Basset Hound




Basset um grande companheiro.

Basset Hound


...... Eleger uma ra�a pela apar�ncia f�sica, lev�-la para casa e surpreender-se comum temperamento bem diverso do esperado, n�o � algo raro de acontecer. Com o Basset Hound, esse tipo de engano praticamente n�o acontece. Quem o v�, mesmo em uma primeira avalia��o, costuma perceber corretamente como ele �. Os adjetivos usados para descrev�-lo envolvem conceitos de docilidade e pouca atividade: manso, bonzinho, carente, pregui�oso, lerdo, indolente ou at� dorminhoco, como aconteceu quando C�es & Cia mostrou a foto de um Basset Hound a dez pessoas que n�o o conheciam. De fato, a express�o desse baixote de orelhas ca�das e corpo pesad�o � t�o forte que � at� aproveitada por quem trabalha com propaganda. "Quando queremos passar aquela id�ia de indol�ncia e mansid�o num comercial, o Basset Hound � o c�o ideal", define Gilberto Miranda, que em nove anos de trabalhos publicit�rios e 20 com c�es, j� adestrou mais de 45 ra�as para comerciais.

De boa paz

...... "Nunca ouvi falar de um Basset Hound ter mordido algu�m", comenta o criador e handler Jorge Dias, do Canil Park Melody, em Bras�lia, que tem a ra�a h� 10 anos. N�o existem estranhos para esse c�o. Todos s�o amigos. "� t�o d�cil que dois dos meus Basset Hounds foram roubados de casa com a maior facilidade", acrescenta Jorge. A paci�ncia da ra�a � ressaltada por Daniel Oliveira, do Canil Zuos, em Belo Horizonte. "O Basset Hound n�o reage nem quando maltratado pelas crian�as que adoram puxar suas longas orelhas e apertar seu comprido focinho", exemplifica. Sua voca��o para a n�o viol�ncia � marcante. "Quando agredido, prefere correr e se esconder", conta Alberto Salim Saber Filho, do Big-Long-Blue's Kennel, em S�o Paulo, que cria a ra�a h� 22 anos. Uma sobrinha do criador Jos� Schweidson Filho, do Canil Ben Cana� Bassets, em Curitiba, nunca "levou o troco" desses c�es por causa de suas brincadeiras rudes. "Montava em cima, mordia as orelhas e o pior de tudo para um c�o: roubava a comida e eles sequer amea�avam mord�-la", comenta Jos�. "Uma crian�a chegou a enfiar uma agulha num Basset Hound: ele chorou, tentou fugir, mas n�o revidou. N�o conhe�o outro c�o com um grau t�o elevado de toler�ncia", exalta. O corpo longo e pesado sobre pernas bem curtas n�o favorecem a velocidade e nem grande atividade.

...... Correr e brincar, s� �s vezes. O neg�cio mesmo � descansar. "O Basset Hound prefere dar suas cochiladas a se exercitar", diz Alberto. "Exerc�cio para os meus � andar um pouco pela casa, dar no m�ximo uma voltinha pelo quintal e depois voltar a dormir." Os 17 exemplares do criador Alex Franco dos Santos, que cria h� seis anos pelo Big Kennel Blue, em S�o Paulo, n�o s�o diferentes. "Depois do almo�o dormem a tarde inteira, se n�o forem importunados ", descreve. "O Basset Hound � assim: brinca dois minutos e dorme duas horas", compara. No canil de Jorge, os c�es s�o soltos tr�s vezes por dia para se exercitarem. "Andam e brincam um pouquinho, mas logo aproveitam essa liberdade ao ar livre para fazer o que preferem: dormir um pouco mais."

...... Jos�, que cria os seus em um terreno grande e com muita vegeta��o, acrescenta: "o Basset Hound quando atra�do por est�mulos, como o chamado do dono, e com espa�o para brincar, mostra-se mais ativo do que quando fica em pequenos ambientes."

