Como Tornar seu Trabalho mais Profissional
por André "Blastor®" Beraldino - Guitarrista dos American Flyers®
Cabos    "Você acabou de acordar. OLhando para o espelho do banheiro, o que você vê é um músico muito feliz. Afinal de contas, no dia anterior, você finalmente comprou aquela guitarra de dois mil dólares pela qual você ficou babando por seis meses consecutivos... Sem contar aquele amplificador maravilhoso de três mil dólares que mais parece um caminhão e aquela pedaleira monumental, que dá a impressão de que você vai precisar tiar um brevê de piloto só para começar a mexer nela. O mundo é lindo, a vida é linda...
    Só que tem um pequeno problema(desculpe, mas vou ter que estragar este momento de êxtase metafísico):
E OS CABOS? Garanto que você nem pensou nisso, né? Você até que estava pensando em pedir para o seu primo - é, aquele que fez um curso de eletrônica por correspondência - para fazer uns cabos bem joinhas para você... Pous é, o mundo é um lugar muito cruel e cheio de verdades incontestáveis. E uma delas é:
    Não adianta você torrar uma frtuna em equipamentos caríssimos e comprar cabos a preço de pão de queijo...
    Preguiça, comodidade, descrença, indiferença, desinformação... Estes são alguns motivos que fazem com que a grande maioria dos músicos não se liguem neste pequeno mas significativo detalhe. Mas alguns percebem a importância deste acessório...
(...)
    Realmente, a maior parte dos músicos(principalmente os iniciantes - Blastor Said) pensa que a compra de um bom equipamento restringe às guitarras, amplificadores e pedaleiras. São poucos aqueles que perceberam de que nada vale correr com uma Ferrari se o cabo da bateria está com mal contato
(...)
    A flexibilidade do cabo está intimamente ligada à qualidade deste. Para que a flexibilidade seja ideal, a extrusão do cobre deve ser bem fina, o que fará com que os diversos fios que compõem o cabo também sejam bem finos...
(...)
    Devemos ter em mente que todo o som é transmitido através de um sistema. Por isso, é importantíssimo saber que com um cabo específico, uma determinada guitarra com um determinado tipo de timbre plugada num determinado equipamento vai, certamente, ter o seu verdadeiro som transmitido; caso contrário, todo o equipamento estará sendo SUB-UTILIZADO.
(...)
        -Com relação ao 'mito dos plugs dourados'(segundo o qual este tipo de cabo teria perda de sinal menor do que os normais), ele é verdadeiro apenas no que se refere à melhoria da transmissão do sinal. O que não quer dizer que o sinal será melhorado como um todo...
        -Talvez você queira saber também se aqueles 'cabos se fio' são mais práticos ou não; bem, este tipo de acessório está sujeiro à uma série de interferências causadas pela criação de camos magnéticos ao nosso redor"
Texto retirado da revista
"Cover Guitarra"
ano4
n°36
Aparelhagem Geral
Esse é um dos itens mais importantes. Não adianta ser bom musico, ter boa voz e ótimo repertório: a aparelhagem pode colocar tudo a perder. Assim, reproduzir com fidelidade ou realçar suas qualidades é ponto fundamental. Isso deve levar em conta tanto as freqüências graves, quanto médias e agudas. Existem duas formas de conseguir este intento: através de uma aparelhagem profissional econômica ou profissional sofisticada.
 
Profissional econômica
Caixas amplificadas multi-uso ou "combo"são uma boa opção para quem não pode gastar muito. Reproduzem bem as três faixas de freqüência, deixando um pouco a desejar nos graves, o que não é tão importante, pois o contra-baixo pode ter a sua caixa separada. O combo reproduz bem teclado, violão, voz, sax, piston, guitarra, em suma, a maioria dos instrumentos, com excessão do contra-baixo. A bateria eletrônica também tem uma reprodução razoável. No Brasil, a CICLOTRON fabrica os modelos PRC, com destaque para a PRC 200 com wolfer de 12 polegadas e tweeter com potência de aproximadamente 50 W. Custam em média R$ 350,00.
 
