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Shotguns


O trabalho policial, por suas pr�prias obriga��es, coloca o policial "linha de frente" em uma s�rie de situa��es arriscadas e seu �nico seguro de vida nessas ocasi�es � seu armamento e sua capacidade em empreg�-lo de forma correta.

O rev�lver e a pistola s�o armas de porte, para uso di�rio e possuem suas limita��es. Sempre que poss�vel, quando o policial sabe que vai desempenhar uma miss�o de alto risco, deve usar uma arma pesada e deixar a de porte no coldre, pronta para uma emerg�ncia.
Linha de Tiro

Armas pesadas no meio policial, diferentemente dos militares, que usam esse termo para coisas realmente grandes, s�o as espingardas de combate (shotguns) e as submetralhadoras, Carabinas e fuzis de grande precis�o e alta pot�ncia tamb�m t�m um importante papel no arsenal de pol�cia.

Essa forma de referir �s espingardas e submetralhadoras � por causa da evidente vantagem que elas t�m sobre as pistolas e rev�lveres como armas de combate. Ent�o, nessa rela��o de valores, elas s�o na verdade armas pesadas.

Para fazermos o emprego t�tico adequado de qualquer que seja a arma, � necess�rio conhecermos todo o seu potencial e limita��es.

Um pouco da hist�ria das shotguns


Durante a Primeira Grande Guerra (1914 - 1918), onde os combatentes lutavam com uma tenacidade singular por cada metro de terreno, gra�as � estupidez de seus generais, tornou-se comum o uso de trincheiras.

Nesse ataques contra soldados inimigos entrincheirados, ganhou fama a espingarda que nesse combate a curta dist�ncia com o inimigo, "embolado" um por cima do outro, fazia um estrago muito maior que o fuzil de ferrolho convencional e as armas curtas de dota��o entre os ex�rcitos em conflito.

Nessa �poca tornou-se famosa a Winchester Modelo 1897 em calibre 12, de a��o de bombar adotada pelos norte-americanos. Ainda hoje essa arma � conhecida por "trench-gun" (arma de trincheira) devido ao seu formid�vel desempenho na �poca.

Atualmente, as espingardas est�o tendo cada vez menor emprego militar. Isso ocorre por v�rias raz�es, dentre as quais o tamanho dos cartuchos que por serem muito grandes impedem o combatente de carregar consigo muni��o suficiente, a falta de alcance e penetra��o de seus disparos e a fragilidade inerente a esse tipo de arma.

Mesmo ap�s a cria��o de espingardas com carregadores destac�veis como a SPAS-15 ou os modelos capazes de fogo autom�tico como os desenvolvidos para o projeto CAW (Close Assault Weapons), a verdade � que essas armas grandes, pesadas, de manejo dif�cil devido ao forte recuo e pouca maneabilidade, nunca poder�o equiparar-se a um fuzil de assalto em letalidade e capacidade de fogo, e o soldado m�dio sempre estar� melhor servido por um desses do que por qualquer espingarda j� produzida.
SPAS-15
Contudo, para o uso policial, a velha shotgun ainda tem algo a oferecer.

Classifica��o


Tanto as espingardas quanto as submetralhadoras foram subdivididas pelos "experts" em armas de 1�, 2�, 3� e 4� gera��o, para facilitar sua classifica��o dentro de certos padr�es pertinentes �s caracter�sticas, materiais, cuidados de fabrica��o e melhoramentos incorporados.

As espingardas de 1� gera��o s�o aqueles modelos mais antigos, fabricados com dois canos, paralelos ou sobrepostos, com c�es externos ou mochas.

As de 2� gera��o s�o as de a��o de bombar ("pump action"), ou seja, seus cartuchos ficam alojados em um carregador tubular sob o cano e para serem colocados na c�mara requer que o atirador manobre a telha de arma para tr�s e para a frente. S�o exemplos desse tipo a Mossberg 590, a Winchester Defender e a CBC "pump".
Mossberg 590
Winchester Defender

Como espingardas de 3� gera��o, podemos citar todas as semi-autom�ticas das mais diversas proced�ncias; entre elas, a Remington 1100 e a Browning A-5.

As atuais Franchi SPAS-12 e a Benelli Super 90 M-3 s�o classificadas como espingardas de 4� gera��o porque disparam fazendo o uso de dois sistemas diferentes, que podem ser intercalados, ou seja, disparam tanto em a��o de bombar ("pump") quanto de forma semi-autom�tica.
SPAS-12
Benelli Super 90 M3

A j� citada SPAS-15, apesar de seu carregador destac�vel, ainda assim � uma arma de 4� gera��o, pois seu sistema de funcionamento tamb�m � "pump" e semi.

