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O d�cimo quinto filme do veterano diretor de Hong Kong Stanley Kwan � apenas seu segundo filme exibido no Brasil, e apenas em Festivais. O Festival em 2000 ofereceu ao p�blico carioca a oportunidade de assistir ao estranho Contos da Ilha, f�bula esquiz�ide e tipicamente metaling��stica em torno de alguns personagens presos numa ilha �s voltas com uma poss�vel epidemia. Esse Lan Yu � em v�rias medidas completamente diferente do universo de Contos da Ilha: � uma simples e despretensiosa hist�ria de amor entre dois homens de classes sociais e origens bastante diferentes: um bem-sucedido homem de neg�cios e um estudante de arquitetura vindo do interior que, para suprir dificuldades financeiras, eventualmente torna-se um garoto de programa. O
filme cai muitas vezes no mais simpl�rio dramalh�o, com solu��es de roteiro
desgastadas e apelativas (por exemplo, a inacredit�vel morte do garoto quando
tudo parecia que finalmente os dois acabariam juntos), com uma trilha sonora que
apenas refor�a o tom �mela-cueca� do filme. O filme � um t�pico
melodrama, e no desenvolvimento da trama, um argumento bastante popular que se
difundiu espantosamente pela internet, nada contribui para uma vis�o diferente
dos estere�tipos do g�nero. Por
outro lado, n�o deixa de ser convincente e h�bil a dire��o de Kwan. O tom
sincero e discreto com que filma o envolvimento entre os dois homens � um cap�tulo
� parte no cinema gay, que geralmente ainda trata o homossexual com diversos
estere�tipos ou afeta��es. Ainda, o filme se destaca por um trabalho de corte que insere um vigor est�tico not�vel a um filme de abordagem claramente convencional. Longas elipses temporais quebram um suposto didatismo, muitas vezes localizando o espectador no tempo e espa�o apenas a posteriori, quebrando um postulado b�sico do cinema cl�ssico. Dire��o de atores formid�vel, di�logos precisos, aliado a um trabalho de linguagem maduro e coerente, comprovam que Kwan sabe fazer cinema ainda que o argumento de seu filme deponha claramente contra sua inten��o de fazer cinema com algum vigor. Desconhecemos se este � ou n�o um trabalho de encomenda, mas n�o parece a princ�pio ser um t�pico ensaio autoral deste autor. Aguardemos seus pr�ximos filmes, ou ainda a chance de ver seus filmes anteriores, como Actress e Rouge, que o consagraram como um dos mais formid�veis diretores orientais no in�cio dos anos 90.
Marcelo Ikeda (07/10/2002) |