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Lúcia e o sexo é um típico exemplar do cinema de autor contemporâneo: feito para agradar ao público que se diz alternativo, mas que ao mesmo tempo não busca grandes alternativas. Quase na linha de um Amores Brutos, mesclando diversas histórias que acabam se integrando no final, acaba se reduzindo a um mero jogo formalista, fazendo questão de mostrar como as peças se encaixam perfeitamente ao final do quebra-cabeças. Mas
dizê-lo é cometer algumas injustiças, porque Julio Medem sabe filmar e
seu filme possui algumas virtudes, mas essas acabam se revelando como
defeitos pela inconsistência de seu uso como proposta de linguagem: a
fotografia completamente estourada, na contramão do cinema publicitário,
acaba sendo um recurso estetizante, que reforça a manipulação que
muitas vezes esbarra no gratuito. É a montagem de cortes secos e pulos de
campo intencionais que acaba se descosturando após o encontro dos
protagonistas num bar. Em verdade, nenhum dos recursos de linguagem de
Medem acaba tendo uma proposta de cinema coerente e articulada. Seu filme
é um filme de juventude, no mau sentido da expressão: cheio de algumas
boas idéias mas completamente desarticuladas, que se perdem pela pretensão,
pela imaturidade e pelo tom afoito do realizador. Lúcia
e o sexo acaba se tornando mais um filme sobre os dilemas existenciais do
autor, seu envolvimento pessoal, seu delírio entre a ficção e a
realidade quando produz suas obras. Atraindo a atenção do espectador
para cada uma de suas histórias, através de uma montagem paralela
competente, a narrativa acaba sendo guiada em última instância pelos delírios
alucinatórios do escritor que tenta acabar seu livro. . Marcelo Ikeda (05/09/2002) |