Alemão, heim?

Os últimos dias da campanha foram caracterizados pela orgia de prisioneiros. Naquela fase de desintegração dos exércitos alemães, em que a derrota se tornava clara até para o mais obcecado nazista, o sentimento predominante era salvar a pele, uma vez que tudo mais estava perdido. E para isso nada melhor do que se entregar prisioneiro. Fazer prisioneiro nessa época deixou de ser uma façanha sensacional, para se tornar um fato vulgar, de toda hora.

Até meu enfermeiro, destacado num posto avançado da companhia de Transmissões, fez um prisioneiro, coisa que positivamente não era de suas atribuições.

Um "jeep" que passasse por certas estradas menos transitadas, arriscava-se a ver surgir dalguma valeta um ou dois alemães, que desejavam ser aprisionados. Aquilo já nem tinha graça.

Era interessante a maneira diversa com que os norte-americanos e os brasileiros tratavam os alemães. O americano trazia um prisioneiro com formalidade, de baioneta calada, mantendo-o alguns passos à sua frente, sem maltratá-lo, mas com severidade. O brasileiro não era assim. Uma vez que o "tedesco" se entregava mesmo, era quase um amigo. O pracinha batia-lhe no ombro, dizendo: "Alemão heim?" E lhe oferecia um cigarro.

Uma vez chegou ao P.C. de Companhia, um pracinha desarmado, conduzindo um alemão que trazia dois fuzis.

Apresentou-se ao tenente.

- Pronto, seu Tenente. Este é um alemão que eu prendi.

- E onde está seu fuzil?

- Está com ele. Eu estava cansado e lhe pedi para trazer o meu também .

Era assim, na camaradagem.

Fonte: http://www.reservaativa.com.br/portugues/

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