Opiáceos


O ópio é um entorpecente do qual se extraem mais de vinte alcalóides, quase todos ainda empregados na medicina sob rigorosa prescrição médica. É extraído da cápsula verde da "papaver somniferum", conhecida como papoula, planta cultivada em grande escala na Turquia, no Laos, na Tailândia, na Birmânia, no Egito, na Índia, na China e no México. Para obtenção do suco leitoso, faz-se uma incisão vertical ou horizontal na cápsula e dez ou doze horas depois começa a sair o látex, que é seco ao ar livre.
Heroína

A papoula é um arbusto que mede 1,00 a 1,20m, tem uma folhagem lisa, porém esmaecida e as flores têm aproximadamente 10cm de diâmetro. Em algumas regiões onde é produzida é também utilizada na alimentação e na construção de abrigos. As folhas, os frutos e o óleo que produz são comestíveis. Na Turquia, a semente, quando madura, é comida juntamente com o pão e, em outras regiões, serve também como rações para os animais. As sementes maduras não oferecem perigo à saúde, pois, dado o processo biológico da planta, três ou quatro dias depois de caírem as pétalas da flor, os princípios ativos da morfina e da codeína existentes na planta são eliminados.

O ópio contém um analgésico poderoso e serve de base à preparação de outras drogas de utilidade médica. No Oriente ele é fumado em grande escala. Seu consumo no Brasil é praticamente nulo, pelas dificuldades de obtenção e utilização.

Seu uso como analgésico é conhecido há mais de 2.000 anos, mas foi no século XIX, entretanto, que passou a ser usado, abusivamente, como relaxante e estupefaciente, principalmente entre artistas e desajustados. Escritores usaram-no desmerudamente, como estimulante da criatividade, não obtendo qualquer êxito nesse sentido.

O ópio tem propriedades narcóticas, sendo usado pela medicina para provocar relaxamento da sensibilidade, das tensões e da dor, dando ao paciente uma sensação de alívio e descanso. Se tomado em grandes doses, constitui perigoso estupefaciente, capaz de aniquilar qualquer vontade e destruir qualquer iniciativa.

O ópio e seus derivados são em geral depressores. Apenas um grama de ópio no organismo do viciado faz desaparecer qualquer dor e grande quantidade provoca entorpecimento, alucinações e coma. Com o uso da substância as pupilas contraem-se e o estômago deixa de exercer suas funções. O viciado sofre ainda uma série de distúrbios orgânicos, tais como, constipação intestinal, inapetência, tremores, loucuras, em suma o aniquilamento total.

O ópio é um entorpecente que provoca tanto dependência física como psíquica e seus principais alcalóides são a morfina, a heroína e a codeína.

Cultivo:

A flor da papoula se cultiva preferencialmente em solos térmicos frios com altitudes que oscilam entre 2.000 a 2.800 m acima do nível do mar. O cultivo da papoula é propício nas regiões montanhosas.

Entretanto, não se descarta que num futuro próximo, devido ao comportamento de certas espécies de papoula, a planta seja cultivada em diversos tipos de solo e altitudes inferiores às descritas com base em ótimas condições botânicas que permitiram adaptá-la a uma melhor qualidade de produto.

A planta tem uma altura aproximadamente de um metro, necessitando estar exposta plenamente aos raios do sol. É de contextura genética forte, condição que a faz imune a uma grande variedade de enfermidades. No entanto, é especialmente suscetível ao mau trato físico.

Selecionada a terra, a semente é espalhada em pequenas quantidades que cabem em três dedos das mãos unidos. Depois da semeadura a planta leva um mês para nascer, então o camponês seleciona cada 30cm daquelas que estão em melhores condições.

Colheita:

A partir da semeadura, no período de quatro a cinco meses de crescimento a papoula começa a florescer. Após três dias do aparecimento da flor caem as pétalas. Daí, espera-se vinte dias para iniciar a etapa do riscado que pode durar um mês aproximadamente.

