Pistolas semi-automáticas


As pistolas semi-automáticas tiveram suas raízes nos experimentos de Hiram Maxim que, em 1883, desenvolveu a primeira arma automática de que se tem notícia, uma metralhadora que usava a ação dos gases no momento do disparo para ciclar a ação e colocar outro cartucho na câmara.

Dez anos mais tarde, em 1893, o alemão Hugo Borchardt criou o primeiro protótipo de uma arma semi-automática. Tratava-se de uma estranha e desajeitada pistola que possuía um ferrolho em dobradiça que funcionava como um joelho humano para conseguir a extração e a alimentação de seus cartuchos. Era uma arma absolutamente imprópria que só não caiu no esquecimento porque um dos discípulos de Borchardt, o alemão George Luger tornou-a prática e esteticamente agradável. Surgiram então as famosas pistolas Luger adotadas pelo exército alemão em 1908.

Em 1896, Peter Paul Mauser desenvolveu uma pistola que tinha seu carregador, de dez tiros, à frente do gatilho e um esquisito cabo que se assemelhava a um cabo de vassoura. Foi uma pistola que teve uma regular aceitação militar.

Armas

O norte-americano John Moses Browning , depois dos alemães, foi quem propiciou o maior avanço em matéria de pistolas semi-automáticas. Genial e criativo inventor de armas, Browning criou a famosa pistola em calibre .45 ACP que foi adotada pelo exército norte-americano em 1911, a conhecida Colt Governamental Modelo 1911. De desenho inigualável, era fabricada pela Colt, porém fora produzida por inúmeras outras firmas. Uma arma que ainda hoje desperta paixão e ódio, tendo quem a considere a melhor arma de combate já produzida e quem a considere uma arma antiga e obsoleta. Colt 1911

Anos mais tarde John Moses Browning aperfeiçoou sua criação e elaborou sua também famosa pistola Browning Hi-Power, fabricada pela F.N. belga e vendida em inúmeros países. Browning
Baseadas nessas armas foram criadas as pistolas semi-automáticas que conhecemos hoje.

Sistemas de operação das pistolas semi-automáticas

Os sistemas de operação das pistolas semi-automáticas são basicamente três: operação por recuo direto, operação por recuo curto e operação por recuo longo. No primeiro sistema o recuo é controlado pelo peso da culatra e a resistência da mola, sendo que o cano é normalmente fixo; é muito usado para os calibres menores, como o 7,65 mm e o .380 ACP. No segundo sistema o cano e a culatra são móveis, ficando interligados no momento inicial do disparo; recuam juntos uma pequena distância até que o cano estanca e a culatra é liberada, continuando seu movimento para trás até a expulsão da cápsula deflagrada e a introdução de um novo cartucho na câmara; é o sistema usado para armas de calibre 9mm e .45 ACP, devido à maior potência, tornando-se necessário esse trancamento inicial, onde o cano e a culatra recuam juntos, até que haja a diminuição da pressão dos gases no interior da câmara. No terceiro sistema o que ocorre é semelhante ao segundo, mas o cano e a culatra recuam juntos o equivalente ao comprimento de um cartucho.

Outras formas de operação foram criadas, como o sistema a gás das pistolas HK P-7 e Desert Eagle, onde os gases liberados pelo disparo são conduzidos por um pequeno orifício situado à frente da câmara, ou no cano, de forma a exercer pressão para que o ferrolho seja movimentado.


Pistolas de ação simples

As primeiras pistolas de concepção moderna que foram criadas, como a Colt Governamental e a Browning Hi-Power, são de ação simples. Requerem que o atirador, para efetuar o primeiro disparo, as engatilhe manualmente, puxando o cão para trás. Após o primeiro disparo, com a ação dos gases sobre o ferrolho que o movimentam ciclando a extração e a alimentação da arma, o cão é naturalmente armado sem a necessidade de qualquer outra operação manual.

