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Per.: Que
princípios regem a apresentação dos Espíritos
desencarnados aos médiuns humanos?
ANDRÉ LUIZ: O aspecto que as
entidades desencarnadas assumem perante os médiuns
humanos, quando se comunicam na Terra, pode variar
infinitamente.
Os Espíritos Superiores, pelo domínio natural que
exercem sobre as células psicossomáticas, podem adotar
a apresentação que mais proveitosa se lhes afigure, com
vistas à obra meritória que se propõem realizar.
Entretanto, essa maneira de intercâmbio não é a mais
comum, porque, de modo geral, os desencarnados
impressionam os instrumentos mediúnicos encarnados na
forma em que efetivamente se encontram.
Decerto, não falta indumentária digna às criaturas que
se emancipam do vaso físico, roupagem, toda ela,
confeccionada com esmero e carinho por mãos hábeis e
nobres da esfera extrafísica.
É importante considerar, todavia, que os Espíritos
desencarnados, mesmo os classe inferior, guardam a
faculdade de exteriorizar os fluidos plasticizantes que
lhe são peculiares, espécie de aglutininas mentais com
que envolvem a mente mediúnica encarnada, recursos esses
nos quais plasmam, como lhes seja possível, as imagens
que desejam expressar e que adquirem para as percepções
do médium coloração e movimento, fazendo-o exprimir-se
ou agir, em comportamento semelhante ao passivo comum na
hipnose provocada.
Tais fenômenos, porém, são isolados e apenas se
verificam entre o médium e a entidade que o influencia,
sem substância na realidade prática, qual ocorre no
campo das sugestões, durante a interligação
mento-psíquica, entre o hipnotizado e o hipnotizador.
Per.: Como
interpretaremos a existência de roupas, calçados e
peças protéticas nas entidades desencarnadas se tais
petrechos são inanimados, não sendo dirigidos de modo
direto pela mente?
ANDRÉ LUIZ: A mente não
comanda as moléculas de algodão do vestuário de que se
serve no corpo físico, mas pode usá-las, segundo as
suas necessidades no mundo.
Ocorre o mesmo no Plano Espiritual, em que nos utilizamos
das possibilidades ao nosso alcance para atender a esse
ou àquele imperativo de nossa apresentação.
(Evolução em Dois Mundos, 2a. Parte, cap. V)
LINGUAGEM DOS DESENCARNADOS
Per.: Como se
caracteriza a linguagem entre os Espíritos?
ANDRÉ LUIZ: Incontestavelmente,
a linguagem do Espírito é, acima de tudo, a imagem que
exterioriza de si próprio.
Isso ocorre mesmo no plano físico, em que alguém,
sabendo refletir-se, necessitará poucas palavras para
definir a largueza de seus planos e sentimentos,
acomodando-se à síntese que lhe angaria maior cabedal
de tempo e influência.
Círculos espirituais existem, em planos de grande
sublimação, nos quais os desencarnados, sustentando
consigo mais elevados recursos de riqueza interior, pela
cultura e pela grandeza moral, conseguem plasmar, com as
próprias idéias, quadros vivos que lhes confirmem a
mensagem ou o ensinamento, seja em silêncio, seja com a
despesa mínima de suprimento verbal, em livres circuitos
mentais de arte e beleza, tanto quanto muitas
inteligências infelizes, treinadas na ciência da
reflexão, conseguem formar telas aflitivas em circuitos
mentais fechados e obsessivos, sobre as mentes que
magneticamente jugulam.
De acordo com o mesmo princípio, Espíritos
desencarnados, em muitos casos, quando controlam as
personalidades mediúnicas que lhes oferecem sintonia,
operam sobre elas à base das imagens positivas com que
as envolvem no transe, compelindo-as a lhes expedir os
conceitos.
Nessas circunstâncias, expressa-se a mensagem pelo
sistema de reflexão, em que o médium, embora guardando
o córtex encefálico anestesiado por ação magnética
do comunicante, lhe recebe os ideogramas e os transmite
com as palavras que lhe são próprias. Todavia, não
obstante reconhecermos que a imagem está na base de todo
intercâmbio entre as criaturas encarnadas ou não, é
forçoso observar que a linguagem articulada, no chamado
espaço das nações, ainda possui fundamental
importância nas regiões a que o homem comum será
transferido imediatamente após desligar-se do corpo
físico. (Evolução em Dois Mundos, 2a. Parte, cap. II)
ALIMENTAÇÃO DOS DESENCARNADOS
Per.: Como
se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados?
ANDRÉ LUIZ: Encarecendo a
importância da respiração no sustento do corpo
espiritual, basta lembrar a hematose do corpo físico,
pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança,
através dos alvéolos, nos quais os gazes se transferem
do meio exterior para o meio interno, e vice-versa,
atendendo à assimilação e desassimilação de variadas
atividades químicas no campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação
com determinados elementos, dando, em resultado, o
anidrido carbônico e a água, com produção de energia
destinada à manutenção das províncias somáticas.