O riscado deve ser superficial para que o arbusto não murche e o fruto da papoula possa ser riscado várias vezes obtendo maior rendimento. A forma de riscar pode ser horizontal ou vertical indistintamente, com um instrumento muito afiado (preferencialmente que não produza óxido), tendo o cuidado de realizar as incisões na parte da tarde, o que permite que na noite o látex se condense em pequenas gotas que serão recolhidas na manhã seguinte (os entendidos concordam que o segundo risco é o que produz mais látex).

Uma vez obtida a consistência suficiente, as gotas extraídas são suficiente para formar massas compactas que são expostas ao sol por algumas horas diariamente até que se produza a fermentação, para logo envolver o produto em folhas da mesma planta.

Processamento:

Posteriormente inicia-se o processamento da substância de para extrair os diversos componentes de acordo com os fins, seja no campo farmacêutico ou na produção ilegal de narcóticos. Sobre o assunto existem diferentes fórmulas manipuladas com grande zelo pelas organizações delituosas. Para a produção do ópio, morfina e heroína são utilizados, geralmente, os seguintes produtos químicos: ácido tartárico, ácido sulfúrico, carvão cálcio, acetona, ácido clorídrico, anidrido acético e cloreto de amônia.

Alcalóides:

1) Morfina

A morfina foi descoberta por Frederich Seturner, em 1806. É o principal alcalóide do ópio, podendo ser encontrada em forma de pó branco ou em cubos brancos, com um centímetro de lado. Pode ser encontrada em forma de tabletes, como os da sacarina ou acondicionada em pequenos frascos rotulados, com nomes diferentes, mas sempre fazendo referência à morfina.

A morfina tem sido substituída pela heroína, que é mais fácil de ser obtida, contudo, a manutenção do vício obriga os dependentes a grandes despesas, razão pela qual acabam se dedicando a traficância, ao roubo e ao assassinato.

O tempo necessário para uma pessoa se tornar viciada em morfina é variável: pode viciar-se com poucas doses, pode demorar alguns dias ou algumas semanas. Daí, o cuidado dos médicos de prescreverem essa droga somente em casos incuráveis, onde é empregada sem restrições.

A forma da droga ser tomada pelo toxicômano é muito variável, podendo a morfina ser ingerida por via oral e também injetada como solução. Às vezes a solução de morfina vem acondicionada em tubos, tipos seringa, com uma agulha hipodérmica.

A morfina exerce ação narcótica no homem, provocando analgesia e sono profundo.

Heleno Cláudio Fragoso, renomeado autor pátrio, nos dá conta do drama por que passa um viciado em opiáceos, no período de abstinência. "Cerca de doze horas após a última dose de morfina ou heroína o viciado começa a tornar-se intranqüilo. Uma sensação de fraqueza o domina; ele boceja, tem calafrios e sua, tudo a um só tempo, enquanto uma descarga d'água vem de seus olhos e de dentro do nariz, a qual ele compara a "água quente escorrendo da boca". Por algumas horas, lança-se a uma agitação anormal e sono intranqüilo, que os viciados chamam de "YENSLEEP". Ao despertar, dezoito ou vinte horas após a última dose da droga, o viciado começa a penetrar nas últimas profundezas de seu inferno pessoal.

Os bocejos podem ser tão violentos que causam deslocamentos das mandíbulas; o muco aquoso escorre pelo nariz e lágrimas copiosas caem dos olhos. As pupilas ficam largamente dilatadas; os cabelos e pele ficam eriçados, tornando-se a pele fria e com o aspecto de pele de ganso, o que na linguagem dos viciados é chamado de "COLDTURKEY", nome que também se aplica ao tratamento da toxicomania, pela retirada abrupta do tóxico. Então, aumentando às mesurais do viciado, seu abdômen começa a agir com violência fantástica: grandes ondas de contração passam sobre as paredes do estômago, causando vômitos explosivos, freqüentemente manchados de sangue. Tão extremas são as contrações dos intestinos, que a superfície do abdômen parece enrugada e cheia de nós, como se um emaranhado de serpentes estivesse em luta sob a pele. A dor abdominal é severa e aumenta rapidamente. Depois de outro a doze horas, os sintomas começam de novo. Se não se ministrar a droga os sintomas começam a decrescer por si mesmos ao sétimo dia, mas o paciente é deixado desesperadamente enfraquecido, nervoso, inquieto, sofrendo de renitente colite. Outros autores dizem que a crise de abstinência provoca, além desses sintomas, fortes alucinações e que a subministração da droga modifica imediatamente o quadro. HARRIS ISBELL, afirmou "Constitui uma experiência dramática observar uma pessoa miseravelmente mal receber uma injeção endovenosa de morfina e vê-la, dentro de trinta minutos, barbeada, limpa, rindo e dizendo pilhérias".

