O Porão

Esboço

Escrito por Pedro Luís Bello Daldegan - Junho de 1992

 

CENA#1

Alex e seus problemas.

CENA#2

Papel sai misteriosamente por de baixo da porta de acesso ao porão, e o vento o carrega.

CENA#3

Na rua, as pessoas vêem o papel e o ignoram. Alex o encontra e o lê.

CENA#4

Alex diante da porta de acesso ao porão. Entra.

CENA#5

Alex observa o ambiente antigo e cheio de sombras. Encontra Scapinelli e conversam. Ele lhe revela que foi preso há muito tempo (sem dizer exatamente quando) por sua famíla naquele local por ser tuberculoso, e que apesar de já estar curado não pode sair dali. Quando indagado por que, esquiva-se de responder precisamente, dizendo apenas que provavelmente morreria se o fizesse, estando portanto condenado a viver ali eternamente. Mostra o local a Alex, e depois o mata. Rituais?

CENA#6

"A História da Porta" Dois amigos conversam sobre a grande casa a qual pertence o porão, e diante da qual estão. Quando um deles indaga, o outro aponta a porta do porão e conta a estória do tuberculoso que foi preso ali no século passado - dia 20 de abril de 1889, mais precisamente, por coincidência, data de nascimento de Adolf Hitler - e esquecido lá por sua família (ou teria ela morrido súbita e misteriosamente, ou de tuberculose talvez?) Conta também das lendas sobre os moradores posteriores que ouviam estranhos barulhos vindos do porão, e eram levados à loucura ou à morte, quando não a ambos, até que a fama da casa como sendo um lugar macabro se consolidou, e ninguém mais se atreveu a ocupá-la.

 

CENA#7

O ouvinte da "História da Porta" entra no porão para saciar sua curiosidade, desafiando as lendas locais, e encontra Scapinelli (assim ele se identifica) no corpo de Alex. Quando indagado sobre a veracidade das estórias, Scapinelli comprova, e mostrando-lhe o porão, explica-lhe como conseguiu viver tanto tempo: utilizando-se de rituais de magia negra, toma corpos jovens e sadios de pessoas que ele atraiu até ali através de bilhetes que o vento deve se encarregar de levar às vítimas certas. Mas deixa claro que isso só acontece quando se cansa de seu rosto roubado, ou quando a vaidade lhe chama de velho. O ouvinte, incrédulo, pergunta-lhe como se alimenta então; e Scapinelli diz, em tom sarcástico que não deixa distingüir entre a seriedade ou a ironia, que "sempre aparecem uns ratos por ali, ou quando o rosto que chega não lhe atrai..." Quanto aos eventuais curiosos, quando pode ter certeza que ninguém sabe onde foram, têm o mesmo destino - nessa altura, exibe um punhal - caso contrário, apenas os hipnotiza para que fiquem quietos acerca do que tinham visto e fiquem insanos, a ponto de se entregarem a uma "morte acidental". Scapinelli aproxima-se do ouvinte para matá-lo.

São Paulo, 15 de junho de 1992

A desenvolver

Nas cenas #1 e #3, que problemas afligem Alex, e o que está escrito no papel que o convence a ir a um lugar tão lúgubre? Talvez cortamos essa introdução e Alex encontra a porta do porão por acaso numa noite de insônia.

O que mais de significativo pode acontecer na cena #5? Que diálogos reveladores ou insinuosos podem vir à tona? O que de suspense pode ser acrescentado?

Talvez deva-se alternar seqüências das cenas #5 e #6, criando paralelismo.

Sobre Scapinelli

É cru em sua linguagem, respondendo às perguntas às vezes de forma incompleta, enigmática, apenas insinuando, desafiando a inteligência do interlocutor, e às vezes respondendo diretamente, num tom sarcástico que não deixa distingüir entre a seriedade e a ironia, apesar de estar sempre dizendo a verdade. Scapinelli não mente, não por princípios, mas por não precisar nunca disso.

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