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HISTÓRIA DO REIKI "Oficial"
Antecedentes e sua Redescoberta
A arte de colocar as mãos num corpo
humano ou animal para confortar e diminuir dores é um velho instinto humano;
quando sentimos dores a primeira coisa que fazemos é colocar instintivamente
as mãos sobre a área que está doendo. O toque humano distribui calor,
serenidade e cura. Quando um animal lambe uma ferida está agindo com os
mesmo instinto que o ser humano ao colocar as mãos.
Essa força (Ki - energia vital),
como vimos anteriormente, recebeu nomes diferentes em cada cultura.
No Tibete existem registros de
técnicas de cura através das mãos há mais de 8 mil anos. Essas técnicas se
expandiram pela Grécia, Egito, Índia e outros países apesar de a técnica
ter-se perdido nos últimos dois milênios.
Existem fatos que indicam ter Jesus
praticado Reiki no Egito. Jesus aplicava a técnica com muito sucesso e
também dizia a seus apóstolos “sanem os que estiverem doentes”. Até hoje
padres católicos conservam técnicas de imposição de mãos.
Existem pessoas que possuem
habilidades pessoais, utilizando ou não as mãos (os chamados paranormais), a
essas pessoas recomendamos que entrem em contato com o Reiki, a fim de
potencializar e direcionar a energia, acrescentando poder ao que a natureza
já lhes deu.
Mikao Usui – O Redescobridor do
Método
Mikao Usui, nascido no Japão em 15
de agosto de 1865. Não possuímos registros oficiais, detalhados da sua
história. Há controvérsias a respeito da vida do redescobridor do método
Reiki, sua história foi repassada oralmente de mestre a discípulo,
permanecendo envolta em muito mistério. Alterações foram feitas com o passar
dos anos, a fim de que o método fosse introduzido no Ocidente,
principalmente no que concerne a sua formação profissional e sua
religiosidade; entretanto, a essência que pode ser melhor descrita com uma
lenda, é conhecida por ter sido repassada de geração a geração.
Mikao tornou-se um padre católico.
Além de sacerdote cristão, lecionava e era reitor de uma pequena
universidade cristã em Kyoto (Japão), a Doshima University.
Usui ouvia e lia muitas histórias
sobre Jesus, que no passado, pelo uso das mãos e uma técnica específica,
proporcionava curas, milagres e ajudava outras pessoas com suas habilidades
metafísicas; curioso, observava que grande parcela das pessoas eram
infelizes e improdutivas, assoladas por estados depressivos e doentios,
situações que o induziram ardentemente a conhecer também as habilidades
curativas.
Um dia, durante uma discussão com um
grupo de seminaristas que concluíam sua formação, perguntaram ao Dr. Usui se
ele acreditava literalmente na Bíblia. Quando respondeu que sim, seus
estudantes o lembraram das curas promovidas por Cristo. Esses estudantes
mencionavam palavras de Cristo: “Você fará como eu tenho feito, e mesmos as
grandes coisas”.
Queriam saber por que não existiam
no mundo de hoje, outros curadores da mesma maneira que Cristo agia, já que
Ele dissera aos apóstolos para “curarem os doentes e levantarem os mortos”:
se isso é verdade, ensine-nos os métodos, questionaram os alunos;
queremos saber como aquelas curas poderiam ser realizadas hoje também.
Disseram-lhe que não era suficiente eles acreditarem, queriam ver como Jesus
realizava a cura, com os seus próprios olhos. Mikao Usui não podia dar as
respostas às dúvidas procedentes dos estudantes porque não as possuía,
porém, não podia ficar sem respostas, nem para si, nem para os estudantes.
Usui não tinha como ensinar a fórmula da harmonização do corpo tal como
Jesus transmitira a seus discípulos: ele simplesmente tinha fé nas
escrituras. O Dr. Usui permaneceu calado, pois pela tradição japonesa ele
tinha sido ultrajado em sua honra como professor e reitor em virtude de não
ter respondido às perguntas de seus discípulos. Nesse dia, pediu demissão de
suas funções e determinou-se a encontrar as respostas para esse grande
mistério.
