RESUMO: Foi realizado biensaio visando estabelecer a efici�ncia e residual de tr�s produtos domissanit�rios no controle de Tityus serrulatus. O ensaio foi desenvolvido em condi��es controladas. Foram utlizados 240 animais em tr�s tratamentos distintos com intervalos de 15 dias entre as exposi��es
INTRODU��O
O escorpionismo no Brasil ainda representa grande problema de sa�de coletiva, os acidentes com estes aracn�deos tendem a aumentar nas grandes cidades principalmente naquelas onde a oferta de servi�os b�sicos de saneamento, esgoto e coleta de lixo s�o prec�rios.
A dispers�o de esp�cies sinantr�picas vem sendo facilitada pelo aumento da malha vi�ria do pa�s e pela predomin�ncia do transporte de cargas das mais variadas feitas por esta via, al�m do forte fluxo migrat�rio humano de �reas escorpion�feras para outras livres destes animais, esta popula��o por muitas vezes traz em sua bagagem e objetos de mudan�as al�m de esperan�a, escorpi�es ex�ticos as cidades de destino.
At� o presente momento n�o foi definido de forma convincente a participa��o dos produtos qu�micos no controle escorpi�nico principalmente por desconhecimento da biologia, da din�mica populacional e do comportamento destes arcn�deos por parte das ind�strias produtoras, b�sicamente por falta de pesquisas e ensaios bem conduzidos.
Na maioria das vezes o lan�amento de novas mol�culas no mercado, assim como a propalada efic�cia destas objetivando elimina��o de escorpi�es n�o vem respaldada por experimentos realizados com animais tropicais ou s�o lan�ados com base no controle de outras esp�cies na maioria insetos ou mais raramente aranhas. Ilustrando o exposto podemos citar a aus�ncia quase que absoluta, de registros de r�tulo dos produtos no mercado nacional e internacional para tal finalidade .
As Prefeituras brasilieiras, em particular os �rg�os de sa�de atrav�s de seus Departamentos ou Centros de Controle de Zoonoses, enfrentam graves problemas em oferecer respostas adequadas � popula��o quanto a infesta��es escorpi�nicas, uma vez que uma minoria daquelas possui quadros de servidores suficientes para desenvolver a��es no controle e manejo destes animais.
O presente bioensaio n�o visa em hip�tese alguma eliminar os princ�pios b�sicos que regem o controle de animais pe�onhentos, ou seja mudan�as ambientais, educa��o em sa�de, incremento de saneamento b�sico, captura ativa de animais e medidas anti-escorpi�nicas mec�nicas, mas sim determinar se os produtos qu�micos que integram este experimento podem ou n�o se tornarem mais um instrumento no controle de escorpi�es, notadamente de Tityus serrulatus .
OBJETIVO GERAL
Determinar a viabilidade dos produtos qu�micos que comp�em este bioensaio no controle de popula��es escorpi�nicas.
OBJETIVO ESPEC�FICO
Avaliar de maneira precisa em condi��es de laborat�rio, a efic�cia de tr�s produtos qu�micos no controle de popula��es escorpi�nicas.
Os animais envolvidos neste Bioensaio eram procedentes do per�metro urbano de Uberl�ndia,Minas Gerais, Brasil, localizada de acordo com o Projeto Radam - Brasil - 1983,a 18�17�23� latitude sul, e 48�17�19� longitude W.GR a exten��o do munic�pio � de 4.040 km2, 4,67% desta �rea (189 Km2) correspondem ao per�metro urbano. A precipita��o pluviom�trica v�ria de 60 a 1600 mm e as temperaturas m�dias variando de 20,9�C a 29�C. Com popula��o estimada em 437.000 habitantes.
Uberl�ndia possui 99% de edifica��es servidas com �gua tratada e sistema de esgoto e coleta de lixo em 100% dos bairros quando s�o coletadas em m�dia 240 toneladas de lixo domiciliar/dia. (Banco de Dados Integrados de Uberl�ndia - Secretaria Municipal de Planejamento).
Os escorpi�es foram mantidos em criadouro do Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Uberl�ndia, realizou-se quarentena dos animais em terr�reos coletivos (m�ximo de 60 animais por terr�reo) por per�odos nunca inferiores a seis meses, com alimenta��o padronizada (larvas e pulpas de Ten�brios molito) provinda de criadouro tamb�m do Centro de Controle de Zoonoses de Uberl�ndia, e observados diariamente. Aqueles que durante o per�odo de quarentena apresentavam ectoparasitoses ou sintoma de alguma patologia eram isolados e tratados, n�o retornando mais ao terr�reo de origem.
Os animais utilizados no presente bioensaio foram escolhidos aleatoriamente nos terr�reos coletivos e submetidos a pesagem em balan�a anal�tica Marte Al-500.
METODOLOGIA
O delineamento estat�stico foi Inteiramente ao acaso. Sendo que o ensaio constou de tr�s tratamentos, quatro repeti��es e uma testemunha absoluta . Cada tratamento utilizou 20 animais.
A aplica��o foi realizada no per�odo da manh� e os substratos secos � sombra no local da aplica��o antes de serem transferidos para condi��es laboratoriais. Foi utilizado pulverizador Guarany (Pioneiro), press�o constante 40 lbs/pol2 usando-se uma vaz�o de 10l/200 m2 de superf�cie com bico 8002. Os substratos utilizados, azulejos tratados na face lisa foram dispostos de forma a cobrir �rea de 1m2, gastando-se um volume de calda de 50ml/grupo.
