MENSAGEM �S NOVAS GERA��ES DE MA�ONS
Jos� Castellani
A Ma�onaria brasileira, h� escassas 3 ou 4 d�cadas, era bem diferente da de hoje, em todos os sentidos. Havia, na �poca, um desinteresse total pelas pr�ticas ma��nicas, pela Hist�ria da Ma�onaria brasileira e at� pelas atividades de assist�ncia social do Grande Oriente do Brasil. A desintelectualiza��o da Ma�onaria, iniciada nos anos do Estado Novo, ia de vento em popa, com a inicia��o de homens absolutamente despreparados para entender a ci�ncia ma��nica. A m�dia ma��nica era praticamente inexistente ; os livros contavam-se nos dedos de uma das m�os e, com raras exce��es, n�o primavam pela qualidade, principalmente no tocante � Hist�ria da Ma�onaria no Brasil.
Houve, nesse ponto, uma extraordin�ria evolu��o. Hoje h� um interesse maior pela cultura ma��nica ; a publica��o de livros cresce em progress�o geom�trica, embora haja muito entulho liter�rio, do qual se salvam algumas boas obras ; o n�mero de jornais e revistas tem aumentado, embora muitos n�o possam, tamb�m, passar por um crivo de qualidade. De qualquer maneira, por�m, j� h� uma consci�ncia ma��nica palp�vel --- semelhante ao conceito de cidadania --- acompanhada do desejo de conhecer uma institui��o que, em nosso meio, confunde-se com a Hist�ria do Brasil independente.
Essa consci�ncia, inclusive dos dirigentes, permitiu que o Grande Oriente do Brasil se agigantasse culturalmente e voltasse a ocupar o lugar de destaque de que desfrutava no s�culo passado. Permitiu que um Gr�o-Mestre solicitasse a um historiador o registro de uma Hist�ria documental do Grande Oriente do Brasil, abrindo-lhe todos os arquivos hist�ricos da Obedi�ncia. Esta obra, escrita por solicita��o do ent�o Gr�o-Mestre Geral Jair Assis Ribeiro, foi lan�ada em 1993, como Hist�ria oficial do Grande Oriente do Brasil.
Apesar disso, contudo, o entulho liter�rio de 30 anos atr�s continua a influenciar ma�ons. Apesar dessa Hist�ria oficial do GOB provar, com documentos, que o calend�rio usado pelo Grande Oriente do Brasil, em seu in�cio, era o equinocial,
iniciando o ano no dia 21 de mar�o, os pesquisadores ainda s�o obrigados a ver, com desencanto, em muitas publica��es ma��nicas, a heresia hist�rica de que o Grande Oriente "proclamou" a independ�ncia a 20 de agosto e que o pr�ncipe regente foi iniciado a 13 de julho. Pelo calend�rio da �poca, o 6o. m�s ma��nico tinha in�cio a 21 de agosto e, portanto, o seu 20o. dia era 9 de setembro ; da mesma maneira, o 5o. m�s tinha in�cio a 21 de julho e, portanto, o seu 13o. dia era 2 de agosto. E isso j� foi provado, com documentos. Mas � ainda Arcy Ten�rio de Albuquerque, escritor das d�cadas de 40 e 50, sem lastro hist�rico e sem embasamento documental, a influenciar articulistas.
A Ma�onaria de hoje, j� participa mais do cen�rio pol�tico-social da na��o, como mostram os muitos encontros e semin�rios, que estudam e debatem os temas atuais, apresentando conclus�es que o Gr�o-Mestrado Geral tem levado �s autoridades, como o pensamento do Grande Oriente do Brasil. Com isso e com o incremento cultural --- necess�rio a qualquer atividade social --- a Ma�onaria brasileira superou o conceito de anacr�nica com que era "brindada" h� uns 40 anos. Ela � cada vez mais viva e participante, cada vez mais ativa e entrosada na sociedade brasileira. Os que vivem o dia-a-dia do Executivo do Grande Oriente do Brasil, t�m podido aquilatar essa evolu��o, que j� nos d�, na Capital Federal, a condi��o de institui��o a ser ouvida em todos os momentos da vida nacional.
Uma mensagem �s novas gera��es de ma�ons teria que ser, nesta publica��o cultural, especificamente dirigida aos ma�ons do Grande Oriente do Brasil, no sentido de dar-lhes conhecimento da import�ncia da primeira Obedi�ncia ma��nica nacional na Hist�ria do Brasil independente ; de lhes mostrar que o patrim�nio f�sico, moral e intelectual que recebem � uma d�diva e um bem que deve ser preservado e aumentado ; de incutir, em suas mentes, a no��o do dever ma��nico perante a sociedade brasileira ; de gravar, em seus cora��es, que o Grande Oriente do Brasil merece todo o seu respeito e o seu incessante trabalho, em mem�ria de todos os grandes nomes da na��o que por ele j� passaram e que --- sem embargo de uns poucos que o enxovalharam --- honraram e dignificaram a institui��o.