Surpresa

...... Com a apar�ncia t�o reveladora, diminuem as chances de seus donos serem pegos de surpresa no conv�vio com o Basset Hound. Os EUA s�o um bom term�metro para medir o grau de enganos que a escolha de uma determinada ra�a pode causar, por incompatibilidade com o estilo do dono. L� se encontra uma das maiores cria��es de c�es do mundo e tamb�m � um pa�s onde muitos c�es s�o abandonados, o que motivou os americanos a criar entidades especializadas em recolocar exemplares, de quase todas as ra�as, em novos lares. S�o as chamadas Rescue. Um dos motivos freq�entes para a devolu��o de v�rias ra�as � a decep��o com o temperamento do c�o. Com o Basset Hound isso raramente acontece. � o que garante a presidente do National Bassethound Cares Incorporated, em Colorado - EUA, Libby Sallada. "Como o Basset Hound n�o apresenta um temperamento que dificulte a conviv�ncia, fazendo artes em excesso ou sendo agressivo, como acontece com outras ra�as, � dif�cil que o motivo da devolu��o esteja ligado ao comportamento", diz. As raras exce��es de Basset Hounds devolvidos s�o por um engano de avalia��o. Por parecer tranq�ilo, pode passar a id�ia de que n�o se incomoda de ficar sozinho. Mas ele detesta solid�o. A coordenadora do Basset Hound Club Rescue, da Inglaterra, Pat Green, pa�s onde tamb�m h� muitas entidades de resgate, endossa. "Os poucos casos de abandono relacionados com queixas do temperamento desse c�o foram de pessoas que acham erroneamente que por ele parecer e ser parad�o pode ficar sozinho em casa o dia todo, pois permanecer� relaxando num canto", explica Pat. Foi o que aconteceu com Rosicler Hennel, de S�o Paulo, quando adquiriu um Basset Hound. "Foi amor � primeira vista. Adorei o visual baixinho e a cara sonolenta e carente e, de fato, ele � assim, mas achei que ficaria numa boa sozinho", diz. "S� que latia tanto que os vizinhos come�aram a reclamar e tivemos de nos desfazer dele." Latir sem parar � t�pico do Basset Hound, caso permane�a sozinho por muito tempo. Mas basta ter companhia, de prefer�ncia de pessoas, que deixa de faz�-lo.

...... O Basset Hound � uma ra�a originalmente acostumada a longas caminhadas em matilha, farejando trilhas nas ca�adas. N�o est� habituado a ficar sozinho. V�rios criadores estrangeiros entrevistados chegam a dar um limite de tempo para a ra�a ficar s�: quatro horas. Depois disso, come�a a latir sem parar num tom rouco, forte e bem alto, digno de um cachorr�o que transmite a agonia de sua solid�o e que acaba, obviamente, incomodando a vizinhan�a. Como bem disse o criador Alex, "deixar um Basset Hound sozinho por muito tempo � pedir para arranjar encrenca com os vizinhos."

Companheiro

...... O Basset Hound pertence a um grupo de c�es que se consagrou por originar excelentes companheiros - os c�es de ca�a -, j� que a fun��o requer grande proximidade com o homem. Seu uso recente � quase que exclusivamente para companhia. Embora seja um �timo farejador, equipar�vel ao Bloodhound (considerado o melhor faro do mundo), persistente na persegui��o e resistente a ponto de andar horas a fio, � tido como lerdo demais na persegui��o � presa. � o que ocorre na Inglaterra, que mant�m a tradi��o da ca�a. Sue Ergis, secret�ria da principal entidade da ra�a, o Bassethound Club, em Poolle, Dorset, conta que as pessoas que usam o Basset Hound para esse fim s�o t�o poucas que nem mesmo se organizam para as famosas competi��es de ca�a, chamadas de Field Trials. "Aqui n�o existem provas de ca�a para a ra�a, como h� para as outras" diz Sue. Para manter viva a lembran�a da fun��o para a qual a ra�a foi desenvolvida, o clube ingl�s mant�m uma matilha conhecida como Albany Pack, para demonstra��es. Todo ano, no inverno, ela se apresenta gratuitamente uma vez por semana. S�o 16 c�es e cerca de 30 pessoas envolvidas no evento, como propriet�rios e tratadores. Os c�es s�o acompanhados por dois ca�adores a p�, cuja fun��o � manter a matilha unida e atenta a uma �nica trilha. Um deles vai na frente com uma esp�cie de berrante, tocado para reagrupar os c�es, e o outro vai atr�s da matilha para apressar os retardat�rios. Quando os c�es farejam a trilha da lebre, sua presa natural, come�am a latir e correm acompanhando o odor do rastro. A lebre corre at� entrar na toca. Em seguida, � cercada pela matilha. Sue explica: "se o ca�ador n�o chegar primeiro, a presa vai ser morta pelos c�es. Ap�s pegar uma lebre, a ca�ada continua, atr�s de outra". Nos EUA, apesar de mais usado para a ca�a que na Inglaterra, o Basset Hound n�o est� na lista dos ca�adores preferidos. "O Beagle, o Coonhound e o Foxhound s�o bem mais apreciados para ca�a em matilha", compara o criador Ken Mc Williams, da Pennsilvania, EUA, que j� participou de ca�adas e que freq�enta as Field Trials h� mais de 60 anos. A inglesa Sally Money, que mora em Essex e cria Basset Hounds h� 30 anos, diz que at� ca�a com eles. Aprecia v�-los seguir os rastros com o �timo faro. "Mas, no meu pa�s, ele � mais usado para fazer companhia, j� que h� outras ra�as mais eficientes na ca�a", avalia.

