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Cuidando da Pastagem Conhe�a melhor as pastagens, aprenda tirar melhor proveito delas sem sobrecarreg�-las. T�cnicas relacionadas com a utiliza�ao de pastagens por eq�inos s�o bastante escassas. De maneira geral, a maioria das recomenda��es contidas em artigos de divulga��o destas baseiam-se em bom senso, tratando de transpor para os eq�ideos os conhecimentos obtidos com pastagem para bovinos." (Favoretto, V. 1979). Existem varias formas que podem ser adotadas como manejo de pastagens. Todas apresentam alguns pontos em comum em rela��o a considera��o que se deve ter com a forrageira que esta sendo trabalhada, isto �, com a planta que serve como alimenta��o para o animal. Isto quer dizer que teremos pastos com alta produ��o de forragem e outros, da mesma esp�cie forrageira, podendo apresentar baixa produ��o de materia seca, ou seja, a produ��o e limitada por algum fator relacionado com seu crescimento no campo. Em outras palavras, e poss�vel ter um pasto respondendo a consider�veis n�veis de aduba��o, elevando sua capacidade de suporte e ter este mesmo pasto sendo manejado quase sem aduba��o com uma taxa de lota��o (numero de animais/hectare) ajustada a seu n�vel menor de produ��o. Estrutura de planta A planta no campo quando em desenvolvimento, tem uma varia��o em sua estrutura fisiol�gica e nutricional que deve ser entendida. Uma planta nova no campo apresenta em sua composi��o partes com alta digestibilidade, pouca ou quase nenhuma. A parede celular e as partes fibrosas, cont�m compostos de baixa digestibilidade (lignina), que competem para um menor aproveitamento da planta pelo animal. Por outro lado, compostos presentes no conte�do celular s�o de alta digestibilidade, amplamente aproveitados pelos animais. Este conte�do celular (95 a 100% de digestibilidade), e aproveitado, enquanto os outros compostos tem menor aproveitamento, devido a baixa digestibilidade. Conforme a planta vai se desenvolvendo no campo, existe um aumento de produ��o de mat�ria seca, isto e, ela vai perdendo �gua e aumentando o n�mero de nutrientes, a qual deve ser aproveitada da melhor forma poss�vel. Isso estar� relacionado com seu per�odo de desenvolvimento, que e espec�fico para cada esp�cie forrageira. Um exemplo pode ser o Coast-Cross. Esta forrageira de h�bito de crescimento prostrado (rasteiro), apresenta um per�odo medio de 21 dias de descanso, que e suficiente para que ela tenha boa qualidade e bastante quantidade na hora da colheita. Mas por que qualidade? Porque esta planta dentro de 21 dias, ter� em sua constitui��o boa parte de compostos de alta digestibilidade (conte�do celular), e baixos teores de compostos indigest�veis (lignina e parede celular). Caso n�o seja co1hida dentro deste per�odo, haver� um desenvolvimento das por��es indigest�veis em rela��o aos outros compostos digest�veis, o que levar� a uma queda em sua digestibilidade e, conseq�entemente em seu aproveitamento. Portanto, dentro destes aspectos, fica f�cil iniciar o manejo de uma �rea, se a capacidade da planta passar a ser respeitada, tanto no que se refere a produ��o de forragem, como em seu aproveitamento. O manejo e essencial Vamos supor uma propriedade com baixo n�mero de animais e pasto suficiente para estes. Ser� que, mesmo assim, e preciso se preocupar com o manejo?Claro que sim. Uma situa��o destas n�o � dif�cil de ser encontrada. O que acontece � que, sem manejo, pode-se iniciar um processo de degrada��o desta pastagem, uma vez que os animais iniciam seu pastejo por toda a �rea. Supondo que a propriedade nao possua nenhum tipo de divis�o dos pastos em piquetes menores. Mas n�o se deve esquecer que a planta apresenta um processo de desenvolvimento e quando o prazo ideal de colheita desta forragem se aproximar, o pasto ainda nao ter� sido conhecido totalmente pelos animais. O que ocorre � que inicia-se novamente pastejos nas areas previamente pastejadas devido ao processo de rebrota j� iniciado. Esta situa��o se agrava porque as manchas n�o consumidas deste pasto come�am a "passar", (ficam endurecidas, com baixa digestibilidade ), e ser�o deixadas de lado pelos animais. E a� inicia-se o processo de degrada��o da pastagem. Entao quer dizer que nao e poss�vel o manejo de pastagens com baixas lota��es e com pastejo cont�nuo? Errado. E poss�vel, desde que se adote crit�rios e admita-se baixas produ��es. Pode-se manejar �reas com baixos n�veis de produ��o de forragem desde que a taxa lota��o seja baixa (1 a 1,5 Unidade Animal/hectare). Isto porque a planta vai produzir pouco e n�o poderemos exigir muito dela. Fica, desta forma, tudo nivelado por baixo, e o que antes era pasto mal manejado, passa agora a ter alguma chance de n�o desaparecer. Vale a pena lembrar que uma unidade animal, ou UA, equivale a um cavalo de 450Kg de peso vivo, caso