Como a maioria dos seus professores
haviam sido missionários americanos e os estados unidos eram um país
predominantemente cristão, ele decidiu iniciar seus estudos na Universidade
de Chicago, no seminário teológico, facilitado pelo intercâmbio cultural da
dinastia Meigi.
Em 1898, Mikao viajou para os EUA
onde estudou Teologia, cristianismo e a Bíblia e após sete anos de estudos
doutorou-se em Teologia. Estudou línguas antigas para ler as antigas
escrituras, inclusive o chinês e sânscrito, a mais antiga língua indiana.
Depois desse longo período de estudos, não encontrando suas respostas,
decidiu que deveria continuar suas pesquisas em algum outro lugar.
Naquele momento, atinou para o fato
de que Gautama Buda (620 – 543 a.C.) também era conhecido por suas curas em
cegos, em doenças como a tuberculose, a lepra, entre outras e resolveu,
assim, retornar ao Japão a fim de pesquisar mais sobre as curas realizadas
por Buda, na esperança de achar a chave da cura.
A base do budismo ficava em Nara,
porém, em Kyoto, havia cerca de 880 templos e mosteiros, e até um templo Zen
que possuía a maior biblioteca budista do Japão, onde poderia pesquisar as
escritas nos Sutras sobre as curas de Buda.
Durante 7 anos, Mikao Usui
peregrinou à procura das Antigas escrituras nas bibliotecas e de monastério
em monastério. Entretanto, toda vez que se aproximavam abades budistas,
dirigia-se a eles e perguntava se tinham conhecimento de alguma fórmula
sobre as curas realizadas por Buda, tendo sempre recebido a resposta que,
naquele momento, estavam muito ocupados com a cura do espírito para poder se
preocupar com a cura do corpo. depois de muitas tentativas, chegou a um
monastério Zen e, pela primeira vez, foi encorajado por um velho abade que
concordou que poderia ser possível curar o corpo como Buda já havia feito;
e, ainda, que se havia sido possível uma vez, haveria a possibilidade de se
descobrir novamente a fórmula da cura. Mas, informou-lhe que por muitos
séculos, toda a concentração havia sido feita na cura do espírito.
Mikao decidiu que ia estudar os
Sutras no Tibete, e já que dominava bem o sânscrito, viajou para a índia, e
em uma de suas pesquisas num antigo manuscrito de um discípulo anônimo de
Buda, em sânscrito, encontrou os 4 símbolos sagrados da fórmula usada por
Buda para curar.
Os Sutras, escritos há a mais de
2.500 anos, acionavam uma energia poderosíssima que poderia levar a um
ilimitado poder de cura; no entanto, uma simples fórmula, sem as explicações
de como usar, e a devida capacidade de ativação, não lhe traziam a
habilidade de curar.
A Meditação de Mikao Usui
Em 1908, no Japão, Mikao decidiu
empreender um período de jejum e meditação de vinte e um dias, como faziam
os antigos mestres, a fim de purificar-se para receber uma visão que o
esclarecesse. Deixou então o mosteiro, e retirou-se no Monte Kurama, a
montanha sagrada, localizada a aproximadamente 25km de Kyoto, levando os
Sutras encontrados por ele no Tibete e, apenas, um cantil de pele de cabra
com água e vinte e uma pedras que lhe serviram de calendário, lançando a
cada dia uma pedra. Enquanto os dias passavam, Mikao, em absoluto jejum,
sentado próximo a um pinheiro, ouvindo o som de um riacho, passou a meditar,
orar, entoar cânticos, ler os Sutras e pedir ao Criador que lhe desse o
discernimento necessário para o uso dos símbolos.