Parad�o

...... Quando n�o estimulado pelas emo��es de seguir trilhas, o Basset Hound faz aflorar todo o seu lado pregui�oso. Fica por conta do dono conseguir motiv�-lo a se mexer. Pelo menos meia hora de caminhada di�ria � importante para n�o ficar obeso, j� que � um comil�o, e desenvolver a musculatura que sustenta a estrutura vertebral muito longa, t�pica da ra�a. Problemas de coluna e articula��es s�o comuns na ra�a, de acordo com o veterin�rio Tim Phillips, de Ferndown, em Dorset, Inglaterra. Cabe ao dono, tamb�m, controlar a quantidade de comida di�ria, resistindo ao seu olhar "pid�o".

...... A ra�a requer aten��o com rela��o � higiene. A grande produ��o de gordura das gl�ndulas seb�ceas da pele, favorece o aparecimento de cheiro forte e de dermatite seborr�ica, segundo Tim que j� tratou de mais de 150 Basset Hounds, sendo que cerca de 10% deles tinham caspa. "A melhor maneira para controlar o problema naqueles que t�m maior tend�ncia a pele oleosa, s�o os banhos freq�entes, no m�nimo quinzenais, e com xampus pr�prios", recomenda. As escova��es podem ser di�rias. A limpeza dos ouvidos deve ser feita uma vez por semana para evitar excesso de cera e as comuns otites causadas pelo ambiente �mido e abafado t�pico em ra�as de orelhas ca�das.

...... As p�lpebras ca�das o tornam mais sujeito a problemas nos olhos, como a conjuntivite, o ectr�pio (as membranas internas dos olhos viram para fora) e o entr�pio (as membranas viram para dentro da c�rnea), causando inflama��es e at� �lceras locais, segundo o veterin�rio especializado em oftalmologia em Memphis, Tenessy, EUA, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Caio Lemmi, de Jacare�, SP. A dica � limpar os olhos diariamente com �gua boricada ou soro glicosado a 5% e manter o c�o longe de poeira e vento. "N�o deixe o Basset Hound tomar muito vento nos olhos, evitando principalmente andar com ele no carro com a cabe�a para fora da janela que pode causar conjuntivite e ceratite", alerta Caio. A conjuntivite � tratada com col�rios, pomadas oculares e antiinflamat�rios e o ectr�pio e o entr�pio s�o corrigidos apenas por cirurgia.

...... A ra�a geralmente precisa ser auxiliada no acasalamento, pois tem dificuldade de faz�-lo sozinha. O veterin�rio e criador de Basset Hounds, pelo Canil Devil�, em Curitiba - PR, Jos� Vicente Lopes, que j� tratou de mais de 100 exemplares, comenta: "O corpo muito comprido e as pernas curtas atrapalham o macho a montar na f�mea e a manter o seu equil�brio sobre ela; al�m disso, ela tende a sentar por n�o aguentar o peso dele", explica. "Outro agravante � o excesso de pele solta na vulva e no prep�cio (pele que cobre a cabe�a do p�nis), que dificulta o acasalamento".

