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1-Origens

2-No Ocidente

3-Termografia

4-Teorias Prospectivas

5-Teoria Neuronal Tal�mica

6-Teoria morfog�nica

7-Teoria Informacional

8-Propriedades el�tricas dos Meridianos

9-Propriedades Ac�sticas dos Meridianos

10-Linhas de Pesquisa em Meridianos

11-Explora��es neurofisiol�gicas

12-Explora��es funcionais

2

13-Estudos Morfol�gicos

14-Dados microsc�picos

15-Dados macrosc�picos

16-Conclus�es atuais

17-Conclus�o

18-Cintilografia

19-Bibliografia

Introdu��o

Um dos pilares da Medicina Tradicional Chinesa, o conceito de Meridiano ainda apresenta alguns aspectos obscuros. Desde a segunda d�cada do s�culo XX, diversas linhas diferentes de pesquisa foram entabuladas com o objetivo de verificar a realidade biol�gica dos Meridianos, suas a��es fisiol�gicas e seus efeitos terap�uticos.

As tentativas de encontrar estruturas anat�micas espec�ficas nas regi�es mapeadas foram infrut�feras. Alguns pesquisadores procuraram rela��es entre os meridianos e estruturas anat�micas, que s� correspondem a uma por��o limitada do trajeto de um meridiano.

Uma evid�ncia universalmente aceita � a da ocorr�ncia de gradientes el�tricos entre determinados pontos, propriedade esta que � diferente de outras regi�es da pele. Atrav�s da cintilografia, as pesquisas t�m revelado uma distribui��o de radio-is�topos ao longo de trajetos coincidentes com os meridianos.

Est� em quase toda a literatura o conceito de Meridiano como linhas do corpo por onde flui energia. O uso deste conceito, e o de "energia" como uma subst�ncia circulante s�o obst�culos para a aceita��o universal da teoria dos Meridianos.

Entretanto, evid�ncias cl�nicas e experimentais t�m comprovado a efic�cia terap�utica dos pontos escolhidos segundo um racioc�nio baseado na teoria dos Meridianos. Novas teorias t�m sido propostas, relacionando Meridianos com as estruturas embrion�rias organizativas, e com cadeias neuronais do SNC. Outra, aqui apresentada, prop�e que os Meridianos representam um fluxograma, o desenho dos trajetos de menor imped�ncia el�trica na Rede Neural, preferenciais para o fluxo de Informa��es.

Hist�ria

Origens

Admite-se que a forma��o da Teoria dos Meridianos ocorreu entre os s�culos 8o ao 3o a.C. Entretanto, a refer�ncia escrita mais antiga aparece nos textos Zubei shiyi mai jiu jing e Yinyang shiyi mai jiu jing, descobertos em Ma Wang Dui (2). Os documentos, de cerca de 100 a.C., se referem a onze Meridianos, correspondentes aos Wu Zang Liu Fu (Cinco �rg�os e Seis V�sceras). No cl�ssico Huang Di Nei Jing So Wen, ao qual Joseph Needham (3) se refere como um monumento hist�rico (traduz como "O Manual da Medicina do Imperador Amarelo"), aparece outra descri��o dos Meridianos.

O Nei Jing, um marco na forma��o da Teoria dos Meridianos, estava pronto na Dinastia Han do Leste - 25 - 220 d.C. (4). Atribui-se ao tratado uma origem muito antiga, puramente lend�ria, j� que o Imperador Amarelo teria vivido entre 2797 e 2696 a.C. A estrutura do livro � de di�logo, entre o Imperador e os mestres Qi Po, Lei Gong, Iu Fou, Po Gao e Chao Iu. Na verdade a obra foi escrita a partir da reuni�o de manuscritos m�dicos provenientes de diversas escolas. A edi��o mais utilizada hoje � a vers�o comentada por Wang Bing em 762 e atualizada por Lin Yi quatro s�culos depois.

No Nei Jing se l� que "Jing Luo s�o linhas do corpo por onde fluem Qi e Xue". No Nei Jing os Meridianos s�o divididos morfologicamente em dois grupos - Jing e Luo, e funcionalmente a eles � atribu�da a capacidade de promover Qi e Xue (Sangue), para reagir �s doen�as e resistir aos v�rios agentes patog�nicos. O per�odo Han � considerado "a idade do ouro da Acupuntura" (5). Nos per�odos subseq�entes, Dinastias Jin, Sui e Yuan foram escritos tratados que fizeram evoluir a teoria. Na Dinastia Ming, Yang Jizhou escreveu o Zhen Jiu Da Cheng, em que exp�e a teoria dos meridianos da forma adotada hoje.

