
CARIDADE E VOCÊ
Acredita você que só a caridade pode
salvar o mundo; entretanto, não se demore na posição de
comentarista.
Não nos diga que é pobre e incapaz de contribuir na campanha
renovadora da sublime virtude.
Senão vejamos:
Se você destinar a quantia correspondente a um refrigerante ou
um aperitivo em cinco doses, segundo os seus hábitos, aos
serviços de qualquer hospital, no fim de um mês haverá mais
decisiva medicação para certo doente.
Se você renunciar ao cinema de uma vez em cada cinco,
endereçando o dinheiro respectivo a uma creche, ao término de
duas ou três semanas, a instituição contará com mais leite em
favor das crianças necessitadas.
Se você suprimir um maço de cigarros em cada cinco de seu uso
particular, dedicando o fruto dessa renúncia a uma casa erguida
para os irmãos distanciados do conforto doméstico, em breve
tempo o agasalho devido a eles será mais rico.
Se você economizar as peças do vestuário, guardando a
importância equivalente a uma delas em cada cinco, para socorro
ao próximo menos feliz, no fim de um ano disporá você mesmo de
recursos suficientes para vestir alguém que a nudez ameaça.
Não espere pela bondade dos outros.
Lembre-se daquela que você mesmo pode fazer.
É possível que você nos responda que o superfluo é seu
próprio suor, que não nos cabe opinar em seu caminho e que o
copo e o filme, o fumo e a moda são movimentados à sua custa.
Você naturalmente está certo na afirmativa e não seremos nós
quem lhe contestará semelhante direito.
A vontade é sagrado atributo do espírito, dádiva de Deus a
nós outros, para que decidamos, por nós, quanto à direção do
próprio destino.
Todavia, nosso lembrete é apenas uma sugestão aos companheiros
que acreditam na força da caridade e só ganhará realmente
algum valor se houver algum laço entre a caridade e você.
ANDRÉ LUIZ
(O Espírito da Verdade, 57, FEB)
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