este consuma no minimo 2% de seu peso vivo, em mat�ria seca. Mas em condi��es de aumento de produ��o e de produtividade, n�o se pode simplesmente admitir como ideal, pastos de baixa produ��o de forragem, o que acarreta baixas taxas de lota��o (n�mero de animais/Hectare). O pais t�m clima e condi��es de crescimento para as plantas (fatores quase inexistentes em outros pa�ses) que proporcionam alta produ��o de forragem no campo. No entanto, o problema e que os produtores e criadores nao aproveitam esses fatores de crescimento para obten��o de elevadas produ��es e, conseq��ntemente, de animais. Por isso, o manejo deve ser encarado de maneira mais agressiva em termos de produ��o e aproveitamento pelos animais. Faz-se necess�ria a ado��o de t�cnicas de aduba��o, para que o mesmo capim apresente maiores n�veis de produ��o e tenha maior capacidade de suporte ou simplesmente maior taxa de lota��o. Agora sim fala-se em um melhor aproveitamento da �rea produtiva, fazendo desta forma um melhor uso da terra.Esse procedimento e totalmente v�lido porque as aduba��es n�o s�o as causas de aumento nos custos. O pior � o constante uso de pastagens fracas, de pouco valor nutritivo, mesmo com baixas lota��es, que levar�o a um maior consumo de concentrados comerciais para que os animais n�o passem fome. Dessa maneira, haver� uma planta de melhor qualidade, que suporta maiores lota��es. Mas isso nao quer dizer que os pastos no inverno, ou aqueles de menor produ��o, n�o s�o de boa qualidade. O que se pode fazer, nestes casos, e ajustar a lota��o para se ter melhor aproveitamento e, neste caso, invariavelmente o trabalho ser� direcionado a lota��es baixas. Rodizio de pastagens Ent�o nestas �reas de manejo com altas produ��es forrageiras, existira a capacidade de se colocar um n�mero maior de animais na area, ou maior taxa de lota��o (4, 5 ou 6 AU/Hectare), sem que este pasto se degrade. Deve-se ent�o adotar o sistema de rod�zio de pastagens, que utiliza na mesma �rea um n�mero maior de divis�es, chamadas piquetes. O per�odo de perman�ncia em cada piquete ser� em fun��o do n�mero de animais existentes e do per�odo de descanso que a planta traba1hada deve ter. Desta forma, se o exemplo do Coast-Cross for seguido, ap�s 21 dias, o primeiro pasto tera capacidade de receber os animais novamente para novo pastejo. Para isso, deve-se sempre seguir algum crit�rio. Por exemplo: normalmente as forragens utilizadas para cria��o de cavalos tem menores valores potenciais em termos de produ��o de mat�ria seca quando comparadas com nossas gram�neas tropicais. Ficam entao algumas d�vidas: ser� que n�o seria melhor o uso destas variedades, que apresentam maior capacidade de produ��o? N�o necessariamente, pois o habito de pastejo rasteiro dos eqiiinos n�o pode ser esquecido, e isto nos leva a utiliza��o de gram�neas que apresentem crescimento estolon�fero (Coast-Cross ou Tifton, por exemplo), por adequarem-se ao h�bito de consumo des tes indiv�duos. "Por outro lado, o h�bito prostrado das gram�neas est� relacionado com sua maior recupera��o ap�s o corte, e isso �mais importante quando o pastejo e cont�nuo" (CORSI, 1979). Ent�o, o que explicaria essa vantagem das plantas de habito prostrado quando se faz o manejo rotacionado de pastagens? Esta recupera��o f�cil das gram�neas estolon�feras seria uma vantagem neste tipo de sistema rotativo, desde que as �reas de pastejo fossem pequenas e com n�mero maior de animais. Isto mostra o potencial que estas plantas apresentam, mesmo produzindo menos que as gram�neas tropicais. H� uma rela��o muito grande entre esp�cies e variedades que poderiam ser recomendadas para eq�ideos e seus respectivos comportamentos com rela��o ao corte. "As esp�cies estolon�feras s�o mais resistentes ao corte, mesmo quando este e executado drasticamente, ou seja, pr�ximo a superf�cie do solo." (Rhodes, J). "Neste caso, tais plantas se recuperam mais r�pido, uma vez que, mesmo ap�s cortes baixos, resta ainda muito material fotossintetizante no solo (folhas remanes- centes), al�m dos pontos de crescimento localizados nas extremidades dos estol�es, dificilmente alcan�ados pelo dente do animal". (Favoretto, V). Consumo ideal Segundo o NRC (National Research Council - 1989), uma boa regra �a de que o cavalo deve comer no minimo 1% de seu peso vivo em forma de mat�ria seca. Ent�o, se apresentar 450 Kg, deveria ingerir 4,5 Kg de M.S./dia. No caso de cavalos em crescimento, esta mesma fonte sugere consumos na ordem de 2 a 2,5% do peso vivo. Atrav�s destes dados e poss�vel calcular quanto de forragem � preciso para a alimentaqao dos animais. A partir dai, deve-se saber tamb�m quanto a pastagem est� produzindo, para o c�lculo da lota��o ideal em cada situa��o. Fontes: - NRC (Nacional Research Council 1989) Fifth Revised Edition - Anais do Simposio sobre Eq�inocultura - Campinas, 1979 |