Doenças Sexualmente Transmissíveis
SÍFILIS
Agente etiológico
Treponema pallidum, uma espiroqueta anaeróbica.
Sífilis primária: período de incubação de 10 a 90 dias; um cancro surge no local
da infecção (vulvar, vaginal, cervical); adenopatia inguinal é comum.
A lesão cicatriza em 2 a 6 semanas sem tratamento.
Sífilis secundária: devida a disseminação sangüínea de espiroquetas;
se dá 6 semanas a 6 meses após a ulceração.
Sintomas:
Febre, mal-estar e rush maculopapular incluindo palmas; lesões vulvares (Condyloma lata)
pode ocorrer nesta fase.
Sífilis terciária: surge 2 a 20 anos depois.
Manifestações:
. atrofia óptica,
. tabes dorsalis,
. paresia generalizada,
. aneurisma aórtico e
. neurosífilis.
A transmissão é sexual, por transfusões de sangue, acidentes ou uso de materiais contaminados.
O Treponema não resiste por mais de 4 dias em sangue armazenado. Pode haver transmissão
materno-fetal via transplacentária no início da gravidez, quando se atrofiam as células
gigantes de Langhans, que cobrem as vilosidades placentárias, mas o tratamento precoce da mãe evita a
sífilis congênita.
Na sífilis congênita precoce as manifestações clínicas surgem desde o nascimento até os 2
anos de idade; na tardia, surgem após o segundo ano de vida.
Diagnóstico laboratorial
As reações sorológicas tornam-se positivas 1 a 2 semanas após o aparecimento do cancro, cerca
de 2 a 4 semanas após a infecção.
Reações lipídicas - não treponêmicas = a mais usada em todo mundo é a de VDRL. Sua indicação
principal é para o acompanhamento terapêutico, pois há queda nos títulos com o tratamento.
Com a cura, a reação torna-se negativa em até 1 ano, com exceção de alguns casos onde permanece
positiva, porém com títulos baixos (1/2,1/4,1/8) por mais tempo e até por toda a vida.
Estes indivíduos devem ser considerados apenas como portadores de Ac. A elevação do título
de Ac de pelo menos 2 diluições, pode significar reinfecção ou tratamento inadequado.
Reações não lipídicas - treponêmicas - TPI (teste de imobilização do Treponema): muito
específico, de técnica sofisticada e alto custo; FTA-ABS; TPHA. Tanto o FTA-ABS como o TPHA são
altamente sensíveis e específicos, sendo que o FTA é o primeiro a se positivar. Podemos encontrar
VDRL positivo sem sífilis, principalmente na fase aguda de doenças infecciosas: pneumonia,
endocardite bacteriana subaguda, varicela, mononucleose, escarlatina.
Também pode ocorrer em viciados em drogas e em doenças crônicas: MHV, LES. Nestes casos
os títulos do VDRL não ultrapassam 1/32. O falso positivo no FTA é mais raro, descrito em casos
de MHV e LES. Deve-se utilizar como triagem o VDRL, e, como confirmatório, o FTA ou o TPHA,
nos casos de reação positiva. A sensibilidade e especificidade do FTA e do TPHA se eqüivalem.
Esta sensibilidade e especificidade fazem com que um indivíduo com história passada de sífilis
possa apresentar o FTA ou TPHA positivos com VDRL negativo , ou positivo com título baixo
(1/2, 1/4). Estes indivíduos são considerados como portadores de "cicatriz sorológica", não
havendo indicação de tratamento.
O VDRL positivo com reação treponêmica negativa, afasta o diagnóstico de sífilis.
O cancro sifilítico facilita a penetração do HIV 1 e a presença deste acelera a progressão
neurológica da sífilis. Assim pesquisar HIV 1 em todo indivíduo soropositivo para sífilis
e vice-versa.
Critérios para sífilis congênita
1) Sífilis congênita confirmada: isolamento do Treponema pallidum em secreções,
placenta, cordão ou necropsia.
