Esoterismo em Fernando Pessoa

Fragmentos escolhidos

(...)O S�mbolo e o ritual s�o os modos de uma alma superior, comunicar com outra inferior sem que tenha necessidade de palavras. S�o como um olhar que se entende, olhando com outro olhar.(...)
(Fernando Pessoa)

(...) Sabe-se que a ma�onaria tem por norma n�o vir a p�blico, de nenhum modo, anunciar-se ou defender-se, pode portanto dizer-se acerca dela o maior n�mero de dislates, de cal�nias e de mentiras, que ela n�o protesta, n�o se queixa, n�o desmente. (...)
(Fernando Pessoa)

(...)N�o sou ma��o, nem perten�o a qualquer outra Ordem semelhante ou diferente(...)Tendo eu, por�m certa prepara��o, cuja natureza me n�o proponho indicar.(...)
(Fernando Pessoa)


Ordem de Cristo


"A Ordem de Cristo tem como regra: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.


A Ordem de Cristo n�o tem graus, templo, rito, ins�gnia ou passe. N�o precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se � escudeiro dela n�o se est� ainda nela; quando se � mestre dela j� se lhe n�o pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que � a Ordem de Cristo - a mais sublime de todas do mundo.


N�o se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma inicia��o, ou, pelo menos, por nenhuma inicia��o que possa ser descrita em palavras. N�os se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a f�rmula dos mestres: �Quando o disc�pulo est� pronto, o Mestre est� pronto tamb�m.� E � na palavra �pronto� que est� o sentido v�rio, conforme as ordens e as regras.


Fiel � sua obedi�ncia - se assim se pode chamar onde n�o h� obedecer - � Fraternidade de quem � filha e m�e, h� nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros-chamemos-lhes sempre assim - n�o dependem de ningu�m, n�o obedecem a ningu�m, n�o precisam de ningu�m, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros s�o entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferen�a que h� em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros s�o ligados uns aos outros pelo simples la�o de serem tais, e assim s�o irm�os, n�o s�cios nem associados. S�o irm�os, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo n�o h� juramento nem obriga��o.


Ela, sendo assim t�o semelhante � Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, �o que est� em baixo � como o que est� em cima�, n�o � contudo aquela Fraternidade: � ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade n�o � uma ordem." (Fernando Pessoa)

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