Nas entrevistas
do início de carreira, insistia sempre que não tinha pai
nem mãe. Fascinado por filmes, Morrison foi estudar técnicas
cinematigráficas em Los Angeles (na UCLA). Lá conheceu Ray
Manzarek, ex-menino-prodígio do piano que descobriu o Blues aos
12 anos e mergulhou nas boates negras do South Side de Chicago, antes de
ir estudar cinema na Califórnia. Corre a lenda de que um dia estavam
os dois no meio de uma viagem, na praia de Venice, quando Morrison
recitou uma de suas poesias para Manzarek. Este, muito pragmaticamente,
teria dito:
-
Se a gente conseguisse formar um grupo de rock, dava para ganhar um milhão
de dólares...
Formaram
The Doors e ganharam seu milhão de dólares. Seu primeiro
álbum, The Doors, em 1967, fazia a fama instantânea
do grupo, enquanto o compacto "Light My Fire" estourava nas paradas. (Outra
faixa do disco, o sombrio "The End", foi incluída na trilha sonora
do Apocalypse Now, de Copola.) Vieram outros álbuns, mas
naqueles dia a vida ou corria muito rápida (como quando se rebobinava
um filme) ou então tudo parava, no torpor das drogas (como em câmara
lenta). E Jim, cujo rosto juvenil na clássica foto de divulgação
do The Doors se tornara um verdadeiro logotipo da sua geração,
se deixou levar pela bebida e engordou. O drama final foi encenado num
concerto em Miami, em março de 1969, quando Morrison, bêbado,
quase sem poder cantar, exibiu o pênis para a platéia, sendo
levado a julgamento por atentado ao pudor e embriaguez.
Os
Doors entraram em declínio e Morrison embarcou para Paris. E foi
de lá que veio a notícia repentina, em julho de 1971, Jim
Morrison sofreu uma parada cardíaca dentro da banheira, no seu apartamento.
Única testemunha do seu fim, sua mulher, Pamela, morreu de overdose
em 1974, sem nunca ter explicado as circinstâncias misteriosas em
que Morrison se foi. Verdadeiras perigrinações de roqueiros
e fãs foram feitas ao seu túmulo, no cemitério parisiense
do Père Lachaise, onde estão enterrados famosos artistas
e poetas de todas as nacionalidades. Foi a busca da poesia que levou Morrison
a Paris, cidade tão demodée para os padrões do rock.
Já
em 1969, ele publicara um livro de poemas pela prestigiosa editora de Nova
Iorque, Simon and Schuster, The Lords & The New Creatures. Subtitulado
Notes
on Vision, The Lords funde o visualismo de Marshall McLuhan com o visionarismo
de William Blake (poeta em quem foi inspirado o nome do grupo, The Doors).
Eis algumas de suas apígrafes:
"Todos
os jogos contêm a idéia da morte."
"Filmes
são coleções de quadros mortos que receberam inseminação
artificial."
"Espectadores
de filmes são vampiros silenciosos."
"O
cinema evoluiu em dois caminhos. Um é o espetáculo. Como
a Fantasmagoria, seu objetivo é a criação de um substituto
total para o mundo sensorial. O outro caminho é o peep-show, que
abrange tanto a observação erótica como a observação
aberta da vida real e imita o buraco da fechadura ou a janela do voyeur
sem ter de apelar para as cores, para os sons e para a grandiosidade."
Em The New Creatures o clima é mais poético do que didático e, entre imagens de sexo e morte, desfila toda a geração do rock:
"Cidade
câncer, outono urbano, tristeza de verão, as rodovias da velha
aldeia, fantasmas em carros, sombras elétricas."
"Meu
filho não morrerá na guerra. Ele voltará, voz arrastada
de camponês oriental pescador."
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Última atualização 05/01/2000
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