O jejum e a meditação ampliaram as
fronteiras de sua consciência, e na madrugada do vigésimo primeiro dia,
Mikao teve uma visão, onde vislumbrou uma intensa luz branca que o golpeou
de frente, projetando-o para fora do corpo e, sentindo a consciência
profunda em comunicação com o seu “Eu” mental, ao abrir totalmente sua
consciência, pôde ele ver muitas luzes em formas de bolhas coloridas
contendo em seu interior, símbolos sagrados, e, através da comunicação que
estava recebendo , foi-lhe dada a compreensão dos significados e a
utilização dos mesmos.
Naquele momento, Mikao recebia a sua
iniciação, o conhecimento de como utilizar os símbolos e como ativar o poder
em outras pessoas, resgatando assim o método milenar de terapia.
Mikao Usui e os Primeiros
Milagres Reiki
Quando o transe que trouxe a visão
acabou, o Dr. Usui sentiu-se bem, sem fome, cheio de energia, forte e em
total plenitude, a ponto de conseguir caminhar de volta ao mosteiro. Estava
bem diferente dos últimos momentos que precederam o final dos vinte e um
dias de meditação. Não sentia os esforços do retiro e do jejum. E com
entusiasmo, levantou-se e começou a descer a montanha; esse foi o primeiro
milagre da manhã.
Durante a descida da montanha, na
pressa de voltar com suas recentes revelações ao mosteiro Zen onde vivia,
Mikao acidentou-se, tropeçando em uma pedra, machucando bastante um dedo do
pé que passou a sagrar e doer muito; instintivamente, Mikao impôs as mãos e
em pouco tempo, a dor passou e a hemorragia parou: esse foi o segundo
milagre. Usui tinha consigo a chave da harmonização que tanto havia
procurado. O terceiro milagre deu-se durante o caminho de regresso ao
mosteiro, quando parou em uma pousada para fazer uma refeição. O homem, já
velho, que o atendeu, vendo o comprimento de sua barba e ao estado de suas
roupas, compreendeu que estivera em jejum durante um longo período e o
encorajou a comer um tipo especial de broa, face ao perigo de quebrar-se um
jejum com comida muito farta. O Dr. Usui recusou a sugestão e pediu o café
completo; sentado em um banco sob uma árvore, fez sua refeição sem nenhum
problema de indigestão (este foi o terceiro milagre).
Mikao percebeu que a neta do homem
que o tinha servido chorava, e que, uma parte do seu rosto estava inchado e
avermelhado. perguntou-lhe o que estava acontecendo, e a garota responde-lhe
que estava com dor de dente a três dias e o avô era muito pobre para levá-la
a um dentista em Kyoto. O monge ofereceu-se para ajudar e tocou o lugar que
doía. O quarto milagre aconteceu à medida que a dor e o inchaço
desapareceram.
Após 25 quilômetros de caminhada, ao
chegar ao monastério Zen, o Dr. Usui soube que seu amigo, o abade ancião,
estava de cama com um doloroso ataque de artrite, mal que o afligia há
muitos anos. Mikao foi visitar o amigo e, enquanto falava de suas
experiências com o monge, colocou as mãos sobre a área afetada e muito
rapidamente as dores desaparecem. Comunicou ao monge que encontrara aquilo
que procurava há tantos anos, contou-lhe sobre a meditação e a visão, e
denominou a energia que lhe havia aplicado de Reiki.
Novamente foi encorajado pelo abade,
e após alguma discussão, decidiu trabalhar a sua descoberta junto aos
mendigos na cidade de Kyoto.
Reiki e o Início da Divulgação
O próximo passo de Mikao Usui era
colocar o Reiki em prática, da melhor forma possível. Depois de algumas
semanas de permanência com os monges no mosteiro, onde o assunto foi
bastante discutido, resolveu levar sua descoberta além dos muros do
mosteiro.