2) Sífilis congênita provável :
a) RN, independente das manifestações clínicas e laboratoriais, cuja mãe não foi tratada adequadamente
para sífilis durante a gestação;
- ausência de cuidados pré-natal ou de triagem para sífilis no pré-natal;
- tratamento incompleto com penicilina;
- tratamento com penicilina 30 dias pré-parto;
- tratamento com outras drogas que não a penicilina;
- companheiro não tratado de maneira adequada.
b) RN com teste treponêmico sérico positivo para sífilis e uma ou mais das alterações seguintes:
- qualquer evidência clínica de sífilis congênita;
- qualquer manifestação radiológica de sífilis congênita;
- VDRL positiva no liquor;
- liquor com aumento de células ou proteínas, sem causa aparente;
- testes sorológicos não treponêmicos quantitativos com título de RN 4 vezes maior que o materno;
- sorologia para sífilis positiva após o sexto mês de vida ou sem diminuição nos 3 primeiros meses de vida;
- FTA-ABS IgM 19S positivo no RN.
Fatores de risco para sífilis na mulher em idade fértil: pobreza, promiscuidade sexual,
falta de acesso ao médico, uso de drogas e abandono da escola.
Diagnóstico
1) anamnese adequada;
2) colher sorologia de toda mãe na hora do parto e de todo RN ao nascimento: VDRL, FTA-ABS IgG.
O FTA-ABS IgM não deve ser colhido, pois tem grande número de falso negativo e positivo.
Nenhum RN deve ter alta até que sejam obtidos os resultados do VDRL da mãe e do RN, colhidos na
sala de parto;
3) na presença de qualquer fator de risco, enviar a placenta com o cordão umbilical para anatomopatológico.
Indica sífilis congênita a presença de:
. placenta aumentada e pálida,
. vilosite focal proliferativa,
. proliferação endovascular,
. imaturidade relativa do vilo e
. funisite;
4) fazer exame rigoroso do RN com atenção para:
a) prematuridade ou baixo peso ao nascer;
b) hidropsia fetal sem incompatibilidade sangüínea;
c) alterações muco-cutâneas; exantema máculo-papular, pênfigo palmo-plantar, condiloma plano,
rinite pio-sangüinolenta;
d) hepatoesplenomegalia com hepatite neonatal e linfadenopatia;
e) anemia, trombocitopenia e CIVD;
f) quadro neurológico, tipo meningítico;
g) coriorrenite com fundo de olho em "sal e pimenta", glaucoma e uveíte;
h) pseudoparalisia de Parrot (aparece no final do período neonatal);
i) quadro pneumônico grave compatível com a pneumonia alba;
j) sindrome nefrótica pura ou mista.
5) Fazer os seguintes exames se há suspeita de sífilis congênita:
a) Líquor - obrigatório.
Alterações: hipercelularidade às custas de linfócitos e hiperproteinorraquia.
A sorologia deve ser feita pelo VDRL. Se é positiva indica neurolues, mesmo na ausência
de outras alterações.
b) Rx de ossos longos: verificar metafisite, periostite e sinal de Winberger (erosão bilateral do côndilo
medial da tíbia)
c) hemograma: anemia, leucocitose com monocitose ou linfocitose e plaquetopenia.
d) bilirrubinas: aumento BD (hepatite neonatal) e/ou BI (icterícia hemolítica com Coombs
direto negativo).
e) sorologia para HIV: devido às interrelações epidemiológicas entre sífilis e Aids;
f) sorologia para hepatite B: colher de todo RN com suspeita de sífilis cuja mãe seja
positiva, ou tenha outra DST, ou use drogas EV.
g) Rx de tórax, eletroforese de proteínas e EAS.
Tratamento
1) sífilis adquirida e latente, recente: penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM 7/7 dias, 2 vezes;
crianças: 50.000 U/kg IM dose única.
2) sífilis adquirida e latente, tardia: penicilina G benzatina 2.400.000 U IM 7/7 dias, 3 vezes;
crianças: 50.000 U/kg IM 7/7 dias, 3 vezes.
3) neurosífilis: penicilina G cristalina, 2 a 4 milhões U IV, 4/4 horas, 10 a 14 dias.