A grande controvérsia no meio policial acerca desse tipo de pistola se refere à forma de portá-la em segurança. Com a câmara vazia e o cão baixado ou com a câmara cheia e o cão desarmado? No primeiro caso, para se efetuar o disparo, é necessário que o atirador manobre o ferrolho para trás para permitir a entrada de um cartucho na câmara. No segundo basta que o atirador arme o cão e pressione o gatilho. A melhor forma será esta ou aquela de acordo com quem esteja portando a arma, de acordo com a adequação do atirador à arma.

Um método muito utilizado em estandes em competições de Tiro Prático, criado por Jeff Cooper, um ex-coronel da marinha norte-americana, é o que usa a pistola com um cartucho na câmara, engatilhada (com o cão puxado para trás) e travada. Trata-se de um método que certamente é o mais rápido para o pronto uso da arma, porém um método que exige do atirador extremo cuidado no manuseio da pistola.

Inúmeros instrutores e especialistas em armas de fogo recomendam que um policial nunca deve apontar uma arma engatilhada, para evitar acidentes. Por outro lado, sugerem que um policial deve ter sua arma sempre em condições de disparo, sem que seja preciso desativar travas de segurança ou engatilhar o cão. Daí tiramos a primeira vantagem das pistolas de ação dupla sobre as de ação simples.


Pistolas de ação dupla

Com uma pistola de ação dupla o primeiro disparo pode ser efetuado após um longo puxar de gatilho, não sendo necessário o engatilhamento manual do cão. Os disparos seguintes são efetuados como nas pistolas de ação simples, com o cão sendo naturalmente armado pelo movimento do ferrolho após o disparo.

São armas que transmitem maior segurança no porte, uma vez que dificilmente dão ensejo a um disparo acidental.

As pistolas de ação dupla modernas, como a Beretta 92 F, possuem ainda uma trava localizada em seu ferrolho que, ao serem acionadas, permitem que o cão seja desarmado abaixando-se para sua posição habitual. A grande vantagem desse tipo de trava é a possibilidade de se desarmar o cão após colocarmos um cartucho na câmara, ou após termos efetuado alguns disparos, uma vez que com esses movimentos do ferrolho o cão fica naturalmente armado, situação em que a arma pode disparar com uma pequena pressão sobre o gatilho. Beretta
Existem dois outros sistemas de funcionamento que apesar de parecidos não podem ser classificados como de ação dupla. São os que operam nas pistolas Glock, HK P7-M8 e M13.

A pistola Glock possui sua armação e alguns componentes internos em polímero, um material incomum e muito resistente. Sua trava de segurança externa fica localizada no gatilho, sendo uma pequena lingüeta que sobressai em sua frente. Para ser disparada, deve-se apertar a lingüeta juntamente com o gatilho, em um único movimento. Após o primeiro tiro não é necessário deixar o gatilho (e sua respectiva trava) ir todo o seu curso para a frente, segurando-o um pouco para que todos os disparos subsequentes sejam efetuados da mesma forma.

A HK P7 possui uma trava externa à frente do cabo que, ao ser comprimida quando empunhamos a arma, a engatilha, fazendo com que todos os seus disparos sejam efetuados em ação simples. Ao ser afrouxada a empunhadura ela é desarmada, não podendo atirar.


Pistolas e seus calibres

Por estarmos tratando de técnicas e táticas para o serviço policial, não nos referiremos aos calibres .22 LR e 6,35 mm, por não servirem ao trabalho policial, devido ao baixíssimo índice de "poder de parada" que possuem (ver "stopping power"), sendo que suas chances de parar um adversário são muito remotas.

1) 7,65mm Browning ou .32 ACP

É um calibre mundialmente conhecido e muito popular no Brasil.

Foi criado em 1899 por John Moses Browning para sua primeira pistola.

O cartucho 7,65 mm é cilíndrico e possui uma pequena borda circular. Seu projétil pesa entre 4,5 e 5 gramas, variando de acordo com o tipo e fabricante. Sua velocidade média é de 320 metros por segundo e produz uma energia equivalente a 24,4 kgm.

