EDITORIAL
 
 

INTOLERÂNCIA
(ATÉ NO MEIO ESPÍRITA...)

INTOLERÂNCIA Grupo IDEAL André Indicador implacável da "face oculta", o gesto espontâneo que irrompe do ser, no trato com os semelhantes, sempre que lhe é possível a autenticidade, denuncia a legítima posição espiritual em que se situa, no tocante ao interrelacionamento. No degrau mais abjeto de seu mundo íntimo, junto aos piores instintos, cultiva o ser a sua intolerância por mãe de todas as mazelas que lhe infelicitam a vida. Doentia, a intolerância é sempre chaga aberta, não obstante a gaze da dissimulação e a faixa do verniz social. A intolerância gera aberrações quais as que o mundo já enfrentou no passado, e que, perplexo, enfrenta ainda hoje, como se sua máscara fria se renovasse com as gerações. Foi em seu laboratório de horrores que se corporificaram as guerras e os dramas que flagelaram a Humanidade, desde sempre. A intolerância racial gerou para o mundo abominações como o Apartheid, na África do Sul, em 1913, que significa Segregação Sistemática das Populações não Brancas, e que só foi abolido em 1994, quando, nas eleições gerais, foi eleito presidente o líder anti-apartheid da maioria negra, Nelson Mandela. Nos Estados Unidos, a intolerância racial criou em 1866, no sul do país, a Ku Klux Kan, sociedade secreta que lutava pela manutenção da supremacia branca. Famosa por suas vestes brancas e por seus capuzes, espalhou o terror entre os negros e foi responsável por cerca de 1.500 mortes por linchamento. Foi a intolerância sectária que idealizou e deu forma à 2a. Guerra Mundial, cujo objetivo primacial girou em torno do extermínio de Judeus e de outras raças consideradas inferiores. Outro exemplo de intolerância, esta inter-classes, foi a implantação do comunismo da ex-União Soviética. O sonho de igualdade social de Karl Marx redundou no aniquilamento da vida pessoal na Rússia. No Brasil, a intolerância é menos contundente, mas, nem por isso menos destrutiva. Insidiosa, estende seus tentáculos por sobre todas conquistas, envenenando-lhes as vitórias e avassalando consciências múltiplas. Na sociedade, têmo-la no pensamento popular quando este salienta a superioridade racial, social e econômica desta ou daquela região do país, em detrimento das demais. É a intolerância que leva, também, esta sociedade a segregar, disfarçadamente, negros, índios e homossexuais, como formas inferiores de vida, ao tempo que lhe estimula a hipocrisia no preconceito não declarado. É a intolerância que predispõe pais e filhos ao choque de gerações, que atiça a competição entre os cônjuges, que promove o desmoronamento do lar, que abre brechas à agressão e viabiliza as separações. É sempre a intolerância que incita as greves, que aconselha a demissão em massa, que molda a lei que beneficia uns poucos, que cria os perversos conflitos trabalhistas e articula os conchavos e as hostilidades políticas. No Espiritismo, a intolerância não deixou de lançar âncoras, igualmente, não obstante a vigilância de corações sinceros e renovados. Vêmo-la, em todo o seu poder, quando a classe espírita abandona a tarefa edificante a que foi chamada para examinar edificações alheias; surprendêmo-la conduzindo espíritas imprevidentes à idolatria desse ou daquele expoente, em detrimento da paz e do progresso de todo o Movimento; a encontramos segregando no personalismo estéril consciências e instituições produtivas, após enredá-las nas armadilhas da falsa superioridade. É ainda a intolerância que, dentro da Casa Espírita, consolida o orgulho e a vaidade, gera o ciúme e a desconfiança, espalha o melindre e o despeito, faz naufragar projetos e compromissos, destrói tarefas e realizações, que fere, separa e inimiza, porque intolerância, do latim intolerantia, quer dizer intransigência, ou atitude odiosa e agressiva a respeito daqueles de cuja opinião divergimos. (LMS)

IDEAL André
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