A história do Spitfire

 

Sem qualquer dúvida o mais célebre de todos os aviões da segunda guerra mundial, o Supermarine Spitfire foi concebido pelo grande engenheiro inglês Reginald J. Mitchell. Seu formidável potencial de desenvolvimento aliado a excelente performance fez com que fossem produzidos 20.334 exemplares, em mais de 40 diferentes versões, durante e após a guerra.

Reginald J. Mitchell, que faleceu logo após o início da produção em série do avião, mostrava-se interessado nos monoplanos de altas performances que apareceram nos anos 20, então foi responsável pela concepção do hidroavião Supermarine S.4. Em resposta à uma demanda do Ministério da Aeronáutica inglesa, que em 1930 solicitava a criação de um caça monoplano monoposto, ele começa a trabalhar em um projeto de aparelho com um motor Rolls-royce Goshawk, equipado com um cockpit fechado e trem de aterrizagem retrátil. Dois elementos centralizaram seus estudos: a necessidade da aeronática inglesa de obter um caça armado com oito metralhadoras e a utilização do novo motor Rolls-Royce PV. 12, de 1.000 hp que passou a chamar-se Merlin. Mitchell redesenha completamente seu projeto para adaptar-se a esses dois novos fatores e o resultado do trabalho voa a primeira vez em 1936.

Este foi o protótipo do Spitfire, cuja performance fez com que houvesse uma encomenda de 310 aparelhos em junho de 1936. A produção do Spitfire inicia em 1937 e as entregas em junho de 1938, de sorte que a primeira esquadrilha equipada com os novos caças passou a operar em julho do mesmo ano. Mantidos na reserva na batalha da França, as esquadrilhas de Spitfires do Comando de Caça não começam a participar das operações até que a Luftwaffe passa à ofensiva contra a Grã-Bretanha. Seu emprego foi estritamente defensivo até 20 de dezembro de 1940, data da primeira operação "Rhubard", contra os aeroportos alemães próximos do Canal da Mancha. Esta operação foi a primeira de uma longa série.

Os primeiros Spitfires estacionados fora do teritório inglês foram os 15 Mk. VB que o porta-aviões Eagle transportou à Malta em março de 1942. Eles foram seguidos por 3 esquadrilhas no deserto egípcio em agosto de 1942 e, no início do ano seguinte, os Spitfire da 54ª esquadrilha australiana asseguraram a defesa de Port-darwin contra os ataques japoneses. Somavam um total de 300 os Spitfires VC na Austrália em 1944 e, desde outubro de 1943, a esquadrilhas 136 e 615 operavam na Birmânia.

Após a invasão da URSS pelos alemães, formações britânicas foram destacadas para o território ao norte da Rússia, com Spitfires, geralmente em versão de reconhecimento fotográfico. Logo começa a entrega aos soviéticos de 143 Mk.V e, posteriormente, de 1188 Mk.IX. Enquanto isso, a Força Aérea egípcia recebe 12 Spitfires VC. As forças aéreas norte-americanas receberam numerosos exemplares, assim como certos países neutros, 50 para Portugal e um número indefinido para a Turquia. Enquanto mais e mais Spitfires comabatiam no céu mediterrâneo, os primeiros Seafires apareciam, embarcados no porta-aviões Furious, participam do desembarque aliado no Norte da África em novembro de 1942. Os aparelhos do Formidable participaram da liberação da Sicília e mostraram-se muito ativos durante o desembarque de Salerno.

Nesse tempo, os Spitfires lutaram em todos os fronts da Europa, na RAF (que incorporou numerosos combatentes voluntários de diversas nacionalidades, notadamente poloneses e franceses) e muitos grupos da USAF. No final da guerra, uma unidade italiana e os primeiros elementos da aviação iugosláva receberam também seus Spitfires. Dentro das ilhas britânicas os Spitfires tinha missão defensiva contra a nova ameaça das bombas voadoras V-1. No continente foi um Spitfire que obteve a primeira vitória contra um caça a jato inimigo, um Messerschimitt Me-262, em 5 de outubro de 1944.

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