4) sífilis na gestação:
a) fase primária, secundária ou latência precoce: penicilina G benzatina 2,4 milhões U IM.
b) latência tardia, tempo de latência desconhecido, fase terciária: penicilina G benzatina
2,4 milhões U IM, 3 vezes, 7/7 dias.
c) gestante HIV positiva em qualquer fase: penicilina G cristalina (100.000 a 150.000 U/kg/dia,
EV, 8/8 horas, por 10-14 dias) ou penicilina G procaína (50.000 U/kg/dia, IM, 1 vez/dia, por 10-14 dias).
5) Sífilis congênita:
a) quando confirmada, provável ou VDRL positivo para sífilis em RN de mãe HIV positiva :
penicilina G cristalina: 100.000 a 150.000 U/kg/dia, EV, 8/8 horas, por 10 a 14 dias;
b) RN VDRL positivo para lues, cuja mãe foi adequadamente tratada durante a gestação e é HIV negativa,
mas que não poderá ter seguimento pós-natal apropriado: penicilina G benzatina: 50.000 U/kg,
IM, dose única.
Acompanhamento
Todo RN cuja mãe é soropositiva para sífilis deve ser seguidopor, pelo menos 2 anos.
a) RN que não atingiram os critérios diagnósticos e, portanto, não foram tratados no período neonatal:
- realizar VDRL com 1, 2, 4, 6 e 12 meses de vida.
- fazer HAI ou FTA-ABS IgG com 12 meses de vida. Se os títulos do VDRL estiverem caindo
nos primeiros 4 meses e forem negativos no 6º mês de vida, seguido do teste treponêmico
também negativo no 12º mês, o lactente não foi afetado pela sífilis. Caso contrário,
proceder à reavaliação diagnóstica e ao tratamento adequado.
b) RN tratados para sífilis congênita no período neonatal :
- realizar VDRL com 1, 2, 4, 6, 12, 18 e 24 meses de vida.
Fazer exame liquórico (celularidade, bioquímica e sorologia) 6/6 meses, até o fim do segundo ano.
Se os títulos do VDRL estiverem caindo nos primeiros 4 meses e forem negativos no sexto mês
e o VDRL do LCR apresentar-se negativo no 6º mês de vida, com líquor absolutamente normal
ao fim do 2º ano, a criança foi tratada de maneira correta.
Caso contrário, reavaliar e tratar.
Em toda criança com Lues é obrigatório o acompanhamento da acuidade visual e auditiva até, pelo
menos, o final do terceiro ano de vida.
CHLAMYDIA TRACHOMATIS
A Chlamydia foi descrita por Prowasek em l907, como grânulos no interior das células
conjuntivas trachomatosas. As clamídias são ATP-parasitas, sendo impossível a cultura
extracelular. A incidência é maior que a gonorréia. É a mais comum DST.
Entre os fatores de risco estão:
. promiscuidade,
. DST,
. associação com gonorréia,
. jovens,
. grande atividade sexual.
Na mulher pode haver disúria, eritema vulvar e vaginal e erosão cervical com secreção muco-purulenta,
edema, congestão e friabilidade.
A chlamydia é responsável por 63% das DIP em mulheres menores que 30 anos. É ainda a
causa mais comum de ophtalmia neonatorum, ocorrendo em 30% dos RN de mães infectadas.
O uso do Credê não tem efeito nestes casos, mas o curso desta conjuntivite é benigno.
Pode ainda ocorrer pneumonia entre 4 e 11 semanas de vida, sendo bastante benigna. Curso
afebril, envolvimento difuso pulmonar, taquipnéia e elevado nível de IgG e IgM. Em geral
tem resolução espontânea.
As clamídias tem 2 formas:
a) corpos elementares, que são formas infecciosas maduras, que sobrevivem no meio extra-celular,
aproximam-se da parede celular e estimulam a célula a fagocitá-los; envolvidos pela própria membrana
celular, formando um vacúolo que os protegerá da ação lisossômica; aí inicia sua transformação,
originando os não-infectantes;
b) corpos reticulares, que não sobrevivem fora da célula. Nesta fase não há infectividade; os corpos
reticulares vão se dividindo por fissão binária, aumentando de tamanho o vacúolo e ocupando cada
vez mais o espaço citoplasmático.