Estudando a respiração celular, encontraremos, junto
aos próprios arraiais da ciência humana, problemas
somente equacionáveis com a ingerência automática do
corpo espiritual nas funções de veículo físico,
porque os fenômenos que lhe são conseqüentes se
graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem
noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a
perplexidade de quem atinge o insolúvel.
Sabemos que para a subsistência do corpo físico é
imprescindível a constante permuta de substâncias, com
incessante transformação de energia.
Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro
fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou
à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força
indispensável à existência e os recursos reguladores
do metabolismo.
O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início,
a digestão, pela qual os elementos coloidais
indifusíveis, convertendo-se ainda as matérias
complexas em matérias mais simples, acessíveis à
absorção, a que se sucede a circulação dos valores
nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos,
seja em regime de aplicação imediata, seja no de
reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural.
A ciência terrena não desconhece que o metabolismo
guarda a tendência de manter-se em estabilidade
constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa
de oxig6enio e o teor de glicemia em jejum revelam quase
nenhuma diferença de dia para dia.
É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico,
sana espontaneamente, quando harmonizado em suas
próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais
nos processos metabólicos, presidindo as reações no
campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência
carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração,
colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso
complementar de fornecimento plástico e energético,
para o setor das calorias necessárias à massa corpórea
e à distribuição dos potenciais de força nos variados
departamentos orgânicos.
Abandonando o envoltório físico na desencarnação, se
o psicossoma está profundamente arraigado às
sensações terrestres, sobrevêm ao Espírito a
necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo
biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera
ao preço do próprio esforço, no auto-reajustamento,
provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam
a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles
encarnados com os quais se afine, quando não promove a
obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa
ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos
centros de reeducação do Plano Espiritual, onde
encontram alimentação semelhante à da Terra, porém
fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que
adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior,
em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor
e tanto mais leve quanto maior se evidencie o
enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea,
o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade,
nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses
quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da
Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e
reconstituintes do amor com que os seres se sustentam
entre si.
Essa alimentação psíquica, por intermédio das
projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se
amam, é muito mais importante que o nutricionista do
mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a
ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí
porque toda a criatura tem necessidade de amar e receber
amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo espiritual, com alguma
provisão de substância específica, ou simplesmente sem
ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão
cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta
com os processos da assimilação e da desassimilação
dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo
do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme
ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no
entanto, que pela harmonia de nível, nas operações
nutritivas, e pela essencialização dos elementos
absorvidos, não existem para o veículo psicossomático
determinados excessos e inconveniências dos sólidos e
líquidos da excreta comum. (Evolução em Dois Mundos,
2a. Parte, cap. I)
"ENGANOS ANTE OS
ESPÍRITOS"
Julgar
que todos os Espíritos benevolentes que se comunicam na
Terra são instrumentos imaculados. Desencarnação é
vida em outra face.
Considerar que eles veiculam princípios de virtude, como
se fossem anjos flanando nos céus, dando conselhos que
nada lhes custa. O professor reconhece-se impelindo a
disciplinas mais austeras que as dos alunos para ser
digno da missão de ensinar.
Chamá-los, a propósito de bagatelas. Criaturas
relativamente educadas sabem respeitar os horários
alheios.
Solicitar-lhes concurso em problemas estritamente
materiais. Nenhum de nós, conquanto satisfeitos de ser
úteis, furtará obrigações dos outros, das quais eles
necessitam para a segurança da própria felicidade.
Censurá-los por não estarem à nossa inteira
disposição. Amigos sinceros e conscientes não
escravizam amigos.
Complicar as consultas que lhes queiramos fazer, com a
desculpa de lhes testar a existência. Só os corações
irresponsáveis intentariam transformar os entes amados
em ledores de buena-dicha.
Exigir-lhes a verdade total. Todos nós cultivamos o tato
psicológico no trato recíproco e não ignoramos que
certas revelações funcionam nos mecanismos da alma,
assim como determinados medicamentos que somente
beneficiam os mecanismos do corpo em dose adequada.
Criticar-lhes sem ponderação e respeito as falhas
quando apareçam. A pessoa de bom senso compreende
claramente o desacerto do benfeitor de quem já recebeu
noventa e nove favores perfeitos, através de recursos
imperfeitos, como sejam os canais mediúnicos terrestres
e doente algum pode queixar-se quando ele mesmo procura
obscurecer, por todos os modos, os raciocínios e
manifestações do médico.
Não desconhecemos que entre a encarnação, a
desencarnação e a reencarnação, todos somos
espíritos em trabalho evolutivo.
A Doutrina Espírita é o fiel da balança de nossas
relações uns com os outros, nos planos a que se acolhem
desencarnados e encarnados, representando orientação e
luz, ensinamento e pedra de toque. Diante dela os
Espíritos têm responsabilidade e os homens também.
ANDRÉ LUIZ
(Opinião Espírita, 43, CEC)
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