Decidiu que iria trabalhar em
bairros pobres, onde pessoas não tivessem condições financeiras para
tratarem de seus problemas de saúde com médicos herboristas e acupuntores.
Tornou-se vendedor ambulante de verduras em cestos, a fim de sobreviver e
encontrar as pessoas e, em seguida, familiarizou-se com os mendigos de Kyoto
e com todas as pessoas marginalizadas pela sociedade de sua época, visando
torná-las mais felizes, produtivas e dignas.
Sua intenção era curar os mendigos e
pedintes para que eles pudessem receber novos nomes no templo e
reintegrarem-se a sociedade. Curou, primeiro, os mais jovens e habilidosos e
mandou-os buscar trabalho na cidade para que pudessem viver melhor: fez a
mesma coisa com os mais velhos e orientou-os para que ganhassem sua vida sem
mendigar. os resultados foram atingidos e muitos se curaram totalmente.
Cumprida essa etapa, pôs-se a
percorrer as cidades e aldeias repletas de indigentes e enfermos,
ajudando-os com a técnica que detinha. Durante três anos trabalhou junto aos
alienados da sociedade e depois dessa peregrinação pelas cidades e aldeias
do Japão, voltou a Kyoto onde, para sua decepção e tristeza, constatou que
muitos daqueles que havia ajudado e induzido a se manterem com trabalho
honesto, haviam voltado à mendicância, nas mesmas condições anteriores de
miséria. Intrigado, perguntou-lhes porque, podendo trabalhar não o faziam.
Responderam-lhe que era mais fácil mendigar do que esforçar-se no trabalho.
Naquele momento compreendeu que o
esforço realizado para beneficiar o próximo com o que dedicara tantos anos
de sua vida, para investigar e descobrir e doar, não fora suficiente; ele se
deu conta que havia curado o corpo físico dos sintomas mas não havia
ensinado a eles como apreciar a vida com um novo modo de viver. Descobriu
que aquelas pessoas não tinham aprendido nada quanto à responsabilidade e,
acima de tudo, quanto à gratidão. Percebeu então que a cura do espírito,
como pregada pelos monges, era tão importante quanto a cura do corpo, uma
vez que, com aplicação de Reiki só havia validado e ratificado a condição de
pedinte naquelas pessoas. A importância da troca de energia tornou-se clara
para ele: as pessoas precisavam dar de volta aquilo que receberam ou a vida
para eles seria destituída de valor.
Nessa ocasião, O Dr. Usui criou os
cinco princípios do Reiki.
Mikao deixou o trabalho com pedintes
e resolveu ensinar àqueles que desejavam saber mais: ensinava a seus
discípulos como curar a si mesmo e dava a eles os princípios do Reiki para
ajudá-los a alcançar a harmonia dos corpos físico, emocional, mental e
espiritual.
Mikao Usui praticava o método Reiki
imbuído somente de ideais amorosos. O Reiki, até então, consistia apenas no
uso da energia, os símbolos sagrados e o processo de iniciação.
Mikao, após sua peregrinação,
caminhando por todo o Japão e convidando todas as pessoas que sentiam
tristeza, depressão e dor física para assistirem as suas palestras sobre
Reiki, foi condecorado pelo imperador do Japão por suas curas e ensinamentos
praticados com ideais amorosos. Antes de falecer, em 9 de março de 1926,
Mikao Usui deu o mestrado do conhecimento de Reiki a dezesseis pessoas, pelo
mesmo método tradicional milenar, o “método boca a boca”, e entre os
contemplados, destacou o Dr. Chujiro Hayashi para ser seu sucessor,
repassando a ele a responsabilidade de transmitir e manter intacta a
tradição Reiki.
