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Esse aguardado filme de Atom Egoyan se revelou uma completa decep��o. Seu enredo � bastante complicado, tecendo v�rias narrativas paralelas que se entrela�am � moda de um cinema contempor�neo, e t�pico do cinema formalista de Egoyan. No entanto, desta vez, um tema pol�tico surge: retratar o massacre dos arm�nios pelos turcos, em acontecimentos que ainda hoje geram d�vidas quanto � sua efetiva comprova��o e que permanecem desconhecidos. Nas declara��es de Egoyan, o diretor
claramente atestava que seu filme � um filme de den�ncia contra o
acontecimento e clamando por um mundo de paz ap�s os recentes atentados nos
Estados Unidos. Com isso, todo o enredo do filme se torna quase indesculp�vel.
Ararat n�o versa sobre o massacre dos arm�nios, mas todo esse drama �
utilizado como pano de fundo para uma hist�ria duvidosa de apelo sentimental
barato e folhetinesco, descaracterizando completamente o conflito que envolve o
suposto tom de den�ncia do filme. Voltando ao enredo, duas hist�rias se
misturam. Na primeira, um rapaz tem uma namorada que acha que a m�e dele for�ou
o pai dela a se suicidar. A m�e � uma famosa pesquisadora sobre um pintor arm�nio,
e por isso � convidada a fazer uma consultoria hist�rica num filme exatamente
sobre o conflito entre turcos e arm�nios, dirigido por um diretor de renome (Se
Egoyan quis que esse diretor fosse seu alter-ego � o c�mulo da pretens�o). Na
segunda, um fiscal da alf�ndega conta a seu filho uma hist�ria de seu �ltimo
dia de trabalho antes da aposentadoria: um jovem (o rapaz antes citado, filho da
pesquisadora) tenta passar na Alf�ndega com latas, segundo ele contendo pel�cula
cinematogr�fica. Perguntado sobre o que fazia l�, o jovem come�a a falar
sobre o massacre dos arm�nios, mudando a consci�ncia do velho fiscal. As hist�rias
se entrela�am, conforme o estilo de Egoyan. Como vimos, h� um filme dentro do filme: o
massacre dos arm�nios � filmado por um diretor experiente. Esse massacre �
filmado da forma mais academicista e insossa poss�vel, repleta de estere�tipos,
de cenas de combate que parecem um filme de faroeste dos anos cinq�enta. Ararat
se det�m em horas nessas cenas, que em nada contribuem para que realmente conhe�amos
um pouco mais sobre os motivos em torno do massacre. Al�m disso, todos os dados deste confronto hist�rico s�o completamente deixados � margem do filme, que em �ltima inst�ncia se det�m nas duas hist�rias (e muito ruins): se a m�e matou ou n�o o pai da namorada de seu filho, e se o rapaz ir� passar na alf�ndega, ou ainda se as latas continham ou n�o drogas. Centrando no papel da identifica��o e na dramatiza��o, Ararat se torna um filme sobre essas pessoas, e o papel em si do massacre passa a ser completamente irrelevante para os objetivos do filme.. Marcelo Ikeda (30/09/2002) |