Vocabulário


Droga - É toda substância, natural ou artificial que, introduzida no organismo vivo, pode provocar modificações na sua estrutura ou no seu funcionamento.

Neste sentido, droga pode ser tomado como sinônimo de "fármaco", tornando-se assim, um conceito amplo para compreender todos os medicamentos ou qualquer substância ativa do ponto de vista farmacológico.

Tóxico - É toda substância capaz de intoxicar um organismo (envenenar, provocar reações graves ou letais).

Entorpecente - É toda droga capaz de provocar entorpecimento ou torpor (diminuição das atividades gerais do organismo), também conhecidas como estupefacientes.

Narcóticos - São substâncias que provocam narcolepsia (sono profundo), hipnose (sono) e analgesia (diminuindo a sensibilidade à dor).

Destes conceitos básicos de substâncias que podem interagir no organismo humano, podemos afirmar que a natureza produz um número indeterminado de substâncias que podem ser consideradas drogas, sendo algumas tóxicas, outras drogas, outras narcóticas. Porém, todo tóxico é droga, mas nem toda droga é tóxico. Já não usamos a palavra "toxicomania" ou "toxicômano" para indicar pessoas que usam drogas. Aos poucos estas palavras foram substituídas por "dependência" e usuário, respectivamente. Fala-se também, em "dependência química" de uma forma mais generalizada, para os usuários de vários tipos de drogas (álcool, cigarros, anfetaminas, etc.).

Dependência - Dependência às drogas ou farmacodepedência é um estado de necessidade física e/ou psicológica, de uma ou mais drogas, resultante do seu uso contínuo ou periódico.

Existem 2 (dois) tipos fundamentais de dependência às drogas. Um deles é a dependência psíquica, que corresponde ao que se convencionou chamar, no passado, de hábito. Entretanto, esta terminologia não é, segundo a maioria dos especialistas, muito adequada e, hoje em dia, prefere-se falar em dependência psíquica ou psicológica.

Este tipo de dependência tem as seguintes características fundamentais:

1) A droga afeta o indivíduo, trazendo como conseqüência, também, prejuízos à coletividade ou à sociedade onde ele vive.

2) Não há aparecimento de tolerância, isto é, o organismo não fica tolerante à droga, o que não obriga o usuário a aumentar a dose.

3) Há desejo psicológico de usar a droga, mas não há compulsão por ela, ou seja necessidade orgânica de seu uso.

4) A retirada brusca da droga não produz, no usuário, um fenômeno conhecido com o nome de síndrome de abstinência ou de privação, que se caracteriza por manifestação física e mentais graves, e que, inclusive, podem levar o indivíduo à morte.

A dependência física ou orgânica, que corresponde ao que se chamava antigamente de vício, tem as seguintes característica:

1) Afeta o indivíduo e prejudica a coletividade ou a sociedade.

2) A droga produz tolerância no organismo, o que obriga o usuário a, progressivamente, aumentar a dose. Há indivíduos que ficam tão tolerantes, que chegam a suportar doses que seriam suficientes para matar algumas pessoas normais.

3) Existe uma verdadeira compulsão pela droga, isto é, uma necessidade física ou orgânica de seu uso, o que faz com que o indivíduo procure obtê-la por todos os meios. Surgem daí os crimes de roubos, agressões, homicídios, prostituição, etc.

4) Se o indivíduo for abruptamente privado do uso da droga, surge a crise de abstinência ou de privação, geralmente acompanhada de calafrios, tremores, sudorese, náuseas, vômitos, diarréia, confusão mental, alucinações, delírios, convulsões e até morte.

Exemplos clássicos de dependência física são representados pelo abuso dos entorpecentes mais comuns, como a morfina e a heroína. Um ponto importante a ser salientado é que, praticamente, não existe dependência física pura, isto é, a dependência física é geralmente precedida ou antecipada da dependência psicológica. Talvez o único exemplo de dependência física pura que possa ser dado é aquele que corresponde aos nascituros proveniente de mães dependentes de entorpecentes, e que, durante a gravidez, foram sendo paulatinamente afetado ("viciados") pela droga trazida ao pequenino ser em formação pelo sangue materno, através da placenta. Vários desses casos têm sido constatados, principalmente o de mulheres que, durante a gravidez não interromperam o uso de heroína ou morfina, drogas que, como se sabe, facilmente atravessam a placenta.

O termo "vicio", que antigamente era também usado para designar a dependência física, deve ser evitado, porque pode levar a confusões e segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde, deve ser substituído por dependência física. Entre alguns autores tem-se visto o termo adicto e adição (do inglês "adict" e "adiction") para designar os dependentes físicos e seu tipo de dependência.

Outro ponto importante a ser considerado é que, se em alguns casos é relativamente fácil afirmar que uma determinada droga produz dependência física, e/ou psíquica, em outros, o problema torna-se extremamente complexo. Por exemplo, é fato aceito pela maioria dos autores que a maconha (cannabis sativa linneu) produz dependência psíquica e não física, porque o uso dessa droga não leva à produção do quadro típico descrito para esse último tipo de dependência (não há, por exemplo, compulsão pela droga e nem síndrome de abstinência pela sua retirada brusca).É fato também pacífico que a morfina e a heroína produzem, tipicamente, uma dependência física acentuada.

Mas, existem algumas drogas que se situam, por assim dizer, no "border line", ou seja, no ponto de passagem entre um tipo e o outro. É o caso das anfetaminas ("bolinhas") que produzem tolerância, levam alguns indivíduos a uma verdadeira compulsão pela droga, mas não produzem uma síndrome de abstinência ou de privação típica pela interrupção brusca do seu uso.
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