FLORES DE SHANGHAI

 

Hou Hsiao-Hsien � considerado pela cr�tica francesa um dos grandes novos cineastas do Oriente em atividade. Os cariocas t�m agora a oprtunidade de ver sua filmografia pela primeira vez atrav�s de seu 13� filme. Flores de Shangai � um filme que encanta o espectador pela sua atmosfera envolvente e ex�tica. Ao contr�rio de Ozu, o filme n�o possui cortes secos, mas os planos se dividem em "fades". Desde a primeira cena, vemos a atmosfera brilhante que domina o filme. A fotografia parcial refor�a o contraste entre luz e sombra, de modo que o filme sempre se situe na penumbra, o que refor�a a ambiguidade moral de seus personagens. Nos bord�is de Shangai, vemos uma amostra do mundo: burocratas ambiciosos e competitivos, mas carentes; prostitutas ing�nuas e oprtunistas; filhinhos de papai alienados e inexperientes; trai��o, ci�me, dinheiro, chantagens e amea�as. Mas Flores de Shangai � o oposto de um neo-noir americano. O submundo dos bord�is sempre permanece na penumbra, de forma que somente aos poucos o espectador vai se envolvendo com o clima que rodeia os personagens. Tudo � sugerido, e s� o suficiente (ou at� menos que isso) � expresso.As palavras que resumem o filme s�o ambiguidade e desconfian�a.

J� no plano inicial do filme, Hsien ilustra com perfei��o a atmosfera do bordel e a est�tica de seu filme. O clima decadente e escuro � contrastado com a aparente alegria espont�nea dos frequentadores. A c�mera de Hsien parece est�tica, mas na verdade ela percorre todo o ambiente lentamente, quase sempre em panor�micas lent�ssimas, que passam a id�ia de imobilidade. Nunca um personagem aparece dramaticamente destorcido em um close up, por exemplo. Hsien � comedido, discreto; ele olha de frente, mas nunca encara seus personagens. Por vezes, o posicionamento da c�mera nos leva a pensar em um estilo quase teatral. Mas a apurada mise-en-scene e o jogo narrativo s�o puramente cinematogr�ficos. De fato, a narrativa � t�o amb�gua quanto seus personagens.

Flores de Shangai � um filme tipicamente oriental, com uma narrativa at�pica para os padr�es ocidentais. Mas ainda assim, � um filme ousado, ao falar de temas como a degrada��o moral, a prostitui��o e a hipocrisia numa ambiente escondido e recatado no interior das tradi��es orientais.

Marcelo Ikeda.

NOTA: 8

Hosted by www.Geocities.ws

1