Surgem os corpos elementares maduros; o vacúolo atinge o máximo de volume, rompendo
a célula e liberando-os no meio externo, indo infectar novas células e repetindo novos
ciclos. Cada ciclo é de 49 horas.
A chlamydia causa:
. uretrite,
. prostatite,
. epididimite (no homem),
. conjuntivite,
. otite média,
. faringite,
. pneumonia e gastroenterite (no RN),
. cervicite,
. endometrite,
. salpingite,
. infertilidade,
. displasia,
. bartolinite e uretrite (na mulher), devido 13 sorotipos diferentes. A cepa L, mais virulenta, causa
o LGV; onde o tracoma é epidêmico, e os tipos A, B, BA e C são os principais sorotipos. Onde ele é
endêmico, as infecções são por sorotipos D a K, que também infectam o TGF.
Diagnóstico
No trato genital feminino pode ser assintomática, provocar corrimento mucopurulento, disúria,
eritema vulvar e vaginal e erosão cervical. Há ectopia edematosa exofítica, a colpite de aspecto folicular,
muco cervical turvo e ectopia friável à colposcopia. Ao AP, infiltração celular, microabscessos
intra-epiteliais, necrose e ulceração (cervicite muco-purulenta).
Há folículos linfóides bem formados no estroma cervical = cervicite folicular
crônica. Às vezes, atipias nucleares em células metaplásicas (quando é difícil
diferenciar de displasias).
Os exames mais utilizados são a RFC e a RIF (usa-se anticorpos
monoclonais conjugados com
fluoresceína; as amostras endocervicais ou uretrais são fixadas em lâminas, coradas e levadas ao
microscópio de fluoresceína). Suas indicações são: pneumonia da criança, o LGV, e a DIP.
Atualmente há o teste imunoenzimático (ELISA), que reúne vantagens como fácil transporte e
armazenamento, objetividade do método, não dependência de observador
treinado, além da
realização de muitos testes simultâneos. Como desvantagens há o alto custo do equipamento, além da
impossibilidade de rever o material.
As amostras são incubadas junto a uma fase sólida; após a adsorção do Ag haverá a
adição de um Ac específico formando um complexo Ag-Ac, que será incubado com o conjugado.
Adiciona-se o substrato, e a evidenciação do complexo é possível com o desenvolvimento
de cor, dependendo da quantidade de Ag adsorvido na fase sólida.
A PCR é uma prova direta, rápida e utiliza sondas de DNA; tem alta sensibilidade
e especificidade. A cultura é o padrão ouro para sua detecção, por sua alta sensibilidade
e especificidade; as amostras são obtidas de secreções e devem conter células epiteliais
conservadas em tampão fosfato. O microorganismo é isolado em culturas de células em
ovos embrionados ou após inoculação peritoneal ou intracerebral em camundongos, após
incubação por 48 horas. Após coloração específica, são examinados à microscopia e
observadas as inclusões citoplasmáticas.
Tratamento
A conjuntivite de inclusão responde com pomadas de tetraciclina,
eritromicina ou sulfonamidas,
6/6 horas, 2 semanas; ou tetraciclina 40 mg/kg/dia, 4 vezes.
Assim evita-se a pneumonia por erradicar o microorganismo da nasofaringe. A mulher e o parceiro
devem ser tratados com azitromicina 500 mg 1 x/dia, 2 dias, e em caso de
infecção da cérvice
uterina usar cremes vaginais.
Na vigência de gravidez preferir eritromicina. A uretrite não gonocócica é a DST
mais comum entre homens, causada por Chlamydia e Ureaplasma urealyticum. Tratar com os
congêneres da tetraciclina.