2) Heroína

A heroína é um entorpecente preparado da morfina refinada e sua cor varia do bronzeada ao branco acinzentado. É até dez vezes mais potente em seus efeitos farmacológicos que a morfina. Pode ser encontrada em forma de tabletes ou cubos, ou ainda apresentar-se como um pó cristalino embranquecido. A heroína é um soporífero que tem também a característica de ser muito leve, sendo geralmente acondicionada em cápsulas de gelatina e resguardada em recipiente à prova d'água.

O vício à heroína pode ser adquirido em pouco tempo e é mais forte que o vício dos demais opiáceos. Esta droga é bastante perigosa se tomada em grandes doses. Geralmente, os viciados vão aumentando gradativamente a quantidade de cada dose até o ponto de ser considerada uma grande dose, que daria para matar uma pessoa não viciada. Observa-se que a tolerância da heroína impõe ao viciado não só o aumento das doses, mas também a sua ministração em intervalos regulares, sob pena de sofrer danadamente.

A heroína é usada dissolvida em água pelo viciado que, através de injeção, aplica-a em qualquer músculo ou diretamente na corrente sangüínea para conseguir um efeito mais rápido. As veias preferidas para aplicação da droga são as dos braços, das costas das mãos, do peito do pé e da curva das pernas.

Esta droga pode também ser administrada por via oral ou por inalação. A heroína pura é diluída, geralmente com outra substância, como a lactose ou o quinino e quando a dose chega ao viciado, seu conteúdo varia entre três e dez por cento.

O viciado em heroína, após aplicação da droga, sente um estímulo extraordinário, fica eufórico, revigorado e auto-confiante, ainda que pese serem os entorpecentes da família dos opiáceos considerados depressivos.

2.1. Ocultação

Uma das formas de embalagem e contrabando mais comum é o uso de camisinha, a qual é enchida com um quarto a mais de uma onça de heroína e amarrada, ou então escondida em uma cavidade do corpo para passar como contrabando. A nível de rua, a embalagem é um pouco diferente. Um método comum para ocultar e para vender é o uso de pequenos globos de brinquedo. Cada globo enrolado pode conter aproximadamente um quarto de grama de heroína. Entretanto, os analistas de laboratório raramente encontram mais de um décimo de grama.

A heroína que provém do Extremo Oriente é geralmente de cor branca ou creme, em variações de tons desde uma cor cinza claro, mas ocasionalmente pode ser completamente branca. A heroína café ou marrom do México varia de cor, desde o tom esbranquiçado até o café escuro ou negro. Sua consistência varia de pó fino até grãos ou pedaços. A cor ou a textura das substância não são necessariamente indicadores de qualidade.

2.2. Métodos de uso

A heroína pode ser usada em quase todas as maneiras imagináveis. Pode ser ingerida oralmente, inalada, injetada ou fumada (este método é conhecido como "chasing the dragon" - perseguindo o dragão). Recentemente, os investigadores de narcóticos têm descoberto que está se popularizando entre os viciados que têm dinheiro o uso da heroína branca para "baixar" do efeito da cocaína. A heroína fumada também é popular entre os membros do "Jet Set" e as personalidades de Hollywood, que crêem viciar menos que as outras drogas.

