Munições e "Stopping Power"


Termo criado por norte-americanos, "stoping power" possui uma tradução que deve ser levada em consideração em sua literalidade, ou seja, "poder de parada".

Desenvolvido por especialistas em armas leves que buscavam uma perfeita combinação entre calibre e munição capaz de interromper as ações ofensivas de um adversário com um só disparo, o termo "stoping power" passou a ter extrema relevância em pesquisas e estudos que tratam de técnicas e táticas policiais, uma vez que é de suma importância, em uma ação policial, interromper as ações de um adversário antes que alguém mais seja ferido.

Ainda hoje é impossível apontar com precisão milimétrica o "poder de parada" de uma determinada arma, calibre e munição, uma vez que não bastam estudos matemáticos para se chegar a uma conclusão definitiva. Outros fatores, não científicos, fazem com que todos os estudos feitos acerca do "stopping power" não tenham um valor absoluto. Podemos citar, como exemplo, casos reais em que pessoas foram atingidas inúmeras vezes por projéteis calibre .45 ACP e permaneceram vivas, algumas inclusive continuando com suas ações ofensivas; por outro lado, existem casos em que um simples disparo de um projétil calibre .38 SPL para instantaneamente o ofensor. Tratam-se de fatores humanos, absolutamente diferentes em cada indivíduo.
.45 ACP
Ora, se isso é possível acontecer, por que realizar tantos estudos visando determinar qual seria a arma, calibre e munição mais efetiva no combate ao crime ?

Ocorre que esses casos acima citados fazem parte de uma minoria, onde os fatores humanos comentados se faziam presente. Porém, na grande maioria dos casos, podemos determinar, até com certa facilidade, qual a arma, calibre e munição com maior "poder de parada", sendo assim a mais eficaz para interromper a ação ofensiva.

As pesquisas começaram no início do século, quando soldados norte-americanos travavam sangrentas batalhas contra os guerreiros Mouros nas Filipinas. O exército dos EUA havia trocado suas armas de mão, revólveres Colt modelo 1873 de calibre .45, por revólveres Colt modelo 1892 de calibre .38. Nos primeiros conflitos, os soldados puderam notar que seus oponentes, mesmo cravejados de balas, insistiam tenazmente em suas ofensivas. Culpou-se, na época, os novos revólveres .38 pelos resultados das batalhas, porém, não levou-se em consideração que mesmo o antigo .45 não se mostrava eficaz ante a determinação dos guerreiros Mouros.

O governo norte-americano determinou então que fossem realizados testes no anseio de se encontrar um calibre eficaz para o uso de seus soldados. Inúmeros estudos foram feitos, das formas mais arcaicas possível; desde disparar contra cadáveres e analisar o balanço do corpo quando atingido pelo projétil, até atingir bois e vacas em matadouros e contar quanto tempo cada calibre demorava para abater os animais. Não precisamos concluir, por óbvio, que tais testes se mostraram absolutamente ineficazes para a determinação do "stopping power" de determinadas munições.

A partir de 1973, ante insistentes pedidos de vários departamentos de polícia dos EUA, novos estudos foram realizados pelo Instituto Nacional de Justiça, através de seu programa de assistência a Administração Policial, desta vez baseados em conhecimentos científicos onde os técnicos utilizavam gelatina balística ligada a um computador. A gelatina balística simulava a consistência de um corpo humano e o computador registrava o impacto do projétil sobre ela. Porém, tais testes também não se mostravam totalmente confiáveis, havendo, inclusive, quem afirmasse que a gelatina balística utilizada nos teste não possuía a fórmula adequada a simular o corpo humano.

Evan Marshall, um ex-sargento da Especializada em Homicídios da Polícia de Detroit, também realizou pesquisas acerca do "poder de parada" de certas munições, baseadas em centenas de casos reais de tiroteios, dando ênfase para os casos em que o indivíduo atingido caiu imediatamente após receber o tiro. Os resultados conseguidos por Marshall levaram a conclusão de que o calibre 9mm Parabellum bate, ou no mínimo iguala (de acordo com a munição), o .45, que havia sido tão favorecido nas pesquisas anteriores.

Dentre os especialistas no assunto, a forma empregada por Marshall é tida como a mais confiável de todos os meios criados até o momento para se medir o "stopping power" de armas, calibres e munições. Desta forma, seguindo a corrente dominante de especialistas, decidi inserir uma tabela que exibe os resultados obtidos por Evan Marshall.


Tabela de Evan Marshall

Calibres
7,65 mm
.380 ACP
.38 SPL
9 mm
.357 Magnum
.45 ACP
Munição menos efetiva
Ogival Jaquetada 71 "grains" (52%)
Ogival Jaquetada 95 "grains" (55%)
Ogival de Chumbo 158 "grains" (55%)
Ogival Jaquetada 123 "grains" (60%)
Semijaquetada 158 "grains" (67%)
Jaquetada 230 "grains" (63%)
Munição mais efetiva
Winchester Silvertip 60 "grains" (58%)
Winchester Silvertip 85 "grains" (61%)
Chumbo de Ponta Oca 158 "grains" (65%)
Jaquetada Ponta Oca 147 "grains" (80%)
Semijaquetada Ponta Oca 125 "grains" (91%)
Jaquetada Ponta Oca 200 "grains" (74%)
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