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Sinais de Comunicação Você já olhou para seu cavalo? Muitas pessoas acostumadas a lidar com esses animais já olharam para eles, obviamente, mas poucas, poucas mesmo, sabem enxerga-los. É preciso "ler" o cavalo. Todo bom cavaleiro faz isso. Ler um cavalo quer dizer estar todo o tempo prestando atenção aos sinais que ele nos dá com seu corpo, com seu olhar, com seus sons, na sua respiração, nos seus movimentos, em tudo. O cavalo está a todo instante enviando sinais claros e precisos, sinais que demonstram o que passa pela sua cabeça, e os outros que estão por perto sabem, dessa forma, o que está acontecendo com ele. Como os cavalos são incapazes de compreender a linguagem oral, utilizam uma linguagem simples, direta, como uma criança que ainda não aprendeu a falar e depende de nós, chamando-nos para alimenta-la, para brincar e ama-la. Assim nossos cavalos falam esta língua, usando sons, murmúrios, e o próprio corpo para demonstrar seu estado de ânimo, medos e desejos. Já que nós humanos conseguimos trabalhar com estas duas linguagens, oral e corporal, torna-se por demais interessante nos pegarmos trocando idéias com um cavalo simplesmente olhando para ele, vendo as contrações da sua pele, observando a posição das suas orelhas, como ele mexe seu pescoço, como movimenta suas patas ... e muitas outras formas de expressão. Existe também outra linguagem que é a do próprio organismo do cavalo, que fala do desequilíbrios de suas funções, gerando o que conhecemos como doenças, e talvez essa seja uma das mais claras falas ou o melhor aviso do animal para dizer que algo não vai bem. Relacionamento social Cada cavalo tem seu papel definido dentro de um grupo onde existe um relacionamento social e uma hierarquia muito bem estabelecida. Existem os que dominam e os que são dominados e essa ordem social é vantajosa, inclusive para os cavalos que se encontram numa posição mais baixa dessa hierarquia, pois as brigas e os conflitos são evitados e eles se sentem protegidos por seus líderes contra a ameaça de predadores e intrusos. Essa hierarquia poder ser estabelecida por diversos fatores como idade, experiência, força , coragem e muitos outros. Isso nos faz chegar a conclusão de manadas não são puras aglomerações ou agrupamentos físicos de cavalos, mas uma autêntica e complexa rede de indivíduos se relacionando. A imagem mais comum de uma manada, é aquela composta por um garanhão, seu harém e sua prole. No entanto, podem ser formadas só de fêmeas ou só de machos adultos, de jovens de ambos os sexos, etc. Existem também manadas dentro de manadas, que em determinadas circunstâncias podem andar juntas, porém, conservando a sua hierarquia e individualidade. A principal função que o hábito de se reunir em manadas cumpre é a de proteção da espécie. O interessante é que mesmo depois de domesticado , o cavalo continua sentindo-se atraído pela reunião com seus semelhantes, pois o desejo de fundir-se na manada é eterno. Muito do comportamento dos animais que viviam em manadas, livres, selvagens é comumente demonstrado hoje em haras, pequenas e grandes propriedades hípicas, etc., onde seu convívio com o homem tornou-se tão intenso que se faz necessário um maior entendimento, uma interpretação mais clara dos sinais da comunicação. Brincalhões, agressivos, ansiosos, distraídos cada cavalo e cada momento é transmitido a seus semelhantes e ao homem. Até o clima de provocar diferentes reações no comportamento dos cavalos, e cabe a nós entender, captar esses sinais que eles nos passam. Antes das tormentas eles ficam inquietos, nervosos e até um pouco agressívos. Mas, os cavalos desenvolveram um comportamento de defesa diante de certos rigores de clima, e no caso de vento muito forte e contínuo, a fim de exporem a menor área possível de seus corpos, eles se colocam paralelos a esse incômodo elemento; a garupa fica voltada para o vento, enquanto as orelhas para o sentido contrário. Outro aspecto interessante desse relacionamento social é a fuga, o principal meio de defesa dos cavalos, seguido pelo coice e a mordida. Porém o coice e a mordida podem ser considerados meios de agressão. Muito se conversa em termos de hierarquia, como a posição dos animais dentro do