O método mais comum é o de injeção. O viciado geralmente começa injetando nas veias e na parte interna do braço e parte posterior da mão. Ao ocorrer maior deteriorização e para ocultar vícios, o usuário utiliza as veias dos pés, chegando às pernas, aos músculos e à virilha. Alguns viciados utilizam as veias do pescoço. Algumas mulheres injetam abaixo dos seios. Sabe-se de viciados que injetam abaixo da língua e ocasionalmente se encontram viciados que se injetam na veia dorsal do pênis.

O equipamento dos viciados (algumas vezes chamado implementos, brinquedos, etc.) inclui vários artigos: uma colher e uma rolha que usam para misturar a heroína com uma pequena quantidade de água e aquecê-la. A agulha se encaixa no conta-gotas. Em algumas ocasiões, o equipamento inclui um algodão sujo que se usa para filtrar as impurezas. Esses algodões são usados várias vezes, e, quando a situação se torna difícil, o viciado injeta a droga que está no algodão. O torniquete pode ser uma gravata velha, um cinto, ou um pedaço de pano. Alguns viciados dizem não necessitar de um torniquete, enquanto outros alegam que ele aumenta o fluxo da droga no organismo e seu efeito eufórico. Fósforos e navalha ou facas são geralmente parte do equipamento e ocasionalmente o viciado torna um artigo mais pessoal, guardando-o numa caixa de metal ou couro. Contudo, geralmente, todos os implementos são postos em uma carteira vazia de cigarros, amarrada com uma liga e escondida no lugar mais sujo da casa ou do veículo do viciado. Isto é feito porque a maioria dos investigadores não gosta de sujar as mãos durante as buscas.

O viciado inicia os preparativos para a injeção esvaziando o conteúdo do globo ou da bolsinha na "panela". Depois de adicionar suficiente água para liqüefazer a substância, coloca-se uma fonte de calor debaixo da "panela" e observa-se a substância atentamente até que apareça as borbulhas (o objetivo do viciado é alcançar aproximadamente a temperatura do corpo). Succiona-se, então, a substância da "panela" para a seringa, utilizando o algodão para filtrar as impurezas. Esta prática algumas vezes produz desvantagens para o viciado, já que pode involuntariamente reter fibras de algodão com a seringa e injetá-las nas veias . Em geral, neste ponto, a área na qual se aplica a injeção está amarrada. A agulha é insertada lentamente na veia até que apareça o sangue na seringa. O viciado deve ter o cuidado de não atravessar a veia, pois, nesse caso, deve interromper a punção.

Se o viciado é velho, com experiência, e não está sofrendo sintomas muito pronunciados de abstinência, pode injetar-se uma quantidade pequena de heroína para ver unicamente qual é o efeito. Isto é de particular importância quando o viciado tem um subministrador novo ou quando desconhece a qualidade da heroína. Entretanto, se o viciado está sofrendo muito pode-se injetar toda a quantidade de heroína imediatamente. Ocasionalmente, o viciado pode brincar com o processo de injeção, injetando-se um pouquinho de heroína, sacando sangue da seringa e executando o processo repetidamente. Diferentes elementos podem afetar o processo inteiro, sendo que alguns deles são o estado físico do viciado por falta de droga, o uso de agulhas com ou sem ponta, o estado de calosidade das veias nos locais de injeção, e segurança do local escolhido para a atividade. Ás vezes o viciado não encontra uma veia, ou a mesma pode estar tão cicatrizada que uma agulha sem ponta ou defeituosa não pode penetrar. Alguns viciados lavam o equipamento, mas a maioria o guarda sujo.