Possui um recuo pequeno, facilmente controlável.

As munições mais efetivas para esse calibre são as Winchester Silvertip, Federal Hydra-Shock e Glaser.

Considerado um calibre pequeno, serve ao trabalho policial apenas como "back-up gun", ou seja, segunda arma ou arma de apoio.

2) .380 ACP

Foi introduzido em 1908 para municiar uma "nova" versão da pistola Colt Pocket Auto 7,65mm.

Na Europa é conhecido como 9mm Browning Short ou 9mm "kurz" (curto).

Não é um calibre difícil de se controlar no momento do disparo, sendo que seu recuo é maior e sua potência equivalente ao 7,65mm.

Seu projétil pesa entre 5,8 e 6,1 gramas, de acordo com o tipo e fabricante. Sua velocidade média é de 256 metros por segundo e produz uma energia de 20,39 kgm.

.380 ACP
Da mesma forma que o 7,65mm, as munições mais efetivas para esse calibre são as Winchester Silvertip, Federal Hydra-Shock e Glaser.

Também é considerado um calibre pequeno, bom para uma arma de apoio. Por muitos é considerado um calibre mais efetivo do que o 7,65 mm. Porém, sua maior efetividade ou não pode ser colocada dentro de uma só questão: "o que é mais efetivo, um projétil mais leve, mais veloz, ou um mais lento mas mais pesado e de maior diâmetro?".

3) 9mm Parabellum, ou 9x19mm, ou 9mm Luger

Tornou-se um calibre popular quando a pistola Luger começou a ser fabricada, em 1908.

É conhecido por três designações diferentes: 9x19mm, 9mm Luger ou 9mm Parabellum; por causa de suas dimensões, pela popularidade da famosa arma e pelo nome que deriva do endereço da fábrica da Luger (Parabellum), respectivamente.

É o calibre de preferência mundial em pistolas de combate, por ser preciso, possuir a potência adequada, ser fácil de controlar em disparos rápidos e por ter pequeno tamanho, permitindo uma grande quantidade de cartuchos no carregador.

Sua potência é equivalente a um .38SPL+P. Seu projétil pode variar em peso e formato, sendo que os mais comuns ficam entre 7,4 e 8,0 gramas. Sua velocidade média é de 353 metros por segundo e produz uma energia de 47,71 kgm. É de se ressaltar que tanto o 9mm quanto os demais calibres aqui citados estão sendo nomeados em suas cargas habituais, que podem ser alteradas conforme o fabricante e a finalidade da munição. 9mm Parabellum
É um calibre muito apreciado por policiais, sendo adequado para a arma de porte constante.

4) .38 Super Auto

Praticamente desconhecido no Brasil é um calibre muito antigo, com quase 60 anos de existência, que nunca teve grande aceitação em meio aos atiradores. É um cartucho que em nada acrescenta ao 9mm.

Seu projétil pesa por volta de 8,42 gramas e possui velocidade média de 390 metros por segundo. Atinge o alvo transmitindo-lhe uma energia equivalente a 65 kgm. São dados que o colocam à frente do 9mm, porém não são muitas as pistolas fabricadas neste calibre, o que o torna difícil de encontrar, portanto inadequado.

5) 10mm Automatic

Criado há alguns anos atrás pelo norte-americano Witt Collins, que procurou uma opção entre o que o 9mm e o .45 ACP tinham a oferecer. Sua idéia era criar algo que unisse a trajetória e a velocidade do 9mm ao maior peso e diâmetro do .45 ACP. O resultado foi um calibre excessivamente forte, que por isso não teve uma aceitação geral.

Porém, quando o FBI resolveu armar seus homens com esse calibre ele tornou-se mais popular e alcançou bons índices de aprovação. O Bureau solicitou às indústrias de munição uma especial, com carga mais leve das que então eram fabricadas (projéteis com 12,96 gramas, disparados a mais de 365 metros por segundo).