Os Cinco Princípios de Reiki
Esses foram os princípios deixados pelo Dr. Mikao Usui para serem transmitidos ao longo do tempo:
Chujiro Hayashi: A Continuidade
do Trabalho
Chujiro Hayashi, nascido em 1878,
veio de uma família de pessoas bem educadas que somava riqueza considerável
e condição social. Doutor em medicina e comandante da Marinha Imperial
Japonesa, falava inglês, e aos 49 anos, já na reserva da Marinha, procurava
um modo de ajudar os outros, quando, em uma de suas palestras, conheceu o
Dr. Usui e, por ser jovem e estar aposentado, passou a viajar com ele,
acompanhando-o em seu trabalho de cura e ensinamentos. Hayashi foi um dos
mais devotos alunos de Mikao, tendo se envolvido profundamente com a prática
do Reiki e recebido todos os ensinamentos.
Por volta de 1920 a 1930, o Dr.
Usui, sentindo que a sua vida chegava ao fim, comunicou aos demais mestres
que Hayashi era a pessoa escolhida para continuar seu trabalho, designando-o
seu sucessor. Hayashi assumiu a responsabilidade de difundir a técnica
formando novos mestres e assegurando que o Reiki continuasse como ele havia
praticado. Assim, o Dr. Hayashi foi o segundo Grand Reiki Master.
O doutor em Medicina, Hayashi
consciente da importância do método preservou o conhecimento deste e fundou
a primeira clínica de Reiki em Tokyo, próximo ao palácio imperial; a clínica
continha oito leitos onde, em cada um, dois reikianos tratavam as pessoas e
seus problemas. Naquela época os riscos cirúrgicos eram muito grandes, já
que a penicilina só foi difundida para o mundo após 1945. Hayashi, em sua
clínica, não teve apoio financeiro do governo, mas consegui mantê-la por
mais de vinte anos, graças à ajuda daqueles que podiam pagar seus
tratamentos e aos excelentes resultados que obtinha. A clinica chegou a ser
reconhecida como uma alternativa válida para todos os tipos de problemas.
A clínica não só curava, como
ensinava aos novos discípulos a prática do método, e ao novos terapeutas
saíam também para curar as pessoas que não podiam se locomover.
Hayashi manteve detalhados
comprovantes de tratamentos, produziu uma ampla documentação que demonstra
que o Reiki encontra a fonte dos sintomas físicos e revitaliza o corpo na
sua totalidade.
Essas informações foram usadas por
ele para repensar as posições da aplicação e sistematizar os níveis de
Reiki. Ele denominou essa técnica de Usui Reiki. Somente após a tarefa do
Dr. Hayashi, o Reiki ficou estruturado, permitindo que todas as pessoas
deste planeta possam utilizá-lo sem conhecimentos prévios especiais.
Sabemos que Hayashi era um homem
prático e bastante criterioso, que muito trabalhou em sua clínica,
tornando-a famosa, próspera, inclusive sendo visitada até pelo imperador
japonês.
Em 1938, o Dr. Hayashi, como
militar, pressentiu que uma grande guerra estava começando e que muitos
homens faleceriam; decidiu então dar o mestrado à sua esposa e à Sra. Hawayo
Takata.
Chujiro Hayashi faleceu numa
terça-feira, 10 de maio de 1941, tendo elegido antes a Sra. Takata para dar
continuidade à propagação do Reiki, no Japão e em outras partes do mundo,
convindo lembrar que, naquela ocasião, havia somente cinco mestres vivos e
dentre eles, a sua própria esposa Chie Hayashi.
Hawayo Takata : O Reiki no
Ocidente
Nascida na Ilha das Flores de Kawai,
Havaí, arquipélago anexado em 1898 ao território dos EUA, filha de
componeses imigrantes japoneses, o casal Kawamuru, Hawayo recebeu seu nome
em homenagem à grande ilha, adicionando à última letra o “o”, que em sua
língua, designa o nome de meninas.
Hawayo Kawamuru era filha de
imigrantes japoneses, trabalhadores agrícolas, e não fora favorecida com uma
estrutura física tão forte quanto a de seus pais: era esbelta, tinha menos
de 1,50m de altura, mãos frágeis, olhos vivos e alegres.