Os azulejos correspondentes ao 15� e 30� DAT (Dias Ap�s Tratamento) foram conservados em ambiente laboratorial e isolados de outros produtos qu�micos,empilhados face a face entre anteparos de forma que entre as superf�cies tratadas n�o houvesse contato. As temperaturas ao n�vel dos azulejos,durante as aplica��es variaram de 24�C a 30�C, e o tempo de secagem foi de uma (1) hora no local da aplica��o antes de serem transferidos para ambiente laboratorial.
A tabela 1 apresenta Os tratamentos e as dosagens utilizados no presente ensaio al�m dos nomes comerciais e t�cnicos dos mesmos. As diliui��es e as informa��es t�cnicas dos produtos foram aquelas recomendadas e fornecidas pelos fabricantes.
Os animais foram expostos durante 15 minutos, 24 horas ap�s a aplica��o dos produtos (tempo predeterminado para secagem do substrato). Foram realizadas leituras em intervalos de 5 minutos para avalia��o de knock Down.
Posteriormente realizaram-se 2 leituras di�rias (manh� e tarde) durante 8 dias, sendo que estes animais permaneceram em recipientes individuais isento de produto qu�mico com �gua e alimento.
Os diagn�sticos de morte eram sempre confirmados em lupa manual e posteriormente em lupa entomologia Cambrige Z-45-L com ocular de 10 X e objetiva de 45X .
Foram realizadas 3 exposi��es com grupos distintos de animais,sendo ao 1�, 15� e 30� dias ap�s o tratamento ( DAT ) com o objetivo de se avaliar o efeito residual dos diferentes princ�pios ativos utilizados.
A porcentagem de efici�ncia dos produtos foi determinada atrav�s da formula de Abbot.
RESULTADOS
As exposi��es dos animais durante 15 minutos aos substratos tratados com leituras a intervalos de 5 minutos foram realizadas para se avaliar Knock Down(KD) e irritabilidade. Os resultados obtidos demonstram que nenhum dos produtos apresentou KD. Bendiocab apresentou o menor poder irritante dentre os produtos utilizados, seguido pela lambdacyhalothrina. A Deltamethrina foi a que mais irrita��o provocou nos escorpi�es. Torna-se importante ressaltar que os efeitos irritantes n�o foram mais observados quando da transfer�ncia dos animais para os recipientes individuais de observa��o isentos de veneno.
Os pesos individuais dos animais assim como a m�dia destes por repeti��o n�o foram estatisticamente representativos para que pudesse haver diferen�as significativas na avalia��o da rela��o veneno/massa corp�rea ou biomassa dos tratamentos.
As leituras di�rias das tr�s exposi��es n�o apresentam distribui��o significatica de mortalidade, � exe��o do Bendiocab ap�s a terceira exposi��o(30� DAT) onde o �ndice de mortalidade deste produto apresentou os melhores resultados quanto a mortalidade, fato este atribuido a alta umidade (>90%) no dia da exposi��o dos animais aos substratos e a forma de apresenta��o do produto,demonstrando tamb�m a existencia de poder residual dos tr�s produtos ap�s 30 dias em condi��es de laborat�rio.
P�de-se observar tamb�m a capacidade de recupera��o dos animais durante o per�odo de leitura; varios animais altamente intoxicados encontravam-se sadios ap�s o t�rmino do bioensaio. Dos produtos testados deltamethrina apresentou resultados mais equ�nimes de mortalidade ap�s os tr�s tratamentos em rela��o aos outros venenos, 45%, 55% e 40% respectivamente Lambdacyhalotrina conferiu maior mortalidade na segunda exposi��o (15� DAT).
Quanto as percentagens de efici�ncia as mesmas podem ser observados na tabela 2 , onde se confirma a constancia de atua��o da deltemethrina.
CONCLUS�O
Com base nas avalia��es das perfomances dos tr�s produtos envolvidos neste bioensaio conclui-se que nas dosagens indicadas pelos fabricantes os mesmos n�o apresentaram resultados favor�veis para controle de popula��es escorpi�nicas (Tityus serrulatus). Prop�e-se que sejam feitos ajustes nestas dosagens e o bioensaio repetido dentro da mesma metodologia com vistas a nova avalia��o em laborat�rio.
TABELA 1
Tratamentos e Dosagens
|
Tratamento
|
Nome Comercial
|
Nome Técnico
|
mg i.a./m²
|
ml p.c./10l
|
ml p.c./3l
|
| 1 |
Ficam 80%W |
Bendiocarb |
300
|
75g
|
22,5g
|
| 2 |
K-Othrine 50 CS |
Deltamethrin |
15
|
60
|
18
|
| 3 |
Demand |
Lambdacyalothrin |
30
|
300
|
90
|
| 4 |
Controle |
***
|
***
|
***
|
***
|
Obs: Dosagens recomendadas pelos fabricantes dos produtos
TABELA 2
Porcentagem de Efici�ncia dos Produtos Utilizados
|
Produto
|
Coeficiente de Eficiência
1º DAT
|
Coeficiente de Eficiêcia
15º DAT
|
Coeficiente de Eficiência
30º DAT
|
|
FICAM
|
31,5%
|
20,0%
|
68,4%
|
|
K-OTHRINE
|
68,5%
|
65,0%
|
68,4%
|
|
DEMAND
|
36,4%
|
60,0%
|
73,6%
|
|
CONTROLE
|
***
|
***
|
***
|
BIBLIOGRAFIA
___Banco de Dados Integrados de Uberl�ndia - Secretaria Municipal de Planejamento, Prefeitura Municipal de Uberl�ndia, 1997
___ Projeto Radam - Brasil - 1983
___Stutz W.H. - Ocorr�ncia de Escorpion�deos em Uberl�ndia Minas Gerais - Monografia apresentada ao Curos de Sa�de Coletiva para obten��o do t�tulo de Especialista , 1990
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