Guan Hanheng, He Zhiming, Hu Haitian, 1979 (6), escreveram: "Para posteriores investiga��es nos princ�pios b�sicos da teoria da Acupuntura a da Anestesia por Acupuntura assim como da ess�ncia dos meridianos, � de grande signific�ncia tra�ar a origem e a hist�ria da teoria dos canais e estudar sua forma��o e desenvolvimento". Dizem eles que "A descoberta dos canais se originou da pr�tica. O curso evolutivo do ponto ao canal foi o seguinte: Primeiros, cauterizar a ferida; segundo, testar o ponto com ponta de peda afiada e cauterizar; terceiro, determina��o da localiza��o do ponto e seu nome (descoberta do ponto); e quarto, dos pontos �s linhas que se combinam para formar canais que re�nem pontos de fun��es similares (forma��o dos doze meridianos)".

Para Meng Zhaowei, 1979 (7), os dois aspectos Qi e Xue, parecem representar nervos e vasos sang��neos. Segundo ele, "A opini�o tradicional � que os canais se formaram a partir da descoberta dos pontos, e que se constituem da conex�o entre os pontos. Quer dizer - pontos primeiro, canais depois. Entretanto, depois das descobertas arqueol�gicas do distrito de Ma Wang Dui (material de 2.100 anos, da �poca da Dinastia Han Ocidental e antes do per�odo do Nei Jing), este antigo ponto de vista ficou superado. Assim, os canais vieram primeiro, e depois se desenvolveram em pontos. Estavam registradas as bases cl�nicas dos canais, parecendo que se constru�ram sobre os relatos dos pacientes, que descreviam linhas de sensa��o propagada, e que a teoria dos canais � anterior � teoria das v�sceras, j� que n�o havia textos coordenando canais e v�sceras. A atual teoria dos canais foi inteiramente estabelecida no Nei Jing. Comp�em-se de dois aspectos: Qi e Xue, o que parece representar nervos e vasos sang��neos. A determina��o acurada do per�odo do Nei Jing revelaria o per�odo de estabelecimento da teoria dos canais. Tradicionalmente, h� uma concord�ncia em que o per�odo do Nei Jing � o de "Primavera e Outono" e dos "Reinos Combatentes", que correspondem a cerca de 500 a.C. Foram feitos acr�scimos nos anos e per�odos seguintes. O Nei Jing foi finalmente escrito na Dinastia Han do Leste (25-220 d.C.)".

No Ocidente

As not�cias sobre a Medicina Tradicional Chinesa v�m chegando ao Ocidente desde o s�culo XVI, nas cartas dos primeiros europeus a atingir a China por via mar�tima.

J� em 1671, em Grenoble (8), Harvieu publicou a obra Os segredos da Medicina dos chineses, consistindo no perfeito conhecimento do pulso. Specimen Medicinae Sinicae - De Acupunctura � o t�tulo do livro de Andreas Cleyer, padre da Miss�o Jesu�tica Francesa de Pequim (9), publicado em Frankfurt, em 1682. No ano seguinte, em Londres, Wilhelm Ten Rhyne publicou o Dissertatio de arthritide. Mantissa schematica. De Acupuntura. Clavis Medica ad Chinarum doctrinam de pulsibus, de R. P. Michaele Boymo saiu em N�remberg, em 1686.

Em Montpellier, 1787, Josephus Diede defendeu a primeira tese sobre Acupuntu-ra na Eu-ropa - Dissertatio Medico-chi-rurgica de cu-curbitulis, moxa e Acupuntura. A pri-meira apresentada na Faculdade de Medicina de Paris � de 1813, por F- A. Lepage, intitu-lada Recherches Histo-riques sur la M�decine des Chinoises.

Em 1810, James Morss Churchill divulgou resultados da aplica��o local da Acupuntura para a dor. Em 1816, o doutor Berlioz publicou o trabalho Mem�rias sobre as doen�as cr�nicas, as evacua��es sang��neas e a Acupuntura. Foi ele o introdutor do uso de est�mulos el�tricos aplicados �s agulhas de Acupuntura, al�m de ter criado o m�todo el�trico de reanima��o card�aca.

A d�cada de 20 do s�culo XX presenciou a divulga��o de textos da medicina chinesa, pela primeira vez traduzidos para l�ngua europ�ia, pelo c�nsul da Fran�a em Shanghai, George Souli� de Morant. Tendo presenciado os bons resultados da Acupuntura numa epidemia de c�lera, em compara��o com os medicamentos, Morant dedicou-se ao estudo da medicina chinesa, com entusiasmo que logo se difundiu na Fran�a.

O ano de 1939 � marcado pela publica��o do livro de Souli� de Morant L'Acuponcture Chinoise, uma cole��o de tradu��es de textos chineses antigos. A partir da� foi se tornando corrente a pr�tica da Acupuntura no Ocidente.

