Cocaína e crack


A cocaína (Benzoilmetilo ecgonina - C17 H21 NO4) é um alcalóide cristalino branco (de uma classe de bases orgânicas nitrogenadas, especialmente de origem vegetal, que tem um efeito fisiológico sobre animais e seres humanos) que se encontra nas folhas do arbusto de coca ("eritroxilon coca") e que atua como um estimulante sobre o sistema nervoso central.
A planta de coca é de folha perene, originará da América do Sul (Peru, Bolívia, Brasil, Chile e Colômbia), mas é cultivada com êxito em Java, nas Índias Ocidentais, Índia e Austrália.
Cocaína

A planta de coca é cultivada em montanhas ou pequenos planaltos de clima tropical ou semi-tropical. A planta em si cresce sob condições que não servem para outro tipo de cultivo. Estas regiões montanhosas da América do Sul variam de altitude de 300 a 1800 metros sobre o nível do mar com temperaturas entre 20 a 30 graus centígrados. As melhores condições para o desenvolvimento da planta de coca são as terras argilosas, ricas em humos e ferro, situadas em vales e pequenos planaltos, onde se mantém uma umidade constante e chuva persistente. A planta normalmente vive e produz durante 30 a 40 anos sob as condições ideais, podendo sobreviver 100 anos ou mais, aumentando cada vez mais sua resistência. Para o cultivo da planta, geralmente são usadas sementes de uma outra planta que tenha três ou mais anos de vida. As sementes são colocadas em recipientes e germinadas em viveiros protegidos e úmidos. São regadas abundantemente durante cinco dias até que começam a inchar para então ser plantadas em mistura de humos de areia e terra aproximadamente uma semana e meia, surgem os brotos e as sementes germinadas podem ser transplantadas dentro de dois meses. A planta tem folhas escassas e mede, geralmente, de seis a dez polegadas, podendo ser transplantadas ao ar livre, uma vez que agora está em condições de resistir à maioria das variações climáticas. As plantas novas geralmente são colocadas em pequenas covas que variam de densidade de uma a quatro plantas por metro quadrado.

Uma vez que as plantas jovens tenham sido transplantadas (geralmente no inverno) em campo abertos, não necessitam ser cultivadas e crescem por si só. Aonde haja umidade constante e precipitações pluviais regulares, não é necessária a irrigação. Depois de aproximadamente um ano, a planta de coca produz sua primeira colheita de folhas, a qual se dá normalmente quatro vezes ao ano. A coca é um arbusto que cresce de cinco a dez pés de altura com troncos que se estendem amplamente e que apresentam uma ramagem mais frondosa até as partes extremas. Normalmente, para que a colheita das folhas de coca seja lucratica, tem que haver um mínimo de 72.000 plantas por dez mil metros quadrados e a planta tem que viver por mais de trinta anos. Dez milhões de pés produzem 700.000 quilos de folhas. Uma folha média contém de ½ a 1% de alcalóide de cocaína, apesar dos vários fatores que influenciam no conteúdo de cocaína, tais como as condições atmosféricas, a idade e condição da planta, a qualidade da terra, adubos, época de cultivo e colheita e processo de secagem, entre outros. Calcula-se que um homem pode colher aproximadamente 30 quilos de folhas por dia. O processo de secagem é muito importante e leva cerca de dois dias, com mínimo de três horas diárias de sol. Durante o processo, as folhas têm que ser viradas para secagem uniforme, uma vez que demasiadamente perdem o valor comercial. No processo de secagem, a folha perde mais de 75% do seu peso original. A folha se divide em três categorias básicas:

1. Folhas de um verde forte que secam por métodos mecânicos ou ao ar livre e que comprimem em fardos. Esta é a forma mais utilizada para exportação.

2. Folhas escuras que resultam de uma secagem errada são batidas a fim de satisfazer uma alta demanda de consumo.

3. Folhas que por descuido, umidade, atraso na secagem ou defeitos, perdem parte de seu conteúdo de alcalóides e que praticamente não tem qualquer valor comercial. Estes tipos de folhas são utilizadas nas próprias áreas em que são plantadas.

