava chateado porque estavam voltando e deixando um caso em aberto para tras. Ela ainda nao entendia como tinha se esquecido dos eventos apos seu sequestro por Duane, mas Mulder lhe disse que tudo voltaria ao normal. E ela tambem achava a mesma coisa. De fato ja comecava a lembrar de muitas coisas. Mas, o que ela nao sabia e que nao tinha esquecido somente uma ou duas semanas mas mais de dois anos. Mulder sabia que ela descobriria cedo ou tarde. Ele temia esse momento. Mas nesse instante o que o preocupava mesmo era o paradeiro do clone. Era uma sensacao estranha. Ele estava preocupado com um maldito clone. Mas esse mesmo clone trabalhou com ele durante anos. O protegeu, o defendeu, esteve ao lado dele em momentos tristes e alegres. Ele nao podia simplesmente apagar todos esses anos. Decidiu que procuraria saber onde ela estava. Iria ao inferno para descobrir. Mas o que lhe preocupava tambem era como dizer a Scully que seu pai e sua irma tinham morrido. E como dizer a ela tudo o que tinha acontecido durante todo esse tempo? Ele estava desnorteado. Nada na sua vida o preparou para isso. Achou melhor nao contar nada a ela. Afinal ele nao sabia como ela reagiria. Na verdade ele mal conhecia sua parceira. Ele conhecia bem aquela que ele pensava ser sua parceira. Apesar disso ele nao podia deixa-la de lado. Nem mesmo o clone. _________________________________xxxxxxxxxxx__________________________ Ele a levou ate a casa dela. Ele estava curioso sobre a reacao dela ao ver sua casa mudada. Eles chegaram e realmente ela notou as mudancas. Mas ele percebeu que isso para era ela normal, ja que ele lhe tinha dito que ela havia esquecido os acontecimentos apos o sequestro. Mas o que ela nao podia imaginar e que tinham se passado anos desde aquele dia. -Scully. Eu preciso falar com voce. Eu sei que esse nao e o momento. Mas e necessario. -Pode falar, desde que nao seja ainda sobre aquela sua teoria absurda. -Que teoria? Ele tinha que se lembrar que teoria ele tinha apresentado a ela antes do sequestro. Mas isso era impossivel. -Sobre eu ser um clone Mulder. -O que??? -Nao se lembra? Voce me falou isso antes de irmos pra Detroit. -Eu ... Nao, nao e sobre isso. Agora sim ele estava confuso. Afinal, se ela nao se lembrava de nada apos o sequestro, como se lembrava do que ele tinha dito a ela antes de viajarem? -Pensei que voce nao se lembrasse de nada desde o seu sequestro. -E estranho, eu tambem achava que nao me lembrava. Mas o que aconteceu nos ultimos meses me parece que aconteceu ontem. De qualquer maneira comecei a me lembrar dos acontecimentos apos o sequestro. -Deve ter sido uma especie de trauma entao. Ele tinha que falar com ela. O fato de ela se lembrar do que aconteceu ha duas semanas nao era um elemento significativo. Afinal a memoria do clone poderia ter sido implantada nela. So havia um meio de descobrir. Era fazendo um raio-x e vendo se o chip ainda estava la. Mas era isso que ele queria? Ele realmente queria saber a verdade? Sera que essa verdade era tao importante assim? Afinal as memorias do clone, se e que isso realmente aconteceu, estavam implantadas nela agora. Entao era como se ela nunca o tivesse deixado. Afinal sao as memorias que fazem a pessoa ser o que e? Era a experiencia dos dois trabalhando juntos que importava. E o fato de que a verdadeira Scully estava do lado dele agora, e se lembrava de tudo que tinham passado juntos, era o que realmente valia. Ele nao precisava saber a verdade. Nao competia a ele saber essa verdade. Como o proprio Canceroso disse, e ele tinha que concordar dessa vez, existem verdades que devem continuar escondidas. Quanto ao clone, se e que ela realmente existiu, ele nao podia fazer nada. Buscar justica ou tentar salva-la era seria um risco. E talvez fosse um risco inutil. Ele tinha consciencia de que a essa hora o clone nao existia mais. Ele entao disse a sua parceira. -O que eu queria te dizer e que as vezes meu lema de nao confiar em ninguem assume proporcoes que eu mesmo nao desejo. Eu nao tinha o direito de desconfiar de voce. Eu fiz o jogo deles, e nao pretendo fazer mais isso. -Fico muito contente que voce tenha chegado a essa conclusao, Mulder. Espero mesmo que esse assunto tenha morrido. E agora que tal cada um ir descansar um pouco. Amanha sera um dia normal de trabalho. -Nos vemos de manha entao. -Ate amanha. ________________________________xxxxxxxxxxx___________________________ Ele foi embora e ela ficou sozinha com seus pensamentos. Mas seriam seus pensamentos? Ela nao queria que Mulder desconfiasse que ela tinha duvidas sobre o que tinha acontecido. Sobre si mesma. Ela se lembrava que ele tinha lhe dito que achava que ela era um clone. Se lembrava muito bem, mas nao sentia nada. Alias ela se lembrava da morte do pai e da irma. Sentia tristeza, mas nao se lembrava do sentimento que tomou conta dela na epoca das mortes. Era isso que estava faltando. As memorias estavam la, mas os sentimentos relativos as lembrancas nao estavam. Isso a levou a pensar que a pessoa que estava ao lado de Mulder nao era ela na verdade. Era de fato um clone. Mas o que isso signifcava exatamente? Ela se lembrava de cada detalhe desses anos. Era como se ela nunca tivesse ficado ausente. O que lhe foi tirado foi a dor de cada lembranca. Isso nao era tao ruim. Mas e as alegrias das lembrancas? De qualquer forma ela nao podia recuperar aquilo. Ou melhor, estava sendo dificil para ela ate pensar nisso. Resolveu enterrar o assunto, assim como Mulder havia resolvido. Ele nao lhe tinha dito, mas ela sabia da decisao dele. Ela tinha certeza que ele tinha decidido nao mais pensar sobre isso. E foi isso que ela fez. _______________________________xxxxxxxxx______________________________ -Scully. Temos um novo caso para resolver. Ele estava euforico, como cada vez que um caso estranho lhe caia nas maos. -O que e dessa vez? Algum caso de vampirismo? Ela falou com o tom ironico de sempre. Entao ele relatou toda sua teoria sobre o caso. E enquanto ele falava ela levantava a sobrancelha demonstrando seu ceticismo. E ele vendo o ceticismo dela pensou. Tudo voltou a ser como sempre foi. Ela voltou. Fim. (Continua?? Voce decide se deixa tudo como esta ou se o senso de justica do Mulder e maior) End part 1b/2