A respeito do conceito de Qi, insepar�vel do de Meridiano, Souli� de Morant escreveu: "Os Antigos, tendo constatado a exist�ncia de ‘alguma coisa’ que passa num meridiano quando um ponto � excitado, deram a este fluido, a este influxo, o nome de Qi, que n�s traduzimos, na falta de melhor, pela palavra energia". "O ideograma que os Antigos inventaram � composto de elementos que representam ‘a for�a do vapor elevando a tampa de uma panela onde cozinha o arroz’. ".

A ado��o da express�o "energia" para traduzir o conceito de Qi conduziu a lament�veis equ�vocos, que ainda est�o por ser sanados (ver discuss�o adiante).

Conceitualizar � maneira ocidental � estranho ao pensamento chin�s tradicional. Nem os textos cl�ssicos nem os modernos especulam sobre a natureza do Qi, nem tentam Conceitualiz�-lo (10): Qi � percebido funcionalmente - pelo que faz. No livro "Acupuncture - A Comprehensive Text", editado em Shanghai na d�cada de 1980, l�-se: "Qi significa uma tend�ncia, um movimento, algo na ordem de energia. � tido como mat�ria sem forma".

O ideograma Qi � composto de elementos que representam o vapor se elevando a partir de um feixe de arroz. O ideograma Jing, Meridiano o mesmo usado para um "Tratado", � composto de "fio de seda", "correnteza", e "esquadro".

 

Estudos Morfol�gicos

Um dos tipos de estudos em que se apresentaram evid�ncias significativas da exist�ncia dos Meridianos s�o os que revelam aspectos histol�gicos a eles relacionados.

Plummer (21) mostrou que sob o ponto de Acupuntura se encontra geralmente um orif�cio de passagem para um vaso e um nervo.

Para Bossy (22), os vasos e os nervos representam estruturas anat�micas importantes para a maioria dos pontos de Acupuntura.

Zhu-Z e Xu-R (23), em 1990, numa observa��o do n�mero, distribui��o e caracter�sticas dos mast�citos sob as linhas de menor imped�ncia (Meridianos) de 19 membros amputados de pacientes portadores de osteoblastoma, demonstraram que o n�mero de mast�citos sob os Meridianos era significativamente maior do que nas regi�es controle.

Explora��es funcionais

Atrav�s de explora��es fisiol�gicas, muitas evid�ncias foram levantadas, que comprovam os efeitos da a��o terap�utica sobre os Meridianos, como os trabalhos de Cheng-L; Wu-K; Qie-Z (24), com o papel do Qi ao atingir as �reas afetadas, promovendo a circula��o do sangue e removendo estases sang��neas; ou de Tao-Z; Jin-Z; Ren-W (25), "distribui��o segmentar de neur�nios sensoriais dos pontos "ganshu", "pishu", "liangmen", "qimen" e a Ves�cula Biliar"; ou You-Z; Hu-X; Wu-B; Zhang-W; Liang-D (26), com Observa��es experimentais das rela��es entre o Meridianos do Peric�rdio e a fun��o card�aca.

Explora��es neurofisiol�gicas

� Sensa��o Propagada ao longo dos Meridianos (PSM)

Bastante valorizados na China recentemente, a pesquisa sobre as rela��es entre a percep��o da sensa��o propagada ao longo dos Meridianos e os efeitos da Acupuntura rendeu resultados positivos:

Hu-X; Wu-B; Huang-X; Xu-J; Yang-B; Gong-S; Li-B (27), propuseram em 1987 a hip�tese de que a "integra��o da periferia com o SNC" se faria por meio de um processo substancial ao longo dos Meridianos. Mecanismos perif�ricos e centrais funcionaria como um todo. Sustentam que o processo substancial perif�rico � o fator determinante na forma��o da PSM.

Wu-B; Xu-J; Hu-X; Yang-B; Li-B (28), relacionaram a PSM com caracter�sticas funcionais do c�rtex cerebral, atrav�s de registros de PESM; You-Z; Hu-X; Wu-B; Zhang-W; Liang-D (29), relataram diferen�as entre o tempos de aparecimento dos efeitos da Acupuntura em sujeitos com e sem PSM no ponto neiguan, mostrando que os efeitos da Acupuntura s�o mais acentuados naqueles que apresentam maior PSM.

� Neurofisiologia sensorial

Aspectos neurofisiol�gicos, como a obstru��o dos efeitos da Acupuntura pela press�o exercida sobre o Meridianos foram descritos (30, 31, 32).