Uma vez secas as folhas, são as mesmas prensadas e embaladas em pacotes de 30 ou 50 quilos. Os nativos dos Andes de América do Sul gostam de mascar a folha de coca, pois acham que diminui muito a fome e aumenta a força. As folhas são muito amargas e costumam ser condimentadas com outra substância, tal como o limão. Calcula-se que mais de 90% dos índios mascam a folha de coca, cerca de 60 gramas diariamente, o que lhes causa manchas roxas e negras nos dentes. A folha é consumida já seca pelos índios ou exportada para outros países. Outro uso da folha de coca consiste na extração de cocaína para fins legítimos ou ilegais (no brasil a cocaína é proscrita, portanto, não há qualquer aplicação legal). A maioria das fábricas de cocaína, tanto as legais como as clandestinas, se encontram na América do Sul devido ao alto custo e volume de transporte de folhas. A cocaína alcalóide se extrai da folha da coca basicamente em três procedimentos químicos diferentes. Estes procedimentos são usados tanto em laboratório lícitos como na produção ilícita.

A cocaína é extraída das folhas de um arbusto, o "erythroxylon coca". Trata-se de um estimulante do sistema nervoso central e do simpático, cujos efeitos a curto prazo, são análogos aos da adrenalina (substância produzida naturalmente pelo organismo) e quase idêntico aos das anfetaminas.

É vendida sob a forma de pó cristalizado fino e branco, geralmente misturado ao amido, talco ou açúcar. O modo de administração mais comuns é o da aspiração pelo nariz. Pode também ser aplicada diretamente na mucosa da boca ou injetada diretamente na veia, acelerando o aparecimento dos seus efeitos e aumentando sua intensidade. O hidocloreto de cocaína pode ser reduzido à sua base livre ("freebase") ou em cristais ("crack") quando então pode ser fumada, o que a torna mais poderosa e rápida.

Efeitos:

Absorvida em pequena dose, a cocaína produz um curto período de euforia acompanhada de uma impressão de energia, vivacidade mental e consciência sensorial aumentada. Reduz a necessidade de comer e dormir e retarda o aparecimento da fadiga. As doses maiores intensificam a euforia do usuário, mas podem levá-lo a um comportamento estranho, imprevisível e violento. Fisicamente, a droga provoca aceleração do ritmo cardíaco e respiratório, aumento da pressão arterial e da temperatura do corpo, dilatação das pupilas, transpiração e palidez.

No caso de sensibilidade particular ou sobredose intencional ou involuntária, a cocaína pode provocar uma reação tóxica muito parecida com o envenenamento agudo por anfetamina. A pessoa fica agitada, nervosa e extremamente ansiosa. Fisicamente, observam-se tremores, falta de coordenação e movimentos musculares bruscos. Em casos graves, produz delírio e alucinações, dores ou pressão no peito, náuseas, vista turva, febre, espasmos musculares e convulsões. Por ter propriedade anestésica local, a cocaína, em grande doses, pode terminar por produzir uma depressão acentuada do sistema nervoso central e causar parada respiratória. A superdose pode provocar também convulsões, falha cardíaca ou febre muito intensa, seguidas de morte. Falecimentos causados por cocaína eram muito freqüentes no início do século e permanecem ainda bastante numerosos.

Os efeitos, a longo prazo, aparecem após uso prolongado e constam de agitação, excitação extrema, insônia, desconfiança e finalmente alucinações e ilusões. Esse estado, clinicamente idêntico à psicose provocada pelas anfetaminas e muito semelhante à esquizofrenia paranóica, desaparece na maioria dos casos se a ingestão da droga for interrompida. O uso intenso e prolongado leva aos mesmos efeitos físicos do uso inicial, entretanto, pode causar, ainda perda de apetite e de peso, constipação intestinal e dificuldade de urinar. Para os homens, deve ser acrescido ainda a impotência.

Os sinais característicos da inalação crônica são: nariz entupido e coriza, eczema em volta das narinas e perfuração interna do nariz. O uso injetável da droga, não somente aumenta o risco de sobredose, como o de infecções como hepatite e AIDS, devido a seringas não esterilizadas ou descartáveis. Alguns usuários inveterados da base livre ("freebase") apresentam uma grave irritação do aparelho respiratório.

A elevação da tensão arterial, provocada pela cocaína, pode aumentar o risco de complicações durante a gravidez.

Tolerância e dependência:

Há tolerância em relação a alguns efeitos da cocaína, por exemplo, a perda de apetite, mas, por outro lado, a sensibilidade aumentada quanto a outros efeitos, como convulsões. Essa sensibilidade pode explicar certas mortes que ocorrem após a absorção de doses aparentemente fracas. A cocaína provoca forte dependência psicológica, particularmente nos que se administram injeções e nos fumantes da base livre. A dependência física pode ocorrer nos usuários inveterados de cocaína, sobretudo entre os que fumam a base livre. Os sintomas de abstinência se manifestam por fadiga, sono longo mas agitado, fome canina, irritabilidade e depressão.

