

Ele era um moço cheio de desejos.
Primeiro desejava amar. Amar,
porém não só à força de um desejo
Amar vem de um querer, firme ordenado.
Amar vem de um desejo: de um desejo
de corpo e alma e espírito ordenados
por força de vontade, uma vontade
silenciosa, forte e sem alarde
inatingível por quem for covarde
A quem deseje amar, o amar não tarde...
Ele era um moço cheio de desejos
pois desejava ver que o mundo amasse
que o mundo inteiro amasse o que não passe
um mundo de utopia que encontrasse
uma forma de amar pela vontade
pois tão somente esta de verdade
permite à gente amar, mas o desejo
é um desejo já tal qual semente
que germinando cresce e de repente
nos leva a amar de fato. É isto um fato
Ele era um moço cheio de desejos
pois desejava ter e ser amigo
de uma garota a ter sempre consigo
aonde quer que fosse e desejava
casar-se com a moça. A esta amava,
amava amor de cor de eternidade
a começar da terra e, com respeito,
amá-la, estando os dois num mesmo leito,
unidos corpos, mentes e os espíritos
gritando amor na força de um só grito
Ele era um moço cheio de desejos
Pois desejava ter um crescimento
a dois no desafio de um casamento
que o tempo não matasse ou consumisse
Ele era um moço assim. Um dia disse
após o seu enlace nupcial
à esposa, já na cama de casal,
o quanto que ela era desejada
e, ao mesmo tempo, era também amada,
Na eclosão total de seu
DESEJO:
"Desejo ao saborear-te em teu conjunto
saborear-te mais; em mil detalhes
Fica à mercê. Te engolem meus olhares
Estás gostando, amor? Só te pergunto.
Arrepiada?! Sintas! Nada fales.
Sinta-me as mãos e o corpo assim tão junto
Agora é só sentir - sem ter assunto –
as mãos em tuas montanhas e em teus vales
As mãos vão deslizando e docemente
roçando na tua pele devagar
com doce sutileza hão de parar
nalgum lugar mais táctil. De repente,
percebo, - abrindo os olhos, no que vejo -,
que sintetizas tudo o que desejo"
Diógenes Pereira de Araújo
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