A heroína é um depressor do sistema nervoso central, e um dos maiores depressores. Quase imediatamente, o corpo começa a reagir à heroína e todas as funções do organismo entram em depressão. O viciado sente uma sensação intensa de prazer ou de euforia (descrito freqüentemente como um clímax sexual) que dura vários minutos e que geralmente se localiza no abdômen. Nesta momento, entra em jogo um número de fatores que determinarão o estado de euforia resultante, tais como a potência e a quantidade da droga utilizada. Se o viciado está acostumado a injetar-se heroína de 5%, e agora usa de 1%, a reação geral será menor. Por outro lado, se o viciado está acostumado a usar a heroína de 1% a 3%, e agora injeta a de 5% ou de maior pureza, a sensação será mais intensa. Se o viciado está nas etapas iniciais do vício, a experiência será mais intensa que a de um usuário já bastante dependente. Em quase todos os casos, o viciado experimentará alívio de dor e escape dos problemas pessoais e das responsabilidades. Alguns viciados, ao encontrar-se em paz com o mundo, se tornam comunicativos e experimentam sentimentos livres de comunicação.

2.3. Efeitos fisiológicos

Existem três elementos principais no vício, os quais são: a tolerância, a dependência física e a dependência psicológica. A tolerância se define como a diminuição do efeito com o uso repetido da mesma droga. Isto requer um aumento nas doses para obter o mesmo efeito ou similar.

A dependência física se refere a um estado físico alterado causado pelo uso repetido da droga durante um período de tempo, fazendo o uso contínuo da droga necessário para evitar a reação causada pela falta da mesma.

A dependência psicológica se refere sensivelmente à necessidade emocional que se tem da droga; é conhecida comumente como hábito.

A seguir, uma lista dos efeitos fisiológicos mais comuns do uso de heroína:

1. Sulco ( marcas ou cicatrizes deixadas pela agulha hipodérmica e pelas escleroses das veias);

2. Contração da pupila (mitosia);

3. Lentidão na atividade física e nos reflexos;

4. Pronunciação confusa e geralmente lenta;

5. Pele com coloração azul por falta de oxigênio no sangue (cianosis);

6. Pele ressecada com unhas pálidas e quebradiças;

7. Boca ressecada (diminui a excreção de fluídos do corpo);

8. Pálpebras caídas;

9. Insuficiência de ar no sangue - dificulta a compressão do sangue (anoxia);

10. Coceira na pele (urticária);

11. Baixa temperatura na pele (hipotermia);

12. Respiração lenta (supressão do sistema respiratório);

13. Voz profunda (polorospasmo);

14. Ruborização da pele (dilatação dos vasos sangüíneos na face);

15. Reborização na atividade evacuadora dos intestinos;

16. Urinação sem freqüência (efeito antidiurético);

17. Batidas do coração lentas;

18. Redução da pressão arterial;

19. Falta de ar nos pulmões (ventilação pulmonar);

20. Aumento da permeabilidade dos vasos capilares pulmonar (edema pulmonar);

21. Pulso anormal (bradicardia); e

22. Excesso de açúcar no organismo (hipoglicemia).

2.4. Marcas

A maioria dos viciados tem cicatrizes distintivas, abscessos ou úlceras sobre as veias como resultado de repetidas injeções de heroína, administradas sob condições sem higiene e não estéreis. Imediatamente depois da aplicação aparece um pouco rosado e inchado no lugar da injeção. Freqüentemente, este ponto inchado tem a aparência de uma pequena cavidade rodeada de sangue fresco. Nas 24 horas seguintes começa a infecção e depois de transcorridos um ou dois dias, o sangue coagulado junta-se ao suor do corpo e forma uma crosta. A idade aproximada da crosta é calculada através de sua cor e pela condição do tecido que a cerca. Depois de três ou quatro dias a crosta pega uma cor predominante alaranjada, e, conforme envelhece, a cor se torna obscura. A crosta pode permanecer até duas ou três semanas. Ás vezes, a marca inclui uma equimose na área circundante, como resultado do descuido do usuário no uso da agulha hipodérmica e/ou o uso de uma agulha sem ponta (a equimose é uma concentração de sangue debaixo da superfície da pele). Algumas marcas têm aparência de tatuagem ou uma cor azul ou negra. Isto é por impureza da agulha, tais como sujeira, fuligem ou depósito de carbono. Com freqüência, o investigador descobre várias cicatrizes que aparentam ter a mesma idade, a qual pode ser causada por múltiplas injeções diárias ou por várias tentativas de localizar a veia. Um exame cuidadoso é necessário para determinar o numero de injeções. Depois de repetidas injetadas, as marcas que rodeiam os tecidos se cicatrizam e em algumas ocasiões se desenvolvem abcessos ou calos. As injeções repetidas também causam o colapso das veias ou cicatrizes que cobrem totalmente as veias. Quando um viciado não pode usar uma veia em colapso para injetar-se, começa a procurar outra para tal fim.