Quanto � analgesia por Acupuntura, muitos trabalhos foram publicados, relacionando os Meridianos com o SNC para a obten��o desses efeitos (33, 34).

Conclus�es atuais

1. Nenhuma estrutura perif�rica pode servir de suporte estrutural para o trajeto completo de um meridiano;

2. Tudo leva a pensar que uma seq��ncia espacial dos centros prim�rios c�rebro-espinhais (rede de interneur�nios da subst�ncia gelatinosa) � a primeira estrutura indispens�vel;

3. A PSM s� encontra suporte no n�vel da �rea somest�sica por meio de centros que apresentam organiza��o topol�gica;

J. Bossy (35) sugere que devemos nos limitar a considerar atualmente os canais "como uma realidade subjetiva operacional cujo suporte perif�rico pode por em jogo vasos e nervos, assim como outras estruturas como as do tecido conjunti-vo, sempre considerando que a inerva��o destas estruturas � indispen-s�-vel � a��o da Acupuntura."

Segundo Meng Zhaowei (36), "baseado em investiga��es extensivas atuais, os meridianos parecem ser um sistema semi-ner-voso. Possuem atividade mais baixa do que os nervos auton�micos. A velocidade da Sensa-��o Pro-pagada no Meridianos (PSM) � de 1/10 da velocidade de propaga��o de impulsos nos ner-vos auton�micos. A fun��o dos meridianos � de reajustamento das fun��es viscerais atrav�s da superf�cie do corpo. Se n�s dizemos que os nervos som�ticos s�o respons�veis pelo equil�brio r�pido, como primeiro equil�brio, os nervos auton�micos sendo respons�veis por um equil�brio compara-tivamente lento como o segundo equil�brio, ent�o os meridianos seriam respons�veis por um equil�brio ainda mais lento entre as v�sceras e a superf�cie do corpo, sendo o terceiro equil�brio. Os tr�s tipos de equil�brio s�o respons�veis pelo equil�brio geral do corpo como um todo. S�o partes integrantes do sistema de equil�brio na fun��o reguladora de todo o corpo.

Teorias Prospectivas

Hip�tese do substrato neuraxial da organiza��o da rede dos Meridianos

Proposta por Jean Bossy (37), sup�e que al�m da organiza��o metam�rica transversal, h� uma organiza��o funcional longitudinal no SNC. "Com efeito, os diferentes centros prim�rios dos cornos dorsais s�o interconectados por uma rede longitudinal de interneur�nios. H� portanto uma correspond�ncia precisa ponto por ponto entre a pele e a medula espinhal." Concebe ent�o que uma s�rie de pontos cut�neos est�o em rela��o estreita com uma seq��ncia de territ�rios neuraxiais. O fato de que a PSM (sensa��o propagada ao longo dos Meridianos) persiste nos membros amputados, e desaparece com a sec��o da medula, revela que o substrato da organiza��o do Meridianos � neuraxial.

Al�m disso, os estudos de Werner e Whitsel (38), pelo m�todo dos campos receptivos cut�neos, estabeleceu a exist�ncia de uma organiza��o cortical linear superpon�vel aos Meridianos (39): um microeletrodo progredindo longitudinalmente no c�rtex de macaco, revelou esta organiza��o linear.

Teoria Neuronal Tal�mica

Lee-TN (40), em 1994 apresentou a Teoria Neuronal Tal�mica, "uma base te�rica para o papel do SNC na causa e cura de todas as doen�as. Afirma, o que � contest�vel, que no t�lamo se apresenta uma estrutura topol�gica em forma de "hom�nculo" (o t�lamo apresenta estrutura laminar e em n�cleos). Interessante notar em seu trabalho � a id�ia de que "o SNC est� envolvido em todos os processos patol�gicos", e que "o c�rebro aprende a ficar doente, o que leva aos estados de doen�a cr�nica". Prop�e que blocos de neur�nios ao longo de uma cadeia neuronal no t�lamo representam pontos de Acupuntura na periferia. Que a cadeia neuronal em si representa um Meridiano, e que Qi nada mais � que o fen�meno da neurotransmiss�o.

Teoria morfog�nica

Um modelo foi proposto, de que os pontos de Acupuntura s�o centros organizadores na morfog�nese (41). "No n�vel macrosc�pico, s�o pontos singulares (como sinks, sources) no gradiente morfog�nico, no gradiente de fase e no campo eletromagn�tico. Meridianos s�o separatrizes. O padr�o do campo magn�tico no couro cabeludo humano mapeado por SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) (42) mostrou que o Du Mai (Vaso Governador) � uma via importante de fluxo magn�tico no couro cabeludo, e tamb�m uma separatriz que divide o couro cabeludo em dois dom�nios de diferentes dire��es de fluxo. Morfologicamente, o Du Mai tamb�m divide a superf�cie do corpo em duas partes. O ponto DM20 � um ponto singular - um sink principal no campo magn�tico de superf�cie. Este padr�o � consistente com o padr�o dos Meridianos, mas � diferente da distribui��o de qualquer nervos, vaso, linf�tico no couro cabeludo. Campos el�tricos e correntes intr�nsecas s�o fatores importantes no controle do crescimento, na migra��o de c�lulas e na morfog�nese".