GONORRÉIA
A descarga uretral é o sintoma mais comum de DST no homem. A gonorréia é confirmada
pela presença de diplococos
Gram negativos intracelular; é uma infecção da superfície mucosa da membrana, e esta é a razão
pela qual o material deve ser colhido da endocérvix e uretra, e não da vagina.
Pode levar a salpingite, abscesso tuboovariano e esterilidade. Pode haver febre,
artrite, dermatite, pericardite, endocardite e meningite.
Diagnóstico
Setenta e cinco por cento das mulheres são assintomáticas. Pode haver descarga mucopurulenta,
amarela e causar uretrite, cervicite, endometrite e perihepatite; às vezes bartolinite. Testar
também para chlamydia, sífilis e HIV.
Tratamento
Ceftriaxona, 250 mg IM, 1x; pode usar na gravidez, ou 4,8 milhões de penicilina G procaína IM
mais 1,0 g de probenecide, ou ampicilina 3,5 g dose única mais 1.0 g de probenecide; todos associados
à tetraciclina 500 mg, 6/6 horas, 7 dias. Ou apenas usar azitromicina, 500 mg, 1x/dia, 2 dias.
PAPILOMAVÍRUS HUMANO
O HPV-6 ocorre em 60% dos condilomas acuminados vulvares e cervicais e é
desprovido de potencial carcinogênico; o HPV-11 em 30% dos condilomas acuminados
e 50% das displasias coilocitóticas cervicais; os HPV-16, 18, 30, 31 e 35 são
incriminados como os de maior potencial carcinogênico (isolados em 70% das
biópsias de Carcinoma epidermóide invasor do colo uterino, vulva e pênis); o
HPV-16 ocorre em displasias atípicas, sem características coilocitóticas, em
Carcinoma in situ e 80% da doença de Bowen.
Há mais de 70 tipos, mas o tratamento é o mesmo para todos; certos tipos,
relacionados à displasia epitelial e ao Carcinoma são encontrados em grande parte da
população, que jamais desenvolverá lesões canceróclinas e o Carcinoma. A infecção
incide mais em mulheres jovens, e a totalidade das displasias leves e moderadas em
menores de 20 anos e 88% entre a 2ª e 4ª décadas tem características histológicas
da infecção pelo HPV.
É comum mais de uma lesão cervical e/ou vaginal nas pacientes com displasia
coilocitótica na presença de condiloma acuminado vulvoperineal.
Para o diagnóstico da infecção cervicovaginal por HPV, dispomos da colposcopia,
citologia e histopatologia.
À colposcopia:
l) o condiloma acuminado é geralmente detectado a olho nu e apresenta aspecto colposcópico típico.
A superfície é irregular, com projeções digitiformes, no centro das quais se vê alça capilar; esta forma é
iodo-positiva. O condiloma incipiente é iodo-negativo em 1/3 dos casos, e a lesão cervical não difere
histologicamente da vaginal; também pode permanecer como tal, evoluir ou não para graus mais severos
de displasias ou curar espontaneamente; o condiloma acuminado "early" é a forma transicional entre o
incipiente e o exofítico; pode ser colposcopicamente confundido com displasias de graus mais severos,
ou mesmo Carcinoma in situ, mas as bordas elevadas, a superfície micropapilar e áspera sugerem etiologia
virótica; são iodo-negativos e coram-se pelo azul de toluidina.
Há um quarto tipo = condiloma invertido ou endofítico; baixa incidência e de diagnóstico
da Anatomia Patológica; a displasia virótica acomete até a profundidade das glândulas
endocervicais.
2) o condiloma espiculado não é perceptível a olho nu; é caracterizado por superfície irregular
com saliências papilares;
3) o condiloma plano só é visível após a aplicação de ácido acético; observam-se imagens planas,
leucoacéticas, às vezes mosaicos e pontilhados. Quando totalmente planos, é impossível ao colposcópio
diferenciá-los da neoplasia intra-epitelial;
4) a condilomatose cervicovaginal
é a imagem mais comum na vagina. É constituída por saliências extensas nas paredes vaginais,
as quais, quando submetidas ao "teste de Schiller", não se coram assumindo aspecto tigróide.
