SHARA

 

 

SHARA

Shara, Jap�o, 2003

De Naomi Kawase

(Festival do Rio � Esta��o Botafogo 3 � S�bado, 27/09/2003, 15hs)

 

Poucos temas s�o t�o caros ao cinema japon�s quanto a reconstru��o de uma fam�lia ap�s uma perda (vide os acontecimentos da Segunda Guerra), ou ainda poucos temas s�o tratados com tanta intimidade quanto a dificuldade de expressar os sentimentos para quem mais se ama. Longe deste texto querer dispor at� que ponto � um tema mais propriamente ligado aos la�os orientais que ocidentais. Longe deste texto ... 

 Mas de fato o que nos encanta em Shara � a honestidade da encena��o, � seu equil�brio entre a intimidade e o distanciamento. � a reavalia��o da import�ncia da rotina, � a quest�o familiar, � a id�ia da reconstru��o, da dificuldade da iman�ncia, ou da necessidade de seguir adiante, de n�o repetir o �passado no presente�. Esses temas de sempre do cinema oriental s�o vistos com olhos cl�nicos por Kawase, confirmando e ao mesmo tempo reformulando tais temas com uma proposta de linguagem, que ao inv�s de meramente ilustrar o filme, acrescenta a dramaturgia um toque particular, uma sensibilidade absolutamente observadora dos pequenos fatos do cotidiano.

Praticamente todo filmado em longos planos-seq��ncia, com uma c�mera na m�o que insere ao filme um olhar quase documental � e que muito contribui na quest�o da ambig�idade entre o distanciamento e a intimidade, nesta franqueza em invadir a privacidade de uma fam�lia � Shara � quase todo centrado nos tempos mortos, e este � o seu trunfo para resgatar a humanidade da reconstru��o. O desaparecimento de um dos irm�os g�meos � mostrado com tal simplicidade, revalorizando o impacto do espa�o-fora-da-tela. A partir de ent�o, Kawase opta por uma t�cnica descritiva que, completamente oposta ao didatismo, refor�a a dor e o sentimento de perda.

 Simples quase ao risco de parecer enfadonho ou piegas, Kawase faz tomadas bel�ssimas, quando, ao receber o aviso da imin�ncia do nascimento do beb�, os dois irm�os correm de m�os dadas, desta vez para n�o se perderem, como antes. Come�ando no interior de um casebre para acabar por sobre os telhados da cidade, come�ando com uma morte para terminar com um renascimento, Kawase d� sua contribui��o ao cinema oriental. Mas n�o se trata aqui de enaltecer o nascimento como s�mbolo coletivo ou como vit�ria da vida sobre a morte � o que at� se legitima � e sim de valorizar o m�todo contemplativo e inventivo que Kawase utiliza para chegar aos seus fins particulares.

.

Crist�v�o Bresson

(24/09/2003)

 

valbul2a.gif (530 bytes)  S I T E       C  L  A  Q  U  E  T  E

valbul2a.gif (530 bytes)  FILMES EM 2002                                  valbul2a.gif (530 bytes)  FILMES EM 2003

valbul2a.gif (530 bytes) Ensaios valbul2a.gif (530 bytes) Festivais

valbul2a.gif (530 bytes) Filmes Antigos

valbul2a.gif (530 bytes) Filmes de 1999 valbul2a.gif (530 bytes) Filmes de 2000 valbul2a.gif (530 bytes) Filmes em 2001

 

Hosted by www.Geocities.ws

1