Padr�o Oficial

CBKC n� 163, de 26/4/94
FCI n�163 GB, de 16/3/89
Pa�s de origem: Gr�-Bretanha
Nome no pa�s de origem: Basset Hound
APAR�NCIA GERAL: � um rastreador de pernas curtas, de consider�vel subst�ncia, bem balanceado e repleto de qualidades. � desej�vel que tenha uma certa quantidade de pele solta.
CARACTER�STICAS: c�o tenaz, de antiga linhagem de ca�adores pelo faro, com instinto de matilha, voz melodiosa e profunda e grande resist�ncia no trabalho de campo.
TEMPERAMENTO: afetuoso e pl�cido, nunca agressivo ou t�mido.
CABE�A: cr�nio em c�pula, com stop moderado e occipital proeminente, arcada superciliar de largura m�dia, afilando suavemente para o focinho. A linha superior do focinho �, quase paralelo � do cr�nio, do stop ao occipital e n�o mais longa. Pode apresentar moderadas rugas, na testa e junto aos olhos. De qualquer modo, a pele da cabe�a deve ser suficientemente solta para formar rugas bem definidas, quando trazida para frente, ou quando a cabe�a � abaixada. As bochechas recobrem, amplamente, os l�bios inferiores. O nariz � inteiramente preto, salvo nos c�es de cor clara, nos quais, pode ser marrom ou f�gado. As narinas s�o grandes e bem abertas. A trufa pode ser ligeiramente projetada al�m da linha anterior dos l�bios.
Olhos: em forma de losango. Inseridos no plano da pele, de cor escura, podendo ser marrom m�dio, nos c�es de pelagem clara. A express�o � calma, s�ria e a conjuntiva da p�lpebra inferior fica � mostra, embora n�o excessivamente. Olhos claros ou amarelos s�o altamente indesej�veis.
Orelhas: de inser��o baixa, logo abaixo da linha dos olhos. Muito longas, o comprimento ultrapassa bastante a extremidade de um focinho de tamanho correto, sem exagero. Estreitas em toda a sua extens�o, encurvando-se bem para dentro. Muito macia, de textura fina e aveludada.
Boca: mand�bulas fortes, com mordedura em tesoura, com dentadura perfeita, regular e completa, isto �, os incisivos superiores sobrepassam os inferiores em contato estreito e de inser��o perpendicular aos maxilares.
PESCO�O: musculoso, bem arqueado, com bom comprimento, com pronunciada barbela, mas n�o exagerada.
ANTERIORES: esc�pulas bem inclinadas, ombros n�o pesados, membros curtos, poderosos, com ossatura robusta. Cotovelos trabalhando bem ajustados, rente ao t�rax e, corretamente direcionados para a frente. A parte superior dos antebra�os �, moderadamente inclinada para dentro sem, entretanto, inferior na liberdade dos movimentos ou resultar em bra�os tocando-se, seja parado ou em movimento. Visto de frente, o antepeito adapta-se, perfeitamente, � curvatura dos antebra�os. Metacarpos cedidos � falta muito grave. A pele forma dobras nos metacarpos.
TRONCO: longo e bem profundo em toda a sua extens�o. O esterno � proeminente, por�m, o peito n�o deve ser estreito ou excessivamente profundo. Costelas bem arredondadas, bem arqueadas, sem sali�ncias, estendendo-se bem para tr�s. Dorso bastante longo de n�vel, com o lombo e quartos traseiros na mesma altura, embora o lombo passa ser ligeiramente arqueado. A linha superior, que vai da cernelha at� a inser��o das ancas, n�o deve ser excessivamente longa.
POSTERIORES: bem musculosos, firmemente plantados, dando a impress�o de quase esf�rico, quando vistos de tr�s. Joelhos bem angulados; jarretes bem curtos, quando poss�vel; bem aprumados, quando em stay e corretamente direcionados para a frente. Podem aparecer rugas na pele entre os jarretes e as patas, assim como pequenas bolsas, resultantes da pele bem solta, na parte posterior das articula��es.
PATAS: massudas com juntas fortes e bem almofadadas. As patas dianteiras podem apontar bem para a frente, ou ser ligeiramente viradas para fora, mas de qualquer modo, o c�o deve ficar firmemente apoiado em suas patas, com seu peso igualmente distribu�do entre d�gitos e almofadas, de tal maneira que as patas deixem uma pegada de um c�o de grande porte, sem que qualquer regi�o desprovida de almofadas toque o solo.
CAUDA: bem inserida, um tanto longa, forte na base e afinando, com moderada quantidade de p�los �speros, na face ventral. Durante a movimenta��o, a cauda � portada bem para cima em curva, tipo sabre, suave, sem nunca enrolar ou cair sobre o dorso.
MOVIMENTA��O: � um aspecto muito importante. A��o fluente e f�cil, com bom alcance nos anteriores e poderosa propuls�o nos posteriores, com o c�o se movimentando livremente tanto na frente, como atr�s. Os jarretes e joelhos n�o podem permanecer r�gidos e d�gito algum arrastar-se pelo ch�o.
P�LO: liso, curto e cerrado, sem ser muito fino. No aspecto geral, todo o contorno do ch�o � bem recortado, sem qualquer franja. Os p�los longos e os p�los macios, com franjas, s�o altamente indesej�veis.
COR: preto e castanho e branco ou branco lim�o, mas qualquer cor reconhecida como sendo de hound, � aceit�vel.
ALTURA:33 a 38cm.
FALTAS: qualquer desvio, dos termos deste padr�o, deve ser considerado como falta e penalizado na exata propor��o de sua gravidade.
NOTA: os machos devem apresentar os dois test�culos normais, bem acomodados na bolsa escrotal.



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