O modelo que relaciona centros organizadores da morfog�nese e controle do crescimento com pontos de Acupuntura, pode explicar qualitativamente a maioria dos fatos sobre o sistema de Meridianos e pontos de Acupuntura, como sua distribui��o, alta condut�ncia el�trica, resposta a est�mulos n�o-espec�ficos, e polaridade da estimula��o el�trica. Como uma rede de singularidades em transdu��o de sinais, os sistema de Meridianos desempenha importante papel na regula��o fisiol�gica e do crescimento. A altera��o da atividade el�trica faz parte da transdu��o do sinal, e pode preceder mudan�as anat�micas durante a morfog�nese, assim como na patog�nese. Pequenas perturba��es em torno dos pontos singulares pode ter efeitos decisivos no sistema. Assim, a manipula��o dos pontos de Acupuntura - os pontos singulares no sistema de transdu��o de sinais, pode ser um meio eficiente de diagn�stico e terap�utica. O modelo tem sido sustentado pelas pesquisas em biologia do desenvolvimento e pode ser testado por t�cnicas dispon�veis.

Uma id�ia semelhante foi apresentada por Carneiro no artigo "Sobre os Meridianos" (43) - "A fisiologia do desenvolvimento apresenta regi�es embrion�rias antes de a� se encontrarem c�lulas, o que fez com que se desenvolvesse na biologia uma no��o semelhante ao conceito f�sico de campo" (44).

Teoria Informacional

Genes, e o Gen�tipo eram entidades abstratas, antes da d�cada de 1950, mas mesmo assim a Gen�tica evoluia. A descoberta dos �cidos nucl�icos em 1953, por Watson e Crick, criou uma nova perspectiva, a de um substrato f�sico-qu�mico para a informa��o armazenada e expressa pelo genoma.

A fun��o neuronal de integra��o da informa��o, desconhecida at� recentemente, levava a supor a exist�ncia de um sistema extra-f�sico, ou sobrenatural para a explica��o dos fen�menos da Acupuntura. Mas a Medicina Tradicional Chinesa n�o prop�e explica��es sobrenaturais, oferecendo explica��es fisiopatol�gicas que trabalham com fatos naturais.

O paradigma informacional abre novas janelas para a compreens�o dos processos de regula��o e controle das fun��es org�nicas. A no��o de fluxo de informa��es ao longo da rede neural, e seu processamento pelos centros do sistema nervoso fornece uma outra forma de entendimento das fun��es de recep��o de varia��es de par�metros externos, e das capacidades adaptativas e de aprendizado do Sistema Nervoso Central.

O organismo est� em comunica��o cont�nua com o ambiente, cujas varia��es regulam a fun��o neural. A superf�cie corporal oferece uma grande interface, dotada de dispositivos de entrada constitu�dos por c�lulas e mol�culas, que fazem recep��o, transdu��o, armazenamento e transmiss�o de informa��o. Os neurotransmissores s�o os principais agentes da comunica��o, mas tamb�m interv�m os receptores, os canais i�nicos, e os pr�prios o padr�es de impulsos.

O processamento da informa��o � efetuado por 100 bilh�es de neur�nios e cerca de 1015 conex�es. Estas conex�es se fazem por meio de combina��es de diferentes neurotrans-missores em diferentes concentra��es, e dos outros elementos envolvidos, permitindo incalcul�veis possibilidades combinat�rias.

Informa��o � regida por leis pr�prias, coerentes com a natureza organizacional do sistema vivo. Organiza��o sup�e neguentropia, que implica em informa��o. � uma das categorias fenomenol�gicas. Informa��o � o componente do sistema que lhe d� caracter�sticas organizativas - � o que representa a conex�o, o relaciona-mento entre os componentes.

Informa��o est� para Organiza��o assim como Mat�ria e Energia, est�o para In�rcia e Atividade. Meridianos s�o um fluxograma, o desenho dos trajetos de menor imped�ncia el�tri-ca na Rede Neural - canais preferenciais para o fluxo de Informa��es.

O que os Meridianos representam n�o � fluxo de energia, e sim de infoma��o. O que mostram � a distribui��o dos canais informacionais - os trajetos de maior declive, de maior probabilidade para o tr�nsito de mensagens atrav�s da Rede Neural.

