CONDUTA ESPÍRITA
 
 

O ESPÍRITA E O TEMPO

Lori Marli dos Santos

Segundo o dicionário, TEMPO significa exatamente: noção fundamental concebida como um meio infinito no qual os acontecimentos se sucedem (Larousse Cultural).
Na vivência diária, nós identificando a passagem do tempo de várias formas, conforme o nosso estado de espírito. Ele é sereno e harmonioso quando estamos bem, célere quando felizes e lento e desagradável quando tudo vai mal.
Mas, independentemente de fatores e circunstâncias que o modificam, para nós todos, adolescentes espirituais que ainda somos, o tempo é alguma coisa capaz de estender-se ao infinito, com ilimitada capacidade de dilatação.
Possuímos no tempo, segundo nossas concepções imaturas, um aliado insofismável... Dentro dele, desse tempo ao nosso modo, mergulhamos nossas ilusões e nossas esperanças, procurando arrancar-lhe o máximo de felicidade, num mínimo de esforço e colabor-ção.

Contam os Benfeitores Espirituais que todos trazemos conosco, ao renascer na esfera densa, um determinado plano de serviço que deverá ser desempenhado durante o curso da nova existência.
Contam eles também que nós, antes da reencarnação, formulamos as mais ardentes promessas quanto ao sucesso de nossa missão na Terra, reiterando votos de pleno uso das possibilidades colocadas ao nosso alcance; juramos que seremos bons, que serviremos com desinteresse, faremos tudo que nos compete, aproveitaremos muito bem a prova da miséria, da fortuna, da beleza, ou da fealdade e transformaremos as dores, as expiações e as tentações de toda a sorte em vitória espetacular.
Mas aqui chegando, o que acontece?
Uma vez mergulhados no "sono" da carne, modificamos nossos modo de ver as responsabilidades e provações e fugimos de seu contato, de forma singular, alegando que ainda não estamos prontos para as dificuldades e obrigações, lembrando que somos carregados de vícios e defeitos - não fora isso justamente o que viemos combater! - e dizendo que ainda temos tempo, que amanhã faremos...
Advogamos em nossa causa porque, entre tantas tarefas que nos solicita a existência, é difícil, realmente, arrumar tempo para fazer algo de extraordinário além dos deveres habit-ais. Caso alguém nos diga: "Deixe de preguiça, num minuto você pode fazer muita coisa!" provavelmente vai receber má resposta de nossa parte.
Num minuto?! Impossível!
Mas, para nossa meditação, o Espírito Valérium, através de Chico Xavier, psicografou a mensagem "Um Minuto", onde podemos ler: "Num minuto apenas pode-se fazer sempre alguma coisa útil, como seja: redigir um telegrama; escrever um bilhete fraterno; sobrescritar um envelope; dar um recado ao telefone; prestar uma informação; lavar uma peça de roupa; ofertar um copo de leite; cumprimentar alguém; limpar um móvel; regar uma flor..."
André Luiz, em sua mensagem "Saldo e Extra", nos dá conta de que usufruímos 144 horas úteis numa semana de seis dias, das quais gastamos apenas 48 em trabalho regular, restando-nos 96 horas relativamente às quais raríssimas vezes guardamos noção de consc-ência.
Vamos calcular?
Se em 144 horas úteis (seis dias), gastamos 48 horas em trabalho regular e mais 48 horas dormindo (das 96 horas), restam-nos ainda 48 horas, ou dois dias inteiros só para nós.
Anexando o domingo que André Luiz excluiu, teremos as 48 horas de folga mais 24 horas, recebendo um total de 72 horas livres por semana.
Seguindo este cálculo, em um mês teremos 288 horas livres; em um ano 3.456 horas e numa existência de 70 anos, em torno de 241.920 horas livres, ou inconscientes.
E não abrimos mão de um minuto, às vezes, dentre essas milhares de horas não util-zadas, sequer à favor de nós mesmos, lendo um livro edificante, ouvindo boa música ou meditando...
Que dizer então da caridade ao próximo?
Em "Caridade do Tempo", André Luiz nos recorda da necessidade do bom emprego das horas, dizendo que "não há criatura impedida de exercer a caridade do tempo. Em qualquer clima social, semelhante cooperação é fundamento do bem. Um dia de trabalho gratuito, uma semana tomada às férias, um horário de serviço fraterno, um momento de tolerância, um minuto a mais de atenção, uma hora para a visita, são oportunidades de auxílio a outrem, que podemos articular."
Quando nós nos postamos frente à um rio caudaloso, observando-lhe o rolar constante das águas, temos a impressão de que a água é sempre a mesma, sem modificar-se jamais.
Mas não é. Não obstante tratar-se do mesmo rio, a água que passou à nossos pés nunca mais será a mesma, pois quando retornar, estará modificada pelas circunstâncias...
Assim, da mesma forma, nossa vida se assemelha à um rio caudaloso a passar, constante e ininterrupto, levando em seu leito as águas das oportunidades presentes.
Surpreendê-las e trabalhá-las, antes que se afastem, essa a nossa tarefa.
O tempo é concessão Divina, à nosso favor. Passamos por ele, de um lado à outro da vida, fazendo e refazendo lições, num tique e taque ininterrupto, até que a maturidade espitual nos brinde com a iluminação plena.
O espírita esclarecido, mais que ninguém, deve esmerar-se em aproveitar o tempo, integralmente, em sua verdadeira acepção, recebendo-o da forma como chega, aceitando-lhe as injunções e transformando-o em benefício, seu e dos outros, na certeza de que, para qualquer tempo, a solução será sempre trabalhar e confiar.

(Lori Marli dos Santos - [email protected])

(Bibliografia:
Valérium - "Um Minuto" - Cap. 26
IDEAL ESPÍRITA - Edição CEC
André Luiz - "Saldo e Extra" - Cap. 2
ENDEREÇOS DA PAZ - Edição CEU
André Luiz - "Caridade do Tempo"
Cap. 41 - SOL NAS ALMAS - CEC)

 

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