grupo durante o deslocamento, mesmo quando toda manada está em fuga. Os sinais "O corpo fala", não é o nome de um livro válido para os humanos, que demonstram tanta coisa através de posturas corporais, é uma expressão facilmente empregada aos animais, aos cavalos, que mostram três linguagens corporais distintas: o movimento de repressão, o empurrão e a apresentação da traseira. No movimento de repreção, utilizado por animais corajosos e dominadores, o cavalo coloca o corpo na frente do outro animal, impedindo-o de avançar. O empurrão com o ombro é a forma mais violenta de dominação, do tipo "chega pra lá", e a apresentação da traseira, onde o cavalo demonstra que vai escoicear. Um corpo flexível, cheio de movimentos, que simplismente explora todas as suas possibilidades, demonstra muita alegria. Isso ocorre com os animais que vivem encocheirados e são soltos. A linguagem dos animais não é elaborada ou utilizada de forma rígida. Cada animal possui sua freqüência, seu timbre e até seu jogo de cintura.. A individualidade é marcante entre os cavalos, sem, no entanto, se poder afirmar que tenham deixado de lado as lembranças do instinto coletivo de seus antepassados, ou seja, aquilo tudo de querer se reunir em manadas, de obedecer a hierarquia e a necessidade de proteção da espécie. O cavalo se comunica utilizando oito sons principais: o mais conhecido é o RELINCHO, que é um som alto largo e agudo, usado para chamar a atenção de algo ou de alguém. De uma maneira geral há sempre uma resposta de outro animal. O RESFÔLEGO é um som que se origina através da saída brusca de ar pelas narinas, que trepidam. É uma forma de limpar as vias respiratórias, aumentando a oxigenação. É o som que traz consigo curiosidade e medo ao mesmo tempo, quando vê algo novo. Muitas vezes é usado para alertar os outros da novidade. O GUINCHO é um som emitido com a boca fechada sendo baixo e freqüente em encontros não muito românticos entre éguas e garanhões, é dado em sinal de defesa, do tipo "cai fora". Existe um som grave, curto e descontínuo, que é o RONCO, que pode ser de cumprimento, namoro ou maternal. De uma forma geral está ligado ao reconhecimento, a um sinal leve de excitação ou porque viu um cavalo amigo ou uma pessoa querida, um alimento ou o filho. O ronco de namoro é o mais excitante, pois é acompanhado do bater dos cascos e o movimento da cabeça e pescoço. Muitos cavalos, também, reagem desta forma na aproximação de seus donos. O RUGIDO é um som agudo, comum entre cavalos selvagens e ocorrem em estados emocionais intensos. Semelhante ao resfôlego, o SOPRO é um som mais suave e com uma mensagem menos tensa, significa apenas um "hum!". E ainda temos o SUSPIRO, com a saída longa de ar pelas narinas, onde o animal demonstra um certo tédio, mal estar digestivo ou até mesmo angústia. Um dos sinais de comunicação mais utilizados e fáceis de ser observado é o transmitido pelas orelhas. As orelhas mostram sempre onde está direcionada a atenção do cavalo. Conforme a posição o cavalo mostra seu ânimo e sua intenção. Por exemplo: a inclinação aguda para frente indica tensão, curiosidade ou boa intenção; caidas para o lado cansaço, aborrecimento; abaixadas e voltadas para trás indicam animosidade. A cabeça mostra, através de movimentos pendulares, que existe alguma insatisfação ou desagrado. Muitas vezes, porém, serve para aumentar o campo de visão do animal, ou chamar a atenção de alguém. As pernas não servem somente para dar movimento e estrutura, também possuem uma linguagem. Cavar o chão pode significar na maior parte das vezes pedir ou procurar por alimento. Levantar a pata dianteira demonstra agressividade e dá início ao coice frontal. O lado brincalhão pode ser observado com o movimento da boca, como se fosse morder. Isso é observado nas manadas onde o procedimento quer dizer cordialidade, simpatia e presença. A atividade sexual do garanhão é percebida quando ele levanta os lábios superiores, que é uma reação a urina da égua. O cavalo faz sua parte de maneira natural e expontânea, expressando o que sente e avisando com antecedência sua posição com relação a obediência e submição. Será que nós estamos cumprindo bem a nossa parte? Se ficou alguma coisa no ar, chame seu cavalo e tire a dúvida com ele. |