Microfone
Os microfones profissionais usam plugs cannon balanceados. A entrada da Ciclotron não é balanceada, mas pode-se adaptar fêmea cannon para o microfone e macho banana para a caixa. Boas opções são o SHURE (SM58), AKG e Lesson (SM58). O Lesson é nacional de ótima qualidade, cópia do mesmo modelo da Shure e custa em média R$ 150,00. O microfone ideal para usar com as caixas citadas são os modelos de alta impedância. A RMV do Brasil produz um ótimo modelo de suporte para microfone, tipo telescópio, de pés dobráveis para transporte, tendo um custo de aproximadamente R$ 50,00.
 
Estante para partituras ou pastas com letras de músicas
A RMV do Brasil produz uma estante profissional com tampo em madeira, telescópica e de pés dobráveis. Levando-se em conta que, à medida em que o repertória aumenta, as estantes comuns acabam não suportando o peso , empenam, ao passo que essa é firme e robusta, vale à pena pagar um pouco mais. Essa tem um preço variando em torno de R$ 60,00.
 
Efeito para voz
A voz seca só faz sentido para quem canta impostado, como os cantôres de coral. No caso de música popular, usa-se efeito na voz, que pode ser o Delay ou o Reverber, cabendo a você escolher o que mais lhe agradar. A Boss fabrica ótimos modelos que são comercializados em forma de pedais. Procure anúncios em jornais ou lojas que vendem usados e conseguirá preços em torno de R$ 100,00.
 
Bateria Eletrônica
Que tal ser acompanhado por um baterista profissional de altíssimo nível técnico, que não bebe, não fuma, não chega atrasado e não cobra cachê?? A Yamaha e a Boss fabricam modelos profissionais de altíssima qualidade, com mais de uma centena de rítmos pré-programados e até inferface midi, na faixa de R$ 300 a R$ 400,00.
 
Mixer
A mesa de mixagem permite regular volume, tonalidade e efeito individual para cada instrumento (bateria, voz, violão, teclado, etc.), além de volume geral e efeito panorâmico (PAN ou estéreo). É difícil encontrar uma mesa profissional com menos de 8 canais, as existentes deixam a desejar em recursos e fidelidade. Opte por mesas de 8 ou mais canais. As Soundtech, JVC e Stanner são ótimas opções. A Stanner é nacional e modelos de 8 canais custam em média R$ 450,00.
 
Conclusão
Com menos de R$ 1.500,00, se optar por uma caixa e menos de R$ 2.000,00 se optar por duas, você terá um equipamento econômico de ótima qualidade. O máximo de economia é conseguido eliminando-se a bateria eletrônica e o mixer, caindo o custo para cerca dr R$ 600,00. Os recursos também são reduzidos consideravelmente, mas mantem-se a qualidade e é possível iniciar sua carreira de músico de bares dessa forma. Com o tempo, e os compromissos que provavelmente você irá agendar, poderá conseguir os recursos necessários para completar o equipamento.
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Quanto à OMB ou ao ECAD
Faliar-se à OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) é obrigação de todo músico profissional. Tire sua carteira na OMB de sua cidade, como prático ou erudito.
O prático é o músico que toca de ouvido ou por cifras, mas não lê partituras. O Erudito é aquele que conhece a pauta. Em qualquer dos casos prepare 2 ou 3 músicas, lendo ou de cor. O teste é a execução de uma música frente a um examinador da Ordem. Se você toca razoavelmente bem, e é afinado, não se preocupe. Mostre a ele o que sabe fazer e terá sua carteira. Não se esqueça de pagar sua anuidade, que é pequena e lhe dá o direito de trabalhar na noite.
O ECAD (Escritório de Arrecadação de Direito Autoral) é o órgão que arrecada o direito autoral das músicas que você executa. Ele cobra uma taxa fixa ao dono da casa noturna, que normalmente retém uma percentagem do seu cachet para cobrir este custo, normalmente na faixa de 30% do que for arrecadado com o "couvert" artístico. Em caso de cachet fixo, a responsabilidade pelo ECAD é do proprietário da casa noturna, e não do músico.
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