

Foto de Claus Meyer - Agência Tyba
INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje, temos a idéia que o Estado de São Paulo já não mais possui significativas formações vegetais, que a área tornou-se to-talmente árida. Está errado; exis-tem ainda formações vegetais de grande significado, não só para a população que usufrui direta e indiretamen-te, mas para o ambiente que circunda o estado. é exatamente por isso que não é dada, para a vegetação paulista, a importância que merece. Não temos a noção certa de quão valiosa é a vegetação que destruímos, de como ela funciona em benefício para a nossa saúde. Esse conhecimento certamente aumentará o interesse do paulistano em auxiliar na preservação e na manutenção da vegetação com que convive.
A presença da vegetação -em especial da vegetação arbórea- numa área densamente urbanizada como a metropolitana de São Paulo é fundamental para amenizar situações extremas de poluição, provocadas por fábricas, veículos. A intensa -e, por que não, extensa?- área construída na capital também contribui para que o ar torne-se menos saudável, retendo a poeira e sujeira que é emitida por diversos meios (como, por exemplo, novas construções, veículos automotores, etc.).
A arborização cumpre o importante papel de amenizar essa situação, propor-cionando sombra, fornecendo um alívio para a rigidez do concreto, permitindo que o ciclo vital das plantas aconteça. Mas esses papéis são apenas os mais per-ceptíveis. Uma área arborizada contribui ainda garantindo a boa qualidade do ar (na medida que absorve monó-xido de carbono e libera oxigênio), con-trolando o assoreamento (formação de obstruções com areia) e as enchentes, estabili-zando o solo, além de influir na ventilação, nas precipita-ções (chuvas) e na diminuição de ruídos.
As matas originais do planalto, riquíssimas em espécies, são res-ponsáveis pela presença de exemplares de floração espetacular ao longo de todas as estações do ano, particularmente abundante na primavera. Além do mais, situações climáticas e geográficas permitiram a boa adaptabilidade de outras espécies botânicas, que foram sendo introduzidas ao longo do tempo.
Achamos, no Estado de São Paulo, relativas áreas de aridez pura, ora devido à construção urbana, ora ao devastamento para o plantio de pequeno porte que, após esgotar o solo fértil da região, ataca outra área. Se vol-tarmos no tempo, veremos que mais de 80% do estado era formado quase que pura e exclu-sivamente pela Mata Atlântica, tipo de vege-tação que, como o próprio nome já diz, sofre influência direta do Oceano Atlântico. O es-tado intei-ro possuía uma mata que hoje é uma das mais significativas e ricas do pla-neta, junto com grandes áreas como a Amazônia e o Pantanal mato-grossense.
Ocorreu um processo antagônico; antigamente quase não havia aridez no esta-do. Hoje quase não há formações naturais (intocadas, que não sofre-ram modificações. A cha-mada mata primária). E mesmo assim, nas poucas que existem e que são protegidas, é difí-cil que não aconteçam inva-sões por cultivadores de pequeno porte, devastadores de árvores, e outros degrada-dores do verde.
Ao analisarmos a vegetação por um outro ângulo, descobriremos os jardins. Não importa como cada indivíduo monta seu jardim, mas importa como a população de uma área o monta. Descobrimos, assim, certos valores e cos-tumes das pessoas que lá vi-vem. Nas ruas de Paris, por exemplo, vemos que na imensa maioria das vezes encontramos sacadas de sobrados com vasos em forma de parale-lepípedos ocos repletos de pequenas flores. Em uma cidade como São Paulo acharemos diversas maneiras de se montar um jar-dim, visto que a população desta cidade é formada por diversas influências, tanto nacionais quanto internacio-nais.
A MATA ATLÂNTICA
A Mata Atlântica é, basicamente, um conjunto de três ecossiste-mas:
As restingas são terrenos planos que se formam pelo acúmulo de materiais durante milhares de anos, como resultado dos movimentos de avanço e recuo das águas do mar. Como esses movimentos ocorreram em tempos geológicos diferentes, a deposição de sedimentos não foi uniforme ao longo da planície, mas foi relativamente uniforme ao longo dos cordões litorâneos que se formaram paralelos ao litoral, pela ação das marés. Assim, é co-mum verificarmos entre os diversos cordões a existência de pequenas depressões, indicando os locais onde a deposição foi menos intensa.
Nas praias arenosas da restinga é comum a formação de dunas, que são elevações de areia. A ocorrência, a altura e a estabilidade das dunas depen-dem da temperatura, umidade do ar e velocidade dos ventos. Dependendo da direção dos ventos e da umidade, as dunas podem se mover de um local para o outro. Durante o dia, como a umidade do ar é baixa, os ventos vindos do mar em direção ao conti-nente podem carregar os grãos de areia e modificar o perfil das dunas, ou até transportá-las inteiramente.
Avançando um pouco mais em direção ao interior, as condições ecológicas diferem das anteriores. O solo já apresenta um certo conteúdo em húmus, resultando numa cor acizentada. A areia já não é tão móvel devido à proteção da vegetação e também à maior adesão entre suas partículas. Esses fatores determinam a for-mação da chamada "mata de restinga", que se desenvolve sobre antigas dunas total-mente imobilizadas. Ela se caracteriza por ser uma vegetação rasteira, com árvores de troncos finos, que ficam entrelaçadas e têm pouca utili-zação. A mata de restinga evolui para uma mata de transição, onde convivem espécies comuns à da Mata Atlântica (como quaresmeiras, ipês, figuei-ras) e do jundu (como os araçás, as goiabeiras e a baunilha-da-praia).
É interessante lembrar que a região onde se desenvolve a mata de restinga, em tempos passados, foi uma área marinha, tendo aí se instalado a praia, depois a vegetação rasteira e posteriormente a arbustiva.
Já os manguezais são formações características dos litorais tropicais e subtropicais de todo o mundo. No Brasil, ocorrem desde o Amapá até o sul de Santa Catarina, tomando 2.900 km dos 8.000 km da costa brasileira -ou seja, 36,25% da costa brasileira é formada por manguezais.
Os mangues desenvolvem-se em regiões onde a velocidade das correntes marinhas são reduzidas, como nas reentrâncias da costa, baía e estuários, permitindo a sedimentação de material fino, como silte e argila, ricos em matéria orgânica. também as altas temperaturas, típicas de países tropicais, e a amplitude das marés atuam de modo favorável na formação desse ambiente.
No Estado de São Paulo, os mangues ocorrem significativamente no Vale do Ribeira, mas menos desenvolvidos dos apresentados no norte do país, tanto em largura quanto no vigor de sua vegetação.
A vida no mangue depende, entre outros fatores, do sistema de raízes eficientes das plantas que lhes permita fixar-se em solos constantemente inundados, de processos que evi-tem o alto grau de salinidade da água e do solo, e de um sistema reprodutivo que garanta a sobrevivência da espécie. Das quatro espécies de mangue que ocorrem no país, três estão presentes no Vale do Ribeira; o man-gue-bravo (ou vermelho), o mangue siriúba e o mangue branco (ou manso).
Na floresta em si encontramos uma quantidade exacerbada de espécies ani-mais e vegetais, já que oferece boas condições de alimentação, reprodução e crescimento a uma fauna que pode ser subdividida em: residentes, semi-residentes, e visi-tantes.
Os animais residentes habitam a zona atingida diariamente pelas marés, onde se en-contram grandes quantidades de caranguejos, cracas, ostras e caramujos. São os ani-mais que vivem por definitivo nos mangues.
Os animais semi-residentes são, principalmente, peixes que podem passar uma fase da vida no mangue, ou que acompanham o movimento diário das marés. É o caso da tainha, robalo, parati e outros, que se deslocam do mar para as regiões estuarinas na época da desova. São os animais que necessitam dos mangues para sobreviver e perpetuar as espécies, mas não vivem diretamente nes-tes.
Por fim os visitantes são animais que freqüentam os manguezais em busca de ali-mento. É o caso das garças, os mergulhões, os martins-pescadores, os mãos-peladas, as capivaras e os jacarés, entre outros.
As árvores poucas vezes permitem que os raios solares atinjam o solo di-retamente. Podemos caracterizar a vegetação da Mata Atlântica como uma vege-tação ex-tremamente densa e úmida, com árvores altas e volumo-sas.
O funcionamento harmonioso do conjunto restinga-mangue-mata significa um bom funcio-namento da mata, a sua vida. Toda ela se suporta em um delicado equilíbrio. Veja-mos um exemplo que inclui a flora e a fauna: as bromélias, para poderem captar a luz solar e produzir fotossíntese, podem se fixar e troncos de árvores, ser-vindo de reservatório d'água para insetos, pássaros e animais como o mico-leão. Estes, por sua vez, funcionam como dispersores de sementes, que jogam no chão depois de comer a polpa das frutas.
Pequenas formas de vida presentes na Mata Atlântica são fundamentais para a sobrevivência desta. Fungos e bactérias ali existentes exercem o importante papel de decompositores das folhas das árvores que vivem acima deles, fazendo com que a matéria orgânica da mata sirva de adubo para ela mesma. Animais como o tatu, ao cavarem pela terra, estão oxigenando o solo, permitindo que este "respire" e que possibilite a boa germi-nação das raízes das grandes árvores presentes. Podemos citar como exemplos de árvores as chamadas "madeiras nobre", como o pequi, o jequitibá e o jacarandá, todas disputadas no mercado inter-nacional. Mas espécies sem valor comercial como a embaúba podem, além de garantir a densidade da mata, sustentar plantas e animais, que é o caso do bicho-preguiça.
A Mata Atlântica tem vários aliados que permitem (e colaboram) que o equilíbrio se mantenha; água abundante -não só pelos rios, mas pelos elevados índices pluviométricos, que ficam entre 1000 e 2000 mm/ano. Isso significa que temos, em média, dentro de um tubo de ensaio, entre 1 (um) e 2 (dois) metros de chuva-, luminosidade in-tensa e temperaturas altas e estáveis -uma média que se encontra entre 20 a 27 ºC. Esses elementos propiciam ainda uma variedade da ocupação animal e vegetal; que confere ao ecos-sistema de matas complexas interações indispensáveis entre fauna, flora e elementos não-vivos, de tal forma que nenhuma outra comunidade terrestre seria capaz de ex-plorar esse ambiente de modo mais eficaz.
Assim, possuindo essa enorme e rica variedade de elementos vivos no ambi-ente, percebemos que qualquer alteração mais significativa irá afetar alguns desses ele-mentos. Não todos, mas o suficiente para que haja uma mudança em outros "elos" dessa "corrente". Os elos que não foram afetados poderão ajudar ao meio a se reconstruir, reorga-nizando e devolvendo o equilíbrio.
Mas infelizmente não foi o que ocorreu na maior parte da Mata Atlântica ao longo de sua história após a chegada do homem branco ao Brasil. Por de-mais agredida, a Mata não pôde se regenerar com tamanha velocidade e eficácia da qual necessitava. Ocorreu, então, o enorme devastamento irre-parável que fez com que apenas 7% da Mata ainda restasse hoje ao longo do litoral brasileiro. Atualmente, na região Nordeste, encontram-se apenas vestígios desse tipo de vegetação, que ainda sobrevive com dificuldades mais na porção Sudeste, na Serra do Mar e na porção oriental da Serra da Mantiqueira.
Os animais que habitam um ecossistema encontram-se delicadamente relacionados com a vegetação que aí ocorre. Assim sendo, concluímos que fatores como solo, topografia, altitude e umidade podem favorecer (ou não) o desenvolvimento de determinados organismos, assim como a sua sobrevivência e reprodução. A floresta tropical (que é onde se enquadra a Mata Atlântica) sugere, então, a total ocupação de uma fauna e flora que acabará por formar uma das mais diversas de todo o planeta. Entretanto, essa mesma variedade pressupões ha-bitats com uma capacidade limitada (e, consequentemente, delicada), resultando em números reduzidos de indivíduos.
Nas encostas das serras, devido à dificuldade de acesso e ao baixo potencial de pro-dução, ainda ocorrem Matas Primárias. Mas mesmo assim estas estão sendo devastadas para a coleta de plantas ornamentais como bromélias, or-quídeas e retirada de xaxim, de madeira, palmito, já raros nas matas da planície.
O palmito infelizmente vem sendo explorado sem a menor preocupação de replantio. E a derrubada é feita, geralmente, antes da primeira floreada, quando o palmito ou creme ainda não se tornou fibroso. Essa prática impede a disseminação dos frutos. E como os "estoques naturais" estão se esgotando, está ficando cada vez mais comum encontrar palmiteiros invadindo áreas de Parque e Reservas do Estado, deficientes de fiscalização, para retirada de palmito.
Mata Secundária
Geralmente, quando pequenos agricultores têm como objetivo criar pequenas lavou-ras, há um desmatamento de uma Mata Primária, ou seja, uma área verde que permanece intacta desde a sua formação. Devido à baixa fertilidade do terreno e às dificuldades do acesso a créditos rurais que lhes permitam corrigir o solo, os proprietários são obrigados a abandonar o local, após algum tempo de uso. Essa área que foi devastada tende a se recuperar, já que ela é pouco extensa, e recebe sementes de locais próximos, formando inicial-mente uma camada de mato fino (ou capoeira), sendo seguido pelo capoeirão e, fi-nalmente, a Mata Secundária. Grosso modo, podemos identificar a Mata Se-cundária por esta apresentar significativamente embaúbas e manacás-da-serra, que são vegetais de porte médio e necessitam de grande expo-sição solar, dificilmente conseguindo sobreviver no estrato arbóreo da mata primitiva. Essa mata também apresenta um sub-bosque fechado, de difícil penetração devido ao emaranhado de cipós, que crescem rapidamente e com-petem com a vegetação arbórea.
Os Generalistas
Alguns animais são pouco exigentes quanto às condições que o ambiente oferece. Apresentam altas taxas de crescimento, hábitos alimentares variados e alto potencial de dispersão. Esses fatores permitem a estas espécies viverem em áreas de vegetação aberta ou matas secundárias. São os cha-mados generalistas, devido ao alto grau de tolerância que possuem e à capacidade de aproveitar eficientemente diferentes recursos oferecidos pelo ambiente. Entre as aves pode-mos citar o sabiá-laranjeira, o sanhaço cinzento, o pica-pau-do-campo, o joão-de-barro e muitos outros.
A destruição do meio leva os generalistas a buscar novos ambientes, que ofereçam condições mínimas para a sua sobrevivência, sem as mesmas carac-terísticas que apresentava o ambiente anterior. Os morcegos constituem um exemplo típico desse caso. Devido a seus hábitos noturnos e voadores, esses mamíferos ocuparam grande variedade de pequenos ocos (podendo ser estes em árvores ou pequenas aberturas de cavernas). Nas matas tropicais encontram grande diversidade de espécies vegetais e animais e pouco competidores, o que favoreceu a conquista desse ambiente. Passaram a apresentar diversificação quanto à forma, aos hábitos alimentares e aos locais de refúgio, abrigando-se em troncos ocos, folhagens e em grutas ou cavernas. A alimentação inclui praticamente todo o tipo de alimento disponível. Eles se tornaram insetívoros, frugívoros, po-linívoros ou nectarívoros, carnívoros, onívoros e he-matófagos. Com isso, passaram a colaborar no controle de insetos, na polini-zação de vegetais e na predação de animais. Com o raleamento da floresta, algumas espécies começaram a se deslocar para as cidades, onde encontraram também condições para sobrevivência. No Vale do Ribeira há alguns casos citados em documentos médicos, sobre a ocorrência de mordeduras de morcegos hematófagos em pessoas, além de inúmeros casos em animais domésticos. É sabido que esses morcegos, juntamente com os cães, são considerados grandes transmissores da raiva.
Os Especialistas
Ao contrário dos generalistas, as espécies especialistas são extrema-mente exigentes quanto aos habitats que ocupam. São geralmente animais que vivem em áreas de tamanhos consideráveis com alto grau de preservação, e apresentam um dieta alimentar bastante particular.
Para esses animais, alteração do ambiente significa procura de novos habitats que apresentem condições muito semelhantes às anteriores. Nessa busca eles encontram a maio-ria dos habitats já ocupados, o que faz com que eles gastem energia na compe-tição do local de morada. Cansados e sem disponibilidade, eles deixam de procurar um parceiro, cortejá-lo e acasalar, comprometendo, assim, o número de in-divíduos da espécie. São os "animais em vias de ex-tinção".
Os mono-carvoeiros e as jacutingas fazem parte da relação de animais ameaçados de extinção. Ambos são bastante exigentes em relação às condições fa-voráveis do habitat, sendo que os mono-carvoeiros necessitam mais de florestas primárias, e as jacutingas alimentam-se apenas de determinados frutos, apresentando variações a cada estação do ano.
Devemos lembrar ainda que a simples ocorrência de indivíduos não é o bastante para que a espécie se mantenha. É necessário que ocorram populações estáveis com um número de indivíduos suficientes para o encontro e o acasalamento, além de, é claro, um meio am-biente favorável.
São muitos os fatores que colaboram na redução do número de ani-mais. As crendices populares, a caça predatória e a comercialização são algumas das formas que comprometem, o equilíbrio das populações, mas sem dúvida a destruição dos habitats é a maior causa para o desapa-recimento de inúmeras espécies. Com o desmatamento temos como conse-qüência a diminuição de alimento, menor disponibilidade reprodutiva e maior exposição do animal, tanto aos predadores oportunistas quanto à perseguição humana.
Parques e Reservas
A Reserva Estadual da Cantareira, localizada no extremo norte da cidade de São Paulo (ao norte dos bairros da Vila Rosa, Vila Marieta e Vila Albertina, basicamente), ocupa parte do Maciço da Cantareira, e tem altitudes que variam entre 800 e 1170m. Essa região, sendo integrante da área onde existia a Mata Atlântica, tem altos índices pluviométricos.
A própria Serra da Cantareira é formada em sua maior parte pela Mata Atlântica. Mas a Reserva não é formada em sua totalidade pela Mata Primária. Existem clareiras formadas tanto por fatores geomorfológicos quanto pela ação do homem. Assim sendo, há pequenas ocorrências de áreas reflorestadas, formadas experimentalmente com espécies exóticas. Ao longo do tempo, foram retiradas espécies de interesse que fo-ram substituídas por exemplares mais resistentes e competitivos.
Mesmo assim a área possui uma fauna relativamente rica, apesar da proximidade com a área urbana (os bairros já citados ao sul e o município de Guarulhos ao norte). Exemplares comuns da região são pequenos carnívoros, bugios, morcegos, edentados, serelepes, tatus, pacas, cotias, veados, répteis, anfíbios e aves.
O parque se limita ao sul da Reserva Estadual da Cantareira, no bairro do Horto Florestal, próximo do bairro do Tremembé. Ele ocupa três pequenos vales e afluentes Córrego Guaraú e do Ribeirão Tremembé.
Sendo o parque inaugurado no ano de 1898, a área aberta ao público desti-nou-se, inicialmente, às instalações da Diretoria do Instituto Florestal e do Museu Florestal. Os edifícios, erguidos em 1931, acomodam-se numa área ajardinada, com extensos gramados que realçam o desenho dos lagos e dos pequenos bosques de árvores nativas e exóticas. Os lagos caracterizam a paisagem do parque, parcialmente cobertos por extensas colônias de nenúfares (plantas aquáticas da família das ninfeáceas, cultivada freqüentemente em recipientes com água, por causa de suas largas folhas flutuantes e de suas flores de pétalas brancas, amarelas ou vermelhas; lótus) e com maciços de pinheiros-do-brejo nas margens e na pequena ilha.
A Devastação
Em 1975, Leningrado, houve o Congresso Internacional de Botânica onde a im-portância da manutenção das florestas tropicais e das matas fluviais foi muito discutido. Estas estão ameaçadas de desaparecerem antes do final do século. Vemos a importância desse tipo de mata analisando que cerca de70% das espécies que ocorrem em todo o mundo desenvolvem-se nas matas tropicais, sendo que algumas já estão extintas, outras ameaçadas de, e ainda existem espécies desconhecidas.
A enorme riqueza em termos de flora, fauna e solo das florestas tropicais faz com que elas se tornem vulneráveis à ação predatória do homem. O Estado de São Paulo vem assistindo passivamente a destruição de sua área verde natural ao longo dos anos. Hoje a área apresenta apenas cerca de 5% das florestas naturais, remanescentes das 81,89% originais. Nas regiões devastadas, uma boa parte já apresenta sinais de desertificação, sem nenhuma cobertura arbórea. Desses 5% de áreas naturais remanescentes, 3,5% encontram-se no Vale do Ribeira, sob a denominação de Unidades de Conservação.
Essas áreas, além de fornecer um ar saudável, podem ser exploradas de diversas formas; especulação imobiliária, extração de madeira, pal-mito, turfa, pesca predatória, mineração utilizando metais pesados -o mercúrio, por exemplo, é usado na mineração nos rios. O metal que sobra polui sem piedade o rio onde se fazia a busca.
Cabe ao Estado instalar uma rigorosa vigilância nas áreas que estão sob sua guarda, assim como fiscalizar as atividades que ocorrem em áreas particulares. Mas cabe ao proprietário saber lidar com o pequeno ecossistema com o qual ele está ligado, de modo que este não deve ser alterado a ponto de modificar todo o meio, fazendo com que os seres vivos que lá habitam sigam o rumo da ex-tinção.
Pesquisas e projetos deverão gerar conhecimentos que auxiliem na recompo-sição da fauna e da flora das áreas degradadas, salvando, assim, as espécies nativas.
A criação de bancos genéticos é fundamental em todos os ambientes. Esses "estoques naturais" mantêm as espécies animal e vegetal expostas aos fatores ecológicos do meio, levando-os a responder, através de adaptações, às possíveis alterações naturais. Esses bancos forneceriam dados suficientes para qualquer programa que se queira implantar, que seja na recuperação de áreas de agricultura, plantas medicinais, apicultura, etc..
Devemos lembrar ainda da necessidade de promover melhorias na infra-estrutura das Unida-des de Conservação existentes, a fim de garantir à população o acesso às áreas naturais nos locais onde a legislação permita. Aí deverão ser desenvolvidos programas orientados que visem a participação da comunidade no processo de preservação.
CONCLUSÃO
Ao analisarmos os benefícios que a Mata Atlântica pode nos oferecer, vemos que ela é indispensável para a preservação de diversas espécies vivas, inclusive o Homem. Funcionando como verdadeiros "pulmões" da Terra, florestas como o Pantanal Mato-Grossense, a Amazônia e a Mata Atlântica têm a importante função de filtrar o ar que respiramos, além de impedir desastres naturais, como erosões, inundações, etc.. Além disso, por estar próximo do Oceano Atlântico, a Mata Atlântica recebe influência direta da umidade por este trazida, influenciando assim no tipo de vege-tação que lá vai se instaurar e no tipo de fauna.
Nos dias de hoje, estamos vendo todas as matas úmidas do planeta se extinguindo, tornando o nosso ar cada vez menos respirável -e, é claro, menos saudável. Dada a importância na parte de "vida" que a floresta nos oferece, caímos numa contradição, onde de um lado temos uma vida saudável, e do outro o progresso. Pessoas que não vêem nada além da cons-trução de prédios e indústrias dizem que o "verde" é apenas mais uma cor, e que as florestas t6em que dar espaço à industrialização. Já os seguidores de grupos de apoio ao verde (o Greenpeace, por exemplo) dizem que há uma solução; manter as zonas da civilização longe das -poucas- áreas de verde natural, permitindo que estas possam fazer o seu papel de manter o equilíbrio ecológico sem atrapalhar o "progresso".
O que realmente deve acontecer é a conscientização das pessoas que não vêem a importância das áreas verdes. Pode parecer apenas mais uma frase de slogan, mas é completamente verdadeira a frase "Verde é Vida", que já foi tão citada por aí. A área verde cria todo um ecossistema, indispensável para a vida humana.
Dada a importância das florestas como verdadeiros "pulmões" da Terra, cabe a nós lutar para que nosso "Planeta Azul" não se converta em espelho de seu próprio satélite.

Foto de Claus Meyer - Agência Tyba