A VERDADE SOBRE "OS PROTOCOLOS DOS S�BIOS DO SI�O"
A FALSA CONSPIRA��O DO JUDA�SMO E DA MA�ONARIA
Irm.'. Rui Jung Neto, M.'.M.'.
BEN.'. AUG.'. E RESP.'. LOJA SIMB.'. "CONCORDIA ET HUMANITAS",
N. 56 - Rito Schroder
Or.'. de Porto Alegre - GLMERGS
Em uma fraternal conversa ap�s um �gape (jantar entre Irm�os),
um Irm�o comentou sobre o Livro "Os Protocolos dos S�bios do Si�o",
perguntando se algum de n�s j� o havia lido. Ao responder, declarei que n�o e que n�o
o leria por sab�-lo uma "bobagem" sem fundamento. Sei que os queridos Irm�os
compreenderam minha observa��o de forma n�o agressiva mas, para n�o ficarem com a
impress�o de que meu coment�rio era do tipo "n�o li e n�o gostei", resolvi
escrever esta Pe�a de Arquitetura.
Ao contr�rio do que muitos Irm�os e profanos (n�o ma�ons) pensam, os Protocolos foi
originalmente publicado em 1905 por um russo chamado Sergei A. Nilus. Esta triste obra,
que n�o passava de um ap�ndice de um livro anterior do mesmo autor, seria por ele
reeditado sempre em russo entre 1911 e 1919. Em 1919, um alem�o sob o pseud�nimo
Gottfried zur Beck, patrocinado pela nobreza alem�, traduziu-o, acrescentou v�rios
coment�rios e notas e publicou somente o ap�ndice, como um alerta aos pr�ncipes
europeus contra a conspira��o Sionista que amea�ava os Tronos e as Igrejas Crist�s.
Desta vers�o em alem�o foram traduzidas outras para o Ingl�s, Espanhol, Franc�s,
Portugu�s, etc., espalhando-se pelo mundo.
Naquela �poca a Europa era palco de grande agita��o pol�tica e religiosa que levou �
Primeira Guerra Mundial, a Revolu��o Bolchevique e a deposi��o de v�rias fam�lias
nobres, principalmente na Europa Central, a mais atrasada. Os judeus eram ent�o vistos
como uma s�ria amea�a por seu poder econ�mico, cultura, id�ias que pregavam (Marx,
etc.) e pelo fato de n�o seguirem o Cristianismo. A Ma�onaria,
liberal e democr�tica, pregando a fraternidade entre os homens, assustava aos d�spotas e
fan�ticos religiosos e pol�ticos de todas as correntes. N�o poderia haver caldo de
cultura melhor para que originalmente Nilus, um agente da pol�cia secreta do Czar, e mais
tarde para todos os interessados em atacar os judeus e a Ma�onaria, divulgassem um livro
que os atacava e comprometia, assustando a popula��o e os governantes menos informados.
Infelizmente, nas d�cadas de 30 e 40, auge do nazismo e do fascismo, este livreco
voltaria a ser reeditado, sendo inclusive utilizado por Hitler na sua tristemente c�lebre
obra Minha Luta.
Estas vers�es e reedi��es realimentaram o �dio aos judeus, apresentados como
conspiradores contra a sociedade crist�, justificando todas as persegui��es e
repres�lias. A Ma�onaria tamb�m era perseguida por ser apontada como um instrumento de
infiltra��o e domina��o do juda�smo.
Curiosamente, os Protocolos originais de Sergei A. Nilus n�o mencionava a Ma�onaria mas
sim, vagamente, as Sociedades Secretas. A Ma�onaria passou a ser citada ao longo das
tradu��es, adapta��es e enxertos na simpl�ria obra do policial russo.
Mas qual a verdadeira origem dos Protocolos ?
O autor, Nilus, afirma ser uma transcri��o da reuni�o secreta realizada pelo Movimento
Sionista na Basil�ia, Su��a, em 1897. Seu prop�sito era expor aos judeus ali reunidos
um plano para conquista do mundo. Este plano vazou gra�as ao trabalho de um espi�o do
Czar da R�ssia, que com risco da pr�pria vida conseguiu apoderar-se de uma c�pia
(parece brincadeira mas � esta a est�ria contada pelo autor).