À célula infectada pelo HPV denominamos coilócito. São células superficiais
e/ou intermediárias alargadas, com bordas citoplasmáticas irregulares e com zona perinuclear
nitidamente mais clara rodeada por área de citoplasma espesso, zona esta denominada
coilocitose, e que é a expressão citológica "patognomônica de HPV". A coilocitose
diminui na proporção em que aumenta a gravidade da neoplasia intra-epitelial.
Queratinização é achado comum, produzindo hiperqueratose. Os núcleos hipercromáticos,
bi ou multinucleados, tem caracteres morfológicos de displasia. A neoplasia epitelial
cervical pode ser uma conseqüência imediata ou tardia de infecção pelo HPV.
Tratamento
As recidivas podem estar relacionadas à presença da infecção na
região perianal e na
mucosa retal. Muitas vezes, condilomas incipientes e acuminados
desaparecem após instituição
de terapêutica para leucorréia; o restabelecimento do meio bioecológico é um fator de resistência à
implantação do HPV. Um exame negativo, seja por hibridização "in situ", por PCR, por PCR "in situ"
ou por captura de híbridos, não garante que o paciente não tenha o HPV; apenas que não tem os tipos de
vírus que foram testados.
. Após a cauterização, se aparecerem outras lesões,
habitualmente estas não serão devidas ao 1º tipo detectado e sim a outros.
Diatermocoagulação das lesões cervicais e vaginais (com xylocaína 2%) colposcopicamente
compatíveis ou reatoras ao azul de toluidina a 2%; complementar com ácido metacresolsulfônico
gel, em dias alternados, para facilitar a remoção dos tecidos coagulados e atuar nas formas
incipientes, que não são visíveis à colposcopia alargada. Se há lesões proeminentes,
extensas e contínuas, iniciar com ácido metacresolsulfônico líquido, em embrocações
cervico-vaginais diárias durante 3 minutos, 7 dias consecutivos até melhora do quadro, e
posterior coagulação (assim evita estenose cervical ou vaginal).
Na condilomatose difusa, em grávidas, fazer embrocações vaginais diárias com o mesmo
ácido por 5 dias consecutivos, e depois, em dias alternados, 6 x.
Podofilina - aplicação tópica a 25% em solução oleosa, na forma acuminada
vulvoperineal e/ou coagulação. O uso na gravidez pode levar a efeitos teratogênicos,
polineurite, coma e óbito do concepto. Só a utilizamos na pele.
Ácido tricloroacético - a 50% ou 60% é usado na pele; seu uso intravaginal (7/7 dias,
até o desaparecimento das lesões) é discutível. Pode usar na gravidez.
5-FU - é mais efetivo na vagina, quer nas verrugas da mesma e colo, quer no
condiloma viral; não usar na gravidez. A pele vulvar deve ser protegida durante o
tratamento. É usado em creme a 5%, sendo aplicado profundamente na vagina, 2 x/semana,
6-8 semanas.
Imunoterapia - 30% dos pacientes tem remissão espontânea em 6 meses, por sua
própria resposta imunológica. A recidiva é devida à deficiência de IL-2, interferon-gama
e diminuição da atividade killer celular; quando ocorre, repetir o esquema. Nos
casos rebeldes fazer exame proctológico.
O parceiro sexual é portador do HPV, sob a forma latente ou incipiente na mucosa
peniana e/ou no meato uretral; fazer balanoscopia com lupa simples (a colposcopia
não é melhor); com freqüência há lesões diminutas de aproximadamente 0,1 cm, espiculadas,
sem brilho, isoladas, ou aglomeradas, e até disseminadas; comprovar com a citologia
do raspado balano-prepucial após unção peniana com glicerina; tratar com sabonetes
anti-sépticos, 3 semanas, associado ou não a 5-FU creme (pode fissurar ou ulcerar)
noturno, 10 dias; ou coagulação.
Após tratamento, colher novo material citopatológico para controle após 90
dias ou mais.
"Gasta-se menos tempo fazendo a coisa certa do que explicando por que fizemos a errada".