ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA
(BREVE SÍNTESE HISTÓRICA)
Luiz Gonzaga da Rocha
A Biografia do Aleijadinho
A conhecida biografia elaborada em 1858 por Rodrigo José Ferreira Brêtas, indica a data de 29 de agosto de 1730, como sendo a data natalícia de Antônio Francisco Lisboa. A certidão de óbito do artista, conservada no Arquivo da Paróquia de Antônio Dias de Ouro Preto, diz que "Antônio Francisco Lisboa, pardo, solteiro, de setenta e seis anos, faleceu a 18 de novembro de 1814". Essa informação aponta o passamento do Aleijadinho com oito anos de diferença à data apontada por Brêtas. Assim, ele nascera, possivelmente, a 13 de junho (Dia de Santo Antônio) de 1738 e não em 1730. Era filho natural de Manuel Francisco Lisboa, português, carpinteiro e de uma escrava que atendia pelo nome de Isabel, que lhe pertencia, a qual foi liberta por ocasião do batizado da criança. Teve, da parte paterna, mais um irmão (Félix Antônio Lisboa - O Padre Félix) e três irmãs (Maria da Conceição, Joaquina e Madalena). Da parte materna, diz o historiador Waldemar de Almeida Barbosa, teve duas irmãs (não declina os nomes). Ele próprio teve um filho, batizado em 23 de janeiro de 1777, com o nome de Manuel Francisco Lisboa, o mesmo nome do pai do artista.
Apesar de se tratar de um dos mais destacado artistas (escultor, pintor e arquiteto) colonial brasileiro, ainda paira muitas dúvidas sobre a vida e a obra do Aleijadinho. De concreto sabe-se que no ano de 1766 (tinha então 28 anos de idade), recebeu a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e que no ano seguinte (1767), perdeu o pai. A partir de 1777 a moléstia que iria atormentar-lhe a vida, começara a manifestar-se. Em 1780 recebeu diversas encomendas em Sabará, dentre estas, a da ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. O artista já com a doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Barão de Cocais e Caetés. As suas obras são encontradas também em São João Del Rei, Cotas Altas, Santa Rita Durão, Nova Lima, Tiradentes e em vários outros lugares das Minas Gerais.
O Retrato do Aleijadinho
Antônio Francisco Lisboa, nos escritos de Brêtas, "era pardo escuro, tinha voz forte, a fala arrebatada e o gênio agastado; a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabeças redondos, a testa volumosa, o cabelo preto e anulado, o da barba cerrado e bastos, o nariz regular e pontiagudo, os beiços grossos, as orelhas grandes e o pescoço curto".
Sabia ler e escrever, embora não conste que tivesse freqüentado escola outra além das de primeiras letras, sabia o latim. O conhecimento que tinha de desenho, de arquitetura e de escultura, fora obtido na escola prática do pai e na do desenhista João Gomes Batista, empregado como abridor de cunhos da Casa de Fundição e destacado artista das Minas Gerais.
A Doença do Aleijadinho
Brêtas, ao relatar a doença do Aleijadinho, diz que "...as pálpebras inflamaram-se e permanecendo neste estado, oferecia à vista sua parte interior; perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se, como sucede freqüentemente ao estuporado; o queixo e o lábio inferior abateram-se um pouco, o que lhe emprestou uma expressão sinistra e de ferocidade, que chegava a assustar a quem o encarasse inopinadamente. Perdeu todos os dedos dos pés, o que resultou não poder andar, senão de joelhos; os dedos das mãos atrofiaram-se e curvaram-se, chegando alguns a cair, restando nas mão os dedos polegares e os índices". A sua nora, Joana Lopes, que cuidara do artista nos seus últimos dias, disse que ele tinha "enormes tumores pelo corpo e uma lesão cortocontusa na pele do abdome". A propósito da doença, os autores mais prudentes e com maior consciência, não emitem opinião. Outros admitem hipóteses e apontam ter sido "Zamparina"; "Lepra Nervosa"; "Mal de Hansen ou Mal de São Lázaro"; "Hipertireoídismo"; "Ictus Cerebral" ocasionada pela "Sífilis"; "Framboesa Tropical" ou "Bouba". Já defendemos em Loja, com base na obra "A Doença do Aleijadinho" do Professor Alípio Correia Neto, a hipótese do mal do torauta ter sido "tromboangeíte obliterante", uma doença incluída no campo da "arteriosclerose".
O Maçom Aleijadinho
Não há registro documental afirmando ter sido Antônio Francisco Lisboa iniciado maçom (Essas coisas aliás, à época, não se divulgavam), mas nós não alimentamos nenhuma dúvida a esse respeito, e se não o foi, não desmerece o preito de gratidão que lhe presta a Loja Maçônica Antônio Francisco Lisboa n.º 24. Quem observe atentamente as suas obras, notará uma gama de impressões e detalhes de cunho maçônico ou identificadores da presença da Maçonaria na vida do artista. É comum, na obra do Aleijadinho, a presença de abóbadas celestes, colunas, romãs, garras, prumo, níveis, adros e a presença das letras: "M", "G", "I", "N", "H" e "C", entre outras, encontradas nos mantos, túnicas e estolas dos profetas; em púlpitos, lavabos e nos inúmeros entalhes escultórios em madeira e em pedra sabão, matéria-prima das suas obras. Algumas dessas letras sugere abreviaturas de grande significado maçônico, como por exemplo, "I.N.R.I"; "G.C" - (Grau de Companheiro) e "G" (Geômetra). A obra de Marilei Moreira Vasconcelos (Aleijadinho-Iconografia Maçônica), destaca muitos desses sinais identificadores e diz que o Aleijadinho foi iniciado na "Loja Maçônica Vida Eterna" do Tejuco (Diamantina atual), quando os sinais da moléstia não tinham se manifestado.
A Antônio Francisco Lisboa - queremos, com esta modesta página, deixar registrada a nossa humilde impressão a propósito do transcurso do aniversário do grande artista, neste dia 13 de junho de 1997, data provável do seu nascimento há 259 anos passados.
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Luiz Gonzaga da Rocha (M.I.) é membro efetivo e fundador da Loja Antônio Francisco Lisboa n.º 24 (Publicado nO Aleijadinho nº 7, edição de junho de 1997).