O ir�nico � que o Congresso realmente aconteceu, foi p�blico, acompanhado por
jornalistas de diversos pa�ses, reuniu 204 delegados judeus vindos do mundo inteiro,
visando organizar como movimento pol�tico o Sionismo, para "assegurar ao povo judeu
um lugar na Palestina, garantido pelo Direito P�blico". Nada tinha portanto de
secreto ou conspirat�rio, a n�o ser para quem lutava contra um Estado judeu e contra a
Liberdade.
E o mais curioso � que os Protocolos foram desmascarados pelo Times em uma reportagem
publicada nos dias 16, 17 e 18 de agosto de 1921, que relatava que seu correspondente em
Constantinopla encontrara uma caixa com livros pertencentes a um antigo oficial da
pol�cia pol�tica do Czar. Entre eles, um volume escrito em Franc�s, do qual faltavam as
primeiras p�ginas, que tinha enorme semelhan�a com os Protocolos. O livro original fora
publicado em 1864 pelo advogado parisiense Maurice Joly, intitulado Di�logo nos Infernos
entre Maquiavel e Montesquieu, ou A Pol�tica de Maquiavel no S�culo XIX. Trata-se de uma
cr�tica ao governo do Imperador Napole�o III. O russo Nilus simplesmente transformou o
di�logo fict�cio, mas calcado em ir�nica cr�tica �s pr�ticas pol�ticas do II
Imp�rio Franc�s, em um mon�logo no qual as respostas de Maquiavel (na verdade a��es
praticadas pelo imperador) passam a ser planos para conquista do mundo pelos judeus e
ma�ons. O pl�gio � t�o evidente que come�a de forma abrupta no texto da p�gina do
livro encontrado pelo Times, na qual faltavam as primeiras folhas, evid�ncia de que o
autor copiara precisamente aquele exemplar incompleto, deixando de fora as primeiras
p�ginas.
Muito mais poderia ser escrito, inclusive reproduzindo trechos dos dois livros
comparando-os e provando que os Protocolos s�o uma c�pia mal feita de uma obra escrita
para criticar as falhas de um governo autorit�rio e que foi utilizada para acirrar o
�dio contra o povo judeu e, por extens�o, contra a Ma�onaria identificada como inimiga
pelos tiranos e fan�ticos. Creio no entanto, ter atingido meu objetivo de esclarecer os
fatos e recolocar os Irm�os no caminho da Verdade. Para aqueles que quiserem buscar mais
informa��es, recomendo consultarem a bibliografia que utilizei neste texto e que
justifica minha afirma��o inicial de que os Protocolos s�o uma bobagem, por�m perigosa
pela divulga��o e repercuss�o que ainda hoje alcan�am.
Nossa Ordem j� foi acusada de ter sido criada pela Igreja Cat�lica, pelos Jesu�tas,
pelos Judeus, etc. Um dos motivos � a n�tida inspira��o no Antigo Testamento: O Templo
de Salom�o, a Lenda de Hiram, as Palavras e Sinais, etc. Todas estas passagens foram
agregadas no S�culo 18, para embelezar e dar mais simbolismo �s nossas cerim�nias e
rituais. Assim, s�o evid�ncias da influ�ncia b�blica e n�o do dom�nio judeu (ou da
Igreja) na Ma�onaria.
Vale recordar que nos S�culos 18 e 19 muitas Lojas n�o admitiam judeus por eles n�o
aceitarem a religi�o Crist�. Mas, como dizia nosso Irm�o Kipling, isto j� � outra
hist�ria...
Irm�o RUI JUNG NETO, M.'. M.'.
Integrante da Loja CONCORDIA ET HUMANITAS, N� 56 - Oriente de Porto Alegre - RS
Bibliografia :
Ma�onaria X Satanismo - p�ginas 119 a 175 - Editora Ma��nica "A TROLHA", 1�
edi��o, 1995.
Autor: Padre Jesu�ta Jos� A Ferrer Benimeli - Professor Catedr�tico de Hist�ria
Contempor�nea na Universidade de Zaragoza, Espanha.
O Pe. Benimeli, infelizmente j� falecido, foi um grande pesquisador sobre Ma�onaria. Em
Portugu�s encontramos ainda: "Ma�onaria X Satanismo II" e "Gafes &
Mancadas Ma��nicas e Antima��nicas", este em conjunto com o tamb�m Padre
Jesu�ta Val�rio Alberton, um entusiasta defensor da Ma�onaria, ambos da Editora A
Trolha.