A dependência profunda fará com que o viciado chegue a uma situação onde pode observar poucos ou nenhum dos sintomas acima mencionados. Algumas vezes o policial verá que os mais claros ou únicos sintomas que existem são as marcas e a contração das pupilas do viciado. A regra geral é que os opiáceos contraem a pupila, ao contrário de quase todas as outras drogas, que tendem a dilatá-la. Contudo, esta, como qualquer outra regra, não é absoluta.

2.5. Reação da pupila

O diâmetro normal da pupila varia entre 2.9 mm a 6.5 mm. As pupilas normais se dilatam e contraem de acordo com as condições de luminosidade. Com luz brilhante, a pupila se contrae. Na obscuridade, ou com pouca luz, a pupila deve dilatar-se. Se um indivíduo está usando heroína, suas pupilas se contraem até chegar ao diâmetro menor que três milímetros, o que serve para confirmar que encontra-se sob influência da droga. Há variedade de condições, além do uso de opiáceos, que pode causar contração da pupila. A pupila contraída, num viciado em heroína, reage lentamente e, em alguns casos, não reage de forma visível. Esta condição pode demorar tempo variado, dependendo de fatores tais como a qualidade da heroína, o método de uso e a tolerância.

Entre as condições que podem causar contração da pupila, estão certos medicamentos usados no tratamento de glaucoma; algumas etapas da sífilis; feridas no olho ou nervo ótico; desordens congênitas e abuso alcoólico. Igualmente, o hidrato cloral (que é um sedativo hipnótico); certas combinações de droga e feridas na cabeça podem causar contração da pupila.

2.6. Reação muscular

Devido ao fato de que opiciáceos geralmente deprimem o sistema nervoso central, os movimentos do viciado são mais lentos que o normal. Além da lentidão de ação, a pele pode coçar, especialmente na área do nariz, fazendo com que o viciado se fira.

Os opiáceos afetam o sistema gastrointestinal, causando prisão de ventre. Também há perda de apetite e, consequentemente, de peso. A maioria dos viciados são fracos e mal nutridos, mas, de vez em quando, encontra-se um que pareça estar bem alimentado. Geralmente, o sistema reprodutor funciona lentamente ou deixa de funcionar e o ciclo menstrual feminino se desorganiza ou interrompe. Em geral, os opiciáceos tendem a diminuir o desejo sexual.

2.7. Sintomas provocados pela abstinência (falta) da droga

Os sintomas produzidos por abstinência ocorre em três etapas separadas.

1ª Etapa - Após de quatro a seis horas, o viciado começa a sentir sintomas leves. Geralmente, esta incomodidade é mais psicológica do que física. De oito a quatorze horas se apresenta inquietude, suor, olhos lacrimejantes, nariz ressecado, bocejos e espirros. Estes sintomas se parecem com os de um resfriado comum. De quatorze a vinte e quatro horas, os sintomas aumentam e o viciado perde o apetite, além de surgirem tremores leves no corpo.

2ª Etapa - De vinte e quatro a trinta e seis horas o viciado sofrerá de insônia, vômitos, diarréia, debilidade e depressão, além de uma intensificação dos sintomas já presentes.

3ª Etapa - De quarenta e oito a setenta e oito horas, os sintomas chegam ao ponto máximo. Juntamente com cãimbras musculares e estomacais, há fortes tremores e sacudidas espasmódicas. Pioram vômitos e diarréia e sobe a temperatura.