Crack e Freebase:

A primeira menção do "crack" da cocaína na imprensa aconteceu em 17 de novembro de 1985, no jornal The New York Times. Contudo, já em meados de 1981 se tinha notícia da droga na Califórnia, EUA.

A história do crack remonta aos anos 60, época em que a cocaína não era amplamente usada e era conhecida como a "droga dos ricos". A maior parte do usuários a considerava uma droga relativamente segura. Eles a inalavam em quantidades moderadas, dentro de um contexto social, ou mesmo recreativo. Porém, à medida que a disponibilidade de cocaína aumentava durante a segunda metade dos anos 60, o mesmo acontecia com o número de usuários e de mecanismos para ingeri-la. Alguns começaram a misturar cocaína de rua no tabaco ou na maconha, e fumá-la sob a forma de cigarro em cachimbo. Entretanto este método não produziu efeitos diferentes daqueles causados por inalação ou "aspiração".

Assim, uma alternativa logo tornou-se disponível - Freebasing - isto é, fumar cocaína freebase (base livre).

O crack, tal como é conhecido hoje, foi uma descoberta da cultura do freebase nos primórdios da década de 70, nos EUA. Era preparado mediante o aquecimento de uma mistura de cocaína, água, bicarbonato de sódio, e esteve disponível apenas por um curto período de tempo, até que foi descoberto pelos aficionados da cocaína-freebase como um produto inferior, por causa das impurezas que continha. Entretanto, crack não é nem cocaína-freebase, nem cocaína purificada. Parte da confusão sobre o crack , na realidade, procede das diferentes formas pelas quais a expressão freebase é usada na comunidade das drogas. Freebase - substantivo - é uma droga, um produto da cocaína convertida em estado básico a partir do hidroclorido da cocaína depois que os adulterantes foram quimicamente removidos. O crack, por sua vez, é convertido a um estado básico sem a remoção dos adulterantes. Freebase - o ato - significa inalar vapores de base de cocaína, da qual o crack é apenas uma das formas. Finalmente, o crack não é a cocaína purificada, pois durante o processamento, o bicarbonato de sódio permanece como um sal, deduzindo, de certa forma a sua homogeneidade.

Procedimentos para a obtenção do freebase:

Cozendo a soda ou amônia com o éter, adiciona-se água e cocaína HCl. A mistura é esquentada, o éter se evapora e o resultado é a base livre (freebase).

Procedimentos para a obtenção do crack:

Cozendo a soda ou amônia e água, adiciona-se a cocaína HCl. A mistura é esquentada e esfriada, depois filtrada para reunir os cristais em formas sólidas.

Conseqüências do uso do freebase e do crack:

Tradicionalmente, a base livre de cocaína é fumada com um canudo no recipiente ao qual foi produzida ou, ainda, polvilhada no cigarro de maconha ou tabaco para ser fumada. O crack pode ser colocado no cigarro de maconha ou tabaco ou misturado com outras substâncias e fumado num cachimbo.

Tanto o freebase como o crack são absorvidos rapidamente pelos pulmões e levados ao cérebro em poucos segundos. Como o ato de fumar, a euforia é mais intensa do que quando a droga é inalada. Além do mais, esta profunda euforia cede lugar a uma irritante ânsia apenas uns poucos minutos depois, o que influencia muitos usuários a continuarem a fumar durante dias, aumentando considerávelmente o potencial de dependência. Há, ainda, um risco maior de reações tóxicas agudas, inclusive ataques apoplécticos, irregularidades cardíacas, parada respiratória, psicose, paranóia e disfunção pulmonar.

Apesar do custo mais acessível do crack - em virtude da mistura do bicarbonato que também contribui para aumentar o volume - o seu uso torna-se mais dispendioso em razão da necessidade exagerada criada pela forte dependência (sabe-se de usuários habituais que fumam continuamente por três ou quatro dias, sem dormir, consumindo até 150 gramas em um período de setenta e duas horas).

O nome crack deriva do fato de que o resíduo do bicarbonato de sódio geralmente produz um dom estalado quando a substância é fumada.

Por fim, o crack tem sido denominado a variedade "refeição rápida" da cocaína, por ser mais barato, fácil de esconder, evapora praticamente sem deixar qualquer odor, e a gratificação é rápida, intensa, e dura menos de cinco minutos.
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