Uma vez que várias indústrias responderam à solicitação da Polícia Federal Norte-americana, hoje o calibre 10mm é mais dócil, fazendo uso de projéteis mais leves, de 11,66 gramas, disparados a 289 metros por segundo.

Trata-se de um calibre altamente recomendado para o uso policial.

6) .41 Action Express ou .41 AE

A criação desse calibre se deu a partir do grande interesse que surgiu com a aparição do 10mm. Evan Wildlin, projetista da indústria Action Arms, resolveu criar um 10mm mais curto, que poderia ser disparado em pistolas 9mm Parabellum, graças aos "kits" de conversão, fornecidos junto com a arma. A idéia era disparar um projétil de calibre .41 polegadas, em um cartucho de tamanho compatível, mas cuja borda circular fosse de menor diâmetro (o diâmetro da borda do cartucho do calibre .41 AE eqüivale ao de um cartucho 9mm).

Disparar armas em calibre .41 AE é como disparar uma em calibre .45 ACP. O recuo é maior do que um de 9mm, mas não deixa de ser macio.

É um bom calibre para o uso policial.

7) .40 S&W

Lançado pela Smith & Wesson em meados de 1990, é uma quase cópia do .41 AE, que por sua vez também é uma versão reduzida do 10mm original. A grande diferença entre o .41 AE e o .40 S&W é que este último não tem a borda circular rebatida. A cápsula desse calibre é como a de qualquer outro calibre de pistola. A borda circular é de tamanho semelhante ao resto do cartucho.

As armas projetadas para o calibre .40 S&W não são facilmente adaptáveis para disparar o calibre 9mm, como as de calibre .41 AE, porém são mais confiáveis no momento da extração.

Os calibres como o 10mm, o .41 AE e o .40 S&W têm a vantagem de não serem excessivamente largos como o .45 ACP, permitindo que vários cartuchos possam ser alojados em um carregador, sem que a empunhadura da pistola tenha dimensões exageradas.

Um projétil do calibre .40 S&W possui cerca de 11,66 gramas e alcança uma velocidade média de 289 metros por segundo. Podemos notar que duplica precisamente a mesma balística do 10mm do FBI, porém o 10mm pode ser usado com cargas superiores a qualquer coisa que seria possível ao .40 S&W.

.40 S&W
Também é considerado um calibre adequado para o uso policial.

8) .45 ACP

Sem dúvida trata-se do calibre mais antigo criado para armas curtas. Sua tradição é centenária. Alimentava os antigos revólveres Colt e as famosas pistolas Colt Governamental 1911.

É um calibre preciso, de adequado poder. É mais difícil de controlar do que o calibre 9mm, mas não chega a ter um recuo e estampido excessivos.

Seu projétil tem cerca de 14,9 gramas e alcança a velocidade média de 246 metros por segundo. Transmite uma energia ao alvo de cerca de 46 kgm.

O grande problema do calibre .45 ACP é que se trata de um cartucho e projétil "gordos", sendo que o carregador das pistolas não pode comportar uma grande quantidade deles, sob pena de ficar com uma empunhadura nada adequada.

.45 ACP
É um bom calibre para o uso policial, principalmente se utilizado em uma arma que tenha maior capacidade de cartuchos, como a Sig Sauer P220 e a Glock 21.

9) Calibres especiais

Existem pistolas semi-automáticas que disparam calibres típicos de revólveres e outros ainda mais incomuns. São os casos da Desert Eagle (calibres .357 Magnum, .41 Magnum, .44 Magnum e .50 Magnum), da Coonan (calibre .357 Magnum) e da Wildey (calibre .475), além de outras.

São armas de tamanho descomunal, grandes e poderosas em excesso, que por isso são desaconselháveis ao uso policial, sendo mais usadas nos filmes de Hollywood.

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