O sistema dos meridianos ou canais existe num espa�o fisiol�gico distinto, ainda n�o explorado, que � o do componente da regula��o e do controle do organismo, o espa�o da informa��o biol�gica. Os tra�ados dos meridianos estabelecidos na China antiga s�o gr�ficos, obtidos a partir de pressupostos da l�gica bin�ria.

Sendo o organismo como sistema aberto, efetua trocas de mat�ria-energia e informa��o com o ambiente, e como sistema auto-regulante, disp�e de entradas (input), sa�das (output) e fluxo interno (throughput) de mat�ria-energia e de informa��o.

Assim, a Acupuntura n�o � atual s� no uso de tecnologia, mas tamb�m no m�todo, podendo ser dita minimalista, porque com m�nimos est�mulos, com a aplica-��o de pequenos inputs, de baixa energia, mas de grande significado informa-cional, pela especificidade, alcan�a grandes resultados, no sentido da normali-za��o funcional, do incremento das capacidades imunit�rias, auto-regenerativas e restauradoras do organismo, bem como no tratamento da dor.

O que prop�e a Medicina Chinesa � ao mesmo tempo uma teoria e um programa de a��o, o que permite uma compreens�o ampla e profunda dos processos biol�gicos e uma operacionalidade, um meio de agir sobre as fun��es no sentido de sua normaliza��o, sendo entretanto um vasto campo aberto � pesquisa, uma ci�ncia em progresso, isto �, de car�ter evolutivo.

"Uma vez Yang, uma vez Yin, eis o Tao." Esta frase se encontra no Hi Tseu, que se esti-ma ser o mais antigo fragmento filos�fico a mencionar o Yin-Yang. A frase n�o deve ser entendida como se referindo ao tempo exclusivamente, podendo ser lida "Um lado Yin, um lado Yang, eis o Tao". Est� no Hi Tseu a representa��o gr�fica do Yang por uma linha cont�nua, e do Yin por uma linha interrompida, que vieram a fornecer ao matem�tico alem�o do s�culo XVI, Leibniz, inspira��o para a cria��o da linguagem bin�ria na Matem�tica, o que possibilitou o desenvolvimento da Inform�tica.

 

 

Diagrama em que se representam as oito formas resultantes
da combina��o dos dois princ�pios (Yang e Yin), arranjados tr�s a tr�s

O sistema informacional descrito pelo fluxograma dos Meridianos (fluxo de informa��o ao longo da rede neural) segue o padr�o "do bit ao byte", i. �, do 0, 1, ou Yin, Yang, at� o 000, 001, 010, 011, 100, 101, 110, 111, que definem os oito Meridianos, dois centrais Du mai e Ren mai, e seis duplos: Tai Yang, Shao Yang, Yang Ming, Tai Yin, Shao Yin, Jue Yin.

 

Do bit ao byte

Informa��o, para se deslocar, necessita suportes feitos, como tudo, de mat�ria-energia. Por isso, tamb�m exige um gradiente para sua transmiss�o. Este gradiente envolve estruturas an�tomo-funcionais - todas as que est�o descritas como constituindo o ponto de Acupuntura, acopladas � rede neural.

A rede neural apresenta como propriedade a exis-t�ncia de trajetos de me-nor resist�ncia e pontos de maior condutividade el�-trica, que n�o poderiam ser supostos pelos anatomistas do s�culo XIX. Sendo uma rede, permite cone-x�es n�o-lineares. Conex�es que se fazem nas linhas de declive, nas "curvas de n�vel" informacional.

O conjunto de pontos estimulado no ato terap�utico, deve ser ent�o entendido como um algoritmo, indutor de mudan�as fisiol�gicas adaptativas, que compreendem a regula��o dos ritmos org�nicos, promovendo Endo-resson�ncia e Exo-resson�ncia, a normaliza��o dos processos biol�gicos, e o incremento da capacidade de responder positivamente ao stress.

Conclus�o

A pr�tica cl�nica con-firma a exatid�o das observa��es antigas, seja pelo relato dos pacientes das impress�es percebidas, ou pela efic�-cia terap�u-tica dos pontos escolhidos segundo um racioc�nio baseado na teoria dos canais.

As ferramentas conceituais fornecidas pela ci�ncia contempor�nea, como as provenientes das teorias dos sistemas, da organiza��o e da informa��o biol�gicas, bem como os conhecimentos adquiridos com o avan�o da Neuroci�ncia, aliados ao desenvolvimento de novos m�todos de investiga��o, permitem compreender os princ�pios b�sicos da Medicina Tradicional Chinesa, sem que se necessite recorrer a conceitos obscuros, oriundos de um pensamento pr�-cient�fico.

