Resolvi deixar a terra...
Era noite...
Não quis perder tempo... abri a janela e alcei vôo...
Minhas vestes tão leves, tal qual asas, batidas pela brisa, como velas enfunadas...
Voei durante algum tempo...
Fui perdendo de vista a minha casa... a cidade... o país... meu mundo...
Sob meus pés, a atmosfera macia servia-me de pouso...
O silêncio agradável, com agradáveis sons de silêncio, me envolvia...
Como também o fazia a clara escuridão...
As estrelinhas piscavam curiosas ao verem perambular pelo cosmos um "astro" tão raro... era eu...
As macias núvens, qual vastos leitos, macios, para mim se achegavam...
" Não deito, obrigada... já estive deitada na Terra e cansada me levantei..."
" A Terra? Que Terra? A Terra Encantada? Você é uma fada que veio de lá?"
" Não sou uma fada, só bruxa-coitada... não vim da Encantada, mas da Terra-Ninguém... E para lá volto agora, pois nem sempre se pode ser Fada-Encantada... quando o destino é ser Bruxa-Coitada... ser bruxa-ninguém... "

Lizandra


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