ESPIRITISMO E ALEGRIA
ANDRÉ LUIZ
Exprime o Espiritismo feição nova
à alegria.
Alegria será rejubilar-se. Rejubilar-se, contudo, não
é licenciar os sentidos; será dar-se.
Dar-se, todavia, não é engrossar a injustiça; será
receber.
Receber, porém, não será envilecer a dádiva; será
amar.
Amar, entretanto, de modo algum significa rendição à
sombra.
Alegria nasce e vive no clima do trabalho de quem obedece
servindo à felicidade comum a todos.
Enquanto usufruímos a alegria do convívio espiritual,
analisemos as causas que no-la favorecem, no plano das
coisas simples.
Todos os elementos se mostram em ação, disciplinados a
fim de serem úteis.
Pedras no alicerce do abrigo que nos reúne estão a
postos assegurando o equilíbrio da casa.
O papel assume a posição de que necessitamos para que
se nos grave o pensamento em forma de palavras.
Objetos de serventia usual jazem no posto que lhes
compete para atender-nos.
Vigas do teto sustentam-se de atalaia garantindo asilo
contra intempérie.
Nada fora do equilíbrio necessário, nada fora da lei do
auxílio.
Alegria, assim, na esfera da consciência que dispõe de
suficiente vontade para exaltar-se no discernimento do
bem e do mal, com capacidade de ajudar ilimitadamente,
será regozijar-se estendendo fatores de regozijo a
benefício dos que nos cercam; dar-se às boas obras;
receber vantagens distribuindo-as e amar sem reclamar
amor de ninguém; alegria constituida de ação
permanente no domínio dos impulsos inferiores, na
movimentação construtiva, na administração criteriosa
daquilo que possuímos e na ternura que possamos oferecer
de nós para edificação dos semelhantes.
Jesus resumiu os deveres religiosos na síntese:
"Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como
a ti mesmo." E compreendendo-se que em nossa
presente situação evolutiva, não dispomos de mais alta
fórmula para amar o Criador que não seja amá-lo nas
criaturas, a Doutrina espírita nos define a felicidade
como sendo a alegria dos que possuem a alegria de cumprir
o dever de auxiliar os outros para o bem, com base na
consciência tranquila.
Jesus, horas antes da crucificação e sabendo que
caminhava para o sacrifício, exclamou para os amigos:
"Tende bom ânimo, eu venci o mundo". Dizia
isso quem para o mundo não passava de fracassado vulgar.
Certifiquemo-nos de que alegria é triunfo íntimo da
alma sobre si, paz de quem aceitou a luta digna para
elevar-se elevando a vida em, torno, honra dos que
procuram a aprovação do Criador no serviço às
criaturas sem esperar que as criaturas lhes alterem o
serviço ao Criador e trabalhemos sempre.
André Luiz
(Sol na Almas, 5, CEC)
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