Não é raro que o viciado perca de 4 a 6 quilos num período de vinte e quatro horas. Depois da terceira etapa, os sintomas diminuem gradualmente, mas o viciado pode queixar-se, até por seis meses, de nervosismo, debilidade e insônia, acreditando ter vivido numa experiência infernal. O policial deve recordar que estes sintomas podem variar em intensidade, de acordo com o grau de dependência e é possível que não sejam piores que os sofridos por um resfriado, por exemplo.

Uma vez que o viciado passe pelas três etapas causadas pela abstinência, poderá ter se livrado da dependência física, mas os outros fatores tais como tensões, má imagem de si mesmo, etc., continuam. Esta necessidade psicológica da droga fará provavelmente que o indivíduo volte a ser vítima de outro ciclo de dependência.

2.8. Reconhecimento do usuário

Algumas vezes o investigador pode observar os sintomas de abuso de heroína durante uma conversação normal, sem entrar em contato direto com o indivíduo. É necessário que o policial estabeleça a presença de três ou quatro sintomas objetivos antes de examinar o indivíduo para encontrar marcas deixadas pelas injeções.

Alguns detalhes gerais que devem ser investigados: camisas de manga comprida durante as épocas quentes do ano; óculos de sol para ocultar as pupilas contraídas: desejo excessivo de comer doce, causado pela acumulação de açúcar; sede excessiva, devido à boca ressecada; pele avermelhada; aparência de sonolência; coceira; respiração lenta e pouco profunda; sintomas de abstinência; aparência descuidada e desnutrida; equipamento para uso ou venda de narcóticos; e um vocabulário de viciados.

A heroína se converte em morfina quase que instantaneamente, uma vez injetada na corrente sangüínea. Como resultado, sua amostra será positiva ou negativa para morfina - não para heroína. Uma amostra de urina é a melhor que se pode obter. Durante as primeiras vinte e quatro horas, 85% da heroína é eliminada pelo organismo. Haverá rastro na urina até 72 horas mais tarde. No caso do sangue, somente com muita sorte se logrará obter uma amostra positiva depois das primeiras vinte e quatro horas após o uso da droga.

Uma das dificuldades para se obter uma amostra é que o suspeito talvez não possa urinar quando lhe é pedido. Neste caso, o policial deve dar-lhe bastante água e esperar um tempo razoável antes de voltar a pedir a nova amostra.

3) Codeína

Trata-se de outro alcalóide do ópio, derivado da morfina e mais comumente utilizado em preparados para a tosse. A codeína é usada do mesmo modo que a morfina e a heroína, mas é menos viciadora e menos potente para produzir estados eufóricos. Ela tem um efeito analgésico dez vezes menor que o da morfina. Nos casos de um consumo regular, em grandes quantidades e durante um período bastante longo, pode determinar dependência. As intoxicações comprovadas se devem sobretudo à utilização do pó em soluções injetáveis.

3.1. Efeitos

Os opiáceos estimulam rapidamente os centros superiores do cérebro deprimem a atividade do sistema nervoso central. A pessoa não sente mais fome, nem dor, nem necessidade sexuais, nada mais lhe perturba. Numa dose moderada passa a sentir calor, peso nas extremidades, boca seca. Fica num estado de vigília e sonolência durante o qual o mundo não mais existe. À medida em que aumenta a dose, a respiração se deprime, a pessoa fica num estado de torpor permanente, as pupilas se contraem, a pele fica fria, úmida e azulada e pode ter morte por parada respiratória.

Os usuários inveterados podem sofrer infeção do endocárdio e das válvulas do coração e lesões cerebrais devido as substâncias introduzidas quando o usuário aplica a droga no sangue. A falta de higiene da seringa também pode causar infecções, como abcesso, hepatite, AIDS e tétano. Devido aos efeitos depressores dos opiáceos, estes apresentam complicações em mulheres grávidas, com anemia, problemas cardíacos, diabetes, pneumonia e hepatite, sendo mais suscetíveis a abortos espontâneos, partos prematuros e cesariana. Os bebês nascem menores que a média e com maior propensão a infecções, além de poderem morrer por síndrome de abstinência.

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