Pessoa cria uma biografia de Caeiro que se encaixa com perfeição em sua poesia. Ele escreve com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Antimetafísico, pratica
o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elocubrações do Simbolismo.
Afirma que "pensar é estar doente dos olhos", e quer apenas sentir a natureza. Em perfeita consonância com sua busca de simplicidade, escreve versos livres ( sem métrica regular) e brancos (sem rimas). Agnóstico, escreve um poema ousado sobre o menino Jesus. Destituído de santidade, Cristo é representado como criança normal : espontânea, levada, brincalhona e alegre. Nisso está a religiosidade de Caeiro.
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