SITE ESPÍRITA ANDRÉ LUIZ
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"QUANTO A MINHA MEDIUNIDADE, CHEGUEI A UM ESTADO DE CERTEZA TAL, QUE SE EU DISSER QUE ESSES LIVROS PERTENCEM À MIM EU ESTAREI COMETENDO UMA FRAUDE, PELA QUAL EU VOU RESPONDER DE MANEIRA MUITO GRAVE DEPOIS DA PARTIDA DESTE MUNDO." Chico Xavier |
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FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
(Biografia exclusiva do Site Espírita André Luiz) |

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informações sobre Chico Xavier, sua vida, sua mediunidade e
livros publicados:
Federação Espírita
Brasileira
Grupo Espírita Emmanuel
C. E. Nosso Lar - Casas
André Luiz
| "Noite de sábado,
07 de novembro último. Estamos em Uberaba, minha amiga
Margareth e eu. Agradavelmente envolvidas pelo cálido
clima local (somos de Curitiba) nos dirigimos até o
"Centro do Chico", como é conhecido o Grupo
Espírita da Prece. Uma saudade imensa do querido médium levou-nos até ele, saudade esta reavivada ultimamente pelos inúmeros comentários na mídia espírita acerca da possibilidade de ser ele a reencarnação de Allan Kardec (!). Mas lá chegando, penso que o Brasil inteiro sentiu a mesma saudade. São 18:30 horas quando adentramos o Centro. Portões abertos, vemos que muita gente já se comprime lá dentro. Junto à entrada do salão, cuja porta ainda se encontra fechada, dezenas de pessoas sentadas no chão, em fila, formam uma alegre serpente humana. Outras, menos ansiosas, compram camisetas com estampas do Chico, escolhem livros e comem e bebem na pequena lanchonete, posicionada à direita de quem entra (a coxinha é deliciosa e mineiramente apimentada!). Ou simplesmente passeiam distraídas pelo pequeno jardim, aguardando o início dos trabalhos e suscitando cômico desespero num jovem trabalhador da Casa, encarregado, obviamente, de tomar conta do gramado. - Tudo bem com o senhor, seu doutor? - diz ele, sorridente, ao visitante descuidado, sibilando em seguida: - E a grama, aí embaixo, está macia? - Ôpa! Desculpe... E lá vai o jovenzinho em sua faina ingrata de arredar de cima da "sua grama" as centenas de pessoas que se acotovelam, sem conforto algum, por todos os lugares, à espera do Chico. E afinal, o Chico, vem ou não vem? Será que abraçaremos o querido médium ou, frustradas, retornaremos à Curitiba de mãos abanando? "Parece que está muito doente, acho que não vem, não." "Ouvi dizer que ele vem." "O Chico tem vindo todos os sábados, mas parece que não passou bem a semana..." Os comentários se sucedem e a expectativa cresce com a freqüência. Ônibus lotados despejam infinidades de rostos junto à entrada e o calor começa a incomodar. Moscas voejam à vontade sobre nossas cabeças, enquanto procuramos não perder nosso lugar na fila. Por volta das 20 horas, ouvem-se palmas, gritos e uma onda de alegria varre a multidão: o Chico chegou. O velho e alquebrado médium, reunindo forças sabe Deus de onde, comparece da forma como o faz, há setenta anos: sorrindo e acenando para o povo, que lhe vem ao encontro. Criança feliz, parece agradecer ao Senhor a dádiva de estar ali, oportunizando uma nova lição para todos. E o povo, quase em lágrimas, dando graças e orando, aguarda o instante de entrar e assentar-se. Há gente demais, todavia. E poucos conseguem ingressar no acanhado salão. Enquanto é efetuada a leitura do Evangelho (A necessidade da Caridade segundo São Paulo, Cap. XV, ítem 6), para poucos "privilegiados", lá fora, onde também estamos, a revolta começa a tomar corpo entre os excluídos, e a ânsia de entrar descamba para um empurra-empurra perigoso, envolvendo cidadãos aparentemente acima de qualquer grosseria. A prece e o pranto alegre de há pouco diluem-se rapidamente por entre as brumas amargas da decepção. Sei o que sentem meus companheiros eventuais: já passei por isso igualmente. A propaganda