Sabe-se que o Hoje se compreende a sa�de como manuten��o da homeostase. Hoje j� se pode conceber a doen�a como desordem, ou aumento da entropia.

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Linhas de Pesquisa em Meridianos

"The nature of meridians is under scientific scrutiny"

Hwang-YC(11)

Para Antoine Claris (12), "� preciso proceder a uma an�lise detalhada dos fundamentos da pr�tica e das t�cnicas [da Acupuntura] para nos assegurarmos: 1. Da realidade da especificidade dos pontos e dos meridianos projetados na pele; 2. Da natureza dos fen�menos que interv�m quando se efetua uma pun��o; 3. Da natureza dos mecanismos de a��o poss�vel nessas interven��es; 4. Das hip�teses epistemol�gicas que permitem pensar a Acupuntura como Ci�ncia. Que � esta "energia" que circularia eletivamente ao longo de "meridianos"? Que faz a agulha? Todas as respostas ser�o boas, exceto aquela "� verdade porque funciona". Segundo ele, a exist�ncia de propriedades singulares de um ponto n�o prova que este ponto esteja ligado a outros de maneira l�gica.

Tentativas de estabelecer correla��o entre os Meridianos e estruturas anat�micas

Pesquisadores contempor�neos tentaram encontrar uma comprova��o morfol�gica da teoria chinesa dos Meridianos. H�botter "Die chinesische Medizin", Leipzig, 1929, procurou estabelecer uma rela��o entre art�rias e Meridianos. Kim Bo Han, m�dico norte-coreano, afirmou que existiria uma rede canalicular - que coincidiria com os meridianos - por onde circularia um l�quido com elevado teor de �cido desoxirribonucl�ico. Esta afirma��o foi refutada por Kellner, histologista da Universidade de Viena que, em numerosos cortes histol�gicos nos lugares correspondentes aos canais e pontos chineses, n�o p�de demonstrar nenhum sistema canalicular especial, exceto os j� conhecidos, os vasos sang��neos e os linf�ticos. A divulga��o da suposta descoberta de Kim Bo Han fez com que uma comiss�o da Academia de Ci�ncias da China visitasse seu laborat�rio em 1964, revelando o engano.

Uma rela��o entre vasos linf�ticos e Meridianos foi proposta no National Symposium of Acupuncture, Moxibustion and Acupuncture Anaesthesia, Beijing, June, 1979.

O Professor Jean Bossy, da Universidade de N�mes-Montpellier, prop�s um Suporte nervoso perif�rico, publicado em "The channel network", 1984.

Sabe-se que a sec��o dos nervos elimina os efeitos da Acupuntura, o que sustenta a id�ia de que h� uma rela��o estreita entre os pontos de Acupuntura e o sistema nervoso. Levy e Matsumoto (1975) demonstraram que para a atua��o da Acupuntura sobre a dor � necess�ria a integridade do sistema nervoso perif�rico, que recolhe os est�mulos introduzidos pelas agulhas, afirma��o que coincide com a de Chang e col. (1975) e Mc Leod (1974), segundo os quais a anestesia da �rea onde se aplicam as agulhas impede o efeito analg�sico da Acupuntura.

Os pontos de Acupuntura podem ser considerados como localiza��es anat�micas privilegiadas no sentido de permitir comunica��es e trocas entre o meio interno e o meio externo.

No Oriente o sistema de canais chamados meridianos foi comparado a um rede de irriga��o transportando a �gua, os l�quidos, fonte da vida, e os pontos seus po�os (Xue), que permitem encontrar os fluidos para lhes modificar o curso ou a circula��o.

Os pontos de Acupuntura n�o s�o motivo de tantas diverg�ncias quanto os Meridianos no Ocidente, porque s�o localiz�veis, e apresentam equival�ncia em todos os sistemas m�dicos. Todos os pontos motores da eletrologia m�dica s�o pontos de Acupuntura. Da mesma forma s�o os pontos m�ximos de Head, os pontos de Weihe da Homeopatia, ou a maioria dos pontos dolorosos da semiologia moderna: pontos de Hackett, pontos viscerais, dermalgias reflexas, etc.

O di�metro do ponto de Acupuntura varia de 1 a 5 mm, na sua "abertura" superficial. � palp�vel por se apresentar como concavidade.

Dados microsc�picos

Uma s� estrutura tissular (pele, nervo, vaso, m�sculo, etc.) n�o caracteriza o ponto. Por isso muitas pesquisas deram resultados contradit�rios. Trabalhos recentes mostraram a presen�a de um complexo neuro-vascular n�o espec�fico, e de uma transforma��o muito caracter�stica do tecido conjunti-vo com aumen-to de c�lulas e diminui��o dos constituintes fibrosos, com aumento da trama de reticulina.