Hawayo pedia a Deus que lhe
permitisse fazer com as suas mãos algum outro tipo de trabalho que não fosse
ligado à atividade agrária.
Hawayo trabalhava como bóia fria na
cultura de bambu e de cana de açúcar, e posteriormente, por volta de 1914,
nas férias escolares, lecionava para alunos do 1º grau numa escola
religiosa. Trabalhou também em um balcão de bebidas gasosas em Lihue, e
depois em uma mansão colonial de uma elegante senhora, onde permaneceu por
vinte anos, chegando a ser governanta e comandando os 20 funcionários da
residência. Em 10 de março de 1917, Hawayo Kawamuru casou-se com Saichi
Takata, um jovem contador que trabalhava na mesma residência e juntos
tiveram duas filhas. Entretanto, em 1930, com apenas 34 anos de idade, seu
marido morreu de câncer no pulmão. O excesso de trabalho, necessário para
manutenção da sua família, além da depressão e dos sérios problemas
psicológicos, afetaram seriamente sua saúde e, aos 35 anos, Hawayo tinha
desenvolvido problemas pulmonares e um tumor abdominal.
Durante a ausência de seus pais que,
após 40 anos, tinha retornado a Yamaguchi, Japão, para um período de férias
de um ano, uma das irmãs de Takata, recém-casada, e com somente 25 anos,
morreu de tétano. Sensível, Hawayo percebeu ser a notícia muito triste para
ser dada aos pais pelo correio, e assim, Takata resolveu comunicar
pessoalmente a notícia, ocasião em que aproveitaria para tratar de sua saúde
na Clínica Maeda, em Akasaka, onde seu marido havia sido tratado antes de
falecer.
Em 1935, lá no Japão, após 10 dias e
noites de viagem de barco, foi descoberto que Takata estava com um tumor
abdominal, além de pedras na vesícula e problema no apêndice, razão pela
qual seu estômago doía todo o tempo, impedindo-a de andar erguida.
Takata foi internada para se
submeter a uma cirurgia. Já na sala cirúrgica, minutos antes da operação,
Hawayo ouviu uma voz várias vezes afirmando: “a operação não é necessária”.
Sentiu então que haveria um outro modo de curá-la. O médico, ao ser
comunicado do “aviso”, cancelou a operação e indicou-a para um tratamento de
Reiki na clínica Shina no Machi, do Dr. Hayashi, onde começou a receber
tratamento diário e em quatro meses estava totalmente curada; havia ganho 5
quilos e parecia estar dez anos mais jovem.
Durante o tratamento, Takata não
entendia como as mãos daquelas pessoas que a tratavam podiam esquentar tanto
e chegou a procurar pilhas escondidas nos reikianos.
Hawayo inclinou-se a aprender o
Reiki, que , no entanto, na sociedade japonesa, era tesouro reservado aos
homens e inacessível a pessoas estrangeiras. Depois de ter tido seu primeiro
pedido rejeitado, após usar o forte argumento de ter de ajudar os imigrantes
japoneses nipo-americanos, foi-lhe dada a permissão de aprender o Reiki,
concordando em permanecer no Japão e trabalhar na clínica de Reiki todos os
dias ao longo daquele ano. Takata ficou hospedada com a família do Dr.
Hayashi, e recebeu o primeiro nível de Reiki na primavera de 1936. Ela
tratou de muitos casos diferentes, com sucesso, e aprendeu que para tratar
do efeito seria preciso remover a causa.
Cumpridas com êxito, as exigências
impostas para o primeiro nível, Takata recebeu o terceiro nível e ficou
devendo quinhentos dólares. Voltou em seguida ao Havaí, até então, sem a
intenção de profissionalizar-se no Reiki. Em outubro de 1936, instalou-se
com a sua família em uma casa em Hilo, na Avenida Kilauea, onde, durante 10
anos, funcionou seu primeiro consultório.