maciça em torno do fenômeno Chico Xavier e seus espantosos feitos mediúnicos, por décadas inteiras, criou no imaginário popular uma expectativa errônea acerca do trabalho do médium e de suas possibilidades reais de atendimento popular. Para a maioria esmagadora dos crentes que vai a Uberaba, pela primeira vez, é ponto pacífico que Chico acolherá a todos de braços abertos e lhes ouvirá as dores e os problemas, pacientemente, um a um, para resolvê-los, afinal, através de curas, psicografias e revelações, da forma grandiloqüente e romântica como é mostrada num grande número de livros e publicações que lhe contam os casos e as histórias. Como aceitar agora que estão "do lado de fora"? Ou pior: "que estão fora" do róseo mundo encantado dos milagres espirituais instantâneos? Conseqüentemente, quando Chico Xavier começa a psicografar, mais aquele povo, que o aplaudiu pouco antes, se irrita e força passagem. Num minguado pedaço de chão coberto (5 x 8 mts, mais ou menos) cerca de uma centena de pessoas procura desesperadamente passar à frente umas da outras, usando de empurrões e cotoveladas. A histeria cresce, obrigando a Casa a suspender os trabalhos. Ouvem-se gritos e risadas, enquanto o objetivo da turba é invadir o salão a qualquer preço. Pergunto à algumas daquelas pessoas por que estão agindo dessa forma, nos empurrando, passando a força à nossa frente, nos ferindo, inclusive, e todas elas respondem, convictas: "Precisamos ver o Chico!" Hoje, a Galiléia fica em Uberaba. Alguns abandonam o lugar, e também nós nos decidimos prudentemente por uma retirada estratégica. Melhor beber um refrigerante e aguardar a oportunidade de abraçar o Chico, começando novamente pelo começo, ou seja: no final da fila. Mas lá na frente, onde estávamos, a situação fica insustentável. Temendo seu agravamento, um trabalhador da Casa toma do microfone e chama o povo aos brios, recordando-lhes o lugar onde se encontram. Se não ficarem quietos, diz, Chico Xavier irá embora. Chico Xavier irá embora, repete, se continuarem insistindo em entrar a força. Depois do silêncio estabelecido, pergunta sucintamente: - O que vocês vieram buscar aqui? Hein? O que vocês vieram buscar aqui? A turba se recompõe, aparentemente envergonhada, entre pigarros e risadinhas. Mais alguns minutos, e recomeça a psicografia. Finda a tarefa, encerra-se a reunião com uma prece, efetuando-se a seguir a leitura das mensagens grafadas. Emmanuel comparece através de uma médium da mesa, doando-nos bela mensagem sobre a Caridade. Seu traço inconfundível, na construção das palavras, surge encantador e objetivo nos conceitos emitidos, mas a expectativa real gira em torno do Chico. O aluno superou o mestre? Não. Emmanuel não é menos Emmanuel através de outro médium; apenas, aparentemente, a idolatria não o reconhece distante da mediunidade do Chico. O microfone então é passado para ele e, lá fora, o silêncio é quase palpável. De quem será a mensagem psicografada? Qual o seu conteúdo? Para "quem" é dirigida? E Chico Xavier começa: "Evangelização. "Quando o Senhor já estava na cruz, entre os dois companheiros, vendo seu amado povo de Israel, com alguns soldados romanos, em perturbação, sem rumo e sem paz, a gritar: "Crucifica!", ei-lo que exclama: "Perdoa-lhes, meu Pai, porque não sabem o que fazem..." Chico lê com enorme dificuldade, fazendo longas pausas, e quase não conseguimos entendê-lo.. "... no século 20, somos induzidos a pensar em muitos autores da crucificação, que já passaram pela reencarnação 20, 22, às vezes 30 vezes e que continuam, como tantos outros entes humanos da época do sacrifício do Senhor, mostrando para nós que o perdão dos Céus foi concedido sob condições e dividido em estâncias no tempo; obrigando-nos a meditar no aproveitamento dos dias e das horas, compreendendo a necessidade de Evangelização..." Estranhamente, o tema não prende