Dados macrosc�picos

As rela��es dos pontos com estruturas macrosc�picas t�m sido estudadas desde a d�cada de 1920. J� se buscaram rela��es dos meridianos com os vasos (H�botter, 1929), com os m�sculos e os vales intermusculares (Ribet e Nessler), e com os vasos linf�ticos. O que est� claro � que o ponto de Acupuntura se apre-senta como um foramem, segundo proposta de Porkert (13), que qualifica os "pontos sensiti-vos" como foramen inductorius.

Demonstra��o dos Trajetos dos Meridianos

Cintilografia

Diversos autores publicaram trabalhos, em que se utilizou cintilografia para determinar os trajetos dos Meridianos foram publicados, e destaco alguns: Tiberiu, Ghoerghe, Popescu, 1981, Do meridians of Acupuncture exist? a radiactive tracer study of the bladder meridian; Lazorthes-Y; Esquerre-JP; Simon-J; Guiraud-G; Guiraud-R, 1990, Acupuncture meridians and radiotracers; Wu-CC; Jong-SB, 1990, Radionuclide study of acupuncture points; Kovacs-FM; Gotzens-V; Garcia-A; Garcia-F; Mufraggi-N; Prandi-D; Setoain-J; San-Roman-F, 1992, Experimental study on radioactive pathways of hypodermically injected technetium-99m.

Os resultados s�o parciais, pois n�o se obtiveram tra�ados do trajeto completo dos Meridianos.

Termografia

A termografia para revelar o trajeto dos Meridianos tem sido tamb�m empregada, com resultados interessantes, publicados por Borsarello, 1970, La cartographie isotherme est-elle un moyen de mettre en �vidence les m�ridiens de l’Acupuncture Chinoise?; Lee, M. H., 1976, Liquid crystal thermography in Acupuncture therapy; Darras, Huber, 1977, Thermographie et Acupuncture; Paule, Y., 1979, Travail pr�liminaire sur l’objectivation d’une action vasomotrice p�riph�rique de l’Acupuncture; Sauval P., Thierre R-A., Darras J-C., 1984, Thermographie et Acupuncture; Zhang-D; Gao-H; Wen-B; Wei-Z, 1990, Research on the acupuncture principles and meridian phenomena by means of infrared thermography; Zhang-D, 1992, Application of infrared thermography for study of acupuncture and meridians.

Propriedades Ac�sticas dos Meridianos

Uma abordagem relativamente nova para verifica��o dos trajetos dos Meridianos tem sido proposta, atrav�s do estudo da transmiss�o do som trav�s destes. S�o apresentados como exemplos: Yu-C; Zhang-K; Lu-G; Xu-J; Xie-H; Lui-Z; Wang-Y; Zhu-J, 1994, Characteristics of acupuncture meridians and acupoints in animals; Hou-TZ; Luan-JY; Wang-JY; Li-MD, 1994, Experimental evidence of a plant meridian system: III. The sound characteristics of phylodendron (Alocasia) and effects of acupuncture on those properties.

Propriedades el�tricas dos Meridianos

J� em 1955, Niboyet (14), afirmava que "H� sobre a pele trajetos de menor resist�ncia el�trica, cujo tra�ado corresponde aos dos Meridianos". Em 1963: em sua Tese de doutorado, demonstrou que "Entre dois pontos de um mesmo Meridiano h� um caminho de menor resist�ncia � eletricidade".

Y. Grall (15), Argel, em 1962, estabeleceu uma correla��o entre redu��o da resist�ncia el�trica de pontos da pele e estados patol�gicos. Em 1971, prop�s uma cartografia dos pontos de Acupuntura, (de baixa resist�ncia el�trica), numa tese de doutorado.

Comunetti A, Laage S, Schiessl N, Kistler A.(16) levaram adiante estes estudos, publicados em Characterisation of human skin conductance at acupuncture points. Experientia 1995;51:328-31

O alcance e a confiabilidade dos estudos das propriedades el�tricas dos pontos e Meridianos de Acupuntura t�m sido discutidos, como por Hu-X; Wu-B; Xu-J; Hao-J (17), ou Zukauskas-G; Dapsys-K (18).

O Dr. Ioan Dumitrescu (19, 20), tem apresentado uma importante contribui��o para o estudo das propriedades el�tricas dos Meridianos, e suas pesquisas como certeza conduzir�o a um avan�o no estudo da Acupuntura, al�m de oferecerem aplica��es pr�ticas que propiciam a obten��o de resultados cl�nicos significativos. Especialmente nos estudos eletronogr�ficos, em que as imagens obtidas s�o impressionantes.

 

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