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A
BORBOLETA P�RPURA Zi
Hudie, China, 2003 De
Lou Ye (Festival
do Rio � Esta��o Botafogo 1 � Domingo, 28/09/2003, 19:00hs) Esse recente trabalho do chin�s Lou Ye pode ser visto de v�rias formas, e em cada nova abordagem se revela mais fascinante. Em primeiro lugar, destaca-se a efici�ncia do artes�o, ainda mais se levarmos em conta que este � apenas o terceiro longa-metragem do diretor, e seus dois filmes anteriores eram bem menos ambiciosos como projetos de produ��o. Por isso, � interessante compar�-lo com Pinceladas de Fogo, outra megaprodu��o de �poca. Mas enquanto Im Kwon-Taek se ampara no cinema narrativo de corte cl�ssico (sem nenhum ju�zo de valor, obviamente), Lou Ye continua seu caminho como um cineasta de experimenta��o de formas e ritmos. Com isso, A Borboleta P�rpura
ganha uma imensa vitalidade e uma energia quase inacredit�vel se levarmos
em conta a estrutura de produ��o do filme. O tom de �pico hist�rico e
a hist�ria do romance proibido entre pessoas de fac��es diferentes
sugeririam os mais desgastados clich�s j� t�o vistos no cinema. Mas o
que Lou Ye promove � um mergulho profundo e radical que subverte o prov�vel
academicismo da trama. Toda a fissura entre o fen�meno
hist�rico e o drama particular, toda a instabilidade que atinge tanto o
pa�s como um todo quanto o drama do casal, � traduzida atrav�s de uma
linguagem delirante, que oscila entre grandiosas gruas com longos
planos-seq��ncia e raivosas c�meras na m�o, entre cenas silenciosas e
escuras nos interiores e imensas de a��o e repletas de figurantes cenas
dos exteriores. Em particular, destaca-se a montagem, com impressionantes
flashbacks e flashforwards, repeti��o de imagens com indefini��o
temporal, elipses temporais com cortes secos, prolongamento (ou suspens�o)
do tempo real, etc, etc. Os �ltimos quinze minutos
nos fornecem surpresas ainda mais agrad�veis. A cena em que Cynthia mata
seu amado (Nakamura) � impressionante. A faca acontece fora de quadro, e
a c�mera se concentra na express�o de Cynthia, dan�ando uma valsa. A
cena confirma a extraordin�ria atua��o de Zhang Ziyi (mais conhecida
pelas atua��es em O Caminho para Casa e especialmente em O Tigre e o
Drag�o), com toda uma express�o de for�a e fragilidade extremas
expressas atrav�s de uma impressionante simplicidade e concis�o. O plano
final � tamb�m de um plano-seq��ncia incr�vel, que come�a num
interior e percorre dezenas de metros numa rua com centenas de figurantes,
at� um carro, quando a c�mera fecha em close up nos dois passageiros. A Borboleta P�rpura precisa ser urgentemente revisto, e me parece que um distribuidor nacional j� comprou os direitos do filme. De qualquer forma, um filme obrigat�rio e essencial, que mostra a extrema coragem do diretor em subverter o que poderia ser um insosso filme de �poca num dos mais radicais exerc�cios de linguagem deste Festival.
Crist�v�o Bresson (30/09/2003) |