CORRA LOLA CORRA

 

O sonho do cinema alem�o contempor�neo parece, pelo que pode ser visto no Festival, que � se tornar americano. Em Annaluise e Anton, a diretora Caroline Link faz um filme estritamente hollywoodiano. Em Corra Lola Corra, o modelo � o pseudo-cinema independente norte-americano. N�o � � toa que o filme ganhou o Pr�mio do P�blico para filmes n�o-americanos no Festival de Sundance de 1999.

O filme possui personagens com visual ex�tico e situa��es extremadas como se estivesse numa pista de techno. Lola � a garotinha marginal, cabelos vermelhos, cujo pai � um banqueiro ego�sta, quer salvar seu namorado, numa enrascada por causa de dinheiro. A partir da�, o filme se torna uma corrida contra o tempo: em 20 minutos ela deve arrumar o dinheiro e encontrar seu namorado, antes do meio-dia.

Apesar da historinha absolutamente ing�nua, o filme tem momentos interessantes em termos de est�tica. O diretor Tom Tykwer mistura anima��o e apresenta movimentos de c�mera bastante curiosos. Quando Lola sai de casa, a c�mera percorre um 360� antes de entrar no televisor e transformar-se em anima��o. A caminhada de Lola pelas ruas se d� num belo e preciso travelling, que destaca os cabelos vermelhos esvoa�antes de Lola.

Mas em meio ao esteticismo f�cil e ing�nuo, o filme se perde, e se torna bastante repetitivo, por repetir a hist�ria tr�s vezes, dando tr�s chances a Lola, como se fosse num game (ali�s, a pr�pria anima��o sugere que se trata de um jogo), numa realidade tipicamente p�s-moderna. Em cada tentativa, Lola passa pelos mesmos lugares e encontra os mesmos obst�culos, mas porta-se de forma diferente.

O filme se parece nesse ponto uma teoria do caos. Evitando situa��es que aparentemente n�o teriam rela��o alguma com seu objetivo �ltimo, Lola acaba contribuindo significativamente (e paradoxalmente) para cumprir seu objetivo final. N�o esbarrar num carrinho de crian�a, ou nas freiras que cruzam seu caminho, perdendo um tempo que a far� trope�ar na sa�da do carro da garagem e evitar a batida num outro carro, que mais � frente provocar� um acidente, tornam-se fundamentais, embora de previs�o imposs�vel. Situa��es esdr�xulas que se cruzam por obra do acaso podem se interrelacionar de tal forma que influam decisivamente numa situa��o mais � frente. A ironia com essa "l�gica do absurdo" atinge um limite quando Lola salva uma vida por ter entrado numa ambul�ncia que s� parou porque um grupo atravessara uma rua com um filete de vidro que a princ�pio parecera invis�vel ao motorista.

Marcelo Ikeda.

NOTA: 6

Hosted by www.Geocities.ws

1