Hawayo recebeu em sua casa a visita
do Dr. Hayashi e de sua filha, os quais, durante seis meses, permaneceram no
Havaí, proferindo palestras e dando demonstrações sobre o Reiki.
Em fevereiro de 1938, antes de
Hayashi deixar o Havaí de volta ao Japão, comunicou a seus alunos que
Takata, a partir daquele momento, era mestra de Reiki e estava autorizada a
transmitir a técnica. Era ela a sétima mestra do séc. XX no mundo; e a
primeira mulher no Ocidente, permanecendo única até o ano de 1970.
Podemos dizer que o Dr. Hayashi era
um místico: ele pôde sentir que uma guerra entre o Japão e EUA era iminente
e, como reservista da marinha, não poderia conciliar o fato de ser mestre de
Reiki e ter de servir novamente às forças armadas.
Em 1940, Takata sonhou com seu
mestre Hayashi, vestido com um quimono de seda branca; Takata ficou inquieta
e resolveu ir ao Japão para ver Hayashi. quando chegou ao Japão, Hayashi
falou-lhe sobre a guerra, quem seria o vencedor , o que deveria fazer e onde
deveria ir para evitar os perigos da condição de cidadã nipo-americana com
residência no Havaí. Todas as previsões se confirmaram e ocorreram visando
proteger a divulgação do Reiki.
Quando todas as providências
necessárias à preservação do Reiki, foram tomadas, o Dr. Hayashi reuniu a
família e os demais mestres, nomeou Takata como a sucessora do Reiki e
comunicou a todos os presentes que o seu desencarne ocorreria em torno das
13:00h daquele mesmo dia.
Às 13:00h o Dr. Hayashi adentrou a
sala e anunciou a todos a ruptura de uma das artérias do seu coração, e após
alguns minutos, a ruptura da segunda. Sua transição ocorreu tal qual
anunciara: sentado à maneira tradicional japonesa, fechou os olhos e deixou
seu corpo conscientemente entre os amigos. Vestia o mesmo quimono que Takata
vira no sonho que a levara ao Japão.
Em 1941, incluindo a senhora Chie
Hayashi, havia somente cinco professores vivos de Reiki.
Takata tornou-se uma poderosa
curadora e introduziu o Método Reiki no mundo ocidental, constatando, de
acordo com o que já havia lhe sido passado pelo Dr. Hayashi, que todas as
pessoas que eram iniciadas, gratuitamente, no Reiki, não percebiam a
grandeza do método, razão pela qual, não lhe davam o devido valor. Passou a
estipular preços, aceitando a orientação do Dr. Hayashi, para a iniciação
nos diferentes níveis do Reiki.
A fim de ter uma melhor compreensão
dos aspectos físicos e técnicos da anatomia humana, Hawayo Takata cursou a
Universidade nacional de Medicina e Medicamentos (National College of
Drugless Physicians), em Chicago.
Durante trinta anos, ministrou
cursos e curou pessoas, garantindo, assim, a divulgação do Reiki no mundo;
nesse período sentiu necessidade de passar a totalidade dos ensinamentos do
Reiki e, então, para impedir uma monopolização do Reiki, iniciou vinte e
dois mestres, recomendando-lhes respeitar a liderança de sua neta Phyllis
Lei Furumoto, sucessora de Takata, e dando-lhes permissão para formarem
novos grupos após a sua morte.
Os mestres por Takata iniciados
foram
Em 12 de dezembro de 1980 Takata
faleceu, e suas cinzas foram enterradas no templo budista de Hilo.
Reuniram-se os vinte e dois mestres, e resolveram reestruturar e dar
continuidade, a “American International Reiki Association – AIRA"” com sede
na Flórida. Alguns mestres, após divergência, criaram uma segunda
associação, denominada “The Reiki Alliance”.
Reiki Universal
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