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� dif�cil falar de um filme como Walden, que deve ser visto com muita aten��o para evitar mal entendidos. Ao mesmo tempo, � um filme t�o simples que se torna quase intuitivo. Qual o filme esperar�amos que fosse realizado do editor-chefe da Film Culture, um dos peri�dicos mais consistentes da �poca? Certamente pensar�amos num filme intelectualizado, cheio de grandes quest�es sobre a linguagem e o futuro da humanidade. Mas n�o em Walden. Uma das coisas mais emocionantes e conscientes de Walden � seu letreiro inicial, que dedica o filme aos Irm�os Lumi�re. � o cinema do puro registro, do cinema como um primeiro olhar, da inoc�ncia do olhar, da tentativa ing�nua e quase desesperada de olhar para as coisas sem passar pela intelec��o, de um cinema de sensa��es, como no primeiro cinema. Mas isso � filtrado pela lente de Mekas, que o torna um filme absurdamente recheado de poesia e intimidade. Walden, ou Diaries, Notes and Sketches, �, como ele mesmo se apresenta, um di�rio, repleto de pequenas cenas do cotidiano, com uma �c�mera-garrancho� que escapa completamente do cinema de videoclipe para, ao contr�rio, trabalhar com um cinema em que a �superficialidade� e o �instant�neo� ganham novas conota��es. Recheado de momentos do mundo da crian�a, dos amigos de sempre, de intert�tulos que tornam o filme uma hum�lima homenagem, de cenas da cidade grande, de um circo, Walden possui uma nostalgia quase insuport�vel. Alguns filmes nos parecem t�o pr�ximos, e ao mesmo tempo revertem de forma t�o abrupta todos os nossos conceitos sobre cinema que nos impulsionam imediatamente em torno da realiza��o e da reflex�o cinematogr�ficas. Walden certamente � um deles. Marcelo Ikeda (03/09/2002) |