ALLAN KARDEC
E A CODIFICAÇÃO ESPÍRITA

ALLAN KARDEC EXPLICA O CONSOLADOR
JESUS: "Pedirei a meu Pai e ele lhes enviará outro
Consolador..."
ALLAN
KARDEC: Esta predição, não há contestar, é uma das mais
importantes, do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem
a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse tudo o
que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido
nem mesmo seus apóstolos, visto que à eles é que o Mestre se
dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os
Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora, desde que
ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não
terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi
dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das
palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus
pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As
religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois,
dizer-se possuidoras de toda verdade, porquanto ele, Jesus,
reservou para si a complementação ulterior de seus
ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se
firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo.
Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus
anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e
de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo seu
ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como
também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que
o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com
Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo
com o verdadeiro pensamento de seus ensinos.
Quando terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na
época em que Jesus falava, os homens não se achavam em estado
de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em
alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias e
entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho,
excluídos os preceitos morais, faziam-se mister conhecimentos
que só o progresso das ciências facultaria e que tinham de ser
obra do tempo e de muitas gerações. Se, portanto, o novo
Messias tivesse vindo pouco tempo depois do Cristo, houvera
encontrado o terreno ainda nas mesmas condições e não teria
feito mais do que o próprio Cristo. Ora, desde aquela época
até os nossos dias, nenhuma grande revelação se produziu que
haja completado o Evangelho e elucidado suas partes obscuras,
indício seguro de que o Enviado ainda não aparecera.
Qual deverá ser esse enviado? Dizendo: "Pedirei a meu Pai e
ele lhes enviará outro Consolador", Jesus claramente indica
que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, teria
dito: "Voltarei para completar o que lhes tenho
ensinado". Não só tal não disse, como acrescentou:
"A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em
vós." Esta proposição não poderia referir-se a uma
individualidade encarnada, visto que não poderia ficar
eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós;
compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma
doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado,
poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo
o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina
soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito
de Verdade.
O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado, todas as
condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma
doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode
dizer-se seu Criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos,
ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime dos
Evangelhos: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas
leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já
descobrira, faz-se compreenda o que era ininteligível e se
admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava
inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram
a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do
bem na Terra.
A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo
Judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra,
mediante o Cristianismo, mas não converte a todos; o
Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as
crenças, converterá a Humanidade .
Dizendo a seus apóstolos: "Outro virá mais tarde, que lhes
ensinará o que agora não posso ensinar", proclamava Jesus
a necessidade da reencarnação. Como poderiam
aqueles homens aproveitar do ensino mais completo que
ulteriormente seria ministrado, como estariam aptos a
compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente? Jesus
houvera proferido uma coisa inconseqüente se, de acordo com a
doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de ser homens novos,
almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao
contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham
vivido depois; que ainda hoje revivem , e plenamente justificada
estará a promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contato do
progresso social, a inteligência deles pode presentemente
comportar o que então não podia. Sem a reencarnação a
promessa de Jesus fora ilusória.
Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de Pentecostes,
por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á responder que
o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a
inteligência, desenvolveu neles as aptidões mediúnicas
destinadas a facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes
ensinou além daquilo que Jesus já ensinara, porquanto no que
deixaram, nenhum vestígio se encontra de um ensinamento
especial. O Espírito Santo, pois, não realizou o que Jesus
anunciara relativamente ao Consolador; a não ser assim, os
apóstolos teriam elucidado o que, no Evangelho, permaneceu
obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação contraditória
deu origem às inúmeras seitas que dividiram o Cristianismo
desde os primeiros séculos. (A GÊNESE, Cap. XVII, ítens 37 à
42)
Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Revelar, do
latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente
sair de sob o véu - e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer
uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais
genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa
ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao
corrente do que não sabíamos.
A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a
verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é
falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe
revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o
ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se
enganar, ela não pode emanar dele; deve ser considerada produto
de uma concepção humana.
No sentido especial da fé religiosa, a revelação se diz mais
particularmente das coisas espirituais que o homem não pode
descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos
sentidos e cujo conhecimento lhe dão Deus ou seus mensageiros,
quer por meio da palavra direta, quer pela inspiração. Neste
caso, a revelação é sempre feita a homens predispostos,
designados sob o nome de profetas ou messias, isto é, enviados
ou missionários, incumbidos de transmiti-la aos homens.
Considerada debaixo deste ponto de vista, a revelação implica a
passividade absoluta e é aceita sem verificação, sem exame,
nem discussão.
O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos
cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como
as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a
natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o
destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação,
na acepção científica da palavra.
Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um
Deus único, Soberano Senhor e Orientador de todas coisas;
promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé.
Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva
fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra.
O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e
rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de
concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de
que Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que
aguardam o homem, depois da morte .
O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como
este partiu das Moisés, é conseqüência direta da sua
doutrina. À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação
da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o
espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma
consciência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem
a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os
mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem
sabe de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque
sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus.
Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série
de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição
que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo
ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para
progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da
mesma essência e que não há entre elas diferença, senão
quanto ao progresso realizado; que todas tem o mesmo destino e
alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo
trabalho e boa-vontade.
A primeira revelação teve a sua
personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não
a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a
terceira coletiva; aí está um caráter essencial de grande
importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou
dada como privilégio de pessoa alguma, ninguém, por
conseqüência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi
espalhada simultaneamente por sobre a Terra, a milhões de
pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa
até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada
pelo autor dos Atos dos Apóstolos: "Nos últimos tempos,
disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os
vossos filhos e filhas profetizarão, os jovens terão visões e
os velhos, sonhos." (Atos, cap. II, vs. 17-18) Ela não
proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a
todos, de ponto de ligação.
Demais, se se considerar o poder moralizador do Espiritismo, pela
finalidade que assina a todas as ações da vida, por tornar
quase tangíveis as conseqüências do bem e do mal, pela força
moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições,
mediante inalterável confiança no futuro, pela idéia de ter
cada um perto de si os seres a quem amou, a certeza de os rever,
a possibilidade de confabular com eles; enfim, pela certeza de
que tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência,
sabedoria, moralidade, até a última hora da vida, não fica
perdido, que tudo aproveita ao adiantamento do Espírito,
reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do
Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o
Espírito de Verdade que preside ao grande movimento de
regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma
cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador. (A
GÊNESE, Cap. I, ítens 1,3,7,12,21,22,30,45 e 42)
![]() |
Tributo e carinho à
Amélie Gabrielle Boudet
- Sra. Allan Kardec -
inolvidável pilar da
Codificação Espírita.

PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA
Recordemos constantemente os ensinos insubstituíveis e sempre
momentosos que iluminam as páginas da Codificação Kardequiana,
de onde extratamos alguns breves tópicos:
"Assim
como o Cristo disse: "Não vim destruir a Lei, mas
cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não venho
destruir a Lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina
em contrário ao que ensinou o Cristo; mas desenvolve, completa e
explica, em termos claros e para toda a gente, o que foi dito
apenas sob forma alegórica.
(O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO)
*
"Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento;
instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo se encontram todas
as verdades; são de origem humana os erros que nele se
enraizaram."
(O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO)
*
"Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem
digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de
qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece
dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem
da Humanidade."
(O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
*
"O homem não conhece os atos que praticou em suas
existências pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero
das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante
do seu caráter. Bastará então julgar do que foi, não pelo que
é, e sim pelas suas tendências."
( O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
*
"A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende
principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é
sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição
do homem. Diferença só há quanto ao grau de
responsabilidade."
(O LIVRO DOS ESPÍRITOS)
*
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação
moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações
infelizes."
(O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO)
*
"Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o
próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima:
Fora da caridade não há salvação."
(O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO)
ANDRÉ
LUIZ
(Conduta
Espírita, 45, FEB)
REVIVESCÊNCIA
DO CRISTIANISMO
Erige-se, desde Jesus, o Evangelho em código de harmonia,
inspirando o devotamento ao bem de todos até o sacrifício
voluntário, a fraternidade viva, o serviço infatigável aos
semelhantes e o perdão sem limites.
Iniciam-se em todo osrge imensas alterações. A crueldade
metódica cede lular à compaixão. Os troféus sanguinolentos da
guerra desertam dos santuários. A escravidão de homens livres
é sacudida nos fundamentos para que se anule de vez. Levanta-se
a mulher da condição de alimária para a dignidade humana. A
filosofia e a ciência admitem a caridade no governodos povos. O
ideal da solidariedade pura começa a fulgir sobre a fronte do
mundo.
Moisés instalara o princípio da justiça, coordenando a vida e
influenciano-a de fora para dentro.
Jesus inaugurou na Terra o princípio do amor, a exteriorizar-se
do coração, de dentro para fora, traçando-lhe a rota para
Deus.
E eis que o Cristianismo grandioso e simples ressurge agora no
ESPIRITISMO, induzindo-nos à sublimação da vida íntima, para
que nossa alma se liberte da sombra que a densifica,
encaminhando-se, renovada, para as culminâncias da Luz.
ANDRÉ LUIZ
(EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, Cap. XX)

Visitante