Nova espécie de roedor


                 
                                       

 

Descoberta nova espécie de roedor no sul

Uma nova espécie de roedor, muito difícil de se ver, foi descoberta por uma equipe de biólogos, que fazia o inventário de fauna para o plano de manejo da Reserva Biológica de Ibirapuitã, no Rio Grande do Sul. Trata-se da quinta espécie brasileira conhecida de tuco-tuco, um gênero de roedor parecido com as doninhas e toupeiras do Hemisfério Norte, que tem 56 espécies distribuídas nas Américas.

"A comprovação de que se trata de uma espécie nova veio através de análise citogenética (contagem de cromossomos): o novo tuco-tuco tem 40 cromossomos, enquanto o Ctenomys torquatus, a espécie mais próxima, em termos de aparência e tamanho, tem de 44 a 46 cromossomos", observa o biólogo Jorge Reppold Marinho, doutorando em Biologia Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A identificação genética tem acelerado a comprovação de novas espécies, que antes dependiam do parecer de diversos especialistas ou até da tentativa de se cruzarem espécimes parecidos, para ver se a descendência era possível. Para a ciência, uma espécie se diferencia da outra se não há descendência ou se os descendentes eventualmente produzidos forem estéreis.

Marinho havia estudado os tuco-tucos em sua tese de mestrado e identificou a presença de tocas na reserva estadual, que fica no município de Alegrete. Enquanto preparava as armadilhas para capturar um exemplar vivo, outro biólogo da equipe Biolaw, que fazia o inventário, conseguiu pegar um na mão. "Logo imaginei que poderia ser uma espécie nova, porque a coloração é muito diferente: os tuco-tucos brasileiros são pardos ou tem pêlos brancos apenas em volta do pescoço, mas este era malhado", conta Marinho. O nome da nova espécie ainda não foi publicado em revista científica, por isso não pode ser divulgado. Deve sair em uma das próximas edições do Journal of Mammology.

Túneis

Os tuco-tucos vivem em túneis individuais, com 25 a 30 centímetros de profundidade, e só saem por breves períodos durante o dia, para se alimentar de capim, do qual também retiram toda a água necessária, sem nunca precisar beber. Têm este nome devido à sua vocalização, parecida com uma batida. Preferem os campos mais limpos, convivendo sem muitos problemas com o gado, embora eventualmente causem acidentes, com o desmoronamento de seus túneis sob o peso das patas de bois ou cavalos. Seus predadores naturais são a coruja buraqueira e os gaviões, quando estão fora das tocas, ou cobras e furões, quando estão debaixo da terra. Também são atacados por gatos e cachorros domésticos e sofrem muitas baixas quando o campo que habitam é arado ou gradeado.

O status da nova espécie ainda precisa ser avaliado. Segundo Jorge Marinho, seu território deve estar limitado, ao norte, pelo rio Santa Maria, mas não se sabe até onde eles ocorrem, seguindo para o Sul, e se entram ou não em território uruguaio. Uma outra espécie de tuco-tuco, o Ctenomys lami, por exemplo, é endêmico de uma estreita faixa conhecida como Cochilha dos Lombas, na Grande Porto Alegre, de apenas 78 por 10 quilômetros, considerada uma das prioridades de preservação dos campos sulinos, nos Workshops de Biodiversidade, promovidos nos últimos dois anos, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Liana John

                 
                                       

 

VOLTAR

                 
Hosted by www.Geocities.ws

1