a atenção do povo por muito tempo. Evangelização? Ora, isso é atividade para os Centros Espíritas, nas manhãs de domingo, coisa para crianças e jovens... Logo, conversas despontam em voz alta, desinteressadas da leitura, e uma sinfonia de tosses impede a compreensão de grande parte da mensagem. Mas, bravamente, Chico continua: "... necessidade do estudo do Testamento Antigo e dos Evangelhos, para nosso benefício... Do exame e da tradução das letras sagradas, com as explicações dos Profetas e dos Apóstolos, de modo que nos edifiquemos nas Leis Divinas... "... Todas as famílias devem consagrar determinado dia da semana para exercitar e compreender o Evangelho, no proveito integral. É impieroso refletir no perdão do Senhor dentro das possibilidades da existência terrestre... "Rogamos à todos desta reunião o serviço da Evangelização, abrangendo não só as crianças e os jovens, mas todos os adultos e inclusive os doentes nos hospitais. "Somente assim poderemos construir pedaço a pedaço a paz e o amor ao semelhante; a verdade e o bem, o perdão e a luz, para entalharmos em nossas vidas o bendito reino de Jesus. Bezerra de Menezes." Evangelizar é preciso... Idolatrar não é preciso. Recebíamos naquele momento a lição que o plano espiritual ministrava, não somente às nós, que visitávamos Chico Xavier naquela noite, mas à toda classe espírita brasileira, dividida, ultimamente, entre a idolatria e a discussão estéril. Início da madrugada, pudemos nos aproximar, finalmente, para o encontro esperado. Chegando minha vez, a recepcionista alerta, friamente, que não devo conversar com o Chico: "Apenas cumprimente e saia", diz ela, meio ríspida. Um pouco decepcionada, e sem saber o que fazer, seguro em silêncio a mão que ele me estende, sem acreditar no que ouço, então: - Que bom que você está aqui conosco! Sua presença é sempre motivo de muita alegria para nós, seja bem-vinda! - diz Chico, carinhoso, desobedecendo por mim as ordens da recepcionista e divertindo os demais integrantes da mesa. O velho e bom Chico é e será sempre o dono da situação. De volta à Curitiba, a longa viagem de ônibus proporciona bons momentos de reflexão, e, recordando o material, contra e a favor, surgido na imprensa espírita, ultimamente, acerca da malfadada hipótese de ser Chico a reencarnação de Kardec, descubro-lhe a analogia perfeita com a multidão que acorreu ao Grupo Espírita da Prece, neste dia 07 de novembro de 1998, ora para aplaudir o Chico, ora para maldizê-lo. Senão vejamos: para adorá-lo, alguns não hesitaram em colocar sua segurança e a segurança geral em risco; para muitos escarnecê-lo, bastou a insensatez dos primeiros. Dizer-se categoricamente que Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec é tão maldoso e improcedente quanto formular frases como: "Chico não pode ser Kardec, porque Kardec não aceitava tudo o que os Espíritos diziam". Nada de bom produzem a idolatria ou o chiste. O passado espiritual de Chico, bem como seu futuro, pertencem à ele, somente. Respeitemos seu presente, através de tal certeza. Mas, indiferente ao que dizem ou deixam de dizer, a seu respeito, Chico Xavier continua comparecendo ao "seu" Centro, psicografando verdades que ainda precisamos ouvir e beijando a mão de amigos e de agressores, com o mesmo amor. Fiel à Jesus e à sua tarefa, jamais o vimos em repentes de vaidade, dizendo-se reencarnação dessa ou daquela personagem. Mas o que vamos enxergando mesmo, dentro dos círculos espíritas do país, não é tão somente uma tentativa de santificação do médium Chico Xavier, sob a forma de ingênua idolatria, mas sim, lamentavelmente, uma bem urdida trama para desmoralizá-lo, e à Doutrina, mais uma vez... (Lori Marli dos Santos, [email protected]) |

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CHICO, "UM DIA, UMA FAGULHA DE TUA
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