PETRÓLEO NO LITORAL PAULISTA
O Rio de Janeiro , que já era um grande produtor de petróleo em sua bacia ( bacia de Campos ) agora pode ainda mais se vangloriar de novos tempos com a descoberta de um novo lençol e está prestes a se tornar uma das províncias petrolíferas marítimas mais importantes do mundo, ao lado do Golfo do México e do Mar do Norte, na Europa. Na década de 70 foi o início da exploração em função dos altos preços do produto na chamada - Crise do Petróleo ( 73 e 79 ). A descoberta de um campo gigante numa região geológica conhecida como Bacia de Santos, que engloba a costa do Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina veio em boa hora, ou seja, quando o Cartel da OPEP já dava indícios de ameaçar os preços e provocar um rombo ainda maior em nossa balança comercial.. O novo campo, ainda em estudos preliminares, deverá produzir até 100 mil barris de petróleo por dia e suas reservas poderão chegar a 700 milhões de barris.
Mais do que números, a importância é estratégica. Primeiro, vai confirmar a Bacia de Santos como uma província produtora com potencial semelhante à de Campos, responsável por 850 mil do 1,13 milhão de barris extraídos pelo Brasil diariamente. Países como Argélia e Catar, membros da OPEP, produzem 750 mil e 650 mil barris ,respectivamente. Em relação ao novo campo o destaque é a qualidade do petróleo encontrado: do tipo leve, semelhante ao existente na Arábia Saudita e que lhe confere um preço maior no mercado, notícia das mais animadoras para os grandes bancos de olho na privatização da Petrobrás.
Essa classificação resulta de uma escala criada pelo American Petroleum Institute (API) para medir a viscosidade dos óleos. Quanto maior o grau, mais leve e menos viscoso é o óleo. O do novo campo tem um grau API de 35. Os da Bacia de Campos, de 20 a 25 graus API.
O petróleo do tipo mais leve custa menos para ser refinado, pois produz os chamados derivados claros (gasolina, GLP, querosene e diesel) em maior quantidade em etapas preliminares de refino. Por essa razão, é muito mais valorizado no mercado internacional. Atualmente, boa parte dos 600 mil barris/dia que o Brasil importa para atender a demanda é óleo leve para ser misturado ao mais pesado produzido principalmente na Bacia de Campos.
Localização do novo poço
A Petrobrás pretende explorar sozinha o novo campo, que
provisoriamente se chama BS-500. O presidente da estatal, Henri Philippe
Reichstul, espera dar nome ao novo poço segundo as tradições da empresa. O
potencial da Bacia de Santos ,com o fim do monopólio, trouxe várias gigantes
internacionais do setor para o país, e explica os gastos nas bacias de Santos e
Campos.
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Maiores Campos |
Reservas estimadas ( em barris ) |
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Roncador * |
2,2 bilhões |
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Marlim* |
2,1 ilhões |
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Barracuda* |
867,6 milhões |
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Albacora* |
583,6 milhões |
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1- RJS - 539 |
de 600 a 700 milhões |
* localizados na Bacia de Campos - Fonte: Petrobrás
Apesar da necessidade de perfurar outros poços para confirmar a real dimensão do novo campo, o presidente da Petrobrás está otimista em relação à Bacia de Santos, onde antes se acreditava existir apenas gás natural ( á é deslocado por gasoduto para o continente ). Em quase três décadas foram investidos cerca de US$ 850 milhões na perfuração de 100 poços, todos localizados em profundidades abaixo de 400 metros.
No começo deste ano dois acidentes, um no Pará e outro na Baía da Guanabara colocaram em evidência as formas de atuação da Petrobrás quanto ao combate e as reais condições dessa pérola que o Estado deixa para o último leilão neoliberal do governo FHC. A revista Caros Amigos, do mês de março, levanta dúvidas sobre o vazamento do Rio - "sabotagem" .
Prof. Beto Zanarella
Parceira com o BOLETIM DO LUNCH