Espingardas de combate


� necess�rio considerarmos certas qualidades como essenciais a uma boa espingarda de combate. Essas qualidades s�o muito diferentes daquelas necess�rias a uma espingarda adequada para a pr�tica do Tiro Esportivo, seja o "Trap", o "Skeet" ou a Fossa Ol�mpica. Mesmo as espingardas de ca�a n�o s�o recomend�veis para o trabalho policial se n�o possu�rem certas caracter�sticas.

Os itens considerados de fundamental import�ncia s�o: confiabilidade (ou seja, o sistema de funcionamento deve ser adequado), maneabilidade (cano de no m�ximo 20") e resist�ncia.

Em rela��o ao sistema de funcionamento, ao "a��o" da arma, podemos apontar como adequados somente modelos de 2� e 4� gera��o, isto �, as de bombar ("pump") e as que possuem esta a��o em conjunto como o sistema semi-autom�tico.

As espingardas de dois canos, por motivos �bvios, n�o podem ser levadas a s�rio como armas de combate e as semi-autom�ticas n�o s�o confi�veis o suficiente, j� que os cartuchos de ponta chata - pr�prios �s espingardas - n�o alimentam t�o facilmente quanto os de proj�teis ogivais inerentes �s outras armas, sendo comum acontecerem "engasgos" mesmo com armas de boa qualidade. Al�m do que uma "pump", em m�os treinadas, pode ser disparada t�o rapidamente quanto uma semi-autom�tica.

Em resumo, se quer confiabilidade, opte por uma "pump", de prefer�ncia algum modelo que possua um extrator grande e forte como a Fabarm e fa�a uso somente de muni��o de boa qualidade.

Algumas f�bricas de armas, na tentativa de melhorar a maneabilidade de suas espingardas, lan�aram modelos com coronhas de metal dobr�veis, ou somente com "pistol grip" (cabo de pistola).

Winchester Pistolgrip

Coronhas de metal dobr�veis n�o s�o adequadas pois quando est�o distendidas, al�m de quase sempre apresentarem um certo jogo - elas n�o s�o muito firmes - podem machucar o rosto do atirador no momento do disparo devido ao recuo da arma. E quando est�o dobradas sobre a culatra cobrem totalmente a mira.

"Pistol grip" (cabo de pistola) � um modismo que tamb�m deve ser evitado porque tira a precis�o da arma. Dizem que � para tiros a curt�ssimas dist�ncias, mas em meio a um tiroteio n�o podemos contar com isso, pois um advers�rio correndo pode percorrer muitos metros em segundos, ou aparecer subitamente a uns trinta metros � nossa frente.

Em rela��o � resist�ncia da arma, os modelos que possuem coronhas de pol�mero s�o muito resistentes e quanto ao acabamento de suas partes met�licas, o fosfatizado ou acetinado s�o mais dur�veis do que o oxidado, no entanto, aquelas s�o mais facilmente vis�veis do que estas.

Espingardas de combate devem ser sempre em calibre 12 - de prefer�ncia 12 Magnum, com c�mara de 3" - e ter uma capacidade de, no m�nimo, 5 disparos.

Se as miras de sua espingarda forem ao estilo das carabinas - com al�a e massa de mira - podem atrasar o atirador em algumas fra��es de segundos at� ele conseguir fazer o alinhamento correto delas. Essa pequena demora em seu alinhamento pode ser um longo tempo em uma situa��o cr�tica. S� faz sentido seu uso se a espingarda vai ser municiada exclusivamente com balotes. As miras comuns �s espingardas, somente com a massa, s�o de visada r�pida e plenamente satisfat�rias.

Muni��o e t�tica


Quando um policial � chamado a enfrentar alguma "barra pesada" e leva consigo uma espingarda, � bom n�o esquecer que as principais limita��es dessa arma s�o o curto alcance de seus disparos e a pouca penetra��o de seus proj�teis.

Mesmo municiada com balotes, � bom lembrar que esses proj�teis, devido ao seu grande tamanho e peso e ao fato de serem disparados em um cano de alma lisa (sem raias), n�o possuem alcance com precis�o muito al�m de 50 metros.
Balote
Para o servi�o policial, a espingarda estar� no melhor de sua capacidade quando carregada com chumbo grosso, do tipo "OO Buck" com 9 balins. O t�o falado 3T � muito fino para ca�ar bandido. Esse tamanho de chumbo � mais adequado para animais de tamanho pequeno, como as pacas e outros, a menos que o disparo seja a queima-roupa, mas nesse caso, tanto faz o 3T ou o chumbo fino de tamanho 6 ou 7.
Mesmo com chumbo grosso, do tipo "O Buck" ou "OO Buck", o alcance ideal de uma espingarda n�o passa de 35 metros porque o chumbo grosso se dispersa rapidamente.
Cartucho
� bom ter em conta que o alcance EFETIVO da espingarda est� diretamente relacionado com a quantidade de balins que o seu disparo coloca no alvo. A carga deve atingir o oponente o mais embolada poss�vel para produzir o efeito traum�tico desejado. Cada balim individualmente n�o pode ser visto, como alguns erroneamente afirmam, como equivalente a um proj�til de pistola ou submetralhadora por causa de seu pobre formato bal�stico e falta de for�a e consist�ncia, o que limita sua efic�cia.
Balotes, por sua vez, podem exibir a curta dist�ncia uma penetra��o surpreendente.
Ao lado temos a estrutura interna de um cartucho de espingarda, onde o n� 1 representa a Base Met�lica; o n� 2 o Estojo Pl�stico; o n� 3 a P�lvora; o n� 4 a Bucha Pl�stica; o n� 5 o Chumbo; o n� 6 o Fechamento Estrela e o n� 7 a Espoleta.
Cartucho (interior)

T�ticas


Para opera��es policiais do tipo "arrast�o", ou seja, o policial se v� obrigado a manter v�rios elementos sob a mira de sua arma, fazendo a cobertura de seus colegas enquanto d�o uma revista geral em locais suspeitos, a espingarda desempenha um papel soberbo. Por causa de sua apar�ncia amea�adora (assusta mais do que a submetralhadora), de sua grande pot�ncia que pode manifestar-se plenamente, j� que ambientes fechados as dist�ncias s�o curtas e (principalmente) por sua facilidade em atingir um alvo. O efeito de se portar uma espingarda nessas circunst�ncias � ben�fico at� mesmo porque pode evitar que algu�m se torne agressivo, j� que a boca do cano de uma 12 n�o � algo f�cil de se encarar.

Em barreiras policiais ("blitz") a espingarda tamb�m tem seu papel a desempenhar.

Mesmo que sua efetividade anti-ve�culo esteja longe do ideal, pois se os seus balotes t�m penetra��o por outro lado n�o possuem alcance, e seus cartuchos carregados com balins n�o possuem nem alcance nem penetra��o, ainda assim ela poder� ser �til.

No caso de barreiras policiais, muitas vezes quando um carro for�a passagem, o policial n�o sabe se ao volante est� um perigoso marginal ou um moleque irrespons�vel. Nesse caso, antes de usar for�a plena, faz sentido alguns disparos com uma 12, de prefer�ncia carregada com chumbo mais fino, contra o p�ra-brisas, para quebrar o vidro e for�ar o motorista parar e pensar no que fez. Se a coisa engrossar... bem, a decis�o ser� dele.

Com a 12 tamb�m � mais f�cil atingir um pneu.

O policial que faz a cobertura do colega que aborda o ve�culo - depois que este parou - faz bem se estiver usando uma espingarda j� que, em caso de alguma amea�a, dois ou tr�s disparos bem colocados podem acertar todos que est�o no carro devido aos v�rios proj�teis contidos em cada cartucho.

Para correrias e trocas de tiros atr�s de marginais, tanto a p� quanto em autom�veis, a espingarda 12 � uma arma adequada, principalmente se a coisa ocorrer em locais urbanos j� que diminui o risco de uma bala perdida.

Em uma persegui��o a p�, em locais de pouca luz, com uma espingarda se torna mais f�cil atingir o marginal, mesmo se ele estiver disparando contra n�s. Nesse caso, o truque � enrolar um esparadrapo branco em torno da boca do cano, sobre a massa de mira, para termos uma no��o de para onde estamos apontando, mantermos a cabe�a fria e "apertar" sem d�.

Se a troca de tiros acontece entre ve�culos, o melhor � fazer com que o motorista da equipe diminua a dist�ncia entre os carros e quem estiver com a espingarda - de prefer�ncia o policial que estiver sentado ao lado do motorista - execute uma s�rie de disparos, o mais r�pido poss�vel contra os marginais em fuga. Uma "barragem" de seis ou sete disparos calibre 12 com carga Magnum "OO Buck" contra o p�ra-brisa do ve�culo pode fazer um bom estrago dentro do carro e em seus ocupantes.

Observa��es


J� deu para se perceber que a espingarda � uma arma policial por excel�ncia. Toda e qualquer equipe deve portar ao menos uma shotgun em seu arsenal.

Por�m, o uso deste tipo de arma torna-se restrito, pois devido ao seu forte recuo e ao seu excessivo peso, uma espingarda deve ser portada por policiais que tenham uma complei��o f�sica adequada. Imagine o que acontecer� se for efetuado um disparo de calibre 12 por um policial que tenha cerca de 1,65 metros de altura e 65 quilos. Certamente ele n�o conseguir� obter a efici�ncia adequada da shotgun.

Portanto, ao se determinar quem dever� carregar consigo a espingarda ser� necess�rio analisar todos esses aspectos.
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