

Livro: Ambientes Brasileiros - Cláudio Rossi/Angular
A grande São Paulo abriga atualmente 8 milhões de habitantes, isto é, metade da população do Estado e aproximadamente um décimo da população total do país. A região é composta pelas cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema, além de mais trinta e dois municípios vizinhos.
Podemos seguramente afirmar que esta região metropolitana é o principal centro de comércio atacadista, importador e exportador, reexportador do país, além de ser o maior parque industrial da América Latina.
É espantoso a velocidade em que se deu o desenvolvimento desta eclética cidade denominada São Paulo. Há um século atrás, esta região era ainda pouco povoada, com enormes chácaras, ruas sombrias e lamacentas, além de mal calçadas, com pedras irregulares e repletas de buracos.
O fator inicial do desenvolvimento de são Paulo foi o cultivo do café. Além da cultura cafeeira, o verdadeiro progresso chegou com a construção da estrada de ferro, que ligava a cidade ao porto de Santos. Isso porque tempos antes a comunicação entre o interior e o litoral era bastante difícil.
A economia desta época tomou força com a expansão da lavoura cafeeira que teve como principal colaborador a imigração italiana. A corrente migratória para São Paulo não de italianos, mas também de espanhóis, japoneses, portugueses, além de outros, que tiveram grande contribuição para o progresso da região.
Paralelamente a mecanização da lavoura com o emprego de máquinas agrícolas, nascem as primeiras industrias.
Não há dúvida de que a industrialização de São Paulo teve início com a fundação das fábricas de tecidos de algodão. As primeiras grandes fábricas que surgiram em São Paulo, foram instaladas entre 1860 e 1890, antes das grandes correntes de imigração. Estas foram fundadas por membros das famílias mais ricas, ligadas ao comércio e a produção de café.
Em 1890, a cidade já apresentava fisionomia de um centro industrial europeu, com suas fábricas e vilas operárias, pequenos núcleos residenciais próximos às fábricas, cujas casas eram alugadas, vendidas ou mesmo cedida aos operários.
São Paulo teve um desenvolvimento que impressionou e superou qualquer expectativa e previsão; de pequena e modesta que era, tornou-se algo monstruoso, drenando para si um imenso fluxo migratório.
Houve um grande crescimento demográfico na grande São Paulo: em 1960 havia pouco mais de 4 milhões de habitantes e, dez anos depois, aumentou para 7,8 milhões. Tal processo é conseqüência do deslocamento de massas populacionais às cidades, buscando melhores condições de vida. É mão-de-obra migrante vinda principalmente do Nordeste e Minas Gerais.
Até o fim da Primeira República, o problema de moradia estava sendo controlado pelas próprias indústrias, que construíam vilas operárias. Com o crescimento industrial a procura destas habitações começou a crescer e os preços começaram a subir. Deste momento em diante, as vilas começaram a desaparecer e a mão de obra migrante passou a não ter onde morar; surge assim, a periferia, aglomerados residenciais com péssimas condições.A partir desta situação, analisemos agora as conseqüências deste brutal crescimento.
Um crescimento econômico acelerado pode levar a deterioração das condições urbanas de existência. Tal fenômeno piorou a qualidade de vida da maioria dos habitantes da grande São Paulo, na medida em que pioram as condições de saúde, nutrição, transporte, habitação, saneamento básico...
Um aspecto que comprova a má qualidade de vida em São Paulo, é a falta de saneamento básico: 35% da área metropolitana é servida por esgoto; o restante utiliza-se de fossas negras. As conseqüências desta situação é a poluição das águas, há ameaça de um eminente comprometimento de mananciais.
Quanto a nutrição, a classe de renda mais baixa acaba consumindo alimentos de qualidade inferiores e em menor quantidade. As classes mais pobres têm suas condições de alimentação prejudicadas.
Um gravíssimo problema que abrange diversas classes sociais é a do tráfego e o do transporte. Uma cidade que se projetou de forma totalmente irregular, fruto da total omissão do poder público, vê-se hoje cortada por um sistema de transporte irregular. Uma possível solução para isso, seria a construções de metrôs; porém a construção dos mesmos acarreta complicados problemas, como a obstrução do tráfego normal da cidade.
Todos esses problemas, foram inicialmente causados pela urbanização acelerada sem um acompanhamento de uma infra-estrutura adequada.
O primeiro passo para enfrentar todos estes problemas já foi dado: a conscientização da existências dos mesmos. As autoridades competentes, ainda que tarde, procuram aos poucos, uma imediata solução. O governo propôs uma medida de “interiorização”, mandando cada vez mais, uma grande demanda de pessoas para as cidades do interior, através do deslocamento das grandes industrias existentes na área metropolitana.
É preciso haver rápidas mudanças. Isso porque devemos nos esquecer de que se trata da região mais rica brasileira, o “carro chefe” da economia do país e ao mesmo tempo esta suposta região absolutamente importante, não sequer condições de oferecer o mínimo de serviços e obras condizentes com o seu enorme volume populacional, cada vez mais crescente.
Nas regiões próximas aos grandes centros urbanos, há um contigente desmatamento para a ocupação humana em assentamentos, muitas vezes irregulares. Este é o caso da ocupação de mananciais presentes na cidade, como a represa de Guarapiranga (Zona Sul da cidade), nos quais vivem atualmente mais de 500 mil pessoas. Além disso há extinção de determinadas reservas ainda existentes, como a Mata Atlântica.
Enciclopédia Delta Júnior – Vol.11.
O Desafio Metropolitano, 1976.
São Paulo e Outras Cidades.
URBS NOSTRA.
Internet
Enciclopédia Mirador – Vol.12
Enciclopédia Barsa – Vol.9
Faculdade de Arquitetura e Urbanização FAU/USP
Faculdade de História e Geografia –USP
Secretária do Verde e do Meio Ambiente – SVMA
A Cidade da Light
Instituto Cultural Itaú
Cadernos da Cidade de São Paulo.
"São Paulo, a máquina que nunca pára".
A grande São Paulo
Café: a semente do desenvolvimento
O Nascimento das fábricas
As conseqüências de um acelerado crescimento começam a aparecer...
Medidas para quem sabe, a solução deste grande enigma...
Ocupação Urbana desenfreada, um sinônimo de desmatamento das áreas vegetais ainda existentes.
Bibliografia:
Nestor Goulart R. Filho
J.C. de Figueiredo Ferraz
Ed. USP

